25.06.11por Cláudio Carvalho
Em resposta à presunção ético-moral e política deste post "As teses e a realidade":
(1) Não me peça para voltar a referir que não é sensato nem responsável fazer juízos políticos com base em avaliações normativas. Est gratia: Hiperbolizando para melhor percepção, se eu comparar Hitler com Merkel, Merkel será sempre melhor. Regan é um "santo" à beira de Pinochet.
(2) Gostei da tentativa de me "colar" à extrema esquerda, mas mais depressa me veria "devorar" Rothbard do que um qualquer escrito de Álvaro Cunhal, já para não falar nos teóricos de base. Foi uma tentativa despropositada, recorrente e reveladora do nível de algumas práticas actuais.
(3) Não me peça, unicamente, que advogue que as ideias se devem moldar às pessoas, dado que essa postura política foi precisamente a que conduziu ao estado de desconfiança/descrédito nas estruturas e à corrupção perpetuada no seio político nacional. Mais, remeto para o ponto (5). É, também, sem dúvida, curioso ver uma dita esquerda adoptar a visão que a diferenciou secularmente da direita conservadora: anti-humanismo e anti-utopismo. Quanto à prática quotidiana, não tenha dúvidas que já servi positivamente mais as pessoas de que me acusa, sem a mínima vergonha, de não ter consideração, nomeadamente jovens e estudantes, do que a grande maioria dos partidários de hoje. Felizmente, a dedicação aos outros não é propriedade da classe político-partidária, ainda que esta presunçosamente se ache muito capacitada e a única dedicada à res publica.
(4) Também, não me leu quanto ao Chipre. É pena. Que o AKEL é o partido do PM cipriota, sei eu! Tente descobrir qual é o partido do Ministro dos Negócios Estrangeiros (http://www.mfa.gov.cy/mfa/mfa2006.nsf/index_en/index_en?OpenDocument). Sim, é um governo de coligação e sim o ministro não é independente e não é do AKEL.
(5) Soares é um excelente político, com erros e virtudes, mas não é um exemplo de teórico irrepreensível, ainda assim diz umas coisas fabulosas:
"Tony Blair (...) politicamente nunca me mereceu especial apreço por causa da sua famosa terceira via, na qual, como os meus eventuais leitores se lembrarão, nunca acreditei. (...) Quando um político, com aspirações a marcar a história com a sua acção, não tem convicções e segue os ventos oportunistas do tempo, segundo as conjunturas, fica sempre sujeito a que os eleitores descubram e, mais tarde ou mais cedo, o abandonem... Mais vale perder com honra que ganhar enganando."
E paro por aqui. Foi a minha última publicação neste espaço. A cidadania não passa só por aqui, muito menos por gabinetes e púlpitos políticos. Um abraço aos demais.
PS: E para a próxima, pode-me tratar por você. Não sou seu camarada...
24.06.11por Cláudio Carvalho
Diz-se que não terei sido muito objectivo, quando me "aticei" contra o pragmatismo político, que oportunamente se aproveita da sua base sociológica, proveniente dos social-tatcheristas pretensamente chamados, igualmente, de partidários do socialismo democrático - quanto atrevimento!, que heresia infiel a minha!. Assim, tanto quanto parece, fui tão subjectivo quanto a praxis da própria terceira-via que o Carlos Manuel Castro defende, apenas porque sim.
Contudo, mais preocupante não é esta presunção da objectividade mas o contorcionismo ideológico e o revisionismo histórico: mais preocupante, é que nada se aprende com o passado, recente e o longínquo, tal é a assumpção marketizada de que as últimas governações ditas socialistas têm sido bem sucedidas, fingindo a realidade pura e dura das sucessivas derrotas eleitorais. Repito: "há uma década atrás, quase metade dos países europeus eram governados por partidos sociais-democratas". Isto é o primeiro facto.
O segundo facto é que nenhum teórico do dito "socialismo democrático" que seja de se levar a sério, se refere a... "socialismo democrático". Na realidade, socialismo democrático não mais é que social-democracia, mas cá no burgo lusitano é um problema que o povo pense por si mesmo. O socialismo nada tem de democracia, a democracia nada tem de socialista.
Terceiro facto: por muito que insistamos numa linha argumentativa, esta não faz dela, necessariamente, mais credível ou verdadeira. Isto é, não é pelo Carlos dizer convictamente: "Foram ou não os anos de Blair um caso de sucesso? Foram." ou "Foram ou não alcançados grandes feitos com o Labour no Reino Unido? Foram.", que isto se torna irremediavelmente um dogma. Ou não é pela actual governação ser má - "E a actual governação tory/lidbem ainda destacam mais as políticas de esquerda do Labour." - que a governação do "New Labour" se torna primorosa. Alguém minimamente atento, perceberá, facilmente, porque é que foi Ed Milliband, e não o irmão David, que ganhou as eleições internas no Labour. Factualmente, se o New Labour permitiu uma maior liberdade económica, também promoveu o militarismo, capitulou na promoção de maior coesão sócio-económica (será enviesado estabelecer uma avaliação normalizada), manteve planos de privatização do governo conservador precedente - nomeadamente no sector público de transportes ferroviários (efectivado!) e nos correios -, promoveu os mesmos abusos que os homólogos portugueses com as PPP's, nomeadamente em sectores do Estado-Social como a saúde e a educação, mas não só, ajudou à desregulação da legislação laboral. Salto à frente no regabofe compactuante da desregulação financeira...
Ainda, mais preocupante é o contorcionismo com a alternância democrática ser unidireccional, sempre em prejuízo da família S&D - "Mas para quem governou 12 anos, num contexto de exigência mediática sem precedentes e que desgasta muito quem está no poder, esperaria-se que o poder fosse eterno? Vivemos em Democracia e se a alternativa pode não existir a alternância existe". Na verdade, não passam de tentativas esforçadas de desculpabilizar a má governação e a má accountability. O Carlos não percebeu: A culpa da Social-Democracia - ou do que ele apelida de socialismo democrático - não é mais que não ter um caminho. O Carlos, também, não percebeu que não foi o meu intuito ser objectivo: a teorização da social-democracia serve-me tanto a mim como a qualquer outro cidadão.
A culpa deve ser, certamente, da imprensa dos órgãos político-partidárias e essa, sim, é a verdadeira responsável pela "consolidação da direita no poder". Ainda, assim, não tenho nada contra o liberalismo - neo, ordo, minarquista, anarcocapitalista,... -, só não gosto de ideologias tresmalhadas e revisionismos históricos demasiado forçados.
PS: O poder no Chipre é governado em coligação: comunistas e social-democratas.
21.06.11por Cláudio Carvalho

Depois da derrota do Labour no Reino Unido para a coligação Tories-Lib Dems, seguiu-se a derrota nacional de mais um partido social-democrata europeu. Há uma década atrás, quase metade dos países europeus eram governados por partidos sociais-democratas; hoje restam cinco: Espanha, Grécia, Áustria e Eslovénia e Chipre, esperando-se que Zapatero em Espanha e Geórgios Papandréu na Grécia também caiam. Estão a ter dificuldades em renovar, no caso do primeiro, ou concluir os seus mandatos. Não foi por falta de aviso. SPD, Labour, Partido Socialista, PSOE e SPÖ têm especiais responsabilidades por não terem sabido conduzir o processo de construção teórica - sem cedências ao laissez-faire - e estratégica da social-democracia. O problema não é recente e não se pode imputar a culpa da crise aos processos comunicacionais dos diversos partidos. A social-democracia não pode ser considerada um "modelo perfeito" sob tão parca teorização, sendo usurpada abusivamente por efeitos marketizantes, com o desnorte de estratégia política que temos vindo a assistir por toda a Europa e pelo afastamento da sua base sociológica. Quanto à teorização e evolução histórica, a cedência à visão, sabe-se agora falhada, edificada por Giddens sobre a renovação da social-democracia, como teorizado em "The third way: the renewal of social democracy" trouxe, realmente, um retrocesso de todo dispensável à manutenção das políticas sociais e de fomento da coesão e sustentabilidade económico-financeira. A queda social-democrata na primeira década do terceiro milénio, só pode ser comparada à queda que o Keynesianismo e o Marxismo sofreram nos finais da década de 70. Curiosamente, a tentativa de reabilitação dos socialistas, trabalhistas e sociais-democratas pela terceira-via, foi precisamente a sua implosão. Mas será que se pode aplicar o termo de "queda em queda até à queda final"?
12.06.11por Cláudio Carvalho
Porto vs. Benfica. Azul vs. Vermelho. Norte vs. Sul. Independentes vs. Políticos. Republicanos vs. Monárquicos. Socialistas vs. Liberais. Trabalhadores vs. Empresários. A História Social Contemporânea Portuguesa assenta em dicotomias infrutíferas e retrógradas que nos conduziram, sem prejuízo de necessárias conotações ideológicas, a esta crise - mais de valores do que económico-financeira - : foram verdades por dizer, promessas impossíveis de cumprir e consensos "destruídos" pelo desejo individualista do poder pelo poder. O Estado do país é o estado dos que o compõe. Os que em 2009 prometiam uma política económica keynesiana sabendo-o que esta adopção não dependia tão só deles, não são muito diferentes dos que em 5 de Junho passado trifunfaram prometendo a redução da TSU, um novo modelo fiscal para os próximos quatro anos e a manutenção dos sectores vitais do Estado Social como o conhecemos. Sem falsas esperanças, nunca será possível um Estado democrático, sustentável e justo, quando a verdade e o interesse social são subjugados à futebolização política e ao interesse do indivíduo.
E disse.
07.06.11por Cláudio Carvalho
PSD consegue 38,63% dos votos e conquista 46,46% dos deputados (+7,83%).
PS alcança 28,05% dos votos e garante 32,30% dos deputados (+4,25%).
CDS-PP atinge 11,74% do total de votos e garante 10,62% dos deputados (-1,12%).
PCP-PEV consegue 7,94% dos votos e garante 7,08% do número total de deputados (-0,86%).
BE alcança 5,19% dos votos e conquista 3,54% de deputados (-1,65%).
Na contabilização final (*), espera-se que o diferencial entre a percentagem do número total de deputados garantidos e a percentagem de votos alcançada aumente em favorecimento dos dois maiores partidos e em claro prejuízo da representatividade democrática.
(*) Nota: Faltam distribuir 4 mandatos dos circulos "Europa" e "Fora da Europa"
29.05.11por Cláudio Carvalho
Há coisas que chateiam um gajo, especialmente, aqueles, como eu, que gosta de modelos de Estado Social como os Nórdicos e não do pretensioso "Estado Social" a que chegamos criado pelo PS onde dois curativos com pensos e betadine custam 150€ no SNS. O Nuno Gouveia, deixado da cegueira dos ataques cegos e nada construtivos de outras alturas, felizmente, aqui diz das coisas mais acertadas dos últimos tempos: "o número de estudantes bolseiros baixou 12 mil alunos, passando 76 mil bolseiros do ano anterior para os 64 mil da actualidade." Acrescenta, ainda, que é "por uma questão de "redução cega" orçamental". Ora como é sabido, Gago e o MFAP orçamentaram 147 milhões para acção social directa e indirecta, mudaram-se os regulamentos de bolsas, introduziram-se outros (Decreto 70/2010), adiantaram-se umas quantas portarias e normas para se corrigirem umas quantas falhas e voilá menos 12 mi alunos: uns eliminados correctamente pelo sistema, mas a maioria "escorraçada" por artinhamanhas contabilisticas por afectação do "famoso" DL70/2010 que fez aumentar a capitação calculada e não a efectiva dos agregados familiares, aplicações retroactivas da legislação (aproveitamento escolar exigido), diminuição da base de recrutamento, etc... valeu de tudo para executar um orçamento abaixo do previsto e atacar o Estado Social apregoado. Um dos paladinos do Estado Social, o Pedro T., ataca o Nuno, dizendo que toda a regulamentação é muito justa e todos foram ouvidos: AE's, CRUP e CCISP. Acrescenta, ainda, que a acção social é mais que a directa e que o Estado tem apoiado as cantinas de acção social - aquelas com capacidade reduzida e onde as refeições têm diminuído de qualidade e quantidade - as residências universitárias - aquelas como as da Universidade do Porto que são insuficientes e obrigam os estudantes a recorrer a um mercado arrendatário completamente desregulado - e os transportes - aqueles passes sub 23 que foram aprovados pelo PS ao invés da proposta do PSD de atribuição de um passe social sub 25! É pena, o Pedro T. ser intelectualmente desonesto, esquecendo-se que as AE's só defenderam a linearização, contratualização (a contratualização que ainda só existe em papel) e pouco mais, ao contrário do que pretende deixar no ar, nomeadamente o limiar de elegibilidade e o cálculo da capitação para efeitos de definição do valor de bolsa a atribuir. Os Estudantes não esquecem; dia 5 saíram penalizados.
18.05.11por Cláudio Carvalho
A maior virtude da(s) esquerda(s) é, de facto, o seu pluralismo, como tem afiançado Manuel Alegre nos últimos anos mas, na verdade, também a sua grande fraqueza, resultando na incapacidade de se estabelecerem convergências e consequentemente a autofagia do seu fim comum. A incapacidade de se estabelecerem convergências nacionais tem, não só, raízes históricas nacionais - apesar do maior e, talvez, único e último combate em uníssono contra o regime fascista - como tem, essencialmente, raízes na própria génese e evolução ou construção da(s) esquerda(s). O busílis reside na separação entre o ideal e o real, entre anarco-sindicalistas, socialistas utópicos, socialistas científicos e a social-democracia empírica, claramente maioritária – também, maioritariamente anti-utópica - e que acabou por ceder recentemente, sem estratégia, aos encantos da desregulação - desresponsabilização ? – (neo)liberal, sob a capa da teorização da terceira-via de Giddens.
Não me cabe fazer e nem acredito na diabolização do socialismo científico, do revisionismo bernsteiniano e dos “revisionismos” da própria concepcção social-democrata de Bernstein ou do(s) liberalismo(s), até porque existe um grau de admissibilidade desde que haja clareza na afirmação de um rumo ideológico. O que critico é a alienação ou o abandono do idealismo e humanismo da discussão e da praxis política à esquerda, considerando-se que a direita guia-se, em oposição ao utopismo e ao optimismo antropológico, pelo individualismo, realismo, cepticismo e até hobbesianismo. Assim, a cedência social-democrata ao empirismo e a contínua cedência do marxismo revolucionário à modelação anti-democrata como comprovada por Kautsky é, tout court, uma subserviência às concepções da direita, seja ela na sua versão libertária ou conservadora. A esquerda precisa de repescar princípios da visão reformadora, sinérgica e humanista de Owen, tal como princípios mutualistas proudhonianos e porque não princípios do capitalismo keynesiano? A esquerda necessita, como oxigénio da sua sobrevivência internacionalista, de arrumar com o seu próprio sectarismo e com o anti-humanismo da ortodoxia marxista e da social-democrata e tender, para a “luta cultural”, objectivando a construção pacifista de uma sociedade aclassista, em estabilidade democrática plena. “Exijamos o impossível”!
11.05.11por Cláudio Carvalho
Portugal, ainda, é um país extremamente conservador: vê-se na parca dinâmica criativa das empresas, na aversão ao risco ou na incapacidade empreendedora dos jovens, na dificuldade política de assumir reformas fundamentais na administração pública e vê-se, logo à partida, na nossa CRP. Portugal é tão conservador que a sua própria Constituição, dita democrática e pluralista, incongruentemente, proibe uma ideologia.
Não importa se tal facto tem um enquadramento histórico ou não, mas tão somente se essa consagração é coerente ou não e se é democrática, plural e respeitadora dos princípios basilares de Abril? A resposta é óbvia: Não e não! A coerência deveria levar à extinção da proibição da perfilhação da ideologia fascista ou à proibição de todos os tipos de totalitarismos sociais, éticos, morais, religiosos, económicos e financeiros. Neste último caso, Custóias seria o último reduto de comunistas, anarquistas, minarquistas, anarco-capitalistas e anarco-sindicalistas. Assim, não contem comigo para este peditório, onde é tabu aceitar-se falar, simplesmente, com um fascista e/ou nacionalista, mas onde é tolerável um partido comunista autoritário com constituintes que acreditam que a Coreia do Norte é uma democracia. Portugal não pode ser um monopólio de pseudo-democratas que modelam os valores do seu povo.
Dito isto, sou tão anti-comunista como anti-fascista, mas não defendo o seu abate ou não auscultação sob a falsa chancela do pluralismo democrático e da liberdade.
05.05.11por Cláudio Carvalho
26.04.11por Cláudio Carvalho
... ao "A Arte da Fuga", que comprova que ao que parece outros Estados Socialistas, como os EUA, Reino Unido e Japão têm défices públicos e despesas públicas acima do que seria expectável. Eu que pensava que era só em Portugal de José Sócrates.
26.04.11por Cláudio Carvalho
O Carlos Manuel Castro avisa-nos que o PP de Rajoy está em "queda livre", tendo apenas pouco mais que 2% de vantagem sobre o PSOE. Por cá, já sabemos como vai o "burgo". No Reino Unido, a coligação Tories-Lib Dems, também já conheceu melhores dias. Merkel tombará mais tarde ou mais cedo. Em França, Sarkozy perde tereno para ultra-conservadores e socialistas.
25.04.11por Cláudio Carvalho
O Público destacou, no passado dia 21, duas páginas dedicadas à política educacional em Portugal. O Alexandre Homem de Cristo queixa-se, com razão, da ingerência jornalística que não apresenta "um gráfico, não faz uma comparação de dados, não existe qualquer tentativa de contrastar a realidade à propaganda do Governo". Já, o João Galamba lança para a mesa uma qualquer notícia de um qualquer site e arruma com a conversa: "os governos de Sócrates (mais o primeiro que o segundo) foram os melhores que a nossa democracia teve neste sector". Reconhecido o esforço propagandistico, Alexandre Homem de Cristo lembra e bem que investimento não é qualidade (não que Sócrates tenha, necessariamente, investido mais) e que o aumento do número de diplomados não é necessariamente um ponto positivo (diz-se que aumentaram, em 193,2%, o número de diplomados em matemática, ciências e tecnologias, em oposição aos 37% da média da União Europeia). Todavia, João Galamba e Alexandre Homem de Cristo caem no mesmo erro, no erro mais grave, no erro da análise superficial do sector, como se a educação se tratasse das "letras gordas" dos jornais e da escolaridade obrigatória.
Primeiro Ponto: Investimento
João Galamba dixit: "Nunca se investiu tanto na escola pública". Comecemos, então, pelo investimento.
É prática recorrente, o uso a termos comparativos para realçar as virtudes do Governo, nem que seja através do nivelamento por baixo. No caso do investimento público, diz-nos o "Education at a Glance 2010" que Portugal está na lista dos países com investimento abaixo da média da OCDE e, inclusive, piorando os resultados relativamente a 2000 (pg. 238). Na página 225, o nome do país é mencionado pelas piores razões: "As a result, the decrease in the share of public funding on educational institutions was more than 5 percentage points in Canada, Mexico, Portugal, the Slovak Republic and the United Kingdom. This decrease is mainly due to a significant increase in the tuition fees charged by tertiary educational institutions over the period 2000-07". Como se não bastasse, Portugal é referido como o único país onde o investimento público em instituições de ensino diminuiu ("public expenditure on educational institutions increased in all countries with comparable data except Portugal", pg. 227). Aconselho-o a dar uma saltada à página 236 e fica arrumada a questão do investimento público, sem antes terminar com o seguinte gráfico:

Como não só o financiamento se faz de financiamento directo às escolas e instituições de ensino superior, mas também através da acção social, pense na actuação do MCTES de Mariano Gago ao longo deste ano. Como sabe este mudou a legislação relativa às Bolsas de Estudo, executando uma despesa em acção social muito inferior aos 147 milhões de euros destinados para essa finalidade. Desconte-se os atrasos típicos da incapacidade governativa dos néscios pseudo-socialistas. Se não é ingerência, é canabilizar o Estado Social tão apregoado:

Segundo Ponto: Reformas
Posso conceder quando João Galamba diz "que nunca se fizeram tantas reformas" na educação, já quanto à sua necessidade tenho as minhas, justificadas, reticências. Entre as "tantas reformas" estão: "Plano Tecnológico da Educação" (2007), "Plano Nacional de Leitura" (2006) - programa desnecessário se já houvesse competência dos profissionais -, "Inglês no 1º ciclo do ensino básico" (2005), "Escola tempo inteiro" (1º ciclo) (2005) - efectivar o óbvio! - e a inconsequência do "Novas Oportunidades" (2006). Se tiver dúvidas disto, bastará consultar o "Education at a Glance 2010" da OCDE, que aponta Portugal na lista dos países abaixo da média da OCDE na participação de adultos na educação formal e/ou não formal, a par da mediocridade coreana, italiana e polaca e bem longe da realidade norte europeia, Suiça ou Neo-Zelandesa.
Terceiro Ponto: Avaliação e Qualidade de Ensino
Quando acusa (e bem) a oposição de voltar atrás na avaliação dos professores, esquece-se que avaliação e qualidade são matérias bem mais abrangentes que a avaliação de professores/docentes. Pode-nos dizer qual é a avaliação da qualidade do ensino prestado pelo serviço público e privado no ensino primário e secundário? E qual é a qualidade de ensino no superior? Tem noção da realidade da Rede de Ensino Superior e da sua incomportabilidade ao nível financeiro e do seu impacto na qualidade do ensino administrado e na saturação do mercado de trabalho?

Neste sentido, porque é que Partido do Governo não avançou com a prometida "reorganização das ofertas educativas da rede pública" (ver Programa de Governo 2009-2013)? A resposta é clara: falta de coragem política!
Para terminar, quando João Galamba fala dos resultados do PISA, ao nível do crescimento de formados, devo lembrar-lhe que Portugal está baixo abaixo da média da OCDE quanto à população portuguesa dos 25 aos 64 anos que completou o 12º ano e o nível de ensino superior. Crescimento é apenas isso, quando se está no fundo...
24.04.11por Cláudio Carvalho
Na passada Quarta-feira propus à Coligação Democrática Unitária, numa audição relativa a políticas de juventude, que elencasse no seu programa a alteração do Despacho n.º 22434/2002 (2.a série) do Gabinete do Ministro do MCES de Outubro de 2002, indexando ao IAS (e não à RMMG) os preços das refeições e do alojamento.
Actualmente, segundo este Despacho, o valor mínimo de referência para refeições em cantinas de acção social para estudantes do ensino superior é de 0,5% da RMMG e 15,0% da RMMG para valor mínimo do alojamento, ou seja teríamos em 2011/2012, a fiar numa Retribuição Mínima Mensal Garantida de 485€, um valor de 2,43€ por refeição (valor mínimo) e 72,75€ por mês de alojamento numa residência universitária (valor mínimo).
Sinteticamente, a proposta apresentada passaria para algo do género:
- Refeição: 0,5% do IAS (419,22€) = 2,10€/refeição, nada mais nada menos que -0,33€ por refeição;
- Alojamento: 15% do IAS (419,22€) = 62,89€/mês, -9,86€/mês.
Prontamente, rejeitaram liminarmente a proposta porque paralalapapa papa pa la la "ideologicamente não se reviam na política do Partido Socialista em criar este mecanismo, a favor da precariedade, que é o IAS" paralalapapa papa pa la la «(inserir aqui mais uns quantos chavões contra o PS)». Ainda, tentei explicar que esta medida traria coerência ao actual enquadramento legal e que baixaria os valores de refeição e alojamento para os estudantes do ensino superior, mas sem sucesso.
Ontem, a Juventude da CDU apresenta como proposta o "alargamento da oferta e redução de preço dos apoios indirectos (cantinas, residências, etc.)" (http://www.jcp-pt.org/index.php?option=com_content&task=view&id=1176).
A moral da história é simples: Nem em questões pequenas e de óbvia convergência, o PC consegue estabelecer convergências, imagine-se, agora, num pacto político de governabilidade a longo prazo...
23.04.11por Cláudio Carvalho
22.04.11por Cláudio Carvalho
19.04.11por Cláudio Carvalho

Encruzilhada Ideológica
O partidarismo, nomeadamente, o nacional, invoca constantemente a polarização ideológica com o intuito de arrastar as bases para o "apoio claquista", talvez até, "religiosamente fanático" em prol de objectivos puramente eleitoralistas.
A raiz da verdade é o mal da nação: Portugal não manda em si próprio. A democracia participativa ou representativa portuguesa tem um poder limitado a políticas locais. Quanto a macropolíticas, estamos completamente (de)pendentes da supressão decisória de organismos políticos europeus ou da oligarquia financeira e económica (aparte: federalismo europeu, neste contexto político-ideológico: não, obrigado!). Portugal, há muito, não manda em si próprio. Portugal cinge-se a um protectorado europeu sem autonomia de qualquer ordem: não governa, não produz e não cria.
Assim:
Não há Partido Comunista que possa almejar prosperidade para lá de uma imagine-se imposição revolucionária e de um estado transitório socialista. Não há Bloco de Esquerda que possa esperar 'per se' uma transição democrática para uma sociedade aclassista quando vivemos perante um xadrez sociológico individualista, realista, anti-utópico, em suma, de direita. Não há Partido Socialista que se possa intitular de esquerda, quando tolera e compactua, à deriva, com práticas de desregulamentação e de privatização de sectores públicos estratégicos. Este cinge-se a limitar o poder natural, diria espontâneo, do capitalismo político. E com os restantes não podemos contar com mais do que o liberalismo part-time, isto é, que depende de tendências socialistas para se alimentar como é bom exemplo o bailout a entidades financeiras e que se deviam cingir única e exclusivamente pelo darwinismo da orla económico-financeira.
Precisamos que nos digam a verdade, precisamos de estar receptivos a ouvi-la: O capitalismo não nos salvará; a esquerda tem que se reconstruir... Mas em que moldes?
16.04.11por Cláudio Carvalho
Os "nossos amigos humanistas" do FMI e da UE são tão amigos mas tão amigos que exigirão em juros o mesmo dinheiro que o gasto no bailout ao BPN. Solidariedade europeia, onde?
15.04.11por Cláudio Carvalho
12.04.11por Cláudio Carvalho
O país está perante uma grave crise económico-financeira, política e social. Mais do que nunca, dizem-nos, a nós jovens, que não vale a pena estudar, trabalhar, criar, inventar ou viver em Portugal. Os conformados dizem-nos para desistir: mudar de país ou conformarmo-nos com o nosso fado. Pretendem formatar-nos para o mesmo pensamento catastrofista que nos trouxe até aqui, mas esquecem-se que a nossa geração tem as ferramentas – conhecimento, espírito de sacríficio e coragem - para ultrapassar as barreiras que outros não ousaram transpor. A renovação das estruturas democráticas e da “sociedade civil” vai passar, a curto prazo, por nós e aí teremos, finalmente, a oportunidade de implementar um novo paradigma económico e financeiro, procurando a sustentabilidade, o mutualismo e a justiça acima do individualismo financeiro, da usurpação e da ganância, elevaremos o mérito acima do nepotismo, a educação será rigorosa mas moderna e sem ser opressora e ultrapassada, a justiça não será promíscua, a democracia representativa será qualificada e a democracia participativa reforçada. Uma Nova Geração está, serena e paulatinamente, a tomar conta das rédeas do país e aí "a primavera vai chegar, florida”, como já dizia Torga.
12.04.11por Cláudio Carvalho
Para quem esteve desatento à actualidade noticiosa, eis um resumo do caso numa só imagem:

10.04.11por Cláudio Carvalho

20 de Fevereiro de 2011: Meus Queridos Amigos Cidadãos Portugueses: Até final de Abril/ Maio, encerrado completamente, espero, todo o processo constitucional da Candidatura e ouvidas muito atentamente as pessoas que mais amo e alguns Amigos, anunciarei a decisão sobre o como e em que moldes agiremos no futuro. SERÁ, COMO NÃO PODERIA DEIXAR DE SER, UMA DECISÃO REFLECTIDA, SERENA, SOLITÁRIA, DEFINITIVA E SOBERANA.QUE NÃO PASSARÁ PELA CRIAÇÃO DE QUALQUER PARTIDO POLÍTICO. E QUE, GARANTO-VOS, EXCLUÍ A MINHA PARTICIPAÇÃO POLÍTICA, NEM COMO INDEPENDENTE, NO ÂMBITO DOS PARTIDOS EXISTENTES, NEM EM ACTUAIS OU FUTUROS GOVERNOS PARTIDÁRIOS.
10 de Abril de 2011: Fernando Nobre é o cabeça-de-lista do PSD por Lisboa
09.04.11por Cláudio Carvalho
09.04.11por Cláudio Carvalho
O mesmo povo que quer crucificar o actual Primeiro-Ministro é o mesmo povo que elegeu o maior responsável pelo abatimento da produção nacional, esbanjamento de fundos europeus e o grande responsável por não haver um pacto transversal entre as forças políticas. A culpa não é deles, é nossa.
06.04.11por Cláudio Carvalho

Espera-se que mais uma vez o dinheiro europeu não seja dado para compra de tractores agrícolas jipes como nos tempos idos do cavaquismo.
06.04.11por Cláudio Carvalho

A direita defensora do individualismo globalizado, a céptica ou a realista, a liberal, a direita hobbesiana, diz-nos que os demais países europeus, os banqueiros e os investidores nos querem ajudar - pura amizade! - e eis que, num golpe revisionista, despertaram para o humanismo rosseauniano e perseguem a utopia da completa solidariedade e fraternidade entre os povos sem fronteiras. E eu que pensava que defendiam a maximização de interesses individuais que acabam por se encontrar com os nossos próprios interesses... eis a direita que, por vezes, é esquerda e progressista.
05.04.11por Cláudio Carvalho
O violento terramoto que assolou o Japão e destruiu parcialmente as centrais nucleares de Fukushima e Ibaraki, tendo consequências radioactivas, ainda que não ao nível do desastre de Chernobyl, deu mais força ao movimento anti-nuclear internacional, mas também nacional.
Se por um lado, Portugal tem uma enorme dependência energética externa, por outro tem procurado investir em fontes alternativas de energia limpas e renováveis, nomeadamente na energia eólica que, igualmente, não gera consensualidade na esfera económica e ambientalista. Assim não é de surpreender que em Portugal ou no estrangeiro - esta semana no Japão, Alemanha e Espanha milhares de pessoas manifestaram-se contra o nuclear - surjam insurreições populares, mais ou menos extremistas ou dogmáticas, contra o nuclear.
De qualquer das formas, juntando esta catástrofe a outras como a, por demais conhecida, de Chernobyl poderemos estar perante mais um abalo da teoria que as centrais nucleares são efectivamente seguras.
Neste sentido, enquanto representante da associação de estudantes da Faculdade de Ciências relançarei o debate “Nuclear: uma solução para Portugal?” na minha faculdade e que contará com um painel de excelentes convidados que terão plausiveis argumentários em favor das duas posições antagónicas. Convido o caro leitor, desde já, a marcar presença.
Crónica na edição do jornal "Grande Porto"
03.04.11por Cláudio Carvalho
03.04.11por Cláudio Carvalho
02.04.11por Cláudio Carvalho
28.03.11por Cláudio Carvalho