Agora, que muitos fazem questão de destacar a posição britânica, isolada da UE, vale a pena recordar, como Jordi Vaquer o faz, da importância do Reino Unido na UE.
Obviamente, ao Reino Unido também interessa a UE. Como o consolado de 13 anos do Labour demonstrou (entre 1997/2010), o Reino Unido se quer ser uma das forças liderantes do mundo, só o poderá ser na qualidade de Estado da UE. O mesmo se aplica a qualquer gigante europeu que queira afirmar nesta nova era da Humanidade.
Tal como a máxima do antigo jogador inglês de futebol, Gary Lineker, em relação ao jogo de futebol entre selecções e seu desfecho: são 11 contra 11 e no fim ganha sempre a Alemanha, a mesma expressão bem podia ser adoptada em relação ao projecto europeu: são sempre todos a favor menos o Reino Unido.
Porém, a posição reticente de David Cameron até pode ter ajudado a UE. Não porque o Primeiro-Ministro britânico se entusiasme com a UE, bem pelo contrário, mas porque, sem ter esse propósito, David Cameron travou, para já, o controlo férreo a todo o custo, através de um novo Tratado, como pretende a França de Sarkozy e a Alemanha de Merkel. Ainda que tal controlo é bem possível, a concretizar-se o plano a 17 (da zona €uro, mais seis países que se querem associar).
A posição do eixo franco-alemão, neste Conselho Europeu, apenas se baseia na imposição de sanções, controlo férreo e desprovido de solidariedade.
A UE precisa, mais do que nunca, de novas lideranças, que concretizem o projecto europeu e não as ambições nacionais, dissociadas da UE, desde logo em França e na Alemanha, grandes impulsionadores, desde 1951, do projecto europeu. E sem os quais não se pode construir esta grande casa europeia. A geografia, primeiro, e a história, depois, são esclarecedoras do porquê.
Ora, em termos de liderança, David Cameron não se encaixa no grupo e no perfil de novos líderes empenhados na UE, mas como o lugar de Downing Street lhe faz ver, o Reino Unido precisa tanto da UE como a UE dos britânicos. Todavia, a realidade britânica tem especificidades muito próprias e David Cameron, que na oposição sempre foi um dos principais protagonistas a alimentar o eurocépticismo, no Governo sabe, in loco, como a economia das terras de Sua Majestade está mais ligada à UE do que o orgulho nacional britânico tende a negar. E a afirmação do Reino Unido no mundo carece, como a Alemanha e a França, da projecção de 500 milhões de pessoas, em vez dos pouco mais de 60 milhões de pessoas que o Reino Unido tem.
Blair já deixara isso evidente no seu consulado, e até mesmo Brown, menos entusiasta do que Blair em relação à UE, assim que passou do número 11 para o 10 de Downing Street constatou como o futuro do Reino Unido passa pela UE e por isso se empenhou, em 2008, como nenhum outro líder europeu a resgatar a UE da crise provocada nos EUA.
Hoje, Cameron enfrenta um cenário muito delicado para o seu mandato. Se conta com um aliado solidário na ligação e defesa da UE, como Nick Clegg e os Libdem, por outro lado, nas fileiras tories Cameron conta com um recrudescimento do eurocepticismo. Depois de há poucos meses ter falhado, no Parlamento de Londres, a pretensão de alguns conservadores obterem a permissão para se fazer um referendo à UE no Reino Unido, o coro, desta vez, devido ao plano de Merkel/Sarkozy, de impulsionar novo Tratado, fez levantar mais tories, reclamando um referendo.
Cameron, em tempo algum, poderia chegar a Londres anunciando um novo Tratado, pois, primeiro, ele não quer as regras apresentadas para o Reino Unido, e segundo, o Tratado seria encarado por muitos, a começar nos conservadores, como a excelente oportunidade para fazer um referendo no Reino Unido. E se o resultado é bem previsível, não menos certa seria a queda do poder de David Cameron.
Em suma, este Conselho Europeu fica para a história como um dos mais relevantes, e no meu entender pelas piores razões, e, qual herói acidental, Cameron pode ter defendido, sem querer, a Europa que milhões de europeus ambicionam: de respeito e de dignidade.
As notícias saídas nas últimas horas, quer na imprensa israelita quer na europeia, revelam que a escalada de confronto entre Israel e o Irão está para rebentar, se os ânimos e as vontades não arrefecerem.
Nada disto é por acaso, e não se pode desconsiderar, neste delicado e explosivo xadrez a mudança de líder na Arábia Saudita, país que vê com grande apreensão, tal como Israel, o poderio nuclear iraniano - resta saber se os sauditas estão dispostos, como em 1991 no Kuwait, a bancar parte uma intervenção -, ao mesmo tempo que os EUA retiram as suas tropas do Iraque (país onde a influência iraniana, após a queda de Saddam, tem vindo a aumentar).
Por outro lado, o outro actor global e determinante, os EUA, conta, actualmente, com uma Administração mais dada ao multi que ao unilateralismo, como a anterior, de GW Bush. E há questões relevantes, no caso norte-americano, a considerar: a dimensão financeira, os EUA estão esgotados devido às intervenções no Iraque e no Afeganistão; a estratégica, Obama tem tido um mandato de pontes e não de rupturas; e, a eleitoral, é muito arriscado para Obama, a um ano da eleição, lançar-se numa guerra sem perspectivas de rápido desenlace, como na Líbia, mas, ao mesmo tempo, o poderoso lobby de apoio judaico dos EUA, e tradicionalmente pro-Democrata, não perdoaria a Obama a falta de apoio e/ou associação a Israel numa intervenção.
Do lado dos britânicos, o entusiasmo, quiçá pela intervenção na Líbia, é pressentido, algo que não é o sentimento de outras chancelarias, como as de Moscovo e Pequim, opostas a qualquer intervenção no Irão.
Consta que Benjamin Netanyahu, Primeiro-Ministro, e Ehud Barak, Ministro da Defesa, estão empenhados numa intervenção, à imagem do que Israel fez no Iraque (1984) e na Síria (2007). Posição à qual já se somou o radical Avigdor Lieberman, Ministro dos Negócios Estrangeiros. Porém, não é consensual, no Executivo de Tel Aviv, a decisão de ataque.
Enquanto discutimos o sai e não sai da crise, com esta notícia, a crise pode agravar-se. Como sempre, os tories a cavar o futuro do Reino Unido e da UE.
Muitas pessoas manifestam pouca paciência para as campanhas eleitorais. São demasiado encenadas e pouco naturais, dizem uns, excessivamente cansativas e repetitivas, dizem outros; porém as campanhas são bem importantes, tanto pelo balanço que se faz como pelo proposto. Até porque actualmente, um político não presta contas a cada acto eleitoral, mas a todo o momento.
Eis um spot dos tories, com pouco mais de um ano, merecedor de análise e comparação com o que o Governo britânico fez e o que se passa na terra de Sua Majestade. Diz muito de uma formação, que tanto condenou e surgia como o paladino da melhoria.
Nem perante as evidências Cameron se rende aos factos e mantém os cortes. Parece que a realidade não está a dar nenhuma lição ao Primeiro-Ministro britânico, nem numa área que a direita tanto gosta de valorizar, na oposição, mas pouco apoia no Governo: a Polícia
Uma das grandes referências mundiais da opressão, o Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, veio hoje condenar o Governo britânico pela repressão "selvagem" que tem adoptado nas ruas britânicas.
Ora, considerando que Ahmadinejad é o Presidente que autorizou a repressão contra os milhares de iranianos que contestaram nas ruas a sua reeleição fraudulenta, em 2009, da qual resultou a morte de vários iranianos, e dado o silêncio de Ahmadinejad face às investidas do regime sírio, nestes dias, e que já mataram vários sírios que se opõem à política de Bashar Al Assad; como a polícia inglesa não esmaga nem mata, e não tem dó nem piedade como as forças iranianas e sírias, só resta a Ahmadinejad considerar o comportamento da polícia inglesa como "selvagem".
Só assim, dada a barbaridade da polícia inglesa, se compreende o silêncio do Conselho de Segurança. Caso contrário, se fosse como na "cívica e decente" repressão dos regimes iraniano e sírio, o CS da ONU já tinha adoptado uma resolução.
Perante estas palavras, de hoje, de David Cameron e com pouco mais de um ano de mandato, caso para perguntar: o que é feito do grande projecto político dos tories. a "Big Society"?
É evidente que Cameron não falou nas questões a montante, isto é, os projectos e apoios sociais que o seu Governo cortou cegamente e sem critério.
O mais gritante, destes dias, é que os factos revelam como o projecto da "Big Society" não passa de um projecto teórico sem viabilização real, pois o papel do Estado não deve ser cerceado, como tanto apreciam os conservadores, sob pena de enfraquecer as comunidades e, assim, abrir brechas, que minam a estabilidade e a segurança.
P.S.- Não quero branquear os actos, muito menos os atacantes, pelo contrário, têm de ser julgados pelos crimes cometidos, mas dos milhares de jovens, em especial dos menores, não creio que de um momento para o outro a esmagadora juventude britânica virou criminosa.
O que se tem passado em Londres, e agora em mais algumas cidades britânicas, nas últimas horas (desde sábado), merece tanto de perplexidade como de condenação.
A capital britânica, até pela experiência de décadas de combate ao terrorismo, primeiro contra o IRA e recentemente contra o do jihadismo, é uma cidade segura. Mesmo com todas as condições de segurança, as imagens que nos chegam conseguem ser piores do que aquelas que assistimos há poucos anos em França, onde os actos de vandalismo, mesmo à luz do dia, não têm parado.
Em primeiro lugar, tudo isto merece ser condenado e esperar que as Forças de Segurança cumpram a sua missão, a de repor a ordem e garantir a segurança urbana. Depois, é preciso deter, como está a acontecer, e conduzir os responsáveis à Justiça, para que esta se cumpra. Em terceiro, e não é despiciendo, a necessidade de perceber estes fenómenos e entender que há uma grande necessidade de dar respostas a este grave problema social. Nada disto é fruto do acaso ou é um acto isolado no tempo.
Se é certo que há muitos vândalos agradados com a situação, por representarem o caos e o desconforto que tanto apreciam, seguramente muitos jovens deixam-se, nestes dias, embriagar pelas manifestações acéfala e destrutiva e aproveitam a oportunidade para despejar toda a frustração e agonia que transportam, dado o presente árduo que sentem e o futuro mais do que incerto que encaram.
Talvez dentro de uns tempos se compreenda que são necessários projectos sociais, preventores destes acontecimentos e criadores de oportunidades, em especial junto da população que se encontra em situação mais vulnerável, pois estes jovens, apesar de agressores nestes dias, são o alvo ideal para os vândalos perpetrarem os actos violentos e com significativas massas de jovens apresentarem um escudo grande e, por isso, forte, perante a necessária investida policial.
Se é certo que a Segurança é uma prioridade, esta, para ser efectiva, não pode dispensar a dimensão Social. Infelizmente, o Governo britânico tem adoptado medidas cegas, com nítidos prejuízos para as pessoas.
P.S.- Um vídeo que ajuda a perceber os lados existentes nos que semeiam a violência.
Falta uma semana para o mais do que certo casamento do ano, o matrimónio de William e Kate.
Razão de ânimo para as casas reais europeias, que se encontrarão em Londres, e de entusiasmo das revistas cor de rosa, de todo o mundo, com mais umas tiragens, quer na semana que se avizinha, com os preparativos, quer na semana após a boda, com as fotos dos Príncipes, darão conta de todos os factos.
Todavia, este casamento valerá muito mais do que a troca de alianças, pois pode representar o refrescar do regime britânico. Muito mais do que Carlos (não é certo que suba ao trono), William deverá ser o Rei que pode renovar e impulsionar a monarquia.
Dentro de poucos anos, quando Elizabeth II, que ontem fez 85 anos, passar o testemunho, um Príncipe, recém casado e no qual milhões de britânicos vêem como o sucessor, natural e genético, da inesquecível e adorada Diana, pode devolver o orgulho um pouco desvanecido à coroa, bem como prepará-la e adapta-la à globalização.
Por agora, só os festejos da boda, mas o jovem que vai casar pode retomar a chama da vela que se apagou. Em breve voltará a soar o God save the King.
Vejo este gráfico (às 17 horas) e o Labour não tem uma única vitória nas autárquicas inglesas.
Mais palavras para quê. O barco está a afundar e Brown porta-se como o maestro de uma orquestra, que toca indiferente, tanto aos votos que não tem como aos elementos do Governo que saem.
Antes de encerrarem as urnas no Reino Unido, James Purnell, o responsável governamental de Brown pelas áreas do Trabalho e Pensões, entregara uma carta, a apresentar a demissão e a pedir ao Primeiro-Ministro britânico para sair.
Brown vê a sua equipa demoronar-se a cada dia que passa. O inevitável está a chegar.
Cameron tem boas razões para andar feliz. Sem causas nem propostas, o poder cai-lhe no colo sem uma gota de transpiração.
Com a imprensa, britânica e internacional, a colocar Brown na primeira capa dos jornais, pode perceber-se, ainda que não esteja nas primeiras palavras da capa o evidente: o projecto do New Labour termina hoje. As urnas determinarão o óbvio, que só Gordon Brown não quer reconhecer.
Dentro de pouco tempo, e só o orgulho bacoco de uns quantos não fará reconhecer o que é evidente, muitos reconhecerão que o Reino Unido foi melhor, bem como a UE, com a esquerda trabalhista.
Começa hoje a era Cameron e o regresso ao orgulho isolado dos britânicos. Um mau sinal para todos nós, europeus.
Com sondagens a dar mais de 40% aos Tories, o dobro dos trabalhistas, Cameron pouco se importa com as europeias, quer as legislativas quanto antes.
Mesmo sem programa ou causas, Cameron tem um objectivo: ser Primeiro-Ministro britânico. Manifestamente pouco, para quem quer governar um dos países economicamente mais desenvolvidos.
Com mais do dobro das intenções de voto, parece quase irreversível Cameron derrotar Brown nas próximas legislativas. Nas europeias, a grande surpresa pode ser o aumento de eleitos do UKIP, liderado por um dos demagogos-mor do Parlamento Europeu, Nigel Farage. (Publicado no Palavra Aberta)
Pouco depois de suceder a Blair, e ao longo de um ano de mandato, Gordon Brown demonstrou ser um político que não estava à altura do cargo que ocupava no número 10 de Downing Street.
Hoje, perante a grave crise mundial, surge como o líder europeu e mundial mais bem preparado para lidar com a situação.
Enquanto uns titubeiam, e na Europa são muitos, Brown aponta caminhos de saída, que passam, como não podia deixar de ser, por coordenação internacional e não actuação à escala nacional. Pena que outros líderes europeus, e mais europeístas que Brown, não tenham a mesma leitura.
Não deixa de ser curioso este "renascer político" de quem estava à beira de uma queda abissal. Mas, ao fim e ao cabo, Brown destacou-se como grande político na qualidade de artífice financeiro-económico do New Labour. Agora está a demonstrar as suas qualidades, numas águas políticas, como as financeiras-económicas, nas quais se sente e move como peixe.
O Labour tem um congresso decisivo entre os próximos dias 20 e 24.
Na véspera dos trabalhos partidários, um elemento do Governo sai, sendo mais uma das vozes a colocar em causa a liderança de Gordon Brown, na condução do partido e do Governo. Antes, já David Miliband, Ministro dos Negócios Estrangeiros, e Tony Blair colocaram em causa a direcção que o Labour está a ter com Brown.
Depois de ter tudo para alcançar a maioria absoluta, e a quarta vitória consecutiva para os trabalhistas, caso convocasse eleições antecipadas, após a saída de Blair, isto há precisamente um ano, foi neste período que começou o fim de Brown, quando a poucos dias do congresso do Labour de 2007, com a criação, do próprio Brown, do tabu quanto à convocação ou não de legislativas antecipadas. Desde aí tudo se desmoronou. O tabu prejudicou os trabalhistas e isso foi patente na queda de popularidade, credibilidade e eficácia da política do partido e do Governo. Tudo o que não existira na era Blair.
As eleições autárquicas ajudaram a essa queda abrupta, nomeadamente a pesadíssima derrota em Londres, ficando Livingstone em terceiro lugar, e a eleição de um membro da Escócia, para o Parlamento, onde o Labour sempre vencera.
Hoje o Labour está quase a 20 pontos dos Conservadores e prevê-se que Brown, caso continue, seja a parte principal do problema em vez da solução.
Duvido que Brown se afaste da liderança. Este congresso do Labour deve marcar a nova e pesada era, com a transformação do New Labour, de Blair, no Old Labour, de Brown.
Consequências directas na vida europeia da actual situação política britânica? O regresso ao poder a breve termo de um partido eurocéptico, que em pouco ou nada fará para que o aprofundamento europeu se desenvolva. Algo que nos trará mais dificuldades, a todos, britânicos inclusive, em especial neste momento, que precisamos, cada vez mais, de uma UE forte, para enfrentar as dificuldades mundiais.
Tem sido uma boa noite para o Partido Conservador britânico, que está a bater, aos pontos, o Trabalhista nas autárquicas que se realizaram no primeiro dia de Maio.
Enquanto se apuram resultados, a Sky apresentou uma sondagem relativamente à dimensão nacional. Assim, se as legislativas tivessem lugar agora, os Tories alcançariam quase 400 deputados e o Labour nem obteria 200 lugares na Câmara dos Comuns.
Ainda está por apurar o resultado de Londres, que é decisivo, em termos de impulso para a vitória de Cameron no próximo ano.
A má notícia para a Europa nem se prende tanto com a viragem à direita do Reino Unido - mais uma! -, mas com a previsível predominância eurocéptica que os Tories irão empreender.
Depois de uma década a procurar aproximar o Reino Unido da integração europeia, todo o esforço empregue está à beira de ser desperdiçado, por uma política cheia de orgulho que em nada benefícia os nacionais britânicos e restantes europeus.
Oxalá me engane redondamente, mas hoje pode começar a queda do poder trabalhista no Reino Unido, depois de 12 prósperos e dinâmicos anos, especialmente com a liderança de Blair.
Se o candidato do Labour, Ken Livingstone, perder hoje a Câmara de Londres, para o conservador Johnson, bem pode Gordon Brown fazer contas à vida, pois Cameron começa a ficar cada vez mais perto do poder.
A última sondagem publicada, a nível nacional, dava os trabalhistas com pouco mais de 25% e os conservadores quase que chegam aos 45%. É preciso recuar muitos anos, aos tempos de Thatcher, para encontrar paralelo.
Dois pontos a confirmar. Uma dentro de horas, outra dentro de um ano.