Mais um post da Helena Matos (com este são 250 mil) a queixar-se que os seus colegas jornalistas não escrevem como ela acha que deviam escrever…
Mais um post da Helena Matos (com este são 250 mil) a queixar-se que os seus colegas jornalistas não escrevem como ela acha que deviam escrever…
É normal – ou pelo menos era quando a internet se começou a vulgarizar no final dos anos 80 principio dos 90 – que as polícias dos vários países fossem buscar hackers para os ajudar a combater os crimes de fraude “cibernético”. Fazia sentido, os hackers eram tipos extremamente bem preparados, com conhecimentos e capacidades acima da média, e “pensavam” como hackers, ou seja, a ideia era colocar atrás dos criminosos alguém que pensasse como eles.
Ora imagino que este seja mais ou menos o racional que levou à escolha de Manuel Frexes, presidente da Câmara Municipal do Fundão, para administrador das Águas de Portugal. De facto, um dos principais problemas das Águas de Portugal prende-se com as dívidas que as autarquias teimam em não pagar. E quem melhor que um grande caloteiro – só a câmara do Fundão deve mais de 7 milhões de euros à AdP – para saber como pensam os outros caloteiros e tentar fazer com que estes paguem as dívidas. Passos Coelho mandou nomear Manuel Frexes para que este faça de cobrador do fraque, porque Manuel Frexes já esteve do lado dos “perseguidos” pelo cobrador e saberá melhor que ninguém antecipar os “truques de fuga” dos caloteiros como ele.
Nota de pé de página: Também pode ser que se trate de um favor político. Pode ser. Mas Passos Coelho prometeu que não ia para o governo para dar emprego aos amigos e como toda a gente sabe a mentira era um exclusivo do Sócrates.
Também publicado no Vozes de Burros
…que o líder partidário que fez da ameaça separatista uma bandeira sempre pronta a atirar contra o Terreiro do Paço, seja ele mesmo o responsável pela maior perda de autonomia que os Madeirense alguma vez viveram após o 25 de Abril.

Enquanto no ensino público a palavra de ordem é cortar e aumentar o número de alunos por turma – agora podem ser 30, querem-nos fazer acreditar que a dimensão das turmas não influencia a qualidade da aprendizagem – para com os privados a atitude do Governo é outra.
Mesmo em tempo de aperto, aumenta-se a comparticipação do Estado às escolas privadas e garante-se o seu financiamento mesmo a turmas com um mínimo de 12 alunos – o anterior governo tinha definido o limite de 20 para esse efeito.
Alguém escreveu há dias num blog qualquer, que em política o que parece é. E de facto, neste caso, parece mesmo que o governo PSD –CDS está muitíssimo empenhado em dar cabo da escola pública em Portugal.
Nota: a respeito da política educativa deste governo, vale a pena ler aquele que até há poucos meses não podia abrir a boca sem provocar abundante salivação nalguma direita blogosférica (muitos, nos dias que correm, com belos cargos de assessoria no governo).
Também publicado no Vozes de Burros
Há quem receba do erário público para passar a vida a comentar nos blogs a vida do PS.
Ainda há bons empregos…
«[...] Escrevi o livro sobre os princípios orientadores da Educação... por incumbência de Passos Coelho. / Tirando três ou quatro frases plagiadas sem autorização e grosseiramente copiadas, o programa para a Educação é o contrário do que tinha proposto. / Há aqui alguma coisa que não conheço, é saber porque é que Pedro Passos Coelho andou durante quase um ano a falar comigo, concordando com tudo o que lhe ia propondo, e depois aparece um programa que não tem nada a ver com aquilo com que concordámos. / Não fui convidado para ser ministro. / Estou profundamente desiludido com o governo. / Sucedem-se as manifestações de desonestidade política. / Nuno Crato não está à altura do cargo, dá cambalhotas, começou o reinado como um autêntico palhaço... / Nuno Crato não sabe o que é uma escola, não conhece a realidade do sistema educativo. / Uma coisa é falarmos no Plano Inclinado, outra coisa é actuarmos. / O modelo de avaliação de professores é tecnicamente miserável e, do ponto de vista humano, kafkiano e monstruoso. / É mentira que tenha extinguido direcções-regionais. Anunciou a extinção para daqui a um ano, nomeando nesse dia nove directores-regionais e mantendo a estrutura como estava. / A subserviência do primeiro-ministro aos prestamistas era dispensável. / O primeiro-ministro revela impreparação... [...]»
Santana Castilho, ao Correio da Manhã
Via Da Literatura
Parece que o sistema de quotas na avaliação é para manter. Naturalmente. Qualquer modelo de avaliação que não tenha quotas está condenado ao fracasso. Parece também que a essência do modelo de avaliação anterior está também toda na versão do Crato - com alguns ajustes, mais ou menos de cosmética, mais ou menos relevantes. Claro que a comunicação social - cada vez mais mansa - passa por cima deste “pequeno pormenor”, e esquece-se dos deputados do CDS e PSD que em várias ocasiões rasgaram as vestes ao lado da Fenprof contra a “humilhação” e “indignidades” a que os professores estavam a ser sujeitos na altura do governo PS. Obviamente. Agora a música é outra. O pote mudou de mãos e consequentemente é necessário ajustar o discurso e as acções.
De qualquer forma isso são contas de um rosário que já lá vai.
O que interessa agora é que a avaliação se faça, e o meu desejo é que esse seja só o primeiro passo de uma mudança de mentalidades no ensino em Portugal. Que se dê mais autonomia pedagógica e de gestão às escolas. Que as contratações e dispensas de professores, por exemplo, sejam feitas directamente pelos directores e, porque não, com a colaboração dos pais.
Nesse dia, o Mário Nogueira tornar-se-á definitivamente uma figura irrelevante. E quer-me parecer que Portugal será um país mais livre.
Também publicado no Vozes de Burros
Criar um shadow cabinet o mais rápido possível, que este governo é demasiado perigoso para ser deixado à solta...
Não sei o que é que cairá primeiro... se a coligação de governo, se a do 31 da Armada…
Junho de 2011: Passo Coelho garante que "não haverá despedimentos" na Função Pública
Julho de 2011: Passos confirma despedimentos no sector público
Mas o "caso Bairrão" não é suficientemente grave para dar origem a uma comissão parlamentar de inquérito?
Ou é só para "não enervar os mercados"?
Alguém que ajude o Ministro Nuno Crato a compreender que a sua lista de to do’s para os tempos mais próximos está descrita no ponto 1.8 do memorando de entendimento com a Troika.
“1.8 - Reduzir custos na área de educação, tendo em vista a poupança de 195 milhões de euros, através da racionalização da rede escolar criando agrupamentos escolares, diminuindo a necessidade de contratação de recursos humanos, centralizando os aprovisionamentos, e reduzindo e racionalizando as transferências para escolas privadas com contratos de associação.”
A partir daqui é começar a trabalhar. Ontem já era tarde...
“Não devemos recriminar as agências de rating”
Mister Silva, a 13/07/2010
Senhor Cavaco, a 6/7/2011, a recriminar uma agência de rating...
As agências de rating, de repente, são terroristas e irresponsáveis.
No Expresso:
No Estatuto Editorial do Expresso
" (...)
8. O Expresso sabe (...) que a publicação insistente de determinados assuntos (...) poderia aumentar a venda de exemplares, mas recusa-se a alimentar qualquer tipo de sensacionalismo que ponha em perigo o jornalismo de qualidade que sempre pretendeu fazer. (...)"
“Passos Coelho é um homem de palavra pois manteve a sua promessa de levar Nobre a presidente da AR”. Grosso modo é este o sentido geral das declarações dos spins oficiais e oficiosos do PSD. Um ou outro mais delirante atreve-se mesmo a culpar a esquerda pela não eleição do presidente da AMI.
Claro que ao PSD dá jeito que se pense assim. Mas a verdade é outra.
Nobre foi um erro de Passos Coelho desde o primeiro minuto em que foi convidado. Não trouxe mais votos. Não alavancou nenhuma mensagem de “sensibilidade social” que servisse de contrapeso à matriz ideológica liberal com que o PSD se apresentou a votos. Basta pensar que depois da entrevista ao Expresso nunca mais ninguém lhe ouviu uma palavra. Nobre foi por isso um elemento neutro nestas eleições.
Apesar de tudo isto, desenganem-se aqueles que consideram que a não eleição de Nobre para presidente da AR é uma derrota de Passos Coelho ou do PSD. Daqui as umas semanas este episódio não passará de um fait divers que será lembrado de forma divertida para os lados da Lapa – “o dia em que nos livrámos de Nobre e ainda saímos por cima”. Já o presidente da AMI, por todo o seu passado, e apesar de alguma tentação narcisista, não merecia a desconsideração pública a que foi sujeito. A política nem sempre é uma coisa bonita.
também no Vozes de Burros
Ainda sobre o vídeo em que Passos Coelho (alegadamente) insulta Sócrates, façam o favor de ler aqui a reflexão do Shyznogud