Nos últimos dias, várias notícias têm vindo a público na comunicação social relacionadas com o programa informático CITIUS que sugerem a intromissão do poder político na independência dos juízes através do sistema informático. Do meu ponto de vista consubstanciadas em declarações e notícias não baseadas em factos. Porventura, em erros desculpáveis por conhecimentos informáticos ainda insuficientes.
A verdade é que a larga maioria dos magistrados está a utilizar o CITIUS e a decidir e emitir despachos e sentenças em formato electrónico, com utilização das assinaturas electrónicas. Também os novos procedimentos que envolvem a redução do papel e do seu circuito devido à introdução do Processo Electrónico têm sido cumpridos.
Daí que seja importante a posição do Conselho Superior da Magistratura, na sessão Plenária de 3 de Fevereiro, que reconheceu a importância da utilização das novas tecnologias e do Projecto CITIUS para a modernização dos Tribunais e para a melhoria das condições de trabalho dos Juízes e restantes profissionais forenses, de forma a garantir o melhor funcionamento do sistema de administração da Justiça para os cidadãos.
Do mesmo modo, ao assumir que o desenvolvimento do Projecto CITIUS tem sido realizado pelo MJ em estreita cooperação com o CSM sendo que, em matéria de segurança foram prestadas ao CSM convincentes garantias de fiabilidade do sistema.
Igualmente relevante é a informação publicamente prestada que no âmbito do acompanhamento deste processo não foi comunicada ao Conselho alguma circunstância factual que indicie a possibilidade de intromissão na independência dos Juízes por via do sistema informático utilizado.
Similarmente, o Conselho considerou que a utilização do CITIUS-Magistrados Judiciais constitui uma mais valia para o funcionamento da administração da Justiça e informou que continuará a colaborar com o MJ quer na monitorização do funcionamento da aplicação, quer na sua melhoria.
Provavelmente, estas posições do CSM não terão tanto destaque como as notícias iniciais!
por Ferreira Fernandes no DN
Só para lembrar: prosseguem os julgamentos em Palermo e na Sardenha, ou não? Sim, na Sicília, onde ser mulher de juiz pode levar, no mercado, a escutar esta pergunta assustadora: "A senhora mora na rua X, no terceiro esquerdo, não é?" Sim, na Sardenha, a capital dos raptos, onde os filhos dos juízes vão à escola. E, então, os juízes continuam a julgar? Pelo que eu sei dos costumes indígenas (os da minha terra), não deviam. Deviam suspender por falta de condições de segurança.
Claro que exigiu guarda-costas. Ele e os juízes de Palermo, da Sardenha e do País Basco não são suicidas, nem aqui os chamaria se fossem heróis tolos. Não misturam é o cu com as calças: o facto de serem alvo dos bandidos não os impede de exercer o que são. Não fecham as portas ao primeiro susto. Combatem quem os assusta tornando-se mais eles, mais juízes. Porque o susto os convenceu ainda mais que são necessários. As agressões do Tribunal da Feira deviam ter convencido os juízes, assim: "Olha, sou mesmo necessário." Em vez disso, suspenderam-se.
Um juiz que suspende julgamentos porque durante um julgamento se cometeu um crime, é um juiz que não acredita que os julgamentos servem para combater os crimes. E, já agora, do ponto de vista do criminoso: se um crime num julgamento acaba temporariamente com os julgamentos numa comarca, porque não mais crimes desses para prolongar a suspensão de julgamentos? E porque não estender a táctica a todos os tribunais portugueses?