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Acho útil assumir algumas premissas muito simples no que toca ao actual momento politico.A crise domina todas as atenções desde que não jogue a selecção nacional de futebol,  o benfica jogue com outro clube qualquer, o presidente do FCP não tenha uma tirada genial ou alguém queira cortar ruas e estradas ou conceder tolerâncias de ponto.

A este quadro acresce o momento de angústia generalizada transmitida quer pela situação económica, quer pela instabilidade politica.Muitos políticos e comentadores profissionais são peritos em passar sinais de intranquilidade. Animar e motivar provou ser sempre uma tarefa mais difícil, muito mais exigente.

Nesta conjuntura  tão mau como ter de aprovar um Orçamento de Estado é ter que passar por umas eleições presidenciais que nada resolvem, não apaixonam ninguém nem ajudam nada. Calendário a cumprir e dinheiro para gastar, é assim que o cidadão/contribuinte/eleitor vê este sufrágio.

Nenhum candidato desperta grande chama. Nenhum candidato conseguiu estimular multidões e alcançar os corações dos portugueses.

Porquê? Será que o problema reside nos poderes do cargo em disputa, o de Presidente da República?

Talvez, mas não creio que seja a razão mais relevante. O "lugar" tem sido "moldado" por quem o ocupa, imprimindo-lhe um cunho e um estilo pessoal que tem, até agora, dignificado o cargo. Até chegar Cavaco Silva.

Com Cavaco Silva baixou o nível de exigência moral e ética. Diminuiu o patamar mínimo de competências.Foi reduzida a bitola das expectativas para níveis quase residuais.Agora apenas interessa se ele pode ou não derrubar algum Governo, se o faz mesmo e se se continua a servir do PSD ou se remete à esfera das suas competências constitucionalmente definidas.

É pífio. É pouco para o Regime, muito pouco para as necessidades da politica portuguesa. Cavaco Silva mal provoca um esgar de sorriso à direita do PS enquanto provoca arrepios em vários sectores do PSD e do CDS. Enjoa violentamente o eleitorado à esquerda do PS não sendo visto com bons olhos por nenhum sector do PS.

A imagem cinzenta de moral antiga e virtude passada foi substituída por um silêncio comprometido em volta de chagas e furúnculos, de histórias e tramas, esquemas e mentiras.

Diz-se no entanto que vai ganhar com "conforto". O que é que isso diz do estado da Nação ou da relação dos portugueses com a Politica?

 

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Carvalho Homem parece ter aprendido com Jorge Coelho quando aquele afirmou que quem se mete com o PS leva. Agora, numa versão adaptada: quem se mete com os republicanos pode contar com a ira destes. E lançou um aviso: aviso: “se os monárquicos forem para o trauliteirismo antigo terão de se medir com os republicanos, porque nós também não voltamos as costas à luta”.

O coordenador das comissões universitária e autárquica de Coimbra para as comemorações do Centenário da República, Carvalho Homem, afirmou hoje que os monárquicos devem saber “manifestar-se dentro da legalidade”.

Carvalho Homem reagia assim sobre a iniciativa da Causa Real que, na última noite, hasteou a bandeira monárquica na sede do Largo de Camões, em Lisboa, depois de em Janeiro a autarquia da capital ter ordenado a sua retirada. “Nós republicanos e democratas não queremos que os monárquicos desapareçam. Achamos até muito bem que se manifestem, mas que saibam manifestar-se dentro da legalidade que era aquilo que eles exigiam durante a monarquia constitucional da parte dos republicanos”, afirmou.

Segundo o professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, a coexistência entre monárquicos e republicanos “poderá continuar a fazer-se” desde que os apoiantes da monarquia “desfraldem as bandeiras nos seus centros monárquicos, mas não invadam espaços públicos republicanos”. “A República é um regime que nos mobiliza, tem valores próprios, é portador de uma mensagem que, integrando todos os partidos políticos e a noção de democracia, se situa acima da luta político-partidária”, frisou o docente de História Contemporânea.

 

Hoje aprendi imenso. Cada dia assim enriquece a minha alma! Obrigado Carvalho Homem!

PS - Será que me estou a manifestar dentro da legalidade?

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A verdade dói muito, não dói?

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O içar da bandeira monárquica nos Paços do Concelho de Lisboa, local emblemático da implantação da República em 5 de Outubro de 1910, na madrugada de hoje, é um sinal de algumas pessoas desesperadas em querer mudar o nosso Presidente da República, ainda que digam que se trata de uma questão de regime.

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O peão, blog que acompanho, lançou o tema a propósito dos 70 anos do fim da guerra civil espanhola, e eu não quero deixar fugir o ensejo para avivar a memória aos mais distraídos. Há coisas que não se devem enterrar:

  • O apoio da igreja católica a Franco, Caudillo de España por la Gracia de Dios. A carta Pastoral do Cardeal Goma y Toma, primaz de Espanha, para todos os bispos do mundo, onde, entre outras iguarias que não dispensam a leitura integral, se pode ler isto:
    "Y es tal la condición humana y tal el orden de la Providencia- sin que hasta ahora haya sido posible hallarle sustitutivo- que siendo la guerra uno de los azotes más tremendos de la humanidad, es a veces el remedio heroico, único, para centrar las cosas en el quicio de la justicia y volverlas al reinado de la paz. Por esto la Iglesia, aun siendo hija del Príncipe de la Paz, bendice los emblemas (pf) de la guerra, ha fundado las Ordenes Militares y ha organizado Cruzadas contra los enemigos de la fe."

  • Não esquecer também a neutralidade da Inglaterra e, mais grave, da França. Aquilo que se podia esperar do governo conservador do Reino Unido, jamais se poderia aceitar a uma Frente Popular que, na pessoa de Léon Blum, negou ajuda a outra Frente Popular, suspendendo o envio de armamento no dia 8 de Agosto de 1936. Assunto que Francisco Largo Caballero não deixou de abordar nas suas recordações (Mis recuerdos, 1954):
    "No sé si será acariciar una ilusión el esperar que algún día los responsables de tal felonía den cuenta de su conducta al pueblo francés, a los socialistas y republicanos españoles, y a la Internacional Socialista. Si esto no se hace habrá de reconocerse que la solidaridad internacional entre los partidos socialistas y los organismos obreros son simples palabras para engañar a los trabajadores. Hay errores políticos que por su trascendencia no pueden ser perdonados."
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    Após as recentes declarações de Alberto João Jardim pergunto-me,"o que" é o AJJ?

    Um politico de Direita?Social Democrata?Liberal ou Conservador?Profissional da arte politica na vertente circense? Um autonomista apaixonado ou depende do Poder?

    E esta reacção de Manuel Alegre?Tactica?Reconhecimento de incapacidades próprias?

    Era este o plano de Alegre, condicionar o PS de acordo com os seus "princípios da verdadeira Esquerda"?Ou consequência das reacções negativas do PCP e do BE às suas aproximações e sonhos de alternativa de esquerda ou de frente unida...em torno de si mesmo? 

    E ainda querem continuar a usar as referências "Esquerda" e "Direita" da mesma forma que foram sacralizadas ou instituídas, no século XX?Porquê?Se for pelo património histórico que ambas encerram, de acordo, mas julgo que a médio prazo apenas trarão ainda mais confusão ao objecto da acção politica, o povo, os eleitores que por qualquer razão misteriosa (que continua sem panaceia credível recomendada por curandeiros de Esquerda ou de Direita) insistem em se afastar da participação activa na politica...nem sequer para votar!

     

    A minha "carta" ao André sobre a "Esquerda" e a "Direita"

     

    Caríssimo André, mas não é sempre essa a questão? Quais serão os principais interesses da sociedade e os mais importantes objectivos do povo, bem como qual o caminho ideal para os alcançar?O que é o interesse público?
    As sanguessugas que estripam a moral do Estado e a virtude dos políticos até podem ser combatidas mas como, ou para quê, se "os homens de bem" não souberem identificar os verdadeiros e mais importantes interesses da sociedade e descortinar a melhor maneira de os alcançar.

    De que vale a palavra sem a consequência?Para que serve a poesia sem um sussurro que seja do mapa do tesouro?
    Neste sentido acredito que nem Direita nem Esquerda ajudam ou salvam alguém, são como um Maestro, "servem" para marcar, ordenar e "temperar" o desempenho dos artistas que interpretam as pautas do compositor.Se nos colocarmos na posição do público ou do produtor do concerto, podemos escolher a obra que queremos ouvir, interpretada pela Orquestra preferida e dirigida pelo  Maestro mais conveniente.

    Etiquetar algo ou alguém como de "Esquerda" ou de "Direita" nunca é equivalente a escolher entre o Bem e o Mal, como de Branco ou Preto, apenas como uma forma de alcançar algo, penso eu.

    Ao contrário de muitos na blogosfera, mesmo nossos colegas, eu não acredito que a Esquerda ou Direita sejam Igrejas a quem os fiéis servem ou atendem crédula e diligentemente, são "ferramentas" ou "instrumentos" para que se alcancem metas.Os conceitos de Esquerda e Direita são nossos "servos" jamais nossos "amos"...

    Tenho a certeza que apenas a inteligência, o bom senso, o carácter, o espírito de missão e de sacrifício podem ajudar a "elevar" a imagem e a "melhorar" o desempenho de governantes, autarcas, dirigentes e políticos , servindo assim, por consequência, o interesse último da sua função, o povo, a sociedade, o eleitor, o Estado, o regime ou a Pátria, qualquer que seja o prisma pelo qual se queira avaliar ou julgar esta questão.


    É lírico, eu sei, mas se não temos, cada um de nós, uma utopia, qualquer que seja, o que é que fazemos "aqui"? 

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    Um dos argumentos que mais graça achei dos muitos que o lado monárquico da querela nos trouxeram aqui, era aquele que dizia ser estar a Coroa melhor apta à defesa da honra, bom nome e história de Portugal do que a República.

     

    Pois tenho a dizer-vos que hoje é dia 11 de Janeiro e enquanto para uns é domingo, "o dia feliz da semana", outros olham o passado e encontram dois tristes e lamentáveis episódios da Nossa história que os impedem de sentir este dia com o esplendor do descanso. Passo a relatar.

     

    1) Corria o Ano da Graça do Senhor de 1580 quando, no mesmo dia em que vos escreve este vosso infiel adversário ideológico, tiveram início as Cortes de Almeirim que, em vida do Cardeal D. Henrique, entregaram o Trono de Portugal ao Rei Filipe II de Espanha, Filipe I de Portugal dessas Cortes em diante;

     

    2) Trezentos e dez volvidos, corria o ano de 1890 e ainda os Republicanos não atemorizavam o quotidiano do nosso País, quando a Coroa Portuguesa, e bem, tornou interna e externamente pública a sua intenção de concretização do famoso Mapa Cor-de-Rosa, lembram-se? Pois o que se celebra hoje, ao contrário do que o meu discurso poderia fazer parecer não é esta gloriosa pretensão, mas antes o dia do Ultimatum inglês, esse mesmo que sem mais nem menos fez regressar as inúmeras expedições que havíamos enviado para ocupar os territórios entre Angola e Moçambique e que cumulativamente nos fez guardar a viola com que dávamos música a meia Europa. Passámos então, hipócrita e cobardemente, a dizer que o Mapa Cor-de-Rosa era apenas uma base negocial e que ficar com o Enclave de Cabinda até era uma solução que nos agradava.

     

    Este segundo ponto conhece a agravante de como emissor um suposto aliado de sempre e para sempre da Nossa Coroa, gente que é ainda alvo de bajulação e admiração por parte de muitos dos Monárquicos que li ao longo desta semana e meia. Gosto de mais do meu País e jamais colocarei um qualquer brazão de família à frente dos seus interesses. Não são os brazões que fazem o elemento povo de uma Nação, mas sim a união da individualidade dos seus cidadãos.

     

    Percebem o que quero dizer, certo?

    Monarquia não, Obrigado!

     

    PS. Recomendo o último post do Tiago Moreira Ramalho no seguimento de múltiplas respostas que tem dado.

     

    Representação do quadro "A Última Ceia" de Leonardo da Vinci

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    João Gomes,

     

    Em lado algum afirmo que o regime não deve ser referendado e que isso deve ser um limite material da Constituição. Discordo disso como discordo da discriminação entre partidos de extrema esquerda e de extrema direita. Mais uma vez colocas na minha boca o que não digo, peço-te mais atenção ao que anuncias ser meu entender.

     

    Deve ser referendado se se vir que há sensibilidade social nesse sentido. Foi com base nisso que se referendou duplamente o aborto e que, estou convencido, se fará em breve ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. A minha argumentação vai no sentido de que, hoje em dia, não existe uma vontade de Monarquia que justifique um referendo. Para se referendar a Monarquia em Portugal tinham de ser referendadas dezenas de questões antes.

     

    Quando digo que há momentos da história em que não é preciso plebiscitar nada, é porque nesses momentos acontecem factos que dispensam esse plebiscito, como no exemplo de milhões de pessoas saírem à rua clamando todas no mesmo sentido.

     

    Se os monárquicos sentissem que a actual República forçava a submissão de uma maioria monárquica ao seu regime, deveriam sair à rua, cercar os quartéis (como disseste) e fazer com que a vontade da maioria fosse respeitada em tão grave situação. Este cenário é utópico. Se houvesse uma maioria monárquica na nossa República, com facilidade haveria uma troca de regime, afinal vivemos em democracia.

     

    Podes trazer-me mil livros e enciclopédias que eu não acredito que a força dos republicanos nos próximos de 1910 fosse semelhante à dos monárquicos nos nossos dias. Sem ficares ofendido percebe que não há muitos monárquicos genuínos em Portugal (e isto não diminui de forma alguma o mérito da causa), o que há é muita gente a simpatizar com a causa. A Causa Monárquica em Portugal faz lembrar a Associação Académica de Coimbra: toda a gente gosta e toda a gente é adepta, menos quando joga contra o Benfica ou Sporting.

     

    Se são tantos e em funções tão nobres como a de Deputados à Assembleia da República, porque não se unem? Porque é que nunca vi nenhuma iniciativa relacionada com a Monarquia em sede do nosso Parlamento? Porque não tomam nem que seja simbolicamente a iniciativa de rever a Constituição da República Portuguesa no ponto do limite material de revisão?

     

    Essa polémica da função do Partido Popular Monárquico é meramente residual. O que interessa é o cidadão comum, não são as elites intelectuais e políticas. O cidadão comum olha para o Partido Popular Monárquico e votará se simpatizar com a causa. O português comum não sabe qual é o programa ou as ambições do PPM e é com este dado que se faz a análise política.

     

    Se a Causa Monárquica tem tanta força porque é que conto pelos dedos das mãos os artigos de opinião nos principais meios de comunicação a sensibilizar o País para a causa? Porque é que nunca vi nada em sede de Assembleia da República? Para pensares na resposta dou-te uma pista: a força da Causa Monárquica em Portugal na prática não é tanta como os monárquicos avaliam, o que, como disse, não diminui o valor da causa, mas é sintomático da importância que não tem em Portugal. É por isto que sou contra o plebiscito.

     

    Como sabes pelos anos a que me conheces simpatizo com a causa monárquica. Desde o início desta discussão que o assumi. Acho que poderá vir a ser uma solução no futuro dado o descrédito em que o nosso mundo político se encontra envolvido. Mas isso é outro tema.

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    Tenho a ligeira sensação que a grande maioria dos portugueses são republicanos. E dos que se dizem monárquicos, alguns são-no por mera empatia com um mundo de fadas, belas princesas e galantes príncipes; outros são-no por refastelada crença num sangue azul que outrora percorria as veias dos seus antepassados, mas que hoje, diluído, se resume a um autocolante da causa real na carroçaria do bólide. Por fim, existem - em menor número, acho eu - aqueles que pensaram no tema e têm uma opinião formada sobre o assunto e que a defendem respeitosamente.

     

    Para mim, além do sourvedouro financeiro que pode significar, sem dúvida que a rotatividade democrática - ou a falta dela - é o factor que a mim mais alergia me faz. Agora, isso não quer dizer que não seja favorável a um referendo sobre o assunto. Aliás, a Juventude Popular - que tento não trazer para este fórum - tem uma moção aprovada nesse sentido e já a difundiu para o exterior, infelizmente sem grande sucesso, o que poderá revelar a conivência de muitos para com um sistema instalado, que ao não se sujeitar a votos também revela alguma fraqueza, no mínimo, algum medo.

     

    Talvez seja isto sinal que existem Monarcas na República.

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    João Gomes,

     

    Quando falta a arte para melhor atacar podemos recorrer ao uso da falácia. Ensinamento básico de Introdução à Filosofia. Vejo que tiveste bom aproveitamento. Fazendo contas vejo também que argumentos esgrimidos aqui, depois do início da discussão, tens poucos. Vá lá que compensas com boas e divertidas larachas, o que anima o espírito.

     

    Repara que a frase que citas faz de mim Republicano. Ao aderires a ela não é a minha condição que muda mas sim a tua, o que não me surpreende. Bem vindo sejas a casa, então. Por vezes não somos o Sol e circulamos mesmo à volta dos outros. Deverás sentir isto em especial quando o eixo não se move.

     

    Do teu texto depreendo que o teu problema não é a Monarquia nem a República, mas sim a democracia. Temo que não compreendas, e mesmo que te incomode, que tenham imposto uma democracia no pós-25 de Abril, não te perguntando nada. Há momentos na história em que não é preciso plebiscitar nada, na medida em que é esmagadora, irresistível e unívoca a força que o povo demonstra.

     

    Era capaz de jurar que concordas com isto.

     

    Relativamente ao plebiscito: achas que perante os residuais resultados eleitorais do Partido Popular Monárquico, lembra a alguém que haja uma vontade relevante do povo em regressar à Monarquia? O plebiscito pressupõe interesse e vontade do povo em ser auscultado, perante estes resultados, é no mínimo bizarro reclamar esse mecanismo democrático. Parece claro que a tua sede de democracia se vira contra ti também neste aspecto, não?

     

    PS. Fica-te mal colocares "Caro" atrás do meu nome. Não tenhas vergonha de ser meu amigo só porque sou Republicano!

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    Prossigo com a resposta aos restantes monárquicos que acudiram ao meu post.

     

    §11 Nuno Castelo-Branco,

    Presidente da República é simultaneamente quem quer e quem pode. Querer não basta, dizer isso é absurdo. Do mérito também faz parte a reunião de condições para tal, num mundo onde os desejos são de mais para os recursos que existem para os satisfazer. É necessário algo mais do que valor pessoal para ser Presidente da República, se não todos o éramos. Isto não subverte uma suposta falácia que nem sequer existe.

     

    §12 Maria do Monte,

    Tudo o que disse acerca dos Presidentes da República é verdade. O que é verdade também é que o Rei não é o Super Homem e que tem igualmente gostos, preferências e poderá não ser imparcial na medida em que não há garantias que seja incorruptível. Mal do povo que precise de um Rei para se manter unido.

     

    §13 Manuel de Sousa,

    Não fizeram inúmeros monárquicos parte desse governo de fascistas? Como podemos confiar agora? Pode querer que o seu melhor amigo seja Presidente da República, ele também pode querer, o importante é que para ele o ser tem de reunir a maioria do povo e não apenas dois votos. Há efectivamente essa liberdade ao contrário do que acontece na Monarquia.

    Jamais difamei a Monarquia. Como tive oportunidade de dizer inclusivamente simpatizo com a causa.

     

    §14 Gil Pinto,

    Sabes que os Estados Unidos da América são uma Federação? Sabes que os Estados Federados têm Governos próprios? Sabes que os Estados Unidos não são representados enquanto Estado mas enquanto Federação? Sabes que existe um sistema de equilíbrios que jamais poderia existir num País como Portugal e que por isso toda a tua argumentação cai por terra? Não compares o que não é comparável.

    Em 1910 substituiu-se a Monarquia pela República, mas não se substituiu a história ou o nome do País. É natural que com sete séculos de Monarquia e um de República resistam diversos pormenores dos primeiros.

    Não são tiques, é o facto de o País ser o mesmo e apenas se ter verificado uma revolução e consequente evolução, por muito que custe aos monárquicos.

     

    Posso não concordar com muitos dos argumento que li e pode mesmo existir um mar entre monárquicos e republicanos, mas uma coisa é certa, em termos de força e número a Monarquia ganhou aos pontos este debate lançado pelo Tiago Moreira Ramalho.

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    Antes de mais agradeço os mais de vinte comentários que surgiram na sequência destoutro post que deixei na última madrugada. Responderei agora uma por uma às críticas e opiniões expressas.

     

    §9.1 O Rui Monteiro, depois de um começo "esteticamente" infeliz, interrogou-me sinuosamente, questionando se eu conhecia a simbologia da bandeira Republicana Portuguesa. Bem saberá o Rui que não há uma interpretação unívoca da nossa bandeira, pois ao longo da história o Estado Novo e outras mentes brilhantes trataram de criar simbologias absurdas. Exemplo disso é a história da carochinha do Rui Monteiro, em que o verde significa Portugal e o Vermelho Espanha, na senda de uma suposta tradição ibérica republicana.

     

    §9.2 Informo-te Rui, em primeira mão pelos vistos, da simbologia da nossa bandeira. O vermelho (rubro), segundo a comissão de trabalhos que criou a bandeira, representa a cor da conquista que lembra o sangue e incita à vitória. No Estado Novo foi dada interpretação diversa desta, na qual significaria a coragem e o sangue de todos quantos morreram em combate por Portugal. Já o verde encarna a esperança no futuro, pretendendo simultaneamente lembrar a Revolta Republicana de 1891 que tinha o verde como cor dominante. Durante o Estado Novo falou-se na representação das florestas de Portugal, sendo ainda conhecida uma terceira via, a qual fala na cor das nações guiadas pela ciência. A esfera armilar simboliza o mundo descoberto nos séculos XV e XVI que esteve na origem do Império Colonial Português. É vista como representativa da vocação universal dos portugueses, bem patente ainda no presente. Os sete castelos representam as fortificações conquistadas por D. Afonso Henriques aos Mouros e as cinco quinas os cinco reis mouros derrotados pelo mesmo Rei na Batalha de Ourique. Os cinco pontos brancos dentro de cada quina simbolizam as cinco chagas de Cristo.

     

    §10.1 O Ricardo Gomes Silva honrou-me com a riqueza do contributo que deixou.

    Tenho a dizer-lhe que também em Monarquia, pelo menos no modelo mais comum na Europa, para aceder a cargos políticos é necessário ter uma cor política. Em Monarquia a vantagem seria que haveria menos um Órgão a ser sujeito a esse tipo de escolha, que é verdadeira e preocupante, pois faz com que raramente tenhamos as melhores pessoas nos lugares chave. Será o Rei solução para este problema? Não deixa de falir o seu argumento, na medida em que o Chefe de Estado também não o seria pelo mérito. Discordamos na questão das modas ideológicas. Acho muito questionável que o Rei seja uma pessoa ideologicamente imune, com os fundamentos que deixei no último texto (vide §6).

     

    §10.2 Concordo quando diz que eleger um Primeiro Ministro dando-lhe carta branca para formar à posteriori um Governo não é uma boa solução. Melhor seria que se votasse em bloco toda a equipa. Quanto à eleição dos Juízes do Tribunal Constitucional creio que compreende como seria perigoso submeter a Justiça a escrutínio. Gosto das tuas decisões ficas, não gosto vais embora. A Justiça quer-se cega e alheia àquilo que seja o mundo político. Bem sabemos que os Partidos influenciam as nomeações, mas não me lembro de se até hoje se ter questionado com base nesse argumento uma decisão proveniente do Palácio Ratton.

     

    §10.3 Quanto à aprovação de leis pelo Governo estão Constitucionalmente previstos mecanismos de intervenção do Presidente da República e do Tribunal Constitucional. Cavaco Silva tomou posição e vetou duas vezes o Estatuto dos Açores. Relembro-lhe que este passou em sede de Assembleia da República sem ter recebido um único voto contra. São equilíbrios que também existiriam com um Rei.

     

    §10.4 Se alguém foi escrutinado vezes sem conta depois do 25 de Abril foi Mário Soares. Deu um exemplo infeliz, Ricardo. Reafirmo que o Rei nunca recebe a aprovação popular pelo voto, o Presidente da República sim, tanto que é por esse facto que Mário Soares não é hoje Chefe de Estado, porque o povo entendeu que dois mandatos eram bastantes. Já Cavaco Silva não precisa de outro argumento para estar em Belém para além da sua escolha através de sufrágio.

     

    §10.5 Foi durante a Monarquia que vivemos os nossos anos de Glória, mas foi também durante a sua vigência que perdemos o comboio da Europa sendo o Mapa Cor de Rosa um exemplo desse declínio. Não há que ter vergonha em assumir isto, elogiar o bom e constatar igualmente o mau.

     

    §10.6 A afirmação do Ricardo no último ponto leva-me a achar que a Monarquia era íntima do Estado Novo, que este viveu com muitos monárquicos e que muitos monárquicos viveram à sua conta. Dispenso esta informação pelo carinho que tenho à Monarquia e pelo desprezo ao Estado Novo.

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    Nova excelente investida Republicana pelo Tiago Moreira Ramalho, meu companheiro de luta.

     

    E outra.

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    O Tiago Moreira Ramalho (TMR) do Corta-fitas, blogger que não conheço pessoalmente mas que aprecio, pegou fogo à lusa blogosfera neste início de ano, lançando uma guerra República vs. Monarquia. Como adoro guerras salto desde já para a minha trincheira, a Republicana.

     

    Tive o cuidado de ler os comments que surgiram nos posts do TMR (1) (2) e em especial o texto que tem surgido como referência do lado Monárquico, o do meu amigo João Gomes que, depois de muitas batalhas ao meu lado, vejo agora do outro lado da barricada. Feito este exercício de leitura dos textos alheios, venho a terreiro desmistificar muito do que li e deixar a minha opinião.

     

    §1 Mérito deve ser uma palavra chave de qualquer sociedade "moderna e europeísta". Defendo e defenderei sempre para a minha Pátria (porque um Republicano também sente a palavra) um regime que tenha por base uma meritocracia em todos os cargos, sem excepção. A forma única de concretizar este "regime" é através do voto.

     

    §2 Incomoda-me a imposição de um Chefe de Estado sem me pedirem opinião. A democracia tem destas coisas e eu habituei-me. Ainda mais me incomoda que essa pessoa não veja o seu trabalho escrutinado e só saia do cargo abdicando ou morrendo. Há maior convite ao laxismo que a certeza de um cargo vitalício? É um facto que alguns Presidentes da República governaram a duas velocidades, quietos no primeiro mandato e a ajudar o Partido que lhes ofereceu Belém no segundo, mas será que este defeito da República será mais grave que o laxismo de décadas de num cargo vitalício?

     

    §3 O João Gomes diz que "o Rei tem por parte do povo uma legitimidade Presidente da República não tem", essa legitimidade é-lhe conferida por quem? Pela opinião dos Monárquicos? É Rei de todos porquê? Um Rei nunca terá a minha legitimidade porque não é passível de receber o meu apoio sem ser por acenos na rua e eu nem sou dessas coisas. Já Cavaco Silva tem a minha legitimidade mesmo sem ter tido o meu voto. Porquê? Porque vivo em democracia e sei as regras, votei num candidato derrotado mas o que ganhou representa-me tanto a mim como à maioria que nele votou, repito, votou, não me foi imposta a sua adopção sem assinar papeis.

     

    §4 Alguém surgir como Chefe de Estado "porque sim" não me convence. Diria acompanhando de perto Piaget que este não é um argumento típico da idade que nos assiste, antes de anos mais verdes. Tenho aversão à sociedade de dados adquiridos em que todos parecemos querer viver, facto cada vez mais presente na passividade com que se olha a galopante corrupção interna. Por falar em corrupção só me faltou ler a este propósito que o Rei será um órgão de polícia criminal.

     

    §5 Não é por acaso que os Presidentes da República foram, sem excepção, personalidades experientes e marcantes da nossa história recente. A sabedoria política, a diplomacia e a gestão de conflitos não se aprendem pelo verbo dos Mestres, é adquirida pela experiência, pelas provas de fogo, pela pressão e pelo stress dos gabinetes e dos corredores. Rio-me quando leio que "o Rei é preparado desde o berço para ser Chefe de Estado", pois não se prepara convenientemente ninguém nos claustros de um palácio. Fazendo um paralelo com a evolução do ensino a nível Europeu (essa palavra tão querida das gentes Monárquicas), o Processo de Bolonha que reformou o ensino no Velho Continente, surgiu no sentido de haver um período de ensinamento mais curto a favor de maior vivência prática e profissional, o local onde efectivamente se aprende e cresce. Não é por acaso que Príncipes surgem amiúde como jovens com pouca experiência e maturidade, em figuras indignas dos pergaminhos que ostentam e responsabilidades que ostentarão. Crescem em redomas de vidro sob protecção de família real e tutores, longe do sol que nos faz. Isso tem um preço elevado.

     

    §6 Mas para mim a pérola é o retrato do Rei Super-Homem que surge um pouco por todo o lado. Fiquei a saber que cada Rei que nos couber em sorte será um pouco mais despido de tudo o que é terreno que Mahatma Gandhi, o esplendor dessa nudez. Quase imaginei El-Rei a fazer a sua própria roupa qual Ben Kingsley no filme de Richard Attenborough. Expliquem-me porque há-de ser o Rei imune ao sistema? Por ventura o Rei irá crescer no seio do povo e dos bairros sociais ou viverá antes no seio das castas mais elevadas da nossa sociedade? O Rei não terá amigos nem irá privar quase exclusivamente com as classes financeiramente mais abastadas? Mais que isto: alguém me quer convencer que no exercício das suas funções o Rei será isento quando de um lado da barricada estiver o Bloco de Esquerda e do outro o Partido Popular? O Rei não será ideologicamente uma figura conservadora? Porque é que o Partido Popular Monárquico tinha assento nos lugares mais próximos da porta direita de quem entra no hemiciclo? Não me digam que o Rei não é de esquerda nem de direita mais não seja porque é humano que tenha uma preferência.

    Dizem que "o Rei será imparcial por natureza" mas só são imparciais por natureza as criaturas desprovidas de vontade, ninguém para além delas. Terão alguns Monárquicos portugueses poderes divinos de alteração da condição humana? O Rei será humano como cada um de nós, terá gostos, opiniões e poderá deixar influenciar-se por elas.

     

    §7 Mal da história e da cultura do meu País se precisassem de um Rei para viver. Algo estará mal na sociedade em que o Rei goste e defenda mais a sua cultura do que o faça o povo que chefia.

     

    §8 Existia efectivamente durante a monarquia uma faixa da sociedade que vivia de privilégios únicos e hereditários. Esses privilégios tiveram um fim e os prejudicados são uma vasta franja dos monárquicos de hoje em dia. Também eu perdi. É algo que está esquecido no passado. Não poderia ter nada de mais frustrante na minha vida que saber que me assistiam terras, títulos e poder fruto do sangue que me corre nas veias e não da qualidade do meu trabalho e da minha inteligência na gestão dos dias.

     

    Dito isto terminei e agradeço a paciência de quem chegou até aqui. Submeto-me às criticas dos súbditos de Sua Majestade e dos meus (convenhamos) poucos colegas de trincheira.

     

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    Excelente entrevista de Dom Duarte ao jornal Primeiro de Janeiro, chamo a atenção para as questões 3,7,10,13,14,17,18,22,29,30 e 31...

    Vale mesmo a pena ler.

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    Gostava que por momentos pensassem numa criança, por exemplo um filho dum vizinho, assumam que o conhecem desde pequenino, a brincar em frente ao prédio e namorar no jardim do lado até à actualidade, adulto, licenciado e com bom emprego.
    Desde cedo que o viram fazer birras, amuos, travessuras, sempre conseguindo dos pais aquilo que queria, custasse o que custasse. Podem para o efeito assumir também que seria filho único, provavelmente ajuda.
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