O assunto é recorrente e recentemente voltou às páginas dos jornais através de dois dos mais inenarráveis políticos deste tubo de ensaio em forma de país, Alberto João Jardim e Isaltino Morais. Um, como é sabido, comprou vitórias eleitorais em barda com dinheiro que não era dele e construiu numa Região Autónoma um poder feudal, com a complacência de inúmeros governos da República, outro meteu-se em esquemas e falcatruas a mais para serem reportados em qualquer texto que eu ambicione escrever em menos de 364 horas. Em comum, não só foram eleitos, como reeleitos vezes sem conta, como ainda são defendidos pelos seus eleitores para lá de qualquer fronteira higienicamente aceitável.
Muitos tentam explicar como isto é possível, eu, como não gosto de os repetir, e como a minha indigência me leva muitas vezes a fugir de explicações complexas, o que tenho a dizer é que estes fenómenos são possíveis porque temos uma atitude futebolística perante o poder local. É incrivel como o mesmo povo que julga na mesa de café qualquer suspeita que se abate sobre qualquer figura pública nacional, e julga sumariamente, sem ver provas, sem dar direito a recurso, e muitas vezes pedindo a pena de morte, quando toda ao político da sua terra tudo é diferente. Não há razão que seja válida, não há argumento que mereça discussão. Os outros são todos ladrões, mentirosos, corruptos e tudo mais o resto, os nossos, até o podem ser, mas como são nossos ai de quem os ataque.
Isto caros(as) leitores(as) é uma reacção tipicamente futebolística, o nosso clube é sempre o melhor e nunca perde por culpa própria. Infelizmente esta irracionalidade saiu do campo do desporto onde é natural (ninguém me tente provar ou convencer que ser Benfiquista não é a maior de todas as virtudes desportivas da galáxia) e contaminou a nossa forma de olhar para os políticos da nossa terra, o que explica a permeabilidade das eleições locais aos discursos mais populistas que se ouvem no país.
O exemplo de Oeiras, da Madeira bem como de outros locais, associado à extinção do IGAL promete tempos perigosos à nossa frente.





