09.02.11por Catarina Marcelino
Os direitos humanos das mulheres e das raparigas são inalienáveis e indivisíveis, esta é uma mensagem assumida nos textos finais da Conferência das Nações Unidas sobre População e Desenvolvimento realizada na cidade do Cairo em 1994.
E é nessa mesma cidade, na Praça Tahrir, que nós assistimos, hoje, ao palco político mais importante do momento.
O Egipto, assim como a Tunísia, vivem um processo de transição de regime que altera significativamente o quadro geopolítico mundial. Governos aliados do Ocidente com posições geográficas estratégicas, no jogo do médio oriente, estão hoje a chegar ao fim das suas vidas. Abre-se aqui um quadro de esperança democrático.
Estes países têm forte tradição muçulmana, mas também são mesclados de várias culturas e religiões que lhes conferem identidade própria.
Este momento de vaga democrática, é um momento de esperança, mas também encerra riscos, apesar de acreditar que não são eminentes, de oportunismo de fundamentalismos exacerbados que são um risco para a própria democracia, para os direitos humanos em geral e para os direitos humanos das mulheres e raparigas em particular.
Nos países muçulmanos que aplicam a sharia, os direitos humanos não são respeitados. Mesmo países com níveis de desenvolvimento elevado como é o caso do Irão, práticas bárbaras como a pena de morte por apedrejamento em situações como o adultério por parte das mulheres são uma realidade. Basta lembrar o recente caso de Sakineh Ashtiani que gerou forte contestação internacional.
O processo de mudança que está a acontecer em países do norte de África, são processos que devem ser geridos internamente, de forma livre, devendo a comunidade internacional apoiar o caminho para a democracia. Mas é fundamental que, quer internamente, quer externamente, haja vigilância quanto ao respeito pelos direitos humanos e em especial pelos direitos das mulheres, para que nos ventos da "revolução" não surjam movimentos políticos que sejam tentados a impor a sharia, a burka como forma de vida e de prisão.
Acredito que estes povos saberão trilhar um caminho para a democracia, para a liberdade e para os direitos humanos, contribuindo para que a mensagem da Conferência no Cairo em 1994 seja uma realidade inalienável.
11.01.11por Catarina Marcelino
Estamos em plena campanha eleitoral para as Eleições Presidenciais que vão ter lugar dia 23 de Janeiro e Portugal atravessa um momento muito difícil , porque apesar de todas as medidas e resultados, o mercado externo tem sido surdo a todo o esforço que o Governo e os/as portugueses/as têm feito para diminuir o défice.
Mas há um aspecto importante a considerar neste actual contexto, que não podemos esquecer sob pena de hipotecar o futuro do desenvolvimento, da liberdade, dos direitos cívicos, é o facto de haver diferenças muito significativas no modelo social de país que os/as progressistas defendem e que Manuel Alegre personifica em contraponto com o modelo conservador da direita e de Cavaco de um Portugal a preto e branco.
Nós progressistas defendemos a igualdade entre mulheres e homens, uma igualdade verdadeira que permita a todos e todas fazer as suas escolhas individuais sem terem que ter um rótulo que diz mulher - mãe, dona de casa, cuidadora e outro rótulo que diz homem - o sustento da família, o que ganha mais, o que não precisa de cuidar.
Nós progressistas defendemos que cada pessoa tem que ter garantidos os seus direitos constitucionais sem que a sua orientação sexual seja uma limitação.
Nós progressistas defendemos que as pessoas têm direito a decidir individualmente sobre as suas vidas.
E é na senda destes direitos e duma visão de sociedade moderna, de progresso e de justiça social que muitos/as de nós apoiam o candidato Manuel Alegre porque ele é a garantia duma sociedade de progresso.
Um grupo de cidadãos/ãs defensores/as da igualdade lançaram um manifesto de apoio a Manuel Alegre enquanto garante destes princípios fundamentais.
deixo o texto e o e-mail para quem quiser subscrever: igualdade.manuelalegre@gmail.com
MANIFESTO
APOIAMOS MANUEL ALEGRE
Apoiamos Manuel Alegre também porque se candidata “pela igual liberdade de homens e mulheres” e porque considera “a igualdade de homens e mulheres uma prioridade da organização social”[1].
O que demonstra que Manuel Alegre não se conforma com a persistência da atribuição de “destinos” impostos às pessoas apenas em função do sexo com que nasceram. E não só porque o direito à liberdade individual é violado, mas porque a velha lógica das esferas separadas ou mais próprias – a pública para os homens e a privada para as mulheres – tem mantido e reproduzido as assimetrias conhecidas na situação das mulheres e dos homens.
Em desfavor das mulheres;
- no acesso ao emprego e no trabalho pago,
- no desemprego,
- no tempo de trabalho não pago que sustenta a vida familiar,
- nos rendimentos, sejam salários ou pensões,
- no poder de tomar as decisões que moldam a vida de todos e todas nós,
- na violência social que as vê como objectos e não como sujeitos,
- na violência física e psicológica que as humilha e as mata[2].
Em desfavor dos homens:
- no tempo para o exercício da paternidade e na desvalorização social desse exercício,
- na presunção da sua incompetência para o cuidado de filhos e filhas,
- no abandono escolar precoce,
- no ensino superior,
- na esperança de vida,
- nos acidentes,
- na criminalidade,
- nas detenções,
- na violência social que lhes ensina violência e os pune quando a praticam.
O contrato presidencial de Manuel Alegre demonstra que este candidato entende a essência eminentemente política das razões pelas quais a Constituição atribui ao Estado, como tarefa fundamental, “a promoção da igualdade entre homens e mulheres”[3], e antecipa o papel activo que, como Presidente da República, terá nesta matéria. Não só não vetando leis que contribuam para o cumprimento da norma constitucional, mas também exercendo a sua influência para que os indicadores do desenvolvimento humano revelem progressivamente a paridade de homens e mulheres em todas as esferas da vida.
Por isso nós, as mulheres e os homens que assim manifestamos apoio público a Manuel Alegre, consideramos que este tema não interessa apenas às mulheres, mas queremos sublinhar a relevância estratégica para o futuro da cidadania em Portugal da visão do único candidato para quem a igualdade de homens e mulheres é um pilar do Estado de Direito Democrático, a garantia da renovação das gerações contrariando o envelhecimento demográfico, e um pressuposto decisivo para o fim das discriminações “em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual”[4] contribuindo para a sustentabilidade social. E por tudo isto uma prioridade no contrato presidencial de Manuel Alegre.
[1] Ponto 7 do “Contrato Presidencial – Uma nova esperança para Portugal
[2] A violência doméstica foi, em 2010, 2.º crime mais denunciado às forças de segurança - sendo o primeiro as ofensas à integridade física simples – e provocou entre as mulheres 40 vítimas mortais directas
[3] Constituição da República Portuguesa – artigo 9º alínea h)
[4] Constituição da República Portuguesa – artigo 13º nº 2
26.10.10por Catarina Marcelino
Aguardamos os resultados da negociação entre o Governo e o PSD, num esforço comum para encontrar uma saída para Portugal. Porque a credibilidade e a estabilidade são factores determinantes no contexto dos mercados externos.
Este não é mais um Orçamento, este é o Orçamento. Aquele de que ninguém gosta, mas aquele que é necessário para a sustentabilidade do país.
É preciso racionalizar, é preciso fazer esforços, é preciso fazer cedências, mas é sobretudo necessário bom senso nas decisões. Equilibrar as finanças públicas salvaguardando o mais possível o crescimento económico e o emprego é o caminho, porque sem uma diminuição acentuada do défice não teremos capital para investir na economia, simplesmente porque os mercados externos avaliam o risco da dívida de forma demasiado elevada levando ao aumento dos juros e tornando a situação insustentável para o país.
Existe um consenso alargado quanto ao facto de precisarmos de credibilizar Portugal perante os mercados externos.
Enquanto Portugal se encontra suspenso da decisão das negociações em curso é necessário que os responsáveis políticos coloquem os interesses do país à frente dos seus interesses pessoais e partidários, em nome do bem comum.