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Nos últimos dias, devido ao facto das mudanças nos Governos da Grécia e da Itália, muitos comentários começaram a surgir em relação à nomeação de Papademos e Monti para a liderança dos respectivos Executivos nacionais. Estaríamos a entrar na era dos Governos de tecnocratas e isso seria um risco para a Democracia.

 

Se não nos ficarmos na espuma dos dias, veremos como ambas as personagens mandatadas para liderar os respectivos Governos são personalidades distintas - Papademos é um tecnocrata puro, enquanto Monti, apesar do seu carácter de tecnocrata, é um homem com um percurso político consolidado, desde os 10 anos como Comissário Europeu (lugar marcadamente político) à sua pertença ao grupo liderado por Felipe González para pensar o futuro da Europa.

 

Se ambas as situações são muito delicadas, o caso grego é bem diferente do italiano (tanto em termos de personalidades como estrutural). Vejamos: Papademos está a liderar o Governo grego de modo interino. Dentro de três meses os gregos regressam às urnas e escolhido o novo Parlamento, que poderá ser ganho por quem criou o enorme buraco na Grécia, a Nova Democracia, Papademos sai de cena. Ou seja, o novo Primeiro-Ministro grego é apenas o homem que está a assegurar a implementação das medidas num curto espaço de tempo, devido à saída de Papandreou.

 

No caso de Itália, Mario Monti está investido para concluir a actual legislatura, isto é, até à Primavera de 2013. Todavia, se actualmente a maioria dos grupos parlamentares italianos asseguraram ao Presidente Napolitano que vão apoiar o mandato de Monti, excepto a Liga do Norte (que passa para a posição confortável da oposição desresponsabilizando-se de tudo) e parte dos deputados do Partido da Liberdade (de Berlusconi), que não apoiam esta transição, Monti não vai ter uma vida fácil, pois o jogo parlamentar transalpino é marcado por imprevisibilidade e é bem possível a convocação de eleições no próximo ano, de todo indesejável, pois o país precisa, mais do que nunca, de estabilidade.

 

Quando muitos, agora, se atemorizam e reclamam que a Democracia está em risco, devido a estas mudanças, o risco primeiro, neste momento, para a Democracia, é o falhanço e colapso das suas instituições. Afinal, a Democracia não se resume ao acto do voto, mas a algo bem mais vasto e complexo, que também contempla o voto, mas não só.

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Papandreou teve o condão de despejar um balde de água gelada ao mesmo tempo que adicionou mais gasolina à quente fogueira que nos queima na UE.

 

A decisão de convocar um referendo, para saber se os gregos querem o plano de resgate aprovado no último Conselho Europeu é uma jogada política extremamente arriscada, mais do que para o próprio promotor é para toda a UE, pois tem um alcance imprevisível, não só pelo precedente que abre, mas também pelo que pode (e já está a) provocar. Mérito se dê aos gregos, 3% do PIB europeu conseguiu, ontem, que todas as bolsas do mundo tivessem quedas. Nem as asiáticas escaparam.

 

Uma mais vez, o histórico encontro da semana passada, assim rotulado o Conselho Europeu, virou um rotundo fracasso devido a esta medida do Primeiro-Ministro helénico.

 

A Grécia acaba de abrir a caixa de Pandora e a partir de agora ou aceleramos a queda ou há um retomar do projecto europeu.

 

Quanto aos gregos, se a confiança já era pouca passou para o nível de praticamente nula. Como se pode confiar num país a quem se perdoa metade da dívida, arranja-se 130 mil milhões de euros e ainda se mete a equacionar se aceita ou não a proposta, depois de anos de puro desmazelo e irresponsabilidade?

 

Em termos europeus, pode ser que Berlim e Paris entendam, com este grande choque, inesperado e indesejado, que é tempo de deixar de paliativos e adoptar efectivas medidas de alcance europeu com impacto mundial, que salvaguardem, desde logo, alemães e franceses, e que, para isso, é importante que a zona €uro esteja a salvo de ataques especulativos.

 

Como o dia de ontem demonstrou, e a queda da bolsa de Milão não desmente, a grande ameaça e o grande perigo, muito mais do que a Grécia, é a Itália, actualmente em situação extremamente vulnerável, tanto pela realidade política como pela fragilidade económica. Imaginar que os italianos podem ter de se render e pedir um resgate seria o fim da incerteza e a consolidação da tragédia.

 

A Cimeira do G20, a arrancar nas próximas horas, na localidade francesa de Cannes, em vez de tratar da recuperação da economia mundial - em especial a do Ocidente, vai dedicar-se a tratar da Grécia. Para lástima e vergonha europeia, terão de ser os extra-europeus a tratar da UE, uma vez que as grandes potências (Alemanha, França, Reino Unido e Itália) não sabem tratar os problemas que têm na sua casa.

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Nas ruas de Atenas surgiram uns cartazes, apresentando a Chanceler alemã, trajada, numa montagem, de farda nazi, com um símbolo do III Reich adaptado às estrelas da UE.

 

Deste modo, continua o branqueamento do passado, pois esta imagem que se dá de Merkel e, indirectamente, do povo alemão, é de nazis. Então, caso para dizer: o que são os outros povos europeus? Todos eles tiveram o seu regime e ditador. Nós, portugueses, somos todos salazaristas?, os espanhóis franquistas?, os italianos fascistas?, os franceses colobarocionistas?, e por aí fora... E, por outro lado, como se lecciona e percepciona, hoje, o que foi o III Reich, com estas interpretações?

 

O pior de uma comunidade é a sua perda de memória e o não encarar do futuro, como sucede nos dias de hoje.

 

O povo alemão, um dos mais dilacerados da Europa, em parte por sua responsabilidade, e já pagou durante décadas o erro fatal de ter uma liderança maníaca, bem dispensa este género de ataques baixos e sem sentido, até porque, é bom não esquecer, depois da II Guerra Mundial, a Alemanha deu muito à Europa (se não fossem várias lideranças germânicas terem progredido no aprofundamento do projecto europeu muitos países, com a Grécia à cabeça, estariam hoje numa situação muito mais fraca).

 

É certo que a actual liderança alemã tem muita culpa dos problemas que atravessamos, mas não é menor responsabilidade dos países que se encontram em grande dificuldade, particularmente a Grécia, que parece ter feito tudo como deve ser ao longo dos últimos anos. Noto como muitos gregos querem continuar a manter um modelo irresponsável, sem ser sustentável. Isto não é culpa, seguramente, de Merkel.

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A deal to impose a 50 percent haircut on Greek debt was met with skepticism from the country's conservative opposition on Thursday.

 

Os gregos têm vindo a ser alvo de uma forte pressão, devido a um Governo de direita, que escondeu um enorme buraco nas contas gregas. O novo Governo socialista nem pôde respirar, assim que tomou posse, e teve de meter mãos à obra, para não deixar cair a Grécia na bancarrota e condenar o futuro do país, que em parte já está hipotecado.

 

Ano e meio depois de duríssimas e muito impopulares medidas, que limitam o desenvolvimento da sociedade grega mas vão dando credibilidade à Grécia no exterior, para negociar com os seus parceiros, resultaram, hoje, no perdão de 50% da dívida helénica.

 

Penso que o perdão nunca é desejável, mas neste caso, é um balão de oxigénio e um reconhecimento do trabalho feito nos últimos meses, muito por determinação de Papandreou, e que os gregos merecem. Todavia, quem cavou e escondeu o buraco, a Nova Democracia, agora mostra-se relutante com esta conquista. Como diria um ex-Ministro luso dos Negócios Estrangeiros: é preciso topete.

 

De facto, na Europa, com honrosas excepções, como a luxemburguesa ou a sueca, a direita, no poder ou na oposição, é de uma irresponsabilidade atroz.   

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Um bom artigo publicado no "La Vanguardia", quanto aos esquemas e predisposição dos gregos para fugirem às suas obrigações.

 

Sólo en la isla de Mikonos, han detectado irregularidades en 103 de las 140 empresas inspeccionadas.

 

Con la economía sumergida valorada en el 30% de la actividad económica, se calcula que las arcas del Estado dejan de ingresar cada año 20.000 millones de euros, más del 8% del PIB y suficientes para atajar el déficit fiscal en dos años.

 

Hasta ahora la exención fiscal estaba en 12.000 euros y, como por arte de magia, miles de médicos y abogados declaran ingresos anuales de 11.999. ¡Aunque vivan en barrios donde el metro cuadrado se vende a 6.000 euros!"

 

"El inspector es el primero que te amenaza con buscarte un problema si no lo arreglas privadamente con él".

 

La cultura del fakelaki (el sobrecito que se paga por debajo de la mesa) se ha agravado con la crisis. Según Transparencia Internacional, en el 2010 los griegos pagaron 1.492 euros de media en sobornos, un 10% más que en el 2009. Las oficinas de impuestos locales y los hospitales son los lugares donde se paga más.

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The government is alone in shouldering the weight of its promises to its foreign partners, while internationally it is isolated because it cannot keep these promises.

 

The climate of “injustice” that is cultivated at all levels of society works against the government measures and provides an excuse for all those who resist change.

 

Citizens see this. They see the anxiety of foreign governments to protect their banks from Greek debt before allowing Greece to sink on its own. They feel hopelessly alone. If the leaders of Greece and of the EU as a whole do not take seriously the needs and fears of citizens, if they do not persuade them as to the right policy, then the future will be even more difficult than it looks today.

 

Merece uma leitura atenta, este artigo de Nikos Konstandaras acerca da situação grega.

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Berlin veut qu'Athènes "reste membre de la zone euro"

 

A Alemanha até pode querer a manutenção da Grécia na zona €uro, como hoje fez saber o porta-voz do Ministro da Economia germânica, todavia pouco tem feito por isso. Aliás, a cada dia que passa do Governo de Berlim saem sempre posições contraditórias. Ainda ontem o Ministro das Finanças dizia estar a preparar-se para a quebra grega. 

Se houvesse um pouco de coordenação no Governo de Merkel seria bom, pelo menos pela estabilidade alemã, pois como qualquer outro povo europeu, os alemães também são penalizados pela instabilidade grega.

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Atenas solo tiene dinero para pagar las pensiones y sueldos de octubre
El secretario de Estado de Finanzas griego, Filipos Sajinidis, ha revelado hoy que Grecia tiene dinero para pagar los sueldos públicos y las pensiones sólo hasta octubre, lo que hace esencial que se entregue el sexto tramo del préstamo internacional de 110.000 millones de euros aprobado en mayo de 2010.

 

Volta não volta, a questão grega volta a estar debaixo dos holofotes e a comprometer todas as economias europeias. Quando decidirão os responsáveis europeus colocar um ponto final nesta incerteza que prejudica todos os Estados-membros?

 

P.S.- Vale a pena ver este gráfico, da dívida grega à banca europeia. Portugal é um dos países a quem os helénicos mais devem.

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Per dare nuovi prestiti alla Grecia, la Finlandia ha, a un certo punto dell'estenuante negoziato europeo, chiesto garanzie in particolari beni dello Stato ellenico: per la precisione l'Acropoli di Atene, il Partenone e alcune isole.

 

Uma vez mais, os finlandeses voltam a ser destaque, pelas posturas pouco sensíveis em termos europeus, e um pouco extravagantes, com o Governo de Helsínquia a querer contrapartidas/garantias do Estado grego, caso este não cumpra com os compromissos que tem, como a Acrópole e algumas ilhas gregas.

 

Tenho um grande respeito pela nação finlandesa, mas nestes últimos tempos penso que os finlandeses se esquecem da sua História, caso contrário não teriam assumido as posturas que demonstram.

 

 

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L'avantage d'une sortie de l'euro est que l'économie pourrait repartir après quelques mois

 

L'Espagne et l'Irlande sont également en mesure de régler leurs problèmes. L'Irlande a un comportement exemplaire. Il en est autrement du Portugal, qui a une situation similaire – quoique moins grave – à celle de la Grèce. Là aussi, il n'y a aucun signe qui montre que le Portugal peut retrouver sa compétitivité à court terme.

 

Continua-se a fazer da Grécia um problema, em vez de uma oportunidade. Assim, um economista alemão, Hans-Werner Sinn, considera que seria melhor a Grécia sair do €uro, para a economia recuperar.

 

Na mesma entrevista dada ao Le Monde, o economista germânico deixa um aviso, entrelinhas, o de Portugal ser um parceiro helénico e poder sair do €uro. A mesma 'medida' não se aplicaria à Irlanda e à Espanha, por terem, a prazo, mais condições de recuperação económica.

 

Pois bem, a Grécia representa 3% do PIB europeu e a UE não consegue dar resposta a esta dimensão. Mas estes economistas, que muito sabem de economia, persistem em demonstrar pouco conhecimento dos objectivos e causas do projecto europeu. Temo que a realidade não faça parte das suas leituras académicas.

 

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Um jardim com quatro arbustos tem 45 jardineiros. Um carro oficial tem 50 motoristas. 40 mil jovens recebem uma pensão vitalícia de mil euros por mês pelo simples facto de serem filhas solteiras de funcionários falecidos. Protecção de um lago que secou em 1930. Isto acontece na Grécia.

 

Como tenho dito, a Grécia merece toda a solidariedade, mas esta, ao ser recebida, deve merecer a retribuição dos gregos começarem a mudar de vida. Estes são apenas alguns dos muitos gastos que os cofres helénicos têm por ano. Não há nenhum país que possa sobreviver com este modelo.

 

Por isso, todas as greves e manifestações na Grécia perdem razão de ser quando se quer manter o actual estado grego.

 

Não foi a troika ou o Governo alemão que impôs este estilo, foram os gregos que o escolheram e parecem desejar manter.

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Passaram três semanas sobre as eleições legislativas. Temos novo Governo,  nova Presidente da Assembleia, novos deputados e, arrisco-me a dizer, uma nova esperança. Essa esperança, realista e consciente das dificuldades, encontrará pela frente o maior desafio governativo dos últimos 120 anos.

 

 

Se é praticamente consensual que a qualidade dos novos Ministros se situa acima das expectativas iniciais, algumas vozes têm levantado dúvidas quanto à orgânica do Governo no que se refere a dois ministérios: Economia, Emprego, Obras Públicas, Transportes e Comunicações, por um lado, Agricultura, Mar, Ambiente e Território, por outro. Em particular, têm aludido a uma excessiva concentração de pastas importantes sob a tutela de apenas um ministro. Já se sabia que Pedro Passos Coelho pretendia um executivo com menos membros.

 

 

Compreende-se que este Governo não tenha direito ao tradicional “estado de graça”, fruto das circunstâncias terríveis em que o país se encontra, mas que lhe seja, ao menos, conferido um certo benefício da dúvida.

Devemos pois, nesta altura, avaliar a orgânica desses e de outros ministérios sob um prisma de moderado optimismo: se as coisas vierem a correr bem estará lançado um paradigma de futuro no que se refere à constituição de um Governo.

 

 

Por outro lado, o novo Primeiro Ministro dá sinais de não se querer desculpar com a herança que recebe e aponta um caminho de acção. Fica-lhe bem essa atitude positiva. De resto, a crua realidade se encarregará de ir revelando o quão pesada é a tarefa que se apresenta ao país, não é necessário repeti-lo.

 

 

Na sequência do Conselho Europeu, Passos Coelho avançou para os próximos dias o anúncio da antecipação de novas medidas de combate ao défice. Nada de anormal. Ao contrário dos supostos excedentes orçamentais de que fomos ouvindo falar ao longo dos últimos meses, constata-se que já estamos em risco de não cumprir com a meta de 5,9% a que nos comprometemos com o triunvirato financiador.

Pondo de parte a explicação para a discrepância de valores de execução orçamental avançados pela Direcção Geral de Orçamento e Instituto Nacional de Estatística, ora numa óptica de entradas e saídas de dinheiro ora na óptica de compromissos efectivamente assumidos, já se desconfiava que era à conta de "artifícios" como atrasos no pagamento a fornecedores que os números preliminares de 2011 pareciam menos antipáticos.

 

 

Na altura em que escrevo, a Grécia começa a discutir no Parlamento a apresentação de novas medidas de austeridade das quais dependerá mais uma injecção de dinheiro que evite a bancarrota. De resgate em resgate até à bancarrota final, cada vez mais previsível dada a magnitude dos encargos de Atenas, uma Europa em estado de negação vai adiando soluções definitivas, trocadas por "pensos rápidos" que não parecem suficientes para travar um possível contágio colectivo.

Na expectativa estão, já não apenas Portugal, Irlanda ou Espanha, mas, os próprios americanos que dão sinais de preocupação face a um eventual alastrar da crise de dívida soberana europeia.

 

 

Como pano de fundo, vamos assistindo à transferência, cada vez mais evidente, do centro de gravidade do poder económico dos Estados Unidos e Europa para a China e um conjunto de outros países cujo epíteto de emergentes já vai pecando por defeito.

A discussão para a qual todos, enquanto cidadãos europeus, temos de ser convocados, e quanto mais depressa melhor, é o que queremos para o futuro. Que arquitectura europeia será a mais adequada para uma união monetária que nunca foi uma união económica e cujos desequilíbrios macroeconómicos começam agora revelar-se na sua plenitude ? Estaremos nós, e os outros, dispostos a dar passos efectivos no caminho de uma verdadeira união económica e em que a coordenação de políticas fiscais e macroeconómicas sejam uma realidade ? Estaremos nós até, e os outros, dispostos a caminhar no sentido de uma Europa de Estados Federais ?

 

 

São estas algumas das questões a que os líderes dos países europeus devem dar resposta. Respostas essas que, desejavelmente, devem merecer da nossa parte, cidadãos de Portugal e da Europa, uma atenção e participação bem mais efectivas do que noutras alturas do processo de construção europeia.

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Durante muitos anos, na UE a 12 e a 15, Portugal e Grécia ocupavam a cauda dos rankings. Alguns portugueses, sempre com o fado do fatalismo e da miséria lusa, acreditavam que os gregos estavam bem melhor do que nós. Infelizmente, são precisos momentos muito delicados, como os actuais, para perceber que o desenvolvimento dos dois países não era precisamente os mesmo ou, no caso, o grego melhor do que o português.

 

Hoje, sabe-se do estado da Grécia, que a prejudica, como os tempos que correm demonstram. Sabe-se da necessidade que a Grécia tem de mudar actos e atitudes, para que se enquadre no quadro das regras e respeitos das normas de um Estado de Direito e transparente.

 

Os gregos merecem toda a solidariedade neste período complexo, mas os helénicos também precisam de dar sinais de querer mudar, para que a solidariedade prestada seja reconhecida por ambas as partes (quem dá e quem recebe). Manter tudo como está não é solução para ninguém. E a pior postura é o orgulho saloio de considerar que os problemas se devem ignorar ou a Grécia não precisa de ajuda externa. 

 

É, por isso, lamentável o que se passa na Grécia, com constantes greves e actos de vandalismo, bem marcantes nestas horas.

 

Georgios Papandreou tem uma missão difícil, como Primeiro-Ministro, mas tudo tem feito para recuperar o crédito e a dignidade da Grécia no exterior. Pena que no interior as suas árduas medidas não sejam, pelo menos, respeitadas e compreendidas. A começar pelo maior partido da oposição, a Nova Democracia (formação política que ocultou o verdadeiro défice grego).

 

Veremos a votação do pacote de austeridade, hoje, no Parlamento de Atenas. Mas quanto mais se protesta e mais se destrói nas ruas, mais o país se afunda e mais se debilita o €uro. E com isto, todos nós perdemos. 

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El ministro alemán de Economía, Wolfgang Schäuble, aseguró ayer que Atenas podría verse obligada a adoptar "medidas adicionales" para hacer frente a su crisis fiscal si el examen del BCE y de la Comisión Europea en junio demuestra que su situación es insostenible. (...)

Desde Washington, el FMI trató ayer de quitar hierro a las declaraciones de Schäuble. El líder del Fondo, Dominique Strauss-Kahn, aseguró que Grecia "conseguirá salir de esta" si sigue aplicando el plan de ajuste.

 

Schäuble é uma das principais vozes europeias, decorrente da sua função de Ministro das Finanças alemão. Todavia, o experiente Schäuble não tem feito bom uso do seu largo currículo, como praticamente todos os actuais governantes alemães. Em vez de trazerem estabilidade e segurança à zona €uro, os dirigentes germânicos acabam por acrescentar problemas, como neste caso, do esforço grego, ao qual exige ainda mais sacrifícios, como se fosse possível a um país fazer Roma e Pavia num dia.

 

Felizmente, do FMI, através de Dominique Strauss-Kahn, veio a palavra de confiança no árduo trabalho que a Grécia está a empreender. Provavelmente, se hoje contassemos com Rodrigo Rato, à frente do Fundo Monetário Internacional, estaríamos numa situação mais dramática.  

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Com um resultado esperado entre 36 e 39,5% , os socialistas gregos do PASOK ganham, por larga vantagem, as eleições europeias.

 

Como era esperado, a Nova Democracia foi penalizada nestas europeias, tendo os gregos dado a vitória, como há muito se previa, ao PASOK.

 

Primeiro resultado do dia positivo para o PSE.

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Os resultados das europeias de amanhã, na Grécia, podem servir para a queda do Governo, assim o PASOK obtenha uma vitória significativa e a Nova Democracia, no poder, uma derrota pesada.

 

Pela parte de Papandreu (PASOK), o apelo a eleições antecipadas, quer os socialistas ganhem por muito ou pouco, será pedido.

 

A confirmar os resultados, assim como a resposta do Primeiro-Ministro Karamanlis.

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 ... a Grécia não encontra solução para o caos que assola o seu território há semanas. Está cada vez mais em questão o dito "Estado de Direito". A oposição não pára de ganhar força, terreno e novos campos de batalha. Depois dos violentos confrontos do fim de semana, hoje deu-se mesmo o regresso de um avião da Aeroflot que voava calmamente rumo a território russo.

 

... Devagarinho, devagarinho a dupla Vladimir Putin/Dmitri Medvedev, com o apoio das Câmaras Russas e sem ponta de oposição, vai alargando a sua esfera e tempo de poder. Como a Rússia é grande e complexa, "vá" de aumentar o mandato Presidencial em 50%, passando de 4 para 6 anos, numa clara abertura de caminho ao regresso de Putin à Presidência da Federação. Será que o próximo passo é o fim da limitação no número de mandatos? Onde encontrarão limites os poderes da Governação Russa? E a oposição liderada por Garry Kasparov que foi violentamente silenciada há uns meses? Onde pára?

 

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O que tem acontecido nestes últimos dias na Grécia não é caso virgem na Europa. França, em maior dimensão, Dinamarca, em menor proporção, já tiveram estes actos de vandalismo. E nada indica que a Grécia seja o último Estado europeu a experimentar este caos urbano.

Nada justifica a morte, no sábado, de um jovem de 15 anos, que minutos antes de morrer, atacara, com outros, um carro da polícia. Por isso, a Justiça grega funcionou e o polícia que matou o adolescente está detido. Como nada legitima os actos de vandalismo perpetrados um pouco por todas as cidades gregas. Além da instabilidade urbana que está criada, centenas de estabelecimentos, como muitas viaturas, foram destruídas, por uma fúria sem razão nem sentido. Num Estado de Direito Democrático é a Justiça que deve funcionar, não a rua comandar.

A polícia grega, não obstante a mancha que um elemento seu cometeu, tem actuado bem, defendendo, como lhe compete, o bem público dos arruaceiros.

Por outro lado, lamenta-se que o maior partido da oposição, o PASOK, surja agora a pedir eleições antecipadas, quando há pouco mais de um ano um Governo foi eleito e os socialistas perderam. Que os comunistas gregos queiram a desordem e a pobreza, isso é natural, tanto que andam na rua a solidarizar-se com o vandalismo. Agora que os socialistas procurem neste momento de vulnerabilidade aproveitar a seu favor o descontentamento, não é sinal de força, mas sim de fraqueza. 

Papandreou, Secretário-Geral da Internacional Socialista, que devia ter renunciado à liderança do PASOK, o ano passado, pela derrota que averbou, quer surgir agora como o salvador. Nem Caramanlis (Primeiro-Ministro) o é, nem o PASOK se apresenta, actualmente, como tal.

A Grécia há muito que precisa de se desligar das famílias políticas - Papandreou (PASOK) e Caramanlis (Nova Democracia) - que governam o país há décadas.

Quanto à inflamação urbana, é bom ter presente que nenhuma sociedade europeia está imune ao seu emergir. E os tempos que se avizinham são mais favoráveis para o seu aparecimento. É bom estarmos de prevenção!

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Da mesma forma que há dois anos olhámos com distanciamento para o estado de pré-anarquia em que mergulharam algumas cidades francesas, olhamos com desprezo para o que se tem passado por estes dias em várias cidades gregas.

 

Existe em nós esta leviandade por sermos desde sempre um povo de brandos costumes, como entre outros brilhantemente diagnosticou José Gil. Quase ouso dizer que desde que o Afonso bateu na Mãe, nada de verdadeiramente drástico se passou em Portugal. Permitimos ao longo da História que espanhóis e franceses nos dominassem, engolimos um Mapa Cor de Rosa e, como auge, alcançamos o feito singular de fazer uma Revolução sem pingo de sangue.

 

O que se passa na Grécia é fruto de muitos fenómenos que nos últimos tempos se têm passado por cá. Os media falam num polícia que matou um adolescente de 15 anos, mas esse foi apenas o pretexto para o eclodir de uma fervura que há muito o prometia.

 

Da primeira equipa ministerial do Governo conservador do Primeiro-Ministro Costas Caramanlis já foram destituídos três Ministros, todos por igual motivo: corrupção, entrando toda a classe política entrou num crescendo de descrédito. Entretanto sucederam-se protestos pontuais contra esta ou aquela reforma e Manifestações Gerais contra todo o Executivo. Consequência: descontentamento, queda a pique nas sondagens e o aumento do poder da oposição de esquerda moderada e dos movimentos Anarcas e Sindicais. Por fim, o protesto contra os (alegados) abusos da polícia, que teve como expoente máximo a morte de um jovem de 15 anos e a prisão de dois agentes da autoridade.

 

Ao longo do último parágrafo pouco referi que não se verifique ou tenha verificado em Portugal. O caso BPN/SLN, descontentamento social e o aumento da influência da extrema esquerda. Divergimos dos Gregos em dois pontos: não temos uma oposição forte ao Governo e somos o tal povo de brandos costumes. Basta ver que só quando não aguentámos mais de tão esgotados que estavamos pela intensidade, arrastar de décadas de ditadura e perante a ausência do Ditador, tivemos mãos para empreender uma revolução, que ainda pouco teve daquele que é o seu conceito mundial base.

 

Fica a reflexão.

 

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(imagens 1 e 3 cortesia publico.pt)

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Ok, por esta não estava à espera....

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