1 comentário

Será que podemos considerar a crise económica (e financeira) internacional como um endorsement ao Tratado de Lisboa?

 

 

publicado no PiaR

 

Tags: , ,
comentar

"A maioria dos islandeses é favorável à adesão à União Europeia e ao euro, de acordo com uma sondagem publicada hoje por um jornal diário, o “Frettabladid”. O apoio à adesão tem crescido entre a população no último ano."

When things get tuff, tufts go to....European Union!

Tags: ,
comentar

A Bélgica ratificou hoje o Tratado de Lisboa por via parlamentar, tornando-se o 22º país a validar o texto que tem como objectivo melhorar o desempenho de uma Europa a Vinte e Sete, mas cujo futuro permanece incerto após o "não" irlandês em referendo popular.
A ratificação parlamentar belga tornou-se efectiva após o voto favorável da assembleia regional flamenga, a única instância que ainda não tinha dado "luz verde" ao documento, num processo parlamentar particularmente complicado devido à divisão linguística do país, entre francófonos e neerlandófonos.
No total, as duas câmaras do Parlamento federal do Reino, bem como as cinco assembleias regionais ou comunitárias do país, já deram, porém, o seu aval. O Tratado de Lisboa será agora formalmente assinado pelo rei, a fim de a ratificação ficar completa.

Para quê?À espera de um milagre irlandês?Um pote no final do arco-íris?
A questão checa e polaca irão desaparecer de repente apenas porque Sarkosy apoia a recandidatura de Durão Barroso?A velha Albion vai-se transformar em "Euro-fan"?

Parece-me que não...

Tags: , ,
1 comentário

 

Começam a surgir dirigentes europeus mais clarividentes. É o caso do presidente polaco, Lech Kaczynski, que anunciou que não assinará o Tratado de Lisboa, sustentando que ele está agora «sem substância», depois da recusa dos eleitores irlandeses a ratificá-lo, numa entrevista publicada hoje.

«Por agora, a questão do Tratado está sem substância», afirmou o presidente conservador polaco ao diário Dziennik, segundo a edição digital do jornal.

Todavia, o parlamento polaco ratificou, logo em Abril, o Tratado destinado a reformar o funcionamento das instituições europeias. Mas, para ser definitivamente um dado adquirido, a ratificação tem de ter a assinatura do presidente.

A deserção de Lech Kaczynski é um golpe importante para os esforços do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que pretende circunscrever o problema da ratificação à Irlanda, durante a sua presidência da UE, que começou esta terça-feira. «É difícil dizer como é que isto vai acabar. Em contrapartida, a afirmação segundo a qual não há União se não houver Tratado não é séria», acrescentou o presidente Kaczynski.
 

Tags:
3 comentários

Não há nada como, ao menos, por uma vez na vida falar verdade. Foi o que fez o antigo Presidente da República francês Valery Giscard d'Estaing, o verdadeiro "pai" da Constituição Europeia. Disse ele, de forma simples, aquilo que muitos eurocratas tentam esconder: que os referendos são para ignorar. E viva a democracia!

 

"The Telegraph reports that former French President and chief architect of the EU Constitution Valery Giscard d'Estaing has said that referendums will be ignored whether they are held in Ireland or elsewhere. Giscard d'Estaing told the Irish Times that Ireland's referendum rejection would not kill the Treaty, despite a legal requirement of unanimity from all the EU's 27 member states. He said, "We are evolving towards majority voting because if we stay with unanimity, we will do nothing. It is impossible to function by unanimity with 27 members. This time it's Ireland; the next time it will be somebody else."

He also admitted that the Lisbon EU Treaty had been carefully crafted to confuse the public: "What was done in the [Lisbon] Treaty, and deliberately, was to mix everything up. If you look for the passages on institutions, they're in different places, on different pages. Someone who wanted to understand how the thing worked could with the Constitutional Treaty, but not with this one." He also said "there is no alternative" to a second Irish vote, saying, "Everyone agrees it has to be sorted out by the time of European elections."

Tags: ,
comentar

Câmara dos Lordes diz «sim» ao Tratado de Lisboa

Tags:
comentar

 

 

eu cá tenho (e tinha) a minha teoria que aquele "L" invertido no final ía dar asneira.

 

allgarvices ...

 

 

Tags:
comentar

A opinião nem sequer é minha. É de dois ilustres personagens desta nossa Europa.

O Tratado de Lisboa morreu (mesmo). A expressão é do presidente checo, Vaclav Klaus. Diz ele: "O projecto do Tratado de Lisboa terminou com a decisão dos eleitores irlandeses. É uma vitória da liberdade e da razão sobre os projectos elitistas e artificiais e sobre a burocracia europeia."

Já o líder conservador britânico, David Cameron, certamente futuro Primeiro - Ministro do Reino Unido, diz exactamente o mesmo:"Se o tratado ainda não está morto, então devemos poder referendá-lo neste país, de forma a pôr o último prego no seu caixão.".

 

Mais palavras para quê?

Tags:
1 comentário

 

Tags:
comentar

A presidência da União Europeia admitiu hoje no Luxemburgo que a vitória do “não” no referendo na Irlanda colocou o processo de ratificação do Tratado de Lisboa num impasse e considerou “arriscado” falar em soluções para o salvar.

Está difícil a vida para os euro-apressados,tenho pena porque gosto da designação do Tratado, mas há coisas bem mais importantes, como a participação dos cidadãos europeus no processo, o sentimento de pertença, a ligação entre os vários povos dos vários países que compõem a fortaleza Europa e os seus lideres e representantes, em Bruxelas e Estrasburgo...

Quer se queira quer não queira a verdade é que após Maastricht, ou seja com Amsterdão, Nice ou Roma (versão 2), apenas aumentou a euro-indiferença ou a euro-desconfiança,crise económica ou insegurança global devido ao terrorismo, a crise financeira mundial, o aumento da inflação ou receios com mais alargamentosda UE, para mim são apenas situações que agravaram os sintomas, mas objectivamente a doença está lá, há muitos anos e ninguém se dedicou a curar a doença, apenas a tentar enganar o "corpo" e a tomar "medicamentos para disfarçar os sintomas"...

Falta uma liderança forte, carisma, comunicação e empatia entre Bruxelas e todos os europeus, falta salvaguardar a identidade nacional de cada povo, respeitar a riqueza desse diversidade e fazer dela uma força, uma vantagem, e não um desconfortável inconveniente agravada com a postura arrogante para com "esses povos que não percebem a superior e iluminada visão de Bruxelas"!

Mas que visão é essa?A da Europa dos grandes, a duas velocidades ou três?A da Europa que se torna indiferente a todos os cidadãos europeus que se alheiam totalmente da sua gestão ou do seu rumo?

Deve haver melhores opções, depende de Londres e Paris, de Berlim e Roma, assim queiram os lideres europeus mas estes, bem, estes também já não são o que eram no passado, os que construíram a CECA, a ESA,a CEE eram muito diferentes dos que agora querem uma União já e em força...

Falta carisma, falta empatia, falta capacidade de "passar a visão" do futuro para os povos europeus, sem lideranças fortes, sem "entender ou compreender" os objectivos e o rumo, sem se sentirem parte da solução, parte integrante do processo, sem "falar a mesma linguagem", os povos europeus, os cidadãos da Europa, não passarão nenhum cheque em branco aos seus próprios lideres...parece-me.

 

Adenda sobre aquilo que realmente interessa aos portugueses:

 

"pois é..."

O ministro dos Negócios Estrangeiros português considerou hoje ser “difícil” o Tratado de Lisboa entrar em vigor na data prevista, 1 de Janeiro de 2009, mas mostrou-se “confiante” na resolução do problema colocado com o “não” da Irlanda.

 

"má noticia"

A inflação agravou-se três décimas em Maio, para 2,8 por cento, em comparação com o mês anterior, sob a influência dos produtos alimentares e energéticos, conclui o Instituto Nacional de Estatística. Na Zona Euro, a inflação atingiu o recorde de 3,7 por cento, valor que corresponde a uma correcção, em alta

 

"boa noticia"

O preço do gás natural para consumo doméstico vai baixar em média 3,4 por cento, entre Julho deste ano e Junho do próximo ano, e subir para as empresas 0,6 por cento, informou hoje a entidade reguladora do sector energético, a ERSE.
Esta queda é mais acentuada do que tinha proposto o regulador a 15 de Abril e que se quedava apenas pelos 2,8 por cento. Para todos os consumidores, domésticos e empresariais, a variação do tarifário ainda é vantajosa e representa uma descida global de 1,2 por cento.

 

 

Tags: , , , ,
4 comentários

O primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, entende que cabe à União Europeia, e não apenas a Dublin, encontrar uma saída para o dilema provocado pela rejeição do Tratado de Lisboa no referendo organizado pelo país.

Um dia depois da bomba lançada sobre a União Europeia pela vitória do “não” no referendo irlandês ao Tratado de Lisboa, os líderes europeus não parecem dispostos a abandonar o documento que acordaram em Outubro passado e são cada vez mais os que admitem a hipótese de convencer Dublin a repetir a consulta.

 

Brian Cowen tem toda a razão, alguns europeus que afirmaram ter sido a República da Irlanda a maior beneficiada com a adesão à EU também têm razão, mas Churchill é que tinha mesmo razão quando definiu a democracia como o pior sistema politico à excepção de todos os outros, a democracia tem destas coisas....

 

Estas tentativas de “dar a volta”, de “ultrapassar”, de passar do plano B para o plano C, é que descredibilizam todo o processo, não afectando muito os euro-convictos e os euro-cepticos, afectam de sobremaneira a maior fatia dos cidadãos da fortaleza Europa, os euro-indiferentes ou euro-desconfiados…

 

Os lideres euro-apressados já pensaram em “deitar uma vista de olhos” pela declaração de independência dos EUA ou a Constituição dos EUA?

 

Já pensaram porque é que estes textos foram assimiladas e assumidos como parte integrante da identidade do povo americano?

 

Já se debruçaram a analisar porque é que cada americano os toma como seus, como expressão primeira e ultima da matriz politco-social da sociedade em que está inserido?

 

São textos simples, lógicos, razoavelmente acessíveis, sublinham objectivos e princípios "do povo para o povo", "falam" ao coração e à alma do povo que os redigiu...pois, se calhar está aqui o problema, o redactor e a sua relação com o povo e a democracia!

Tags: , , , , ,
4 comentários

O ministro do Interior alemão, Wolfgang Schaeuble, propôs hoje a eleição directa do futuro presidente do Conselho Europeu para superar a crise da União Europeia após o "não" ao Tratado de Lisboa no referendo irlandês.
O Tratado de Lisboa contempla a eleição de um presidente do Conselho Europeu pelos chefes de Estado e de Governo da União Europeia, com um mandato de dois anos e meio.

Entre os países que ainda não ratificaram o Tratado de Lisboa estão alguns dos chamados euro-cépticos, que mais dificuldades levantaram durante a respectiva redacção, como o Reino Unido, a Checoslováquia e a Polónia.

É uma ideia,eleição directa pode representar mais debate e discussão, possibilidade de participação mais activa dos europeus, soa-me bem.

Checoslováquia é que já não me soa muito bem, pelo menos desde 1990... 

 

 

Tags: , ,
comentar

 

 

É um mau sistema este, o de perguntarmos às pessoas o que elas pensam sobre as coisas. Foi muito azar junto! Tinha de ser a Irlanda, curiosamente o único país em que a população foi chamada a pronunciar-se em referendo acerca do Tratado, a dizer “Não”.
 
Afinal, e parafraseando Edite Estrela, como poderia alguém, por exemplo em Portugal, uma simples criatura que fosse, votar contra o Tratado dito ”reformador” porque, sendo o nome do Tratado "de Lisboa", «nenhum português se atreveria a votar contra»!?...
 
É claro que, no caso dos irlandeses, esses são é ingratos e devem pouco à inteligência: «Só posso lamentar que os irlandeses, que são dos que mais ganharam com a solidariedade da União Europeia, tenham decidido neste sentido e não percebam a importância de uma Europa coesa e unida».
 
Já uma simples reflexão sobre o que se passou que não implique apenas e tão só querer impor aquilo que as populações não querem parece ser algo de inimaginável para qualquer cabeça pensante neste nosso Portugal.
 
A democracia é mesmo uma “chatice”, não é?
Tags:
comentar

 

Apesar de ser contra o Tratado de Lisboa, não fui daqueles que se insurgiu por um referendo. Fui, antes, favorável à ratificação pela AR. Posição que pode ser considerada estranha e que muitos não entenderam na altura, mas que parte de duas premissas básicas:

 

Uma primeira que resulta de me parecer suficiente o caminho até Maastricht, baseado numa mera União Económica, sem outras ambições, intervenções, regulações e modelos que nos tentam impôr hoje em dia e que são a razão das minhas reservas ao actual tratado e ao percurso que pretendem seguir.

 

 

A outra tem a ver com a disposição encontrada pela Comissão Europeia em não assumir derrotas ou retrocessos. Nem que para isso tenha de simular a reformulação de um texto vezes sem conta até ser aprovado, como se vê nesta afirmação do  Secretário de Estado francês dos Assuntos Europeus:

 

"Para salvar o Tratado de Lisboa «não há outra solução» senão uma nova votação pelos irlandeses, mas isso depois de uma «adaptação» do texto ao país"

 

Quando a estratégia de imposição é esta e o entendimento político dos partidos de cada país parece ser o mesmo e quando tudo se faz para distorcer a vontade do povo e a democracia parece viver bem assim, então, o melhor é colocar nas Assembleias o ónus da responsabilidade. Pode ser que assim, no futuro, seja mais fácil voltar atrás .

Tags:
2 comentários

O Tratado de Lisboa caiu na Irlanda, terra subpovoada mas hiper desenvolvida graças em grande parte ao apoio da União Europa, e depois?

Para Barroso e comparsas, siga para Bingo que há interesses mais importantes do que os cidadãos europeus, para il Cavaliere toca de aldrabar as contas porque há um interesse supremo, o próprio, para uma multidão de burocratas e tecnocratas de Bruxelas e Estrasburgo, toca a avançar de qualquer forma, a qualquer preço, já em força para o Tratado Lisboa.

Calma!Relaxem....

Nenhum mal vem ao Mundo por parar de "alargar a esfera de influência de alguns poderosos países através do alargamento" durante uns anos, ninguém morre se tivermos de esperar até que alguma liderança decente surja em Bruxelas (ok, aqui é que a coisa se pode complicar!).

Uma liderança que se dedique a falar para europeus, com europeus, numa língua universal, a do interesse comum dos cidadãos, sem obviamente ultrapassar as competências dos governos nacionais, mas colaborando proximamente no debate e discussão em cada país-membro, mas empenhando-se na politica de comunicação entre Bruxelas e os 320 milhões de europeus na União.

Uma liderança Europeia tem de se empenhar em matérias que digam respeito a todos os europeus e sejam assimiladas facilmente pelos mesmos, segurança, emprego, crescimento económico, futuro do Estado Social, tem de apresentar mais do que "bazófia de propaganda" em dossiers como a Energia e o Ambiente.

Mas a Europa está orfã de lideres carismáticos, quer em Bruxelas quer nas principais capitais europeias!

 

Quanto à carreira de José Sócrates e o Tratado de Lisboa, pela publicidade à cidade capital do Estado mais solarengo da União, achei porreiro!

Pelo cumprimento dos compromissos orquestrados por quem mais manda nesta União, assumindo o nosso papel e cumprindo-o, também achei porreiro!

Se os irlandeses resolveram negociar o Tratado, chumbando-o, porreiramente porreiro também.

Era o nosso papel obter este resultado (a definição de um Tratado), era nossa missão, era o capitulo que nos estava reservado, mais seria impossível para nós e para quem quer que fosse (Paris,Londres,Madrid ou Berlim).Porquê?

Porque o Tratado jamais será aprovado sem ser extraordinariamente simplificado, sem se transformar num documento simples, de princípios compreensíveis, com ideias que todos os europeus percebam, com conceitos imediatamente assimiláveis e que gerem empatia nos europeus.

Isso seria inacessível à diplomacia portuguesa, aliás como para qualquer outra ao momento, os senhores de Bruxelas terão de entrar em profunda depressão, em forte crise de autoconfiança, antes de deixar aqueles que procuram que os europeus se sintam europeus, que os europeus sintam a Europa, que os europeus façam parte da construção do projecto europeu, iluminem o caminho e coloquem a locomotiva em andamento rumo ao futuro de crescimento económico, de segurança interna e externa, rumo a uma União  "apenas suficiente mas fundamental" para todos que seja muito maior e melhor que a simples soma das partes. 

 

Com todo o respeito e consideração que me merece a Dra. Manuela Ferreira Leite, uma dúvida começa-me a deixar perplexo, fazendo sinceros votos de que tudo esteja bem com a saúde do seu neto e restantes familiares em Londres, a ausência começa a ser bizarra, a comunicação por "leitores de comunicados" começa a ser teatral e desconcertante, a gestão eficaz (como se viu na questão das eleições para a liderança da bancada parlamentar) não combina com a reclusão, com a fuga das câmaras, com a ausência deliberada da voz, com a omissão de juízos de valor ou considerações mais consubstanciadas acerca do bloqueio ilegal promovido pelos camionistas representados pelo Engenheiro informático António Lóios e da opção do actual governo.

Claro está, a ela exigir-se-ia mais do que ao deputado Jorge Costa, exigir-se-iam alternativas concretas e palpáveis de medidas diferentes, especialmente por parte de quem era ministra das finanças quando em 2002 Durão Barroso avançou (e bem, não me escondo nas opiniões) para a liberalização do preço dos combustíveis invocando a "previsível" baixa dos preços.

Tags: , ,
2 comentários

 

A vitória do “Não” na Irlanda foi o fim do Tratado de Lisboa por muito que isso custe aos seus mentores, entre os quais Barroso e Sócrates.

 

Foi, ainda e de forma clara, uma derrota pessoal para o Primeiro-Ministro português que nele apostou uma boa parte das suas energias.

 

Mas foi, sobretudo, uma vitória da liberdade contra todos aqueles que querem impor aos cidadãos europeus projectos pré-construídos e com um claro afastamento daquelas que são as preocupações das populações do Velho Continente.

 

Foi por fim, e em suma, uma derrota do Directório composto por França e Alemanha que, teimosamente, e ao longo dos últimos anos tentaram impor um modelo federal encapotado, de forma não democrática, a todos os europeus.

 

Recordo, a este propósito, a declaração de voto que, em 23 de Abril passado fiz a propósito da aprovação do Tratado de Lisboa no Plenário da Assembleia da República.

 

“«The difference between the original Constitution and the present Lisbon Treaty is one of approach, rather than content (…) the proposals in the original constitutional treaty are practically unchanged. They have simply been dispersed through old treaties in the form of amendments. Why this subtle change? Above all, to head off any threat of referenda by avoiding any form of constitutional vocabulary… But lift the lid and look in the toolbox: all the same innovative and effective tools are there, just as they were carefully crafted by the European Convention.»

 

(Valery Giscard D'Estaing, antigo Presidente da República de França e Presidente da Convenção que redigiu a Constituição Europeia, The Independent, Londres, 30 de Outubro de 2007).

 

«The substance of the constitution is preserved. That is a fact».

 

(Ângela Merkel, Chanceler Alemã, Parlamento Europeu, 27 de Junho de 2007).

 

«The good thing is (… )that all the symbolic elements are gone, and that which really matters — the core — is left.»

 

(Anders Fogh Rasmussen, Primeiro-Ministro da Dinamarca, Jyllands-Posten, 25 de Junho de 2007).

 

«The Constitution is the capstone of a European Federal State»

 

(Guy Verhofstadt, Primeiro-Ministro belga, Financial Times, 21 de Junho de 2004).

 

As citações de vários altos responsáveis europeus que acima transcrevo espelham bem arealidade inerente à aprovação do Tratado de Lisboa: um Tratado que nasceu de uma metamorfose do rejeitado projecto de Constituição; um Tratado que, no fundo, procura esconder o enorme défice democrático que condicionou, desde o primeiro dia, a sua aprovação.

 

Assim, são sete as razões que me levam a rejeitar e a votar naturalmente contra a aprovação na Assembleia da República do Tratado de Lisboa.

 

Em primeiro lugar temos o enorme défice democrático na aprovação do Tratado, fruto de o mesmo não ter sido objecto de qualquer referendo como defendemos ser necessário no passado.

 

Em segundo lugar, trata-se de um texto confuso e ilegível, em que as novas disposições foram dispersas por todos os antigos Tratados, sob forma de emendas, numa técnica que, uma vez mais, impede a correcta percepção por parte dos povos da Europa das leis fundamentais que os irão (eventualmente) reger.

 

Em terceiro lugar, é um Tratado potenciador da criação (uma vez mais sem consulta às populações) de um super Estado europeu, de características federais, projecto este que tem vindo a ser sucessivamente derrotado ao longo da História e que agora surge, de novo, de forma encapotada.

 

Em quarto lugar, é um Tratado com uma inapropriada centralização de poderes, em detrimento dos poderes dos Estados-membros, e que não lhes dá margem a qualquer possibilidade, de no futuro, restaurarem as suas competências individuais, se então o entenderem como desejável, centralização esta que se concretiza através da figura do Presidente da União Europeia, com prejuízo das presidências rotativas até agora existentes.

 

Em quinto lugar, assistimos à perda de um comissário por Estado já que apenas 2/3 dos Estados passam a ser representados.

 

Em sexto lugar, que não menos importante, existe uma real perda do peso de Portugal, do seu poder institucional, nomeadamente no Conselho, devido à alteração de equilíbrios dentro da instituição a favor dos Estados mais populosos prevista no Tratado de Lisboa. Na verdade, Portugal passará de 3,74% para 2,14%, alterando-se assim os equilíbrios depoder no seio da União, em favor dos Estados mais populosos.

 

Em sétimo lugar, a perda importantíssima que representa para Portugal a passagem da «gestão» que até agora exercia da sua zona marítima exclusiva para a competência da União Europeia, situação esta que, na prática, nos trará os maiores prejuízos naquela que é a nossa única riqueza da actualidade: o mar.

 

São assim sete, e muito importantes, as razões que nos levam a rejeitar o Tratado de Lisboa, não porque sejamos contra a Europa mas, sim, porque desejamos que a Europa a construir seja uma Europa democrática, verdadeiramente representativa das populações que a compõem e em que estas se revejam nos seus líderes.

 

A tudo isto o Tratado de Lisboa não dá resposta. Uma vez mais estamos a construir uma Europa de costas viradas para os cidadãos europeus.

 

Até quando e com que consequências?”

 

Pedro Quartin Graça

Tags: ,
2 comentários

 

Não foram feitas quaisquer sondagens à boca de urna e a última consulta aos eleitores, publicada domingo no jornal irlandês Sunday Business Post, indicava que 42 por cento tencionava votar 'sim' e 39 por cento 'não', uma diferença de apenas três por cento entre os dois campos, com uma percentagem significativa de indecisos.

Uma anterior sondagem, publicada sexta-feira pelo Irish Times, dava a vitória ao 'não', com 35 por cento das intenções de voto, contra apenas 30 por cento para o 'sim'.

 

Embora os resultados finais só sejam apresentados esta tarde, a cadeia de televisão irlandesa RTE anuncia que as primeiras indicações matinais, baseadas nas contagens parciais de alguns círculos eleitorais, dão um ligeiro avanço ao «não».

 

 

Irlanda vota não , irlandeses rejeitam Tratado de Lisboa, Ministro da Justiça irlandês afirma que os primeiros resultados indicam que Tratado será rejeitado, rejeição irlandesa é um golpe para a Europa

 

Declarações de Luis Amado sobre o referendo irlandês

 

Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão, enorme abstenção, voto "útil" contra a insegurança económica, contra a diminuição do nível/qualidade de vida, contra a redução de expectativas económicas mundiais/nacionais, contra o aumento do desemprego na terra do "milagre económico" onde existem muito menos auto-estradas que em Portugal mas muito melhor educação/formação/investigação....mas reage da mesma forma à adversidade e à insegurança como qualquer outro povo, mesmo latinos!

Desconfiança no que está escrito num Tratado demasiado complexo e receios em relação ao futuro imediato, parece-me ter sido a reacção expectável do povo irlandês, o NO foi um voto militante e presente, o YES foi sabotado pela pouca convicção e motivação que conduziu a esta abstenção muito elevada.

Votar NO foi dizer "depois vemos, conseguimos um melhor DEAL que este, não percebo bem o que o diz o Tratado portanto não quero".

Como teria sido cá?Apesar de todo o circo e chicana politica, com todo o populismo e manipulação à mistura, com PCP e BE a bloquearem, desculpem, a apelarem a todos os medos e receios, a acenarem com todos os fantasmas, com o PPD e PP divididos e com uns artistas da camionagem, desculpem, da comunicação, a empolarem receios, mesmo assim, acredito que teria facilmente ganho o SIM em Portugal!

 

Adenda: a Sky News informa que o YES vencerá apenas em 6 dos 43 "distritos eleitorais", diz também que Durão Barroso terá afirmado que não existe Plano B...e parece que na Grã-Bretanha avança uma greve dos camionistas também.Tornou-se uma pandemia!

Infelizmente a Sky News informa que faleceram 5 pára-quedistas britânicos nos ultimas 48 horas no Afeganistão...a seguir à ex-Jugoslávia, a seguir ao Iraque Parte 2, a seguir à Tchetchénia, tendo em conta o dossier Iraniano e a enorme estupidez chamada Kosovo, analisando o dossier energético do ponto de vista da Rússia, parece mesmo que nada corre bem para a politica externa europeia...

O Afeganistão é hoje mais perigoso, o tráfico de opiáceos mantém-se estável, os talibãs ressurgem, Bin Laden nem vê-lo, e o Paquistão fica mais instável a cada dia que passa...

Tags: , ,
1 comentário

Tags: , , ,
3 comentários

 

Manda a boa educação que quem chega, cumprimenta. É o que faço a todos os que já cá estavam e aos que comigo chegaram. Acedi com gosto e dentro das minhas limitações de tempo ao amável convite do João Gomes para ser mais um dos Comuns. Aprecio a pluralidade do blogue e espero que o verdadeiro espírito da liberdade de opinião tenha contaminado todos os Comuns.

 

Por isso, atrevo-me a contrariar o desalento do CMC com os resultados da sondagem publicada pelo Irish Times de hoje, em que o Não ao Tratado de Lisboa lidera e o Sim recua. Para mim, é um bom sinal, já que discordo profundamente do Tratado e discordo profundamente do modelo de União que ele consagra. Não deixa de ser curioso o aperto em que a nomenclatura bruxelense se encontra com o referendo irlandês, que sempre deram como antecipadamente ganho.. é bom recordar que foram várias as traições aos compromissos eleitorais de realizar um referendo em Portugal.

 

De sublinhar que esta sondagem surge depois da última manobra do primeiro-ministro irlandês, que comprou o apoio formal ao Tratado de Lisboa por parte da poderosa associação de agricultores irlandeses com a promessa de vetar na União as negociações de comércio livre. E depois de já terem começado as tradicionais e lamentáveis ameaças, caso os irlandeses não votem de acordo com "the proper way", como Durão Barroso já começou a fazer.

 

Para os iluminados de Bruxelas ors refrendos europeus só podem "dar sim". Tudo o resto é "anti-democrático". É de supôr que o tom das ameaças e do catastrofismo aumente nos próximos dias. Resta esperar pelo exercício soberano do voto. Resistirão os irlandeses ao fogo de artifício que aí vem?

 

 

Tags: , , , ,

Pesquisar
 
Contactos
camaradecomuns@sapo.pt

Editorial

Visitantes online

Comentários Recentes
Para mim casamento deve ser entre um homem e uma m...
Caro RFCom a modéstia com que foi escrito, podes t...
N sei q espirito deus aspirou pr a Africa. este co...
Mocambique està mais que tudo isto, sinto d...
e há cartas que nunca chegam.
Aguem colocou esta carta excelente na página de PP...
Τambém gosto de brincar aos pobrezinhos.NUNCA MAIS...
Τambém gosto de brincar aos pobrezinhos.NUNCA MAIS...
Everdade este pais precisa de um bom governador k ...
Casino EstorilA falta de escrúpulos veio para fic...
Tags

todas as tags

Links

Esquerda

5 dias
A barbearia do senhor Luís (Luís Novaes Tito)
A Busca pela Sabedoria (Micael Sousa)
A Forma e o Conteúdo (José Ferreira Marques)
A Forma Justa (Tiago Tibúrcio)
A Linha-Clube de Reflexão Política
A Nossa Candeia (Ana Paula Fitas)
Absorto (Eduardo Graça)
Activismo de Sofá (João R. Vasconcelos)
Adeus Lenine
Arrastão
Aspirina B
Banco Corrido (Paulo Pedroso)
Bicho Carpinteiro
Câmara Corporativa
Câmara de Comuns
Cantigueiro
Causa Nossa
Cortex Frontal
Defender o Quadrado (Sofia Loureiro dos Santos)
Der Terrorist (José Simões)
Entre as brumas da memória (Joana Lopes)
Esquerda Republicana
Hoje há conquilhas (Tomás Vasques)
Irmão Lúcia (Pedro Vieira)
Jovem Socialista
Jugular
Ladrões de Bicicletas
Les Canards libertaîres
Léxico Familiar (Pedro Adão e Silva)
Loja de Ideias
Luminária
Machina Speculatrix (Porfírio Silva)
Maia Actual
Mãos Visíveis
Mário Ruivo
Metapolítica (Tiago Barbosa Ribeiro)
Minoria Relativa
O Grande Zoo (Rui Namorado)
O Jumento
O Povo é Sereno
Raiz Política
Rui Tavares
Spectrum
Vias de facto
Vou ali e já venho (André Costa)
Vozes de Burros

Direita

31 da Armada
4R – Quarta República
A Arte da Fuga
A Douta Ignorância
A Origem das Espécies (Francisco José Viegas)
Abrupto (José Pacheco Pereira)
Albergue Espanhol
Alunos do Liberalismo
Blasfémias
Causa Monárquica (Rui Monteiro)
Clube das Repúblicas Mortas (Henrique Raposo)
Corta-fitas
Delito de Opinião
Era uma vez na América
Estado Sentido
Geração Rasca
Herdeiro de Aécio
Macroscópio
Menino Rabino (Marco Moreira)
Mercado de Limões (Tiago Tavares)
Minoria Ruidosa (Miguel Vaz)
O Cachimbo de Magritte
O Diplomata (Alexandre Guerra)
O Insurgente
Ordem Natural (Rui Botelho Rodrigues)
Palavrossavrvs Rex (Joaquim Carlos Santos)
Portugal Contemporâneo
Portugal dos Pequeninos
Psicolaranja
República do Caústico (João Maria Condeixa)
Rua da Judiaria
Suction with Valcheck
União de Facto

Outros

A Baixa do Porto (Tiago Azevedo Fernandes)
A Cidade Deprimente
A Cidade Supreendente
A Terceira Noite
Clube dos Pensadores (Joaquim Jorge)
De Rerum Natura
É tudo gente morta
Horas Extraordinárias (Maria do Rosário Pedreira)
Notas ao Café
O Diplomata
Arquivo

Abril 2015

Dezembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Março 2013

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Janeiro 2008