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“Passos Coelho é um homem de palavra pois manteve a sua promessa de levar Nobre a presidente da AR”. Grosso modo é este o sentido geral das declarações dos spins oficiais e oficiosos do PSD. Um ou outro mais delirante atreve-se mesmo a culpar a esquerda pela não eleição do presidente da AMI.

 

Claro que ao PSD dá jeito que se pense assim. Mas a verdade é outra.

Nobre foi um erro de Passos Coelho desde o primeiro minuto em que foi convidado. Não trouxe mais votos. Não alavancou nenhuma mensagem de “sensibilidade social” que servisse de contrapeso à matriz ideológica liberal com que o PSD se apresentou a votos. Basta pensar que depois da entrevista ao Expresso nunca mais ninguém lhe ouviu uma palavra. Nobre foi por isso um elemento neutro nestas eleições.

 

Apesar de tudo isto, desenganem-se aqueles que consideram que a não eleição de Nobre para presidente da AR é uma derrota de Passos Coelho ou do PSD. Daqui as umas semanas este episódio não passará de um fait divers que será lembrado de forma divertida para os lados da Lapa – “o dia em que nos livrámos de Nobre e ainda saímos por cima”. Já o presidente da AMI, por todo o seu passado, e apesar de alguma tentação narcisista, não merecia a desconsideração pública a que foi sujeito. A política nem sempre é uma coisa bonita.

 

 

também no Vozes de Burros

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Os spins oficiosos de Passos Coelho já decidiram o caminho a percorrer até às eleições.

Ridicularizar, gozar, desprezar.

Caminhos para o futuro? Alternativas? Propostas?

Nem vê-las, que é pedir demais a quem acha que a piadola fácil é uma estratégia política !

 

Depois, se na noite do dia 5 de Junho as coisas não correrem bem, vão certamente queixar-se do povo!

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Não acredito que ninguém no seu perfeito juízo tenha votado em José Manuel Coelho com vista à sua eleição e tenho a ideia que a grande maioria dos votos de Nobre lhe foram atribuídos, não por lhe reconhecerem capacidades para o cargo, mas por personificar uma candidatura fora do sistema.

 

No fundo foram dois canais de votos de protesto que somados representam 18.6%, ou seja, 782 482 votos. Se a estes somarmos 4.26% brancos e 1,93% de nulos, ficamos com 1.028.000 votos de protesto, ainda que alguns nulos sejam de monárquicos. Um milhão e 28 mil eleitores (!) a reclamarem melhores políticos e políticas, o que num universo de 4.489.904 pessoas que foram votar representam 23%.

 

Com uma abstenção a bater recordes e a posicionar-se nos 53,37% e 23% de votos de protesto já descritos, não devíamos estar a falar no estado de saúde da democracia - como já é hábito e se tornou cliché - mas sim no estado de saúde político daqueles que trabalham sob a sua égide. É que a primeira está viva e recomenda-se, agora os seus protagonistas, esses, definham a cada acto eleitoral que passa. Sinal de que há uma geração por acabar. Só espero que não tenha feito escola...

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As palavras de Cavaco Silva no debate com Manuel Alegre a propósito da alegada incapacidade da gestão CGD para "recuperar" o imenso buraco deixado pelos amigos no BPN são de uma tal atrocidade, são tão grotescas e tão cinicamente hipócritas que apenas uma "espécie de amostra" de república das bananas, onde um Presidente da República se aguentasse no cargo após ser "apanhado" a manipular informação e a conspirar para montar "cabalas" em capas de jornais, o poderia reeleger por convicção ou falta de opção!

Eu gosto de bananas, mas não suporto que me tentem fazer passar por tolinho!

Também por isto,em 2011 ir-me-ei dedicar a alguns temas que normalmente causam "alergias", Guerra Colonial, Descolonização, Camarate e Fundo das Forças Armadas, Bolama e a venda de armas durante o conflito Irão-Iraque.São temas interessantes que merecem, na minha opinião,atenção. Causaram muito sofrimento a muitos portugueses e uma bela fortuna a uns quantos...indivíduos.

Temos de parar com (a mania) o hábito de meter a sujidade para debaixo do tapete.Os se aspira, ou se varre ou se lava, mas debaixo do tapete, durante muito tempo, começa a cheirar mal!

Muito mal cheira esta "estória" mal contada do BPN.Vir agora Cavaco Silva bater no peito e cobrir-se de cinza, clamando aos céus por vingança na defesa do seu bom nome, gritando ao vento que todos deviam nascer duas vezes para serem tão puros e imaculados quanto ele...suscita-me repulsa!Lamento...

Em vez de nascer duas vezes, alguns deveriam era passar uma eternidade no Purgatório para expiar a culpa do estado a que chegamos depois de tanta incompetência, tanto erro e tanto roubo....

  

 

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Recomeça…

Se puderes,

Sem angústia e sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro,

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

 

Sísifo, Miguel Torga

 

 

Aos Socialistas ou "assim assim", aos Social Democratas ou "pseudo-qualquer coisa-mais ou menos útil", aos Liberais "com ou sem capa assumidamente corajosos ou antes pelo contrário", aos Conservadores "de algo concreto e definido ou nem por isso", aos Democratas-Cristãos "por hábito ou convicção", aos Comunistas "modernos ou menos ainda", aos Marxistas-Leninistas "tradicionais ou evolucionistas",aos Trotskistas a "sério ou coniventes", aos Republicanos "por amor ou outra coisa qualquer", aos Monárquicos "assumidos ou acomodados", aos Anarquistas "sem saber ou por querer"...uma PERGUNTA  -  De algum fruto querem só metade?

 

 


 

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" O País não precisa de quem diga o que está errado; precisa de quem saiba o que está certo..." - Agustina Bessa-Luis

 

O que é mais difícil? Dizer o que está errado ou o que está certo?Destruir, por em causa, instigar dúvida, desfazer, descredibilizar, identificar erros, apontar falhas?Construir, fazer, liderar pelo exemplo, apontar o que se faz porque está certo, porque é correcto?

Desde quando é que políticos e politicas se justificam "porque está certo", "porque é justo", "porque é um imperativo moral", "porque é verdade", "porque é o caminho ético a tomar"?Ou desde quando é que se deixaram de justificar opções com Valores e Princípios ou com a Ética?

É mais fácil medir e pesar opções e decisões em sondagens e votos, em capas de jornais e directos televisivos, em tweets e posts, em buzz ou positivo ou negativo, em nomeações ou redes?Quanto mede a honra?Quanto pesam os Valores e Princípios?Qual a densidade da Ética?Qual o tempo de vida de um regime?

 

Just thinking....

 

 

 

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Se quem tem opinião diferente é uma "fractura", quem não tem opinião própria é o quê? Uma anemia? Será osteoporose?
Se quem tem uma visão diferente é "divisionista", quem não tem qualquer visão própria é o quê? Uma soma nula, um conjunto vazio ou um elemento neutro? Um clone ou uma reverberação?
Nos tempos que correm, existem na nossa sociedade demasiados “vendedores de banha da cobra” e “médicos sem carteira” com falsas panaceias e “mézinhas grátis” para as necessidades reais do nosso País. Não faltam profetas da desgraça e carpideiras, sobejam salteadores por entre um mar de cínicos e hipócritas.
E depois? Cada um casa com o seu próprio umbigo, fecha os olhos, tapa a boca  e cobre os ouvidos fingindo que nada se passa? É cada um por si e o Estado por todos aqueles que se “aviarem” e “amanharem”? Não!
Basta fazer o que está certo. Basta fazer o que está correcto. Basta fazer o que é justo. Basta pensar nos outros de forma solidária e não parasita ou comodista. Basta ter coragem de expulsar os vendilhões do Templo da “coisa pública” ou da “cena politica”, sejam eles corruptos ou incompetentes, amigos, conhecidos ou afiliados. Resultou há dois mil anos, vai voltar a funcionar.

 

‎"O homem livre é senhor de sua vontade e somente escravo de sua consciência." - Aristóteles

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A fiabilidade dos números da Greve Geral, para os cidadãos/eleitores/contribuintes, "soa" à mesma música de muitas discussões politicas nos últimos anos,  cada um a falar  para  seu lado e o Povo a perder a paciência.

Sem acreditar em números, em politicas, em medidas ou em pessoas, o exercício da politica, do direito de voto, de greve ou de manifestação por parte do Povo ou dos seus representantes é mais um (auto) acto de Fé do que a consequência lógica do pleno "usufruto da cidadania" em total liberdade.  

 

Ainda é permitido usar esta palavra com letra grande, "Povo", sem complexos ou traumas? E "Pátria"? Já se voltou a poder utilizar sem fobias, taras ou manias?

É que a frase "O Povo é quem mais ordena" anda pelas ruas da amargura e não adianta culpar este ou aquele, um período ou outro, aquele partido ou o seguinte, uma ala ou uma facção, um lobby ou uma corporação. Todos somos responsáveis, votamos ou não, pagamos impostos ou não, pagamos quotas ou não, depositamos ou levantamos dinheiro, compramos ou contratamos, partimos ou ignoramos, rasgamos ou assinamos, gritamos ou ficamos calados, a culpa é quem então?

 

 

 

"Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em covardes." Abraham Lincoln

 

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É mais provável Portugal entrar em incumprimento da divida soberana do que o Iraque, diz o mercado isento e desinteressado.


A super armada do benfas foi cilindrada pelo FCP mas o escândalo é o SCP perder com 10 jogadores, dizem os imparciais analistas desportivos.


Santana e Cavaco querem o mesmo, estabilidade para a governação, dizem os próprios com pungente sinceridade sem utilidade egoísta.


Diz-se que se cumpre a lei e é quanto baste à dignidade da coisa pública,nem ética nem moral importam, dizem alguns com responsabilidades.


A justiça tem fugas, está rota ou descosida,mas é pura e impoluta,dizem os próprios da dita cuja.

 

Alguém pode fazer o favor de assumir que é tendencioso quanto baste, parcial por vezes, manipulador quando é necessário, que joga em causa própria em certas situações ou que por vezes até erra ou se engana?

 

Com tanto príncipe perfeito e com tanto pastor abnegado é mesmo bizarro como é que o reino está neste estado e o rebanho nesta condição!

 

 

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João Soares hoje ontem na SIC N - "É preciso juntar todos os sociais-democratas!".
Pois é, mas os portugueses andam confundidos com um partido de direita a usar indevidamente esse nome e algumas politicas conotadas como mais "de direita" dum governo de esquerda usarem essa designação como bandeira.

É uma cacofonia escusada.Falhas de comunicação que confundem os eleitores...contribuintes...cidadãos!
Basta explicar, falar verdade, políticos também erram (ninguém é perfeito,só os que se armam em não políticos-não profissionais pseudo-independentes!), também se enganam (acontece aos melhores!), também pedem desculpa (ou deviam!), também se irritam (é normal em seres humanos não "plásticamente artificiais"!), também vivem e respiram no mundo real (ou deviam!).

Prefiro gente real com virtudes e defeitos reais em vez de "trampa mastigada". Obrigado João.

 

Uma homenagem a gente real com defeitos reais - a personagem do policia Crabtree da série "Alô,Alô!"

 

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Em relação aos especuladores que ganham legalmente com a aflição e desgraça dos países sobreendividados e com contas públicas "frágeis", faço votos de que um dia a consciência lhes não doa devido a tão sórdida profissão!

 

Em relação aos responsáveis pela falta de regulação mundial nos mercados bolsistas e pelo boom do crédito sub-prime depois empacotado em belos hedge funds, espero que o futuro lhes não seja nada risonho!

 

No que toca aos políticos que (sustentaram) apoiaram a "lei da selva" que hoje permite que valha mesmo a pena esmagar (povos) países/economias porque rende muito bom lucro demasiado (tentador) fácil, espero que se arrependam e peçam desculpa aos eleitores que os colocaram em posição de decidir. Desculpas não se pedem, evitam-se, mas sempre é melhor que nada!

 

Em relação a todos (TODOS) os responsáveis por 36 anos em que os erros/deficiências estruturais do nosso país não foram combatidos, antes ignorados ou adiados, em prol do "fartar de vilanagem", irresponsabilidade, negligência (quase) criminosa, laxismo e promoção de uma cultura de incompetência, "anti-mérito" e despojada de Valores, Princípios, sentido de Dever e de Missão,  tenho um desejo muito sincero. Que encontrem um lugar onde possam expiar toda a ignóbil culpa e compensar (se isso fosse possível!!!) o incomensurável dano e sofrimento que causaram ao País de que se serviram e ao Povo a quem exploraram...

 

 

 

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O que me ocorre partilhar é uma citação de Konrad Adenauer - "Vivemos todos sob o mesmo céu, mas nem todos temos o mesmo horizonte."

 

 

 

 

 

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Como neste blogue se "prega" uma nova politica, com novas caras, com Valores e Princípios alinhados pela Ética, provando que os exemplos podem vir, e devem vir, da "politica" e dos "políticos", regressamos "ao ar" com uma nova equipa. Tal como prometi.

Para voltar ao nosso objectivo inicial, o debate esclarecido e esclarecedor, "descomplicado" e descomplexado, sem traumas nem tabus, entre pessoas de partidos, ideologias, tendências e opções diferentes.

A toda a nova equipa, humildes agradecimentos e sinceros votos de bom trabalho, aos leitores, um sentido obrigado pela paciência e pelo carinho.

 

 

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Tenho visto as entrevistas de Richard Nixon a David Frost e uma coisa é obvia, eliminando as diferenças culturais e juízos de valor sobre as opções e decisões de Nixon, o que mais se destaca nestas entrevistas é a gigantesca diferença entre o fantástico trabalho jornalístico de David Frost (e o formato das entrevistas que lhe permitiu tirar "todo o verdadeiro sumo" do Presidente Nixon) e o "produto" que nos habituamos a ter no mercado mediático doméstico, é abissal a diferença!

Também é espantosa a forma como Nixon se expõe ou comunica (não sendo um comunicador nato ou particularmente dotado) através da televisão, mesmo reformado ou "acabado para a politica" nenhum politico português comunicaria assim e muito muito muito muito poucos teriam a mesma substancia para apresentar quando "espremidos", é pena, azar o nosso.Sorte do povo que tenha tido lideres polémicos, ou "julgados" como tendo cometido graves erros, desta cepa, por cá há quem monte um enorme circo, faça imensa festa, lance foguetes e apanhe as canas por muito, muito pouca uva!

 

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Enquanto a restauração da monarquia é um projecto com um peso político relativamente residual entre nós - capaz, contudo, de nos propiciar algumas surpresas, como aquela que veio do Corvo - ela parece ter-se tornado quase obsessiva nos vários quadrantes do mundo que recusam a democracia.

Na mais brutal das monarquias comunistas, a Coreia do Norte, foi finalmente anunciada a sucessão para o neto mais novo de Kim-il-Sung, o fundador da dinastia; enquanto em Cuba parece estar consolidada a passagem do trono para o irmão do fundador da dinastia. No resto da América Latina de inspiração comunista, o processo vai mais atrasado e os ditadores locais ainda estão ocupados a eliminar dos textos constitucionais as heranças democráticas que proibiam a perpetuação dos ditadores no poder.

Na Rússia de Puttin está-se só na fase da legitimação nacionalista do comunismo, tendo o poder judicial concluído um inquérito à chacina da família do Czar, pelo regime bolchevique, absolvendo Lenine do crime e responsabilizando as autoridades locais, conclusão verdadeiramente notável e clarificadora do que poderemos esperar de Moscovo.

De acordo com alguns iranianos (não os da resistência iraniana, que não atribuíram grande crédito a este cenário), também o Ayatollah Khameini está em vias de aderir a esta nova moda dinástica entre os ditadores, tratando de fazer com que seja o seu filho a herdar o lugar de dirigente espiritual na teocracia iraniana.

Relembre-se a esse propósito, que várias outras ditaduras ou mesmo apenas regimes autoritários têm ultimamente optado por se converter em regimes monárquicos de facto, se bem que não de direito, sendo o caso da Síria e de algumas das ditaduras da Ásia Central os mais notórios.

Como sabemos, mesmo nas democracias, embora em regime de rotatividade e sem dispensar a aprovação popular, temos tido alguns indícios claros de tendências monárquicas, que se fazem notar tanto nos EUA, através do clã Bush (ao que parece, o patriarca da família já fez questão de salientar que o filho mais novo tem qualidades para suceder ao que já foi presidente), como na Índia, com o clã Gandhi, ou ainda no Partido Popular do Paquistão (o principal esteio da democracia paquistanesa), com o clã Bhuto.

Perante este despontar monárquico nas ditaduras ou mesmo nas democracias contemporâneas, forçoso é relermos as considerações de Aristóteles sobre a evolução dos regimes e o papel crucial das monarquias, leitura que seria interessante ver feita por parte dos nossos monárquicos.

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A revista Time elegeu Barack Hussein Obama como homem do ano de 2008, opção que dificilmente pode ser considerada original ou surpreendente. Ao mesmo tempo, a revista entrevistou o Presidente-eleito sobre as suas perspectivas para 2009, e essa é realmente a grande incógnita: irá ser Obama o homem do ano em 2009?

Na entrevista há dois pontos que me parecem especialmente dignos de nota, tanto em termos absolutos como em relação às posições anteriores de Obama: (1) a crise económica mundial e (2) o Grande Médio Oriente.

No primeiro ponto Obama é decepcionante. O seu discurso nada parece ter evoluído em relação aos tempos de campanha e aquilo que era então mais compreensível é-o menos hoje.

Logo na segunda pergunta, Obama considera a recessão como um tema de política interna, aproximação que persiste quando ele desenvolve a questão e coloca a resposta a dar à crise como necessitando de ser mais próxima da dada pela Suécia do que a dada pelo Japão, referindo-se assim a duas crises que foram internas a estes dois países e não crises globais.

Depois considera a crise como financeira - o que aconteceu com as crises sueca e japonesa - mas que, do meu ponto de vista, não corresponde à sua dimensão actual, que vai muito para além da esfera financeira.

Em último lugar, ele falha completamente na compreensão do papel crucial da China e dos mercados asiáticos tanto no desencadear da crise como na sua resolução.

A China e a bacia do Pacífico merecem apenas a última referência geopolítica da entrevista: "E finalmente, gerir a nossa relação com a China e toda a bacia do Pacífico, penso, é algo que me vai manter ocupado não só a mim mas também ao meu sucessor."

Obama parece não estar a entender que a crise é global e não apenas doméstica, económica e não apenas financeira, e que tem a bacia leste do Pacífico, e muito em particular a China, no seu centro.

A seu favor, Obama tem o facto de nenhum dos grandes gurus da economia mundial ter percebido a dimensão dos problemas, e ele mesmo assinala esse facto dizendo que não só não tem uma bola de cristal como os economistas dizem quase tudo o que se possa imaginar neste domínio.

Mais do que isso, Obama parece não entender que a solução para a crise vai depender mais da China e da bacia do Pacífico do que dos EUA ou do mundo ocidental.

No Grande Médio Oriente, pelo contrário (será que aqui já por efeito da presença de Hillary?) a evolução parece-me clara e positiva.

Aquilo que até aqui tinha aparecido como a principal preocupação, o Afeganistão, aparece agora depois do Iraque e curiosamente tratada como a questão Afeganistão - Paquistão - Cachemira - Irão. Ou seja, começa a ganhar forma uma visão mais clara do carácter global da crise que engloba o Afeganistão. Registe-se também que o conflito Israelo-Palestiniano aparece no final da lista, depois das relações transatlânticas e das relações com a Rússia, e em termos que mostram a compreensão da dificuldade em obter progressos neste domínio sem serem registados progressos no resto da região.

Penso que se trata de uma clara evolução em relação ao discurso de campanha. Desaparece o tema do diálogo com o Irão, que é visto como o terceiro problema (sendo que ele é já correctamente entendido como parte do problema do Afeganistão) e o Iraque é já visto como um problema de transição.

A visão do Grande Médio Oriente continua a ser confusa e não me parece provável que  ela se clarifique tão cedo. A verdadeira arca de Noé em que se transformou a Administração Obama pode ter sido excelente para captar as pessoas mais em evidência em todos os domínios, mas vai tornar muito mais difícil a obtenção de uma linha de rumo coerente.

Esperemos o melhor! Realmente, o sonho de todos nós seria fazer de Barack Obama o homem do ano de... 2009.

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Exactamente como uma mancha de óleo, o que começou por ser o problema num banco e com um ex-governante dos Governos de Cavaco Silva estendeu-se lentamente a vários outros membros das antigas equipas de Cavaco Silva e a outros ramos de actividade, e agora também a membros do PS.

Exactamente nesta mesma altura, a Assembleia da República resolveu criar uma Comissão de Inquérito mas, surpreendentemente, com base nas posições defendidas por Paulo Portas, que pretendem fazer das falhas de supervisão do Banco de Portugal as razões para toda a imensa e infindável teia de escândalos, ou alegação de escândalos, que se desenrola perante os nossos olhos.

O sistema judicial português habituou-nos a vê-lo funcionar como se o factor tempo não existisse, com as decisões prescritas ou tomadas tarde demais para ter qualquer efeito útil e tem sido, por isso, substituído pela imprensa que faz justiça em tempo recorde, mas uma justiça popular, pouco séria e pouco justa.

As Comissões de Inquérito parlamentar, pelo seu lado, não conseguiram impor-se como mecanismos expeditos e idóneos para esclarecer questões como as que estão diante de nós.

O problema é que, perante o alastrar da actual mancha de óleo, ou o sistema político arranja forma de se autorregenerar ou vai acabar irremediavelmente afogado nesse óleo. É, por isso, vital que apareça uma verdadeira comissão de inquérito parlamentar onde seja cabalmente esclarecido o envolvimento de todos os antigos governantes e dirigentes políticos que aparecem ligados a sociedades, empreendimentos e bancos envolvidos em acções delituosas; inocentando quem nada tem a temer; pedindo responsabilidades a quem as deve; e escalpelizando as razões que explicam que gente do governo da nação tenha saltado para os negócios contra a nação.

Se o financiamento, as estruturas, a eficácia e a supervisão bancária tiverem responsabilidades na matéria, com certeza que tão pouco devem ser poupados, mas se é para arranjar um conveniente bode expiatório, não penso que isso seja aceitável.

O país está perante uma crise internacional de enormes proporções, cujos efeitos se farão, com toda a probabilidade, sentir em pleno entre nós em 2009 que, por sua vez, como sabemos, é ano de eleições.

Quem pensar que é possível disfarçar fraudes desta dimensão sem nada fazer quando o país for sujeito ao pleno choque da recessão não está certamente a fazer uma avaliação realista da situação.

O que temos perante os nossos olhos não é pura e simplesmente tolerável A democracia é um sistema mais complexo do que se pensa e torna-se por isso necessário preserverar sempre na sua salvaguarda.

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Pelo que li na imprensa, algumas destacadas figuras do PS e Ministros do Governo, apoiado pelo PS, têm andado pelo país em reuniões com as suas bases para tentar enfrentar o descontentamento, claro e assumido no caso dos docentes, mas presente também um pouco entre todos.

Com o PSD perdido de novo nas lutas pela liderança e incapaz de seduzir quem quer que seja é na possibilidade de formação de uma frente entre descontentes socialistas e as forças do marxismo-leninismo que se situa o maior dos desafios para o PS.

Olhando as teses que foram apresentadas ao 18.º Congresso do PCP, que terminou no dia 1 de Dezembro em Lisboa – e que podem ser consultadas no site do partido – fiquei com a ideia de que, em vez de mandar qualquer Ministro falar com as bases, o melhor que o PS tinha a fazer era enviar um exemplar das teses do PCP aos que parecem prontos a ser seduzidos pela aliança com o marxismo-leninismo, onde se podem ler mimos como este:

"O abandono de posições de classe e de uma estreita ligação com os trabalhadores, a claudicação diante das pressões e chantagens do imperialismo, a penetração em profundidade da ideologia social-democrata, a rejeição do heróico património histórico dos comunistas, a traição de altos responsáveis do Partido e do Estado, desorientaram e desarmaram os comunistas e as massas para a defesa do socialismo, possibilitando o rápido desenvolvimento e triunfo da contra-revolução com a reconstituição do capitalismo."

O marxismo-leninismo português em 2008, como se vê, continua igualzinho ao que sempre foi: o mais estalinista, ortodoxo e sectário da nossa Europa, obcecado por fazer as contas com a história, sempre pronto a expor traidores, vítimas da ideologia social-democrata que desorientam e desarmam as massas.

O marxismo-leninismo não está preocupado com o quer que seja que não vingar-se dos que fizeram ruir a efabulação que afincadamente pregou durante décadas e persiste num Universo que foi de fantasia, mas que é cada vez mais de pesadelo.

Quando as teses do PCP esconjuram as "ameaças à República Democrática da Coreia", não se pode pretender que se está perante uma escorregadela de linguagem de qualquer dirigente menos experimentado, pode-se estar certo pelo contrário de que se está perante a inequívoca manifestação da preferência dos comunistas portugueses pelo apocalipse da humanidade – de que a Coreia do Norte é a melhor expressão viva – a qualquer "claudicar perante a ideologia social-democrata."

Por mais zangados que os socialistas estejam com o Governo do seu partido, não é possível fazer confusões entre este e o socialismo real que nos promete o marxismo-leninismo português.

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Faço muito gosto em contar com a Vossa presença no lançamento do livro que amanhã 3ªfeira dia 25 de Novembro, pelas 18:15, decorre no Clube dos Antigos Alunos do ISCTE na sala 405 da Ala Autónoma do ISCTE.  

 

O caminho da Mudança faz-se dando passo em frente.

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No rescaldo das grandes frases tonitruantes, mas ocas de conteúdo, do discurso de Sarkozy proferido no Parlamento Europeu, parece ter escapado à opinião pública nacional a única coisa importante que decorreu das suas palavras: a sua auto-nomeação para Presidente do Governo Económico Europeu; autêntico Golpe de Estado na Europa, como foi acertadamente referido pela imprensa britânica.

Tal como foi dito vezes sem conta pelo pai do Euro, Jacques Delors, a União Económica e Monetária é um projecto que só desenvolveu uma perna, a monetária, mas se esqueceu da outra, a económica.

O chamado "Eurogrupo", que reúne os governos dos países aderentes ao Euro, não está consagrado no Tratado, é um instrumento puramente intergovernamental e estava a ser presidido pelo Luxemburgo, ou seja, pelo principal representante dos paraísos fiscais na Europa. Finalmente, alguém parece ter-se lembrado serem os paraísos fiscais um dos elementos essenciais da economia de casino que levou ao desastre de que todos estamos a sofrer as consequências.

Do meu ponto de vista, contudo, a solução para o problema não é a imposição, a martelo, de Sarkozy para presidente, pelo menos até ao final de 2009, de um "Eurogrupo" e menos ainda a transformação desse "Eurogrupo" no governo económico da Europa.

Este golpe palaciano, na esteira da mais pura tradição gaulista e napoleónica, esquece uma questão essencial: a única forma aceitável de fazer política económica para a Europa é através de um organismo político dependente de eleições democráticas europeias.

Quando Nicolas Sarkozy disputar e ganhar eleições europeias terá toda a legitimidade para decidir da política económica para a Europa, mas não antes disso. Até lá penso que compete à Comissão Europeia e ao seu presidente a tomada de posições e a construção de políticas.    

Em segundo lugar, para além da legitimidade do personagem coloca-se o problema do acerto das propostas.

Aqui creio que há duas questões essenciais a ter em conta na compreensão do problema: (1) a crise assenta em desequilíbrios comerciais globais e (2) a solução passa necessariamente por um acordo global com a participação dos principais parceiros comerciais.

Ora a principal decisão de Sarkozy - na qualidade de Chefe de Estado da França, não de chefe de Governo da Europa é certo - foi a da criação de um fundo soberano em França para cobrir eventuais propostas de compra de empresas nacionais por estrangeiros.

Esta decisão é, quanto a mim, a principal prova de que Sarkozy não entendeu o essencial da razão de ser da crise e os seus passos tendem a agravá-la.

A razão fundamental da crise é a dos profundos desequilíbrios comerciais na economia mundial. Estes geram fluxos financeiros internacionais que ou originam inflação de preços de activos (e portanto bolhas especulativas que resultam em crises como a actual), ou adquirem activos reais, menos má das soluções, que Sarkozy está agora a restringir.

Portanto, não havendo nenhuma perspectiva de correcção dos desequilíbrios comerciais através de mecanismos de taxas de câmbio ou outros, o passo dado por Sarkozy só pode piorar a situação.

Para além disso, a saída da crise exige um enorme esforço de cooperação entre as várias potências mundiais, ou seja, exige que os líderes mundiais se abstenham de acções unilaterais nacionalistas do género desta.

Por todas essas razões, não tenho muita confiança na capacidade do método e na substância das posições de Nicolas Sarkozy para nos ajudarem neste tremendo momento que enfrentamos. Por agora, só me resta desejar estar enganado.

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Rodrigo, num país que tem tantos esqueletos no armário e tanta sujidade debaixo do tapete apenas abrindo todas as Caixas de Pandora e destruindo-as de seguida poderemos moralizar e dignificar o exercício da politica.

Comparar o PS SGPS com o PSD SGPS é um exercício curioso sob o qual não tenho nenhum problema ético, politico ou moral, estou aliás bem convicto do resultado e saberei reconhecer a vitória por goleada do PSD, quer no índice PSI 20, quer num qualquer segmento de actividade económica.Claro que é preciso "ver com olhos de ver", porque Lusoponte e MediaCapital, por exemplo. devem ser vistas sem "lentes de distorção manipulada", nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Ninguém por ser "politico" ou por ter exercido cargos públicos, quer pelos partidos do "Centrão", quer por qualquer outro (curiosa a forma como "alguns" passam por debaixo do radar) pode ser ostracizado em termos profissionais ou presumido culpado de qualquer delito sem prova constituída ou transito em julgado.

Definida a minha matriz de análise desta "questão", acredita, que não será a clara vitória do PSD SGPS que me alegra ou contribui para o desenvolvimento de Portugal, jamais um gestor filiado do PSD será melhor ou pior que algum do PCP ou do PS apenas...porque sim.

O gestor é antes cidadão e como tal tem direito à participação e opinião politica.

Os resultados da gestão avaliados sob a forma de análise ou auditoria, escrutinados de forma profissional e não politica, a deontologia profissional demonstrada no exercício dos cargos, isso sim são vectores sob os quais poderemos dizer "Este é bom, este conseguiu, este cumpriu" ou "Este é incompetente, este não conseguiu, o que raio anda este a fazer"!

Para ser sincero acredito que o capital não tem pátria nem partido, o capital em interesses, cabe a cada pátria ou a cada responsável politico trabalhar da melhor forma para que o capital sirva o melhor interesse de todos, trabalhadores e empresários.

Aquilo que a nossa discussão pode esconder, de facto, é se este sistema promove os melhores, se permite ou propicia que os melhores cheguem "mais alto", ambos temos opiniões, provavelmente similares, mas eu acredito que o poder de mudar, a capacidade de inverter tendências, a responsabilidade de assumir novas praticas e novas mentalidades é nossa, minha e tua e de todos aqueles que, dentro de partidos políticos, sejam eles quais forem, acreditam que algo deve mudar, nos próprios partidos como na sociedade.

Outra coisa bem diferente daquilo que aqui explanei é tentar tapar o sol com a peneira e no caso do BPN nem uma peneira digna do Guiness Book of All Records tapa o que de facto se passou.

 

 

 

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A expressão lobbying tem origem na actividade de esclarecimento, de informação, de propaganda ou mesmo por vezes de aliciamento por parte de determinadas organizações com ou sem finalidade lucrativa e ganhou esse nome através daquelas pessoas que praticavam a actividade esperando os decisores políticos no lobby dos seus gabinetes.

Em rigor, trata-se da mesma actividade conhecida por "propaganda" ou "informação" médica feita junto dos profissionais de medicina ou dos vendedores de seguros ou outros produtos financeiros e, na esfera política, aplica-se a todos nós que nos parlamentos procuramos influenciar os decisores para determinadas políticas ou acções, por vezes na região, outras vezes no país, outras ainda em Bruxelas ou por vezes mesmo ainda mais além. E, claro, em sentido inverso, sem nunca esquecer os nossos patrões, ou seja, os nossos cidadãos eleitores. Os meus, como se sabe, estão espalhados pelas nove ilhas dos Açores, incluindo a Malbusca, extremo Sul da freguesia de Santo Espírito na ilha de Santa Maria.

Sem desfazer nas outras nossas lindas ilhas, a ilha de Santa Maria tem, na minha opinião, o mais belo centro urbano - o de Santa Bárbara - e a mais bela arquitectura rural feita de casario disperso, de formas equilibradas e magníficas, com artísticas chaminés, e foi nesse cenário que tive o prazer de acompanhar os candidatos socialistas de Santa Maria - vereda abaixo vereda acima - a distribuir folhetos das candidaturas, camisola e bonés, dar uma palavra de amizade e confiança e ouvir idosos isolados que sofrem de solidão, miúdos que brincam com os pais, gente que trabalha na reparação do automóvel ou no arranjo da horta,  recados, estados de espírito, felicitações e reclamações.

O lobbying de proximidade dos políticos junto dos eleitores em época de eleições como fora dela, oferecendo uma camisola ou uma esferográfica aqui, sendo presenteado com uma fatia de massa sovada ou uma bebida ali, ou sem umas coisas nem outras, é absolutamente indispensável para a actividade política para não rodarmos em roda livre e termos a noção do sentir dos nossos eleitores. Se porventura ele se parece com a actividade de feirante - e nas minhas memórias de juventude mais me faz lembrar a de vendedor ambulante - não vem daí rigorosamente mal nenhum ao mundo.

E claro que os nossos eleitores esperam exactamente o mesmo de nós junto do executivos, que estejamos presentes, que façamos sentir a vontades, os interesses e os pontos de vista dos cidadãos eleitores açorianos - os da Malbusca como os de qualquer outro lugar nos Açores - no caso dos deputados europeus, junto das instituições europeias, ou seja, se preferirem a expressão, fazer lobbying junto das instituições europeias.

É justamente para isso que os açorianos nos elegeram e é isso que também não se faz à distância com comunicados de imprensa para fazer de conta que se está em debates e votações onde não se esteve.

Nesta era das telecomunicações insisto em considerar que não se pode ser teledeputado, que não podemos resumir a nossa actividade aos meios de comunicação social, aos comunicados de imprensa e aos eventos sociais, temos que estar presentes, temos que ter consciência das aspirações os nossos eleitores e dos nossos deveres.

A existência de equipas profissionais para apoiar ou complementar este trabalho é naturalmente bem vinda e salutar não existindo aí um modelo único e independente das circunstâncias e dos meios financeiros disponíveis. Será certamente um esforço com resultados positivos se não for feito para rivalizar com a actividade dos eleitos ou para os desculpar da sua falta de actividade.

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Cavaco Silva, Sua Excelência O Presidente, está a receber com carácter de urgência a direcção do PSD para debater o Kosovo.

 O pretexto bem que podia ser diferente, se o objectivo era dar protagonismo à amiga e líder do PSD. Enfim….

Tanto tempo calada e agora é que se lembrou do Kosovo. Bem, para quem quer governar Portugal tem um tempo de reacção aos assuntos bastante rápido J.

Como é que pode ser possível que ao fim de tantos anos ainda seja Cavaco Silva a mandar no PSD e puxar pelo seu partido. Poderia dizer vergonhoso, mas fico-me pelo muito estranho.

 

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Olá.

 

Começo hoje aqui a minha participação no Câmara de Comuns. Temo que será pouca. Apesar de gostar da blogosfera e ir acompanhando com regularidade o mundo bloguítico, sei que sou pouco participativo no que toca a teclar no PC, para ir dizendo algumas tontices.

 

Feita a declaração inicial, quanto às eventuais (poucas) expectativas que esta minha participação enquanto colaborador do câmara possa causar, cumpre-me cumprimentar os meus parceiros de opinião, em especial o João Gomes (amigo de longa data).

 

Quanto à actualidade: o meu Sporting perdeu com o Benfica. Não vi o jogo, mas o resultado certamente foi injusto;

 

Segunda nota: o capitalismo está em crise. A isto somado as mais estapafúrdias explicações dos neoliberais do costume, perconizo uma profunda revisão do sistema económico vigente. Aguardo com expectativa os desenvolvimentos por parte da social-democracia, em particular europeia e da Internacional Socialista, que teima em se auto-extinguir do debate político-ideológico mundial. 

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Rodrigo, Primeira-Dama não é cargo nenhum na nossa República, numa Monarquia Parlamentar que estivéssemos e eu seria contra a sacralização das figuras públicas do Estado da mesma forma.

Piadas acerca do Bolo Rei de Cavaco Silva e da esposa, faz uma busca, podes usar o Google por exemplo, encontras tantas e muitas vindas de companheiros do teu partido.

Para mim a linha limite desenha-se na honra do visado, podes fazer buscas nos teu próprios posts, neste blog também, e encontrarás referências tuas a ministros do actual governo nada simpáticas, estiveste mal?Não, não me parece que tenhas atingido a honra dos visados.

As piadas, tal como a cobertura jornalística, não são boas ou más consoante interessam ou dão jeito, coerência é fundamental neste caso e para mim é muito simples, desde que não atinjam a honra do visado ou da família e, no meu caso particular, não sejam sobre religião, não vejo qualquer problema.

A politica nacional vale o que vale e está como está, mas não contribuímos para a denegrir com piadas sobre Bolo Rei e o inquilino do Palácio de Belém, no entanto alguns comentários que conhecidas figuras públicas fazem sobre companheiros do próprio partido não ajudam muito à credibilização do exercício da politica, mas, tal como tu espero, acredito numa grande renovação das ideias e  dos actores políticos, em todos os partidos, e nessa crença ou fé consubstancio a esperança de que muito pode mudar na imagem dos políticos, no exercício da politica baseado no espírito de missão e de serviço público em que ambos acreditamos.

Eu compreendo a conveniência da tua "indignação", fica-te muito bem, mas para ser coerente terias de estar revoltadíssimo há anos com muito do que se diz, muito do que se escreve, em todo o lado, e por todo o lado falo da Europa das Ilhas ao Continente (por Ilhas quero referir-me às Ilhas Britânicas, não vou usar o exemplo da Madeira), das Republicas às Monarquias Parlamentares, dos Parlamentos e Câmaras à imprensa escrita e canais televisivos.

Se calhar existe alguma marca de humor ou de sátira politica na matriz europeia, eu diria mesmo que sim e essa marca é perceptível do Atlântico aos Urais, do Mediterrâneo ao Circulo Polar Ártico, com vários excessos reconheço, mas Portugal não é deles particular exemplo!

A liberdade de expressão não pode existir para ofender e prejudicar alguém, nem pode servir de escudo para manobras ou jogos, existe para que todos digam o que pensam, discutam sobre aquilo em que acreditam, sem ofender a honra de ninguém.

Fui, portanto, coerente comigo próprio, o que é fundamental, se temos pontos de vista diferentes, ainda bem, porque de facto temos liberdade de opinião e de expressão e as aproveitamos na sua plenitude.

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Eu e o Professor Mendo Henriques, também aqui colega de blog, estamos a promover o I Master de Verão em Política do Instituto da Democracia Portuguesa. É já no próximo fim-de-semana e vai contar com alguns nomes como o politólogo José Adelino Maltez, o arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, o Manager da Cunha Vaz & Associados Ricardo Mendia, o Francisco Cunha Rego, o Rui Paulo Figueiredo e outros. O preço é acessível e a qualidade é visível, por isso apelo aos leitores do CC para que se inscrevam.

 

O programa do curso pode ser consultado aqui e a inscrição pode ser feita aqui. Paralelamente ao curso, vai haver uma actividade aberta aos "não inscritos": Dia 25 de Julho, sexta-feira, pelas 23:00. José Campos e Sousa canta poemas de Fernando Pessoa e José Barros Dias falará sobre o poeta e a sua obra.

 

 

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Desmond Tutu apela a uma intervenção internacional urgente no Zimbabwe, militar se tiver que ser 

 

Os restantes lideres africanos é que parecem ter outras prioridades, outros jogos, parecem ter-se tornado piores do que o sistema que um dia juraram combater...quem diria!

 

 

 

Ao contrário das ultimas eleições, nas quais a contagem levou 5 semanas, desta vez levou menos de 24 horas....estas imagens mostram como é possivel -

 

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Artigo de opinião de Pedro Lomba hoje no DN

 

Não há muito tempo jantei com um grupo heterogéneo. Puseram-me ao centro da mesa e a única atitude acertada era ouvir. Ao meu lado estava o salazarista; à minha frente, a quarentona. O salazarista escrutinava a História de Portugal do último século. Fiquei a saber que foram os comunistas que conduziram Humberto Delgado para a fronteira espanhola e que Salazar entendeu sempre o poder como um serviço sacrificial e transitório. Por ele tinha saído logo a seguir à II Guerra, mas o País ainda precisava e o ditador decidiu que devia continuar.

Sobre o regime actual, apenas uma palavra: não vai durar muito mais tempo. Os portugueses irão perceber, mais cedo que tarde, a importância de uma referência, de um pilar, de um homem de vantagens homéricas. Este regime de liberdade transformou-se num regime de libertinagem. O País está dissoluto.

Escutar o salazarista requer toda uma concentração nos seus processos mentais. Céptico, ainda tento uma negativa, uma nuance, um "mas olhe que". Não vale a pena. O diálogo prolonga-se, percorremos a 1.ª República, falamos de D. Carlos e João Franco (por causa do livro de cartas entre ambos, recentemente reeditado com um prefácio de Rui Ramos, historiador por quem o salazarista nutre sentimentos contraditórios), passamos pelo nosso colonialismo ("exemplar") e acabamos no Portugal "podre" e "exausto" dos últimos anos, onde ninguém se salva, a não ser o salazarista.

Entretanto, a quarentona vai trocando conversa com o companheiro do lado, um sujeito afável mas com um ligeiro ar de secretário de Estado. Até que, de repente (Tchékhov dizia que, na vida, este "até que, de repente" aparece muitas vezes); até que, de repente, a quarentona diz não sei o quê ao secretário de Estado, o secretário de Estado diz não sei o quê à quarentona e a cena acaba com esta a exibir uma tatuagem que tinha nas costas, logo acima dos quadris, um triângulo bem desenhado que lhe conferia uma inequívoca aparência viciosa.

O salazarista vê aquilo tudo e desperta. Todo ele se contorce e agita na cadeira. Apercebo-me então de que o salazarista não quer continuar o curso de História. Agora, só tem mesmo olhos é para a quarentona a quem começa a dirigir perguntas insistentes. Não pensem que o interrogatório se torna desagradável. Não, o salazarista fica interessado no lado liberto da quarentona e não resiste em pôr de lado o seu moralismo devoto para encher a quarentona de todas as mesuras e do que os brasileiros definem, em rigor, de "cantada".

Termino o jantar no paleio com um amigo advogado. Ainda olho uma última vez para o salazarista e para a quarentona, a quem antevejo um grande futuro. Quando os assuntos da biologia dão de si, os da política são os primeiros a voar.

 

Adenda: Vale mesmo a pena ler, no Atlântico (edição de um artigo d' Público)

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O grupo de Belmiro de Azevedo ganha 97% das acções interpostas contra o Fisco

 

Eu gostava de ter acesso ao departamento jurídico da Sonae.

Ainda ontem, nas finanças, tomei conhecimento de uma dívida de 1932€ relativa a uma empresa que fechei em 2002. A resposta, em voz bem alta, do funcionário aos meus argumentos sobre o processo de cessação de actividade foi:

"Vocês pensam que lá porque fecham as empresas deixam de ter dívidas às finanças!!" 

E antes de eu apresentar os documentos que comprovam o erro da cobrança, e mais uma vez em voz bem alta:

"Meu amigo, ou você paga e ou vamos para a penhora!"

 

O problema é que este tipo de situação absurda não é rara. E muitas vezes coloca em causa o normal funcionamento do pequeno empresário. A atitude de desconfiança à partida não é o melhor método.

Por tudo isto não entendo um dos recorrentes argumentos socialistas (como ontem, uma vez mais, no Corredor do Poder da RTP) :

" (...)a falta de confiança dos portugueses começou com o discurso da tanga do Durão Barroso.".  Enfim, acho que a isto eles chamam "fazer política"...

 

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Seguindo a dica do Rodrigo.

 

Resultado:

 

 

Perfect! E sem truques.

Tenho aquela boa sensação estúpida de quem leu, mesmo não acreditando, um horóscopo altamente favorável.

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