Falhado nas propostas e medidas em França, este pedido do Chefe de Estado gaulês faz sentido, pois corresponde tanto às aspirações dos palestinianos como à necessidade de compromisso dos israelitas.
Nota-se uma grande diferença, na diplomacia francesa, desde que o experiente Alain Juppé chegou à tutela dos Negócios Estrangeiros.
Os tempos de mudança estão mesmo a percorrer o Médio Oriente. Hoje, Mahmoud Abbas comporta-se como se fosse um político israelita e põe e dispõe mediante a sua vontade, ao contrário de Netanyahu, que mais parece um político palestiniano, sem força nem condições para fazer valer os seus pontos de vista.
Sem o outrora fundamental Hosni Mubarak em jogo, e como seria importante com alguém que fosse uma referência para mediar as partes na região (actualmente só o Primeiro-Ministro turco Erdogan estaria nessas condições, mas dadas as relações entre a Turquia e Israel, devido ao episódio da flotilha, é impossível), Netanyahu não conta com nenhum apoio na região para sustentar as sua posições. Até a vizinha e aliada Jordânia está mais distante de acordos com Tel Aviv.
O Primeiro-Ministro israelita, que até há uns meses se dava ao luxo de fazer o que queria, como a construção de mais colonatos ao arrepio da decência e paz na região, encontra-se, como o seu Governo, isolado, e percebe que Abbas está em posição, com o apoio maioritário internacional, para reconhecer o Estado da Palestina nestes dias, na ONU.
Abbas foi inteligente, pois não só reforça a sua imagem junto dos palestinianos, com quem tem vindo a dividir protagonismo com o Hamas, na disputa de quem mais defende os interesses da Palestina, como se mostra confiante e com força para concretizar um velho desejo. Não é por acaso que ontem Netanyahu manifestou interesse em reunir com Abbas e, hoje, o líder palestiniano diz que só com resultados concretos haverá lugar a diálogo.
Esta semana deveremos saber se haverá reconhecimento do Estado da Palestina, e caso haja, como muito bem disse há dias Bill Clinton, a situação na região não irá alterar-se muito, isto é, os conflitos deixam de ter lugar. Pelo contrário.
Infelizmente, são os jogos exógenos que estão a determinar esta aceleração, pois é do interesse de Israel reconhecer e conviver com o Estado da Palestina, mas o actual Governo de Tel Aviv não tem feito muitos esforços nesse sentido.
Porém, não deixa de ser paradoxal esta mudança de posições.
Enquanto alguns querem que a Palestina seja reconhecida como Estado a todo o custo na próxima semana, Mahmoud Abbas demonstra uma posição bastante sensata. Melhor do que ninguém, o líder palestiniano sabe que a situação palestiniana não se resolve só pelo reconhecimento do Estado.
A Palestina precisa tanto do reconhecimento de Israel, com Israel precisa da colaboração da Palestina, para os seus interesses de segurança e estabilidade.
A geopolítica de uns quantos continua a ser jogada mediante os interesses próprios e não dos palestinianos.
O facto do Primeiro-Ministro de Israel começar a estudar as fronteiras da Palestina, tendo em vista a consolidação do Estado palestiniano, é um bom sinal de como em Tel Aviv começam a aceitar a inevitabilidade da existência do país vizinho dentro de algum tempo.
Vários países latino-americanos já reconheceram o Estado da Palestina, a Espanha e a China têm pressionado para se reconhecer mundialmente o Estado da Palestina, dentro de pouco tempo. Ainda deve faltar muito para tal, mas já não estamos nas vias da impossibilidade.
Nao se assustem com o que veem na televisao. A Palestina nao e' pior, nem muito diferente de uma feira das galinheiras ou da antiga feira do relogio em Lisboa: suja, repleta de po' e cheia de rapaziada aos berros e 'as buzinadelas. De resto fui bem recebido, como e' qualquer pessoa que de resto se aproxime de um desses estabelecimentos comerciais dos feirantes!
Sair de la e passar pelo checkpoint foi mais enervante. Estou quase como o Pinheiro de Azevedo: nao gosto de uzis nem de M5s. E uma coisa que me chateia!
Disclaimer: este post nao e' uma tomada de posicao politica, meus senhores de esquerda. E' apenas a comparacao sociologica da coisa..
O "nosso" João Condeixa chegou bem à Terra Santa e em breve nos fará crónicas diárias desta missão turística-diplomática-aventureira por Israel, Palestina e Jordânia.De Tel Aviv a Jerusalém, passando por Belém e Ramallah, por Jenin e Jericó, de Jerash a Amman, Petra, Aqaba e Eilat. Boa sorte
"No dia em que escrevo, quarta-feira, confirma-se que mais uma vez uma cadeia de televisão europeia, a France 2, transmitiu imagens falsas numa reportagem que dedicou ao ataque israelita a Gaza.
Crianças mortas e uma casa destruída ilustravam os efeitos dramáticos entre os civis palestinianos dos bombardeamentos efectuados pelo exército de Israel.
Poucas horas após a emissão da reportagem concluía-se que destas imagens apenas os cadáveres e o prédio destruído não foram ficcionados. Aquelas pessoas morreram, mas não morreram a 5 de Janeiro de 2009, como afirma o jornalista da France 2, mas sim a 23 de Setembro de 2005. Também não morreram na sequência de um ataque israelita mas sim no resultado da explosão acidental de um camião que transportava rockets do Hamas dentro do campo de refugiados de Jabalya.
Defende-se a France 2 dizendo que foi enganada pela propaganda palestiniana. Nestas coisas da comunicação, os palestinianos têm de facto as costas demasiado largas, pois aquilo a que temos assistido nos últimos anos é à participação voluntária e entusiástica de vários órgãos de comunicação ocidental na diabolização de Israel, através da divulgação de imagens e notícias sem qualquer tipo de confirmação das fontes ou até mesmo com a promoção de imagens e notícias falsas. Foi assim com o relato da morte de Muhammad al-Durrah, o menino que, em Setembro de 2000, segundo uma reportagem da mesma France 2, teria sido baleado por soldados israelitas junto ao seu pai, acabando os dois assassinados. A imagem da criança tentando proteger-se sob o cadáver do pai emocionou o mundo e legitimou a segunda intifada. Infelizmente, os mesmos jornalistas que tão rapidamente espalharam esta imagem não se deram ao trabalho de divulgar as investigações que provavam a sua manipulação. Maior silêncio ainda caiu sobre os responsáveis pela morte da família de Huda Ghaliya, a menina que o mundo inteiro viu chorando sobre os cadáveres de toda a sua família, numa praia de Gaza, em 2006. Os jornais ocidentais, com a mesma diligência com que a promoveram o novo ícone palestiniano, também o esqueceram quando se soube que a sua família não morrera vítima de um ataque israelita mas sim de armas palestinianas."
Mais achas para a fogueira que o próprio Hamas cozinhou e outros como o Hezbollah desejam ardentemente.....a guerra total, o massacre total!
Toca de meter mais centros de controlo militar dentro de hospitais e mais rampas de lançamento no meio de bairros civis densamente povoados, ao lado de escolas e....siga para o Apocalipse por favor!
curioso, estes rapazes do Hezbollah lembram-me qualquer coisa!
A intervenção terrestre não estava nos planos de Israel, até que uma reunião ministerial, sexta-feira à tarde, decidiu assumir a operação. As tréguas sugeridas por Paris a meio da semana caíram e não houve, depois, vontade de se encontrar campos de diálogo.
Em Israel, a campanha eleitoral deve ser feita com cobertura da intervenção terrestre que, a estender-se como Barak já avisou, não vai ser "curta nem fácil", pode conduzir ao enfraquecimento do Likud, grande favorito, ou ao seu engrandecimento.
Se a intervenção militar reforça o Kadima e os Trabalhistas, e retira argumentos aos falcões do Likud e da extrema-direita israelita, o surgir de soldados mortos e detidos pode sortir o efeito inverso. Hoje quase toda a população de Israel, de acordo com as sondagens, é a favor da missão terrestre. E talvez aqui reside um estímulo para o Governo decidir avançar com a missão terrestre. Porém, como sucede na opinião pública, em que os sentimentos e leituras são voláteis, nos próximos dias, mediante o impacto e alcance das operações, este apoio pode cair de modo abissal.
Na Palestina, apesar do enfraquecimento militar do Hamas em Gaza, que sairá mais débil deste ponto de vista, o Hamas ganha, e muito, em apoio popular. Por outro lado, o Hamas está a ser inteligente, procurando colar a posição da Fatah a Israel, na outra guerra, a civil, entre os palestinianos que há meses divide os palestinianos e continua bem presente, ainda que não seja a mais presente, dada a voz das armas que se fazem sentir de modo mais incisivo neste período.
Não considerei que Israel se metesse por Gaza adentro, pois não se sabe quando sairá, e o seu objectivo de derrubar o Hamas não acontecerá. Não pelo enfraquecimento da oligarquia do grupo mas pelo suporte das pessoas ao grupo, que continua a aumentar a cada dia que passa e à medida que Israel sobe o tom da intervenção, já de si pesada.
Provavelmente, dentro de uns tempos, quando as armas deixarem de ser usadas com tanta frequência, veremos as duas partes, cada um com o seu argumento, reclamar vitória.
Como sabem os governantes israelitas, o Hamas não vai perecer, sai, até, mais forte deste conflito, não perante Israel, mas os palestinianos e o mundo árabe e muçulmano. E esse objectivo Meshaal já alcançou. Mas não parece ser essa a preocupação imediata do Governo de Israel, mais preocupado com o poder de Tel Aviv.
O tempo acabará pode elucidar se este conflito tem a ver ou não com interesses internos da cada parte.
A fraqueza da UE, como actor político mundial, continua patente - a falta que faz o Tratado de Lisboa para dar efectiva competência de intervenção à União Europeia! A transição de Administração norte-americana também não ajuda. Washington nem se faz sentir nem se sabe onde está. E Blair, o enviado do Quarteto, nem se vê. Cada parte está por si e quem paga a factura, mais uma vez, são os inocentes das duas partes! (Publicado no Palavra Aberta)
A proposta de Kouchner vai ao encontro das pretensões israelitas, que em momento algum devem ter equacionada a invasão de Gaza, ainda que tivesse feito questão de manifestar essa hipótese. E são várias as razões para essa não missão terrestre. A primeira, pelo confronto, em terra, com a demografia de Gaza. A segunda, pela impossibilidade de numa intervenção militar terrestre justificar mais mortes de civis, quando apenas se pretende combater o Hamas. A ter lugar, o número de mortes dispararia. A terceira, e mais sensível para Israel, em particular para os seus governantes, a forte eventualidade de haver baixas. A poucas semanas das eleições, a morte de soldados israelitas seria o desacreditar das candidaturas do Kadima e Trabalhistas, que presentemente conduzem o Governo, e um claro reforço do já liderante Likud. Não creio, por isso, que haja uma intervenção terrestre.
De assinalar que nas últimas horas o Ministro da Defesa e líder trabalhista, Ehud Barak, tem recuperado algum do muito crédito político perdido, fruto dos conhecimentos da sua carreira militar a par da vasta experiência governativa que já tem (que diferença com Peretz, o sindicalista que liderou os trabalhistas e conduziu, na qualidade de Ministro da Defesa, a intervenção desatriculada e desastrada no Líbano há pouco mais de dois anos).
Israel já ultrapassou muito dos seus objectivos, de derrubar pontos estratégicos do Hamas em Gaza. Mostrado e sentido o rugido do leão, é hora de este abrandar, sob pena da sua intervenção poder meter água.
O tempo, em termos de política interna israelita, é de colher frutos por parte de cada um dos candidatos e, aqui, Livni e Barak têm mais argumentos do que Netanyahu.
Devo reconhecer que a Presidência francesa da UE actuou bem neste caso, surgindo com uma proposta concreta e atempadamente, ao contrário do que sucedera no conflito do Cáucaso, no Verão passado, quando apareceu tarde. (Publicado no Palavra Aberta)
Tel Aviv sabe que está a pedir o impossível. O Hamas não vai cair na Faixa de Gaza e sujeita-se a conquistar a popularidade na Cisjordânia, com o enfraquecimento da Fatah.
Se o objectivo de Israel é procurar legitimar mais dias de intervenção em Gaza, não é com o argumento da defesa da queda do Hamas que vai merecer reconhecimento para continuar a intervir.
O enfraquecimento das respostas bélicas do Hamas por parte de Israel acaba por ser inversamente proporcional, no seio da comunidade muçulmana, ao apoio à causa do grupo que controla a Faixa de Gaza. (Publicado no Palavra Aberta)
Foi um Abbas, no Cairo, sentado junto de Mubarak, impotente perante a escalada bélica e a morte de muitos civis inocentes, que disse o que não se quer perceber em muitas ruas do mundo muçulmano e ocidental: ao não renovar a trégua e ao atacar Israel, o Hamas ia desencadear esta situação calamitosa.
O Hamas é o culpado da presente situação, da morte de centenas de pessoas. Naturalmente, a ala radical do movimento que controla Gaza é isso que quer e os resultados que pretende estão a ser atingidos. Uma vez mais, e como sempre, à custa dos inocentes. (Publicado no Palavra Aberta)
Jewish Voice for Peace joins millions around the world, including the 1,000 Israelis who protested in the streets of Tel Aviv this weekend, in condemning ongoing Israeli attacks on Gaza. We call for an immediate end to attacks on all civilians, whether Palestinian or Israeli.
Israel's slow strangulation of Gaza through blockade has caused widespread suffering to the 1.5 million people of Gaza due to lack of food, electricity, water treatment supplies and medical equipment. It is a violation of humanitarian law and has been widely condemned around the world.
In resisting this strangulation, Hamas resumed launching rockets and mortars from Gaza into southern Israel, directly targeting civilians, which is also a war crime. Over the years, these poorly made rockets have been responsible for the deaths of 15 Israelis since 2004.
Every country, Israel included, has the right and obligation to protect its citizens. The recent ceasefire between Israel and Hamas in Gaza shows that diplomatic agreements are the best protection for civilian life.
Moreover, massive Israeli air strikes have proven an indiscriminate and brutal weapon. In just two days, the known death toll is close to 300, and the attacks are continuing. By targeting the infrastructure of a poor and densely populated area, Israel has ensured widespread civilian casualties among this already suffering and vulnerable population.
This massive destruction of Palestinian life will not protect the citizens of Israel. It is illegal and immoral and should be condemned in the strongest possible terms. And it threatens to ignite the West Bank and add flames to the other fires burning in the Middle East and beyond for years to come.
The timing of this attack, during the waning days of a US administration that has undertaken a catastrophic policy toward the Middle East and during the run-up to an Israeli election, suggests an opportunistic agenda for short-term political gain at an immense cost in Palestinian lives. In the long run this policy will benefit no-one except those who always profit from war and exploitation. Only a just and lasting peace, achieved through a negotiated agreement, can provide both Palestinians and Israelis the security they want and deserve.
A chegada ao fim do período de tréguas serviu para o Hamas provocar Israel, em vésperas de um período delicado e decisivo tanto para Israel como para a Palestina, pelas eleições no horizonte das duas partes - a legislativa israelita decorre em Fevereiro e as presidenciais e legislativas palestinianas ainda estão por agendar.
O lançamento sucessivo de vários mísseis de Gaza para o sul de Israel ainda levou Livni ao Cairo para pressionar, via diplomática, o Hamas a cessar as suas ofensivas bélicas. Esta deslocação não obteve qualquer resultado e, como esperado e anunciado por Tel Aviv, Israel respondeu, de uma forma pesada, o que revela as marcas da guerra de 2006 no Líbano, na qual o Hezbollah não ficou fragilizado, e de Israel não querer repetir o "resultado" desse conflito, desta feita, em Gaza - as realidades e condições também são diferentes.
Agora que Meshaal apela a nova intifada e manifesta disponibilidade para dialogar com Abbas, podem descortinar-se várias preocupações do líder do Hamas e algumas possíveis justificações para o interesse deste conflito por parte do Hamas; caso contrário, mesmo terminado o período de tréguas que motivo tem o Hamas para agredir Israel?
Tendo em conta as eleições que se avizinham, Meshaal quer granjear mais apoios entre palestinianos, nomeadamente na Cisjordânia, onde a Fatah tem o poder e o Hamas não goza de grande liberdade de movimento. Nada como juntar os palestinianos, de Gaza e Cisjordânia, em torno da mesma causa: a Palestina, que com este conflito parece apenas defendida pelo Hamas, grupo que controla o território que está a ser alvo de Israel. Estado que tende a ser encarado como o inimigo do povo palestiniano.
Abbas surge como um actor que tem pouco a ver com Gaza, na qual não tem o mínimo de controlo, enquanto nas ruas da Cisjordânia e em Jerusalém, os palestinianos saem às ruas em solidariedade com os seus irmãos de Gaza e, por consequência, com o Hamas, grupo que, ao fim e ao cabo, está a dar o peito neste confronto, apesar de se resguardar nas costas dos civis de Gaza. (Publicado no Palavra Aberta)
Manuela Magno, este horror é de facto um pesadelo que persiste em atormentar todo o mundo e reclamarvitimas todos os dias.Mas eu penso que não ajuda à resolução deste conflito a persistente atitude de olhar sempre os israelitas como facínoras e os árabes/muçulmanos como vitimas puras e imaculadas. Tenho a certeza que viu as dezenas de rockets lançadas pelo Hamas a partir de Gaza nos últimos dias, o que pensou?Que era algum feriado palestiniano?Não era...
Reparou que apesar de tudo ainda passaram cento e poucos camiões com abastecimentos para Gaza pelos postos de controle israelitas (claro que a existência dos mesmos é discutível), deu para perceber quem queria reacender o conflito armado de forma a condicionar as eleições judaicas de Fevereiro.Para condicionar no pior sentido, o da direita conservadora e dos partidos judaicos ortodoxos em Tel Aviv, sempre "armados e prontos a disparar"!A trégua que vigorava há já algum tempo estava a incomodar algumas pessoas, não acha?De ambos os lados da barricada.
Existe escumalha nojenta que sacrifica meninas com rockets, que sacrifica meninos e jovens com cintos de explosivos, que ataca inocentes, não em prol da paz mas em prol da guerra, da vingança (sem discutir a legitimidade) e da aniquilação do Estado de Israel.
Não esquecendo obviamente que " à conta de Tel Aviv" existiram massacres e existem ainda hoje violações dos direitos humanos em barda também, sabe, obviamente, que existem muitos radicais tacanhos e extremistas desmiolados judaicos que esperam apenas pela desculpa certa para lançar a guerra total. Estes eventos são portanto como "sopa no mel"!
Viu certamente que um desses rockets lançados a partir de Gaza (muitas dezenas por dia juntamente com dezenas de disparos de morteiro) atingiu uma casa palestiniana ainda em Gaza....não vi nenhum comentário seu sobre as duas meninas palestinianas mortas em consequência desse ataque falhado, pelo menos neste blog.
A postura israelita tem sido muito errada, especialmente a partir da primeira invasão do Líbano, muito censurável e merecedora da pressão e de sanções da comunidade internacional. De facto o Estado de Israel foi "criado" não nas melhores condições e não pelas melhores razões, mas sejamos intelectualmente honestos...a partir de 47/48 o que fez a comunidade árabe/muçulmana?
O fanatismo anti-israelita não ajuda ninguém, na minha modesta opinião, há inocentes dos dois lados, vitimas dos dois lados, massacres dos dois lados, demasiada história e manipulações dos lados, sabotagens e conspirações dos dois lados, não existe espaço para olhares parciais, visões enevoadas, para peneiras que tapem certos factos e eventos mas destapem outros!
Existe tanto mal e tanta injustiça no planeta que penso que escolher mediaticamente as vitimas é mau principio, há demasiado Mundo, há demasiada Dor, há demasiado Sofrimento, existem os curdos no Iraque ou no Irão mas em particular na Turquia, os tchetchenos, os ossetas e georgianos, arménios, iraquianos xiitas ou sunitas, iranianos moderados opositores ao regime ortodoxo, tibetanos livres, mongóis desenraizados, nepaleses não maoistas, cristãos indonésios, uma parte das castas inferiores indianas, tantos e tantos exemplos, veja o Paquistão onde os talibans ameaçam matar as meninas que vão à escola e destruir à bomba as escolas que aceitem meninas, veja o que se passa diariamente na Arábia Saudita ou o Iémen do Norte, na China ou na Rússia, mesmo em Cuba ou na Venezuela, a Eritreia ou a Etiópia, o Zimbabwe ou o Sahara Ocidental, a Somália, ainda e sempre o Ruanda, infelizmente a eficácia da ONU apenas em pouco suplanta a da Sociedade das Nações.
Para não falar nas injustiças e abusos cometidos todos os dias em várias das grandes Nações do Ocidente luminoso, faróis da Liberdade e dos Direitos Humanos, como por exemplo os EUA, e mesmo na Europa....tem que se lhe diga.
Onde colamos a fronteira da liberdade, da cultura de cada povo, dos direitos humanos, da tradição de cada minoria e da própria religião ou seitas?
Mas isto é apenas a minha opinião, a "obsessão da culpa única (semita)" é demasiado "fashion e trendy" para eu me deixar "encadear" e não tentar perceber a verdadeira imagem para além dos ruídos parasitas.
"Pelo menos 120 palestinianos morreram e 200 ficaram feridos, hoje, num ataque aéreo do Exército israelita contra a Faixa de Gaza, avança a AFP, citando a rádio do movimento islamista Hamas. Cerca de 30 mísseis israelitas, disparados a partir de bombardeiros F-16, atingiram complexos do Hamas, que controla o território desde o Verão de 2007."
SHMINISTIM são jovens objectores de consciência israelitas que foram presos por se recusarem a servir no exército que ocupa os Territórios Palestinianos.
No dia 18 de Dezembro foi lançada a campanha global para a sua libertação.
Para mais informação e para enviar a petição ao Ministro da Defesa Israelita clicar aqui.
Neste momento, o plano que se refere é dos eleitos do Kadima. Duvido que o Governo liderado por Livni dure muito tempo, uma vez que são quase inevitáveis eleições antecipadas, dado o quadro político que se vive em Israel. O provável vencedor das eleições, o Likud, em muito pouco concordará com a perspectiva de Livni.
Por outro lado, a situação palestiniana também não é a melhor. O ainda presente clima latente de guerra civil, protagonizado pela Fatah e Hamas, não dá muita estabilidade aos actuais responsáveis políticos palestinianos para assumirem qualquer compromisso. Basta verificar como se 'governa' Gaza e a Cisjordânia.
Em suma, as condições internas dos dois lados não dão grande garantia de a curto prazo se poder traçar um rumo para trilhar.
Por isso, lamentavelmente, ainda não será desta vez que o Médio Oriente encontrará a luz da Paz no fundo do túnel.
Israel admite retirada dos territórios conquistados em 1967
Há uma nova esperança de paz para o Médio Oriente, os rostos deste diálogo são Tzipi Livni (que vai passar a liderar o governo israelita após a demissão de Ehud Olmert) e o líder palestiniano Abu Ala.
Israel terá que retirar de todos os territórios conquistados na Guerra de 1967, incluindo a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e os Montes Golan. Assim alcançará tratados de paz com palestinianos e sírios. Esta proposta que ainda não foi revelada vai mais longe do que se supõe na Palestina e em Israel: implica a retirada israelita de quase toda Cisjordânia, mantendo apenas controlo sobre uma pequena parte para permitir permanência dos principais colonatos judaicos.
Quanto a Jerusalém, a cidade seria a capital unificada dos dois estados. A fórmula é parecida a discutida nas negociações de paz de Camp David (EUA), em 2000, e em Taba, em 2001.
Quanto aos colonatos judaicos, Israel lança um plano de evacuação de 70 a 80 mil colonos que vivem nas zonas mais isoladas da Cisjordânia e oferece cerca de 250 mil euros por família para abandonar as casas e voltar ao deserto do Negev e à Galileia. Quem voltar ao centro do país recebe uma indemnização inferior.
Excelente noticia e uma grande fonte de esperança para um problema demasiado grave, demasiado perigoso, com demasiadas interferências e implicações, que se arrasta...há demasiado tempo!