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Passaram três semanas sobre as eleições legislativas. Temos novo Governo,  nova Presidente da Assembleia, novos deputados e, arrisco-me a dizer, uma nova esperança. Essa esperança, realista e consciente das dificuldades, encontrará pela frente o maior desafio governativo dos últimos 120 anos.

 

 

Se é praticamente consensual que a qualidade dos novos Ministros se situa acima das expectativas iniciais, algumas vozes têm levantado dúvidas quanto à orgânica do Governo no que se refere a dois ministérios: Economia, Emprego, Obras Públicas, Transportes e Comunicações, por um lado, Agricultura, Mar, Ambiente e Território, por outro. Em particular, têm aludido a uma excessiva concentração de pastas importantes sob a tutela de apenas um ministro. Já se sabia que Pedro Passos Coelho pretendia um executivo com menos membros.

 

 

Compreende-se que este Governo não tenha direito ao tradicional “estado de graça”, fruto das circunstâncias terríveis em que o país se encontra, mas que lhe seja, ao menos, conferido um certo benefício da dúvida.

Devemos pois, nesta altura, avaliar a orgânica desses e de outros ministérios sob um prisma de moderado optimismo: se as coisas vierem a correr bem estará lançado um paradigma de futuro no que se refere à constituição de um Governo.

 

 

Por outro lado, o novo Primeiro Ministro dá sinais de não se querer desculpar com a herança que recebe e aponta um caminho de acção. Fica-lhe bem essa atitude positiva. De resto, a crua realidade se encarregará de ir revelando o quão pesada é a tarefa que se apresenta ao país, não é necessário repeti-lo.

 

 

Na sequência do Conselho Europeu, Passos Coelho avançou para os próximos dias o anúncio da antecipação de novas medidas de combate ao défice. Nada de anormal. Ao contrário dos supostos excedentes orçamentais de que fomos ouvindo falar ao longo dos últimos meses, constata-se que já estamos em risco de não cumprir com a meta de 5,9% a que nos comprometemos com o triunvirato financiador.

Pondo de parte a explicação para a discrepância de valores de execução orçamental avançados pela Direcção Geral de Orçamento e Instituto Nacional de Estatística, ora numa óptica de entradas e saídas de dinheiro ora na óptica de compromissos efectivamente assumidos, já se desconfiava que era à conta de "artifícios" como atrasos no pagamento a fornecedores que os números preliminares de 2011 pareciam menos antipáticos.

 

 

Na altura em que escrevo, a Grécia começa a discutir no Parlamento a apresentação de novas medidas de austeridade das quais dependerá mais uma injecção de dinheiro que evite a bancarrota. De resgate em resgate até à bancarrota final, cada vez mais previsível dada a magnitude dos encargos de Atenas, uma Europa em estado de negação vai adiando soluções definitivas, trocadas por "pensos rápidos" que não parecem suficientes para travar um possível contágio colectivo.

Na expectativa estão, já não apenas Portugal, Irlanda ou Espanha, mas, os próprios americanos que dão sinais de preocupação face a um eventual alastrar da crise de dívida soberana europeia.

 

 

Como pano de fundo, vamos assistindo à transferência, cada vez mais evidente, do centro de gravidade do poder económico dos Estados Unidos e Europa para a China e um conjunto de outros países cujo epíteto de emergentes já vai pecando por defeito.

A discussão para a qual todos, enquanto cidadãos europeus, temos de ser convocados, e quanto mais depressa melhor, é o que queremos para o futuro. Que arquitectura europeia será a mais adequada para uma união monetária que nunca foi uma união económica e cujos desequilíbrios macroeconómicos começam agora revelar-se na sua plenitude ? Estaremos nós, e os outros, dispostos a dar passos efectivos no caminho de uma verdadeira união económica e em que a coordenação de políticas fiscais e macroeconómicas sejam uma realidade ? Estaremos nós até, e os outros, dispostos a caminhar no sentido de uma Europa de Estados Federais ?

 

 

São estas algumas das questões a que os líderes dos países europeus devem dar resposta. Respostas essas que, desejavelmente, devem merecer da nossa parte, cidadãos de Portugal e da Europa, uma atenção e participação bem mais efectivas do que noutras alturas do processo de construção europeia.

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O Carlos Manuel Castro avisa-nos que o PP de Rajoy está em "queda livre", tendo apenas pouco mais que 2% de vantagem sobre o PSOE. Por cá, já sabemos como vai o "burgo". No Reino Unido, a coligação Tories-Lib Dems, também já conheceu melhores dias. Merkel tombará mais tarde ou mais cedo. Em França, Sarkozy perde tereno para ultra-conservadores e socialistas.

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Europa: um continente à deriva (2009)


Estou preocupado com a Europa. Na verdade, estou preocupado com o mundo todo - não há porto seguro contra a tempestade económica planetária. Mas a situação na Europa preocupa-me mais que a dos Estados Unidos.

Não estou a começar aqui uma repetição da queixa comum norte-americana de que os impostos europeus são altos demais e os benefícios sociais demasiadamente generosos. Os grandes Estados de bem-estar social não são a causa da atual crise europeia. De facto, eles na verdade representam um fator atenuante.

O perigo claro que a Europa enfrenta agora vem de uma direção diferente: o fracasso do continente em desenvolver resposta efectiva à crise financeira. A Europa apresenta deficiências em termos tanto de política fiscal quanto de política monetária. Enfrenta um problema tão sério quanto o dos EUA, mas faz menos para combatê-la.

Do lado fiscal, a comparação com os EUA é notável. Muitos economistas, entre os quais me incluo, argumentaram que o plano de estímulo do governo Obama é insuficiente, dada a seriedade da crise. Mas, ainda assim, as ações norte-americanas agigantam-se perante quaisquer medidas tomadas pelos europeus.

A diferença na política monetária é igualmente notável. O BCE (Banco Central Europeu) vem sendo muito menos activo que o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA); demorou a cortar os juros e vem evitando outras medidas fortes para descongelar os mercados de crédito.

A única coisa que funciona em favor da Europa é aquilo que lhe vale as maiores críticas: a dimensão e a generosidade de seus sistemas de seguro social, que vêm amortecendo o impacto da crise econômica. Mas "estabilizadores automáticos" como esses não substituem ação positiva. Porque é que a Europa está a falhar? A integração económica e monetária está bem adiantada na integração das instituições políticas. Mas, ao contrário dos EUA, a Europa não dispõe das instituições continentais necessárias para enfrentar uma crise continental.


Paul Krugman 

(A tradução é de Miguel Heleno)

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Na encenação do Primeiro-Ministro português com a Chanceler alemã, no discurso ensaiado de um e no elogio público da outra, está a última ilustração da ideia de que um Estado endividado não é verdadeiramente livre. Tão pungente como a fotografia, é a banda sonora: as palavras repetidas por Sócrates sobre o tal país com "oito séculos de história" e que "não é subserviente com ninguém" formaram o perfeito contraste com a cena e com o contexto da própria deslocação a Berlim.

 

 

Mas essa cimeira bilateral é também demonstrativa do estado da Europa. De um lado, Portugal, poderia representar os países do Sul, acompanhados pela Irlanda. Do outro, a Alemanha, representava-se a si própria, os seus próprios interesses e talvez os da França e de alguns países da Europa Central, cujas contribuições para o Orçamento Europeu começam a ser escrutinadas com olhos cada vez mais críticos por parte dos respectivos cidadãos.

 

 

Esta é, de resto, uma novela com novos capítulos nas próximas semanas. O recente "Pacto para a Competitividade" gizado pela Alemanha e apresentado depois como uma iniciativa franco-alemã para uma articulação de políticas entre os países da zona euro, deverá ser alvo de discussão já esta sexta-feira, dia 11, numa cimeira de líderes dos 17 países da moeda única.

 

 

Sendo certo que a Alemanha, fruto do rigor e estratégia da sua governação, está hoje com a taxa de desemprego mais baixa dos últimos 19 anos e que, depois da recessão em 2009, a Europa retomou o rumo do crescimento económico, o problema mais imediato com o qual a Europa se confronta não é o da competitividade mas a necessidade de resolver a crise de dívida soberana, de países cujo eventual incumprimento poderia ter efeito de contágio e comprometer a moeda única.

 

 

Este "Pacto para a Competitividade" parece surgir, pois, em sentido diferente, quase como um compromisso de responsabilidade a exigir pelo eixo franco-alemão aos países que necessitam de ajuda para lidar com défices excessivos.

 

 

Entre a Cimeira da próxima sexta-feira, dia 11, e o Conselho Europeu dos dias 24 e 25, joga-se, pois, muito do futuro próximo da moeda única e do projecto europeu.

 

 

Estou algo céptico quanto àquilo que o Conselho Europeu poderá trazer. Desde logo, o facto de se realizar dois dias antes de na Alemanha haver eleições regionais em mais um estado (precisamente, o estado Natal da Sra. Merkel) pode propiciar um clima pouco favorável às decisões que Portugal e outros necessitariam.

 

 

Falemos claro, os juros relativamente elevados que estão a ser pedidos à Irlanda para o seu financiamento através do tal Fundo Europeu de Estabilização Financeira a que recorreu recentemente, bem como as medidas que lhe estão a ser exigidas, assim como à Grécia, ou as que veladamente se pedem a Portugal ou Espanha, são entendidas hoje pela opinião pública na Alemanha, como na Holanda ou na Áustria, quase como que um preço justo pela falta de «disciplina» interna. E portanto, aquilo que for percepcionado como uma "ajuda" sem contrapartidas aos países em dificuldades não dá votos. Ainda por cima, longe vão os tempos em que líderes como Helmut Kohl davam primazia à importância da Solidariedade na construção do projecto europeu.

 

 

Para baralhar ainda mais as contas, sobretudo as nossas, veio o Presidente do Banco Central Europeu sinalizar um possível aumento da taxa de juro de referência já no próximo mês, num cenário em que o aumento dos preços da energia e bens alimentares aumenta os riscos de inflação. Mais uma notícia que os países com necessidades de financiamento elevadas não desejariam ouvir.

 

 

Março será, pois, o mês de muitas decisões quanto ao futuro próximo.O de Portugal e o da Europa. Não faltará muito para percebermos se será "pau", "pedra" ou mesmo "o fim do caminho". Para nós, portugueses, que daria jeito que as "águas de Março" trouxessem, em vez do "fundo do poço", uma "promessa de vida no coração", lá isso daria...

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Duarte Cordeiro acusou as propostas do PSD de "liberalismo kamikaze". Pergunta-se: há liberalismo que não o liberalismo kamikaze?
 
É casual que o investimento estatal está intimamente ligado a um maior desenvolvimento das economias, bastando olhar para as referências exemplares dinamarquesas, francesas, suecas, belgas ou, em oposição para as referências, pela negativa, da Roménia, Letónia ou da Lituânia. As propostas do PSD e o pacto nacional com medidas contraccionistas na maior crise económico-financeira das últimas décadas, são a auto-destruição da civilização europeia tal como a conhecemos.
 
O chavão constitucionalizado da igualdade de oportunidades só nos conduz ao fomento pactuante das desigualdades pelo que o Estado deve assumir humanistica e corajosamente o objectivo da igualdade das rendas sem a supressão democrática. Seja aqui, seja nos EUA, o cerne da questão reside concretamente na distribuição da renda dos indivíduos, como podemos comprovar e observar pelo o que nos apresenta o João Vasco e a Discover. Se democraticamente somos a favor da quase real equidade de rendimentos, porque não actuam os Estados em busca de uma melhor redistribuição da riqueza? Não se trata de uma via autoritária marxista-leninista para alcançar a finalidade aclassista, mas trata-se de abolir a tecnocracia neoliberal institucionalizada pela adopção de medidas fiscais, socialmente morais, abolindo a promiscuidade com a alta finança e com os grandes grupos empresariais.
 
Assim, impõe-se uma grande coligação das esquerdas nacionais e europeias, moderadas ou jacobinas, uma estratégia assumida por verdadeiros estatistas democratas como o foram Olof Palme, Willy Brandt, Aneurin Bevan, Clement Attlee, François Miterrand e, porque não, Mário Soares. O desafio fica no ar...

 

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Boa parte dos países que dominarão o século XXI têm graves limitações ou sérios constrangimentos, agora ou até há pouco tempo, de liberdade de opinião, associação e manifestação.Vários dos países com maior potencial de dominar as próximas décadas têm sérias limitações ou graves problemas com a liberdade religiosa ou a convivência entre religiões.A esmagadora maioria destes países teve ou tem problemas graves no que toca à corrupção ou criminalidade em geral. Boa parte deles passou recentemente por enormes crise ou dramáticas transformações.

Antes Brasil, Rússia, Índia, China, agora também o México, a Argentina e África do Sul. (Coreia do Sul, Chile, Tailândia, Malásia e Filipinas falharam o alvo ou estão no cruzamento entre o sucesso e o falhanço, Espanha e Austrália estão em stand by)

Sem ser pessimista será um problema de tolerância, direitos e liberdades e dos custos associados ao "Estado de Liberdade" ou ao "Estado Social"? Sem ser alarmista, será um problema de modelo cultural ocidental em falência? Será a normal fase de decadência dum "sistema" ou "modo de vida" em ciclo descendente ou apenas sintomas duma fase de transformação rumo a algo diferente?

Pode ser só a proximidade do dia 12 de Dezembro de 2012 a afectar os mercados e os políticos mas, honestamente, duvido.

Acredito que encontrar a raiz do "medo Ocidental", a razão da putrefacção de alguns dos alicerces da nossa sociedade, os verdadeiros risco que corre o nosso modo de vida, os  reais desafios que o nosso modelo de regime e "governança" enfrentam, é a única forma a vencermos o século XXI. Não contra ninguém, mas por nós.Não contra "os outros" mas também com "eles" ou por causa "deles".O caminho terá de passar não por impor a nossa matriz numa "cruzada" espúria contra o "Oriente" ou os "novos-ex-velhos-futuros emergentes" mas mudando algo em nossa própria casa, não? E de preferência mudando algo já.Portugal, Ibéria ou não-Ibéria, Europa do Norte e do Sul, Europa Central e Periférica ou ultra-periférica, Europa da 1ª Divisão ou da 2ªDivisão.União Europeia Federal ou nem por isso.Algo tem de ser pensado, debatido, testado, implementado, algo tem de mudar, ou estou equivocado? De verdadeiramente alarmante, especialmente para a Velha Europa, é que algo que é menos grave para a Nova Europa ou os EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia entre outros, é do Atlântico aos Urais não encontro um pensamento, uma ideia, um conceito de futuro e de renovação para nós, Europa, berço do "Ocidente".

Não é o Putinismo, um pseudo-Merkelismo nem um soft-Berlusconismo, não me parece que exista Cameronismo e muito menos Sarkozismo, Obamaismos nem servem para os US of A, muito menos para a Europa!De onde virá a solução?A luz e o caminho...ou a inspiração e motivação?

 

Desculpem esta interrupção na campanha eleitoral Presidencial, segue dentro de momentos...

 

 

 

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.....alguém acabasse com o "cheque-britânico" e com a PAC, investisse boa parte dessas verbas na maior zona de ensino, formação e investigação do Mundo, libertasse a produção africana do jugo da "aldrabice dos subsidios à produção" da Europa França e permitisse a entrada na Europa de produtos agricolas muito mais baratos, o que aconteceria? Birra britânica e grandes manifs em França...e a seguir?

 

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Enquanto Portugal vai apurando o seu pedido de ajuda ao FMI numa panela de pressão - devagar, devagarinho, até a coisa apitar no limite da explosão - a Europa vai-se desdobrando, num acto solidário e no egoísmo legítimo de quem quer minorar o número de membros a reclamar ajuda, em declarações e desmentidos que visam ajudar o nosso país.

 

Mas e se Portugal não o conseguir evitar? Merkel e a Europa ficarão com a reputação de Teixeira dos Santos - que ignorava a crise e a desmentia - ou com a do ministro da propaganda de Saddam, o que não serve de modo nenhum a Europa que se quer sólida, mas também realista. E se não querem pôr os Europeus a pensar o que pensam os Portugueses de quem os dirige, então é mesmo aconselhável que não sigam por esse caminho.

 

Igualmente importante é o braço de ferro que se propõem a travar com os especuladores quando vêm em auxílio de países como Portugal, isto é: quando a Europa, contra os especuladores, se propõe a dar garantias e tranquilidade aos mercados, é bom que  se assegure que vence essa batalha, caso contrário poderá mesmo perder a guerra e no futuro ficar nas suas mãos. Let's hope not!

 

Disclaimer: esta não é uma opinião derrotista, mas sim a posição de quem quer ver Portugal resolvido e a Europa sem mazelas.

 

também publicado no República do Cáustico

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Para um país como Portugal, o novo modelo de governação económica da Europa acarreta duas “ameaças” primordiais:

 

 

1- Uma subalternização do papel do Parlamento Nacional enquanto palco até agora primordial de definição das grandes linhas estratégicas para o país, na medida em que passarão a ser emanadas dos Conselhos Europeus as grandes linhas estratégicas em termos de política, as quais deverão orientar a feitura dos orçamentos nacionais;

 

2- Um aprofundamento das medidas que até agora existiam ao nível dos procedimentos por défice excessivo até ao ponto de poderem ser aprovadas sanções, o que para um país que na última década tem visto sistematicamente em causa o equilíbrio das contas públicas traz preocupações.

 

 

Poderemos também identificar “oportunidades”:

 

 

1- As “incitações à conformidade” previstas em termos de cumprimento do limite de défice estipulado, nomeadamente as que se referem à redução automática da contribuição para o Orçamento Europeu dos países que não têm défice excessivo podem constituir um estímulo pela positiva na prossecução do equilíbrio das contas públicas;

 

2- Para um país que tem tido capacidade de fazer sacrifícios para cumprir critérios rigorosos, como os do acesso à CEE ou os da adesão à moeda única, mas que, por vezes, tem revelado algum laxismo na gestão das suas contas públicas, a existência de regras e critérios exigentes em matéria de supervisão económica e orçamental, se por um lado é negativa, por outro pode trazer maior responsabilidade;

 

3- Se o Parlamento adoptar uma postura mais proactiva e houver receptividade do Governo para uma interacção mais estreita no que se refere aos assuntos da governação económico-financeira nacional e europeia, a Assembleia da República poderá, ainda assim, reduzir a subalternização a que o novo modelo de governação económica da Europa tendencialmente a vota.

 

 

Feitas estas considerações, importa dizer que há desequilíbrios de natureza externa cujo controlo vai para além daquilo que são as políticas de curto/médio prazo de um país.

Nessa perspectiva, uma eventual aplicação de sanções por desequilíbrios macroeconómicos que vão para além daquilo que, num prazo razoável, os Estados podem conseguir, pode causar constrangimentos graves.

 

 

Não quero com isto dizer que a União Económica e Monetária não deva aprofundar mecanismos de governação económica que lhe permitam evitar efeitos de contágio de um Estado-Membro para outro ou para a própria economia da União.

Mais, parece-me até positivo, que nas análises às economias dos Estados, até agora excessivamente centradas nos défices orçamentais, se possam avaliar outros parâmetros desde que os indicadores sejam suficientemente bem ponderados e adequados às realidades de cada um. Não será por certo de valorizar da mesma forma um défice conjuntural versus um défice estrutural.

 

 

Por outro lado, seria interessante que as discussões em torno da criação de um Fundo Monetário Europeu fossem mais longe. Julgo que um mecanismo permanente de resolução das crises na zona Euro seria importante para a União, numa óptica de auxílio em situação de crise e de intervenção mais ágil e independente.  

 

 

Para além destes pontos, continua a faltar a perspectiva clara de que a correcção dos desequilíbrios macroeconómicos dos diversos Estados-Membros deve ser um instrumento e não um fim em si mesmo.

Para o projecto Europeu evoluir é necessário que os princípios que estiveram subjacentes ao processo de construção de uma comunidade económica não sejam secundarizados em função dos interesses particulares deste ou daquele Estado.

 

 

É fundamental a ponderação das diversas variáveis na tomada de decisões e sobretudo a assunção de que estas medidas de supervisão macroeconómica e a aplicação de sanções só se justificam se vierem permitir a adopção de políticas contra-cíclicas em caso de conjunturas económicas internacionais difíceis.

Essa visão, de que as medidas de supervisão macroeconómica devem ser um instrumento de coesão da comunidade mas não um fim, não parece infelizmente retirar-se deste processo.

 

 

Quase como se o “Franco” mas sobretudo o “Marco”, de uma vez por todas, se “cansassem” de aguardar serenamente pelo aprofundamento do Euro.

 

 

E nós por cá?

Nós por cá deveríamos ter a consciência das dificuldades, fazer o que está por fazer e ter presente que a alternativa ao Euro seria para nós bem mais penosa que o cumprimento de regras.

Sem que isto queira dizer que se deve aceitar o que nos propõem sem discutir ou tentar melhorar o que vai estando em cima da mesa.

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Enquanto o presidente chinês reunia com Sócrates e prometia ajudar Portugal a recuperar da crise económica, a Primeira-Dama Chinesa passeava por Lisboa. Com a sua comitiva trataram de comprar tudo o que viam, com especial carinho pelo artesanato português que irão seguramente copiar, replicar, produzir a melhor preço e tornar a sua importação extremamente apetecível. Por isso, não estranhem se o próximo Galo de Barcelos que virem numa loja Lisboeta disser "Made in China". 

 

Com esta brincadeira quero apenas dizer que cada um tira o que pode destes encontros. Nem Portugal, nem China nasceram ontem e comprar dívida pública não é ainda um desporto nacional chinês, nem um dos mandamentos de caridadezinha de bairro fino de Pequim, pelo que é um negócio como outro qualquer, não devendo por isso ser visto como uma parte da salvação nacional, nem, por outro lado, como um acto vampiresco.

 

A China aproveitar-se-á das fraquezas dos países para se impulsionar o mais que possa e o seu peso mundial, depois da crise, pisará severamente os calcanhares aos EUA, que apertado na sua posição de líder mundial, usará as instituições que partilha com a UE, como por exemplo a NATO, mais do que a sua capacidade financeira, para manter a sua hegemonia.

 

E a Europa, enquanto anciã da diplomacia, tirará, da relação competitiva EUA vs CHINA que, como há tempos disse Obama, moldará o Séc XXI, tantos outros dividendos que agora não estamos a medir. Afinal, quem está a aproveitar-se de quem?

 

também publicado no República do Cáustico

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A Democracia europeia atravessa neste momento grandes transformações, devido à ascensão da extrema-direita e ao enfraquecimento da esquerda.

 

Um pouco por todos os Estados europeus, com a excepção de Portugal e Espanha, o radicalismo da direita cresce e é determinante para a vida política de cada país. Veja-se como o novo Governo holandês, para ser viabilizado, careceu do suporte da extrema-direita, de quem ficou refém.

 

E, o que sucedeu recentemente nas eleições legislativas suecas, de 18 de Setembro, com a entrada da extrema-direita pela primeira vez no Parlamento de Estocolmo – note-se: a Suécia, baluarte do desenvolvimento e bem-estar no mundo -, confirma a regra que França, Itália, Áustria, Holanda, Bélgica, Hungria, Roménia, e outros países já contam. Partidos radicais com representação e peso. Ainda há pouco mais de uma semana, na eleição regional de Viena, só uma das áreas mais desenvolvidas da Europa e do mundo, o partido austríaco mais forte da extrema-direita, o FPÖ (ainda há outro, o BZÖ), foi a segunda formação mais votada, com 27% dos votos.

 

Estes resultados estão a provocar mudanças. E se em termos eleitorais, como a seguir se perceberá elas são manifestas, em termos de políticas as transformações também ocorrem. E sempre no seio da esquerda e direita democrática.

 

Vejamos: Sarkozy, primeiro, com as suas políticas face aos trajes muçulmanos e, depois, na perseguição aos ciganos, mais não tem feito do que adoptar muitas das causas da Front National, de Le Pen. E, neste fim-de-semana, no congresso da jota da CDU, Angela Merkel decretava a falência do multiculturalismo, dado o mal-estar na sociedade alemã. Estas posturas, jamais impensáveis há 10, 20 anos, são hoje um sinal de cedência dos princípios da direita democrática ao radicalismo, para segurar o eleitorado. Mas, o mais espantoso é o crescimento da extrema-direita alicerçar-se em eleitorado de esquerda. Se no início desta década Le Pen tinha conquistado muitos dos eleitores do outrora forte PC francês, agora são os partidos socialistas/sociais-democratas/trabalhistas que vêem parte do seu eleitorado, desagradado com a situação, refugiar-se debaixo do discurso de exclusão e xenofobia de líderes radicais.

 

Pela fraqueza eleitoral e de valores do socialismo democrático europeu e pela abdicação dos valores da direita democrática, por mero tacticismo, o projecto europeu começa a ser abalado nos seus princípios, com elevadas e nocivas consequências para os 500 milhões de europeus. Convém recordar que aquilo que afundou tragicamente a Europa há pouco mais de meio século é, precisamente, o germe que está a singrar.


 

Carlos Manuel Castro

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Ao ver o vídeo que o Filipe importou do 31 da Armada, não posso deixar de espantar-me como há pessoas que banalizam e promovem o branqueamento da História.

 

Há uns anos, numa das obras publicadas por Ignacio Ramonet, li a sua crítica aos filmes então interpretados por Luois de Funès, na década de 70, da trilogia “Onde pára a 7ª Companhia”, por vulgarizar o que foi a II Guerra Mundial. Mas à época da estreia das películas, as pessoas tinham presente o que foi e representou o III Reich para a Europa.

 

Agora, que o nazismo e os seus actos são banalizados, veja-se as palavras de Ahmadinejad sobre o Holocausto, a conjuntura na Áustria: dados avançados indicam que cerca de 40% dos jovens adere às causas da extrema-direita, país que nunca “desnazificou” o seu passado e, um pouco por toda a Europa, crescem movimentos xenófobos, muitos dos quais reminiscências da era nazi, há quem utilize um trecho de um grande filme, todo ele baseado em factos veríficos, “A Queda” – as últimas horas do III Reich, para brincar.

 

Percebe-se, no caso britânico, a vontade de desacreditar o já quase desacreditado Gordon Brown, mas como diria o insuspeito e liberal Karl Popper, que teve de fugir da sua Áustria natal antes que a sua religião o condenasse, de acordo com os códigos nazis, à morte: há limites.

 

Se observarmos a realidade, e as últimas eleições europeias em particular, com tanto desconhecimento e esquecimento do que aconteceu há pouco mais de meio século na Europa, há matérias nas quais o humorismo não tem qualquer credibilidade para se desculpabilizar.

 

Se o humor é um elemento imprescindível, não é menos indispensável o respeito e a responsabilidade.

 

Não há sociedade no mundo que se reja sem valores. E este género de brincadeira apenas branqueia a História e dá força a quem pretende instigar os valores do ódio e da xenofobia. E estes valores estão a disseminar-se por toda a Europa.

 

P.S.- Note-se como na Rússia se faz hoje do déspota Estaline um herói nacional.

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Confrontado com as diferentes posições dos socialistas, o primeiro-ministro reforçou a ideia que já tinha sido formulada pelo porta-voz do PS, Vitalino Canas, de que os eurodeputados do partido são livres na opção de voto.

 

Quanto generosidade de José Sócrates em dar liberdade de voto aos deputados do PS no Parlamento Europeu.

E quanta a diferença com o parlamento nacional, em que a disciplina de voto é férrea, não existindo contemplações para com os prevaricadores, excepção feita a Manuel Alegre.

Moral da história, José Sócrates defenderá o nome de Durão Barroso no Conselho Europeu em nome dos interesses nacionais, europeus e devido ao facto dele ter feito um bom trabalho, palavras do próprio.

A maioria dos deputados europeus do PS votará contra a recondução de Durão Barroso em nome do quê?

 

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O Dr. Barroso quer ser reeleito presidente da Comissão Europeia e o PSD considera que o PS deve apoiá-lo porque é português. Convenhamos que não deixa de ser um critério aberrante, tratando-se de uma questão europeia. Lá estamos nós sempre com este provincianismo serôdio.

Imaginemos então que o senhor Pinto da Costa quer ser o próximo líder da UEFA. Segundo os critérios do PSD, o senhor Vieira e o senhor Soares Franco deviam ser os seus primeiros subscritores.

Que pachorra para estes jogos de uma política menor.

Que tal olharmos para o que têm sido estes quatro anos do mandato em curso, avaliarmos que Europa se pretende e verificarmos qual o cidadão europeu mais preparado para a função. Seja ele português, francês ou irlandês. Contando que seja europeu e capaz, para mim já está de bom tamanho.

 

Também no meu blog

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Pouco antes de serem divulgadas pela Lusa as declarações de Vitalino Canas, no blog Causa Nossa, Vital Moreira optou por precisar que votará em Durão Barroso, mas apenas se o PPE (Centro Direita)for o partido mais votado e se o Conselho Europeu o propuser para presidente da Comissão. Ressalvou, no entanto, que respeitará as posições individuais dos eurodeputados

 

Gostava que Vital Moreira ou alguém do PS me explicasse como é que se apoia oficialmente um candidato mas que se respeitará as posições pessoais dos eurodeputados, que até agora demonstraram não apoiar a sua recandidatura?

Pobre Durão Barroso, se estiver dependente dos votos dos eurodeputados do PS para garantir a sua reeleição...

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Durão Barroso "tem um corpo de plástico, moluscóide, de quem não tem coluna vertebral. É do tipo de políticos que pensa que, com uma plástica, tudo pode continuar na mesma", disse, numa referência ao alegado apoio que o ex-primeiro-ministro deu ao ex-presidente Bush. Mais moderada nas críticas, Ana Gomes lembrou apenas que Durão Barroso "esteve ao lado das tentativas de constituição de um directório" das grandes potências em relação ao mundo.

 

Assim continua a campanha nacional contra a reeleição de Durão Barroso.

Desta vez o pretexto foi o lançamento de mais um livro de Mário Soares. Qualquer oportunidade é aproveitada para denegrir a imagem do presidente da Comissão Europeia, não poupando esforços para inqualificaveis ataques de carácter.

Para além de Mário Soares, Fernando Nobre e Ana Gomes também criticaram duramente Durão Barroso, tendo Fernando Nobre utilizado termos claramente inaceitáveis. Esta campanha não irá parar até terem conseguido o seu objectivo: derrotar a candidatura do português Durão Barroso e elegerem um ortodoxo socialista francês, alemão ou italiano.

Assim anda a nossa esquerda bem-pensante...

 

ADENDA: Rui, subscreves ou não as declarações de fernando Nobre? Estás de acordo com este tipo de ataque? Provavelmente se os actores políticos fossem outros alguns falariam numa campanha negra...

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Caro Carlos

 

 

Acho muito divertido o teu ataque ao fulanismo e à inexistência de uma "questão Barroso", quando a tua principal preocupação é saber qual o "fulano" do PSD que irá encabeçar a lista ás eleições europeias.

Quando falas na supermacia do projecto relativamente aos "fulanos" entras em contradição com os teus próprios argumentos.

Gostaria de saber qual o projecto europeu do PS se ás segundas, quartas e sextas apoia um novo tom europeu relativamente à Palestina, e ás terças, quintas e sábados defende a manutenção das posições europeias tradicionais.

Gostaria de saber qual o projecto europeu do PS se toda a mensagem de José Sócrates em 2005 foi no sentido de uma necessidade premente da existência de um referendo aquando do novo tratado europeu e em 2007 estava na vanguarda (espero que esta expressão não fira susceptibilidades) da recusa do referendo ao Tratado de Lisboa.

E já agora, gostaria mesmo de saber qual o voto dos deputados europeus socialistas na altura da reeleição de Durão Barroso.

Que exercício é este de esquizofernia quando temos os elementos já conhecidos da lista do PS ao Parlamemento Europeu a fazerem campanha contra o nome de Durão Barroso e o seu líder, José Sócrates a afirmar o contrário.

Onde está a lealdade do Partido Socialista?

Com os seus camaradas socialistas europeus ou com o Português José Manuel Durão Barroso?

 

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Caro Rui

 

Com essa linha de raciocínio então o que pensar desta gente?

São candidatos ao quê?

 

Vera Jardim

O deputado do PS Vera Jardim defendeu hoje que o Partido Socialista Europeu (PSE) deverá ter um candidato próprio ao lugar de presidente da Comissão Europeia, alegando que a Europa precisa de uma liderança mais à esquerda

 

Mário Soares

“Independentemente dos méritos do Dr. Durão Barroso, que é um homem inteligente e preparado, é um rosto do passado.

 

Ana Gomes

A eurodeputada Ana Gomes entende que há alternativas socialistas ao nome de Durão Barroso para a Comissão Europeia, incluindo António Guterres

 

Vital Moreira

O cabeça-de-lista do Partido So-cialista (PS) às eleições para o Parlamento Europeu, Vital Moreira, disse, domingo, que os socialistas devem apresentar um candidato alternativo ao presidente da Comissão, Durão Barroso.

 

Capoulas Santos

O eurodeputado do PS Capoulas Santos afirmou hoje que Durão Barroso «é um candidato forte» a presidente da Comissão Europeia

 

Vitalino Canas

O Partido Socialista (PS) recusou esta segunda-feira clarificar sua posição sobre a recandidatura de Durão Barroso ao cargo de presidente da Comissão Europeia (CE), afirmando que não tem que reagir aos desafios lançados pelo PSD.

 

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Mário Soares considerou, este domingo, que Durão Barroso, actual presidente da Comissão Europeia, «é um rosto do passado» e carrega o peso da «cimeira da vergonha» nos Açores

 

O cabeça-de-lista do Partido So-cialista (PS) às eleições para o Parlamento Europeu, Vital Moreira, disse, domingo, que os socialistas devem apresentar um candidato alternativo ao presidente da Comissão, Durão Barroso.

 

 

Qual dos Partidos Socialistas vai levar a melhor? O PS de Sócrates que apoia a recandidatura de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia? Ou o PS de Mário Soares e de Vital Moreira que quer impôr uma viragem ideologica nos destinos da Europa?

Provavelmente não há dicotomia alguma, não passando isto de uma táctica eleitoral para abranger o maior número possivel de eleitores. A ser assim, Sócrates está a jogar um jogo muito perigoso, arriscando a que os eleitores se afastem devido ao radicalismo da sua lista ao Parlamento Europeu.

Com este contexto, torna-se cada vez mais importante a escolha de uma personalidade forte por parte do PSD.

Vencer é possível.

 

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Um ano e meio depois de se ter feito notar e seis meses depois de se assumir como uma catástrofe de grande dimensão, a crise continua a ser caracterizada pelos economistas com um discurso parcelar e confuso, quando não mesmo contraditório.

A questão começa por ser apresentada como uma crise financeira que se alargou progressivamente a toda a economia, sendo que a crise financeira estará, por sua vez, ligada a práticas empresariais moral ou mesmo legalmente condenáveis, bem como a uma irresistível vontade de consumir, de forma não sustentável.
O que torna mais óbvio a falta de acerto desta visão dos factos é a receita apontada para resolver a crise que deles resultaria: os chamados pacotes de "estímulo" que, aumentando a despesa pública e reduzindo a receita pública e incentivando ainda mais o crédito, agravam todos os factores que, supostamente, são responsáveis pela crise.
O segundo elemento que torna esta explicação intrigante é o de que a crise não se fez sentir menos nos países em que não se deu nenhum dos fenómenos que a explicam.
Exemplificando: o Reino Unido, país onde os factores centrais de excesso de crédito, de inflação, nos títulos tanto do imobiliário como do mobiliário, e de engenharia financeira se fizeram sentir em cheio, não está mais em crise do que a Alemanha, país que se caracteriza exactamente pela situação contrária, por ter mantido boas taxas de poupança e mercado imobiliário estável.
A última coisa que um economista faz é deixar de dar uma explicação e, por isso, cada vez que lembro aos meus interlocutores estes inegáveis paradoxos, sou normalmente confrontado com prolixos discursos que tentam contornar as regras mais elementares da lógica para nunca enfrentar estas manifestas contradições.
Aquilo que tenho dito há muito tempo, e que me parece estar no centro da actual crise, assenta em duas constatações.
A primeira é a de que, sendo um truísmo decorrente das regras de contabilidade nacional que a poupança a menos num lado tem que equivaler a poupança a mais noutro, o problema deve ser reformulado como o de um desequilíbrio estrutural, ou se preferirmos uma falta de sustentabilidade do crédito em parte do mundo reflectido numa falta de sustentabilidade da poupança noutro.
Depois, coloca-se-nos o problema de saber o que leva a esse desequilíbrio e aqui penso que o aspecto fundamental é o dos sinais errados dados pelo sistema de preços.
Quando falamos do sistema de preços excluímos desse conceito uma parte crucial da actividade económica, o preço dos títulos, e fazemos também a economia da consideração internacional dos preços, que arrumamos na gaveta do sistema de câmbios.
Ora parece-me a mim que o problema está exactamente em assegurar o bom funcionamento do sistema de preços nesta sua tripla dimensão, seguramente mais complexa que a seguida tradicionalmente pelos institutos de estatística e pelos bancos centrais.
Dir-me-ão que estou fundamentalmente a refrasear a forma como a crise é descrita, mas que na verdade deixo por resolver o intrincado problema do sistema de preços. Isso é parcialmente verdade, porque ao recolocar o problema nestes parâmetros estou a rejeitar como soluções quaisquer das escolásticas monetaristas ou Keynesianas e a frisar a necessidade de encontrar mecanismos globais de regulação, mas não estou a dar nenhuma pista para o encontro desse tal novo sistema de regulação e na verdade nem estou mesmo a provar a sua existência. 
Como me parecia inevitável, o grande pacote de estímulo económico do Presidente Obama está a revelar-se um fiasco, sendo que a Europa se embrulha cada vez mais na sua incapacidade de compreensão dos problemas e de decisão sobre eles.
Há que começar a ver claro e a envolver imediatamente os nossos parceiros asiáticos nas soluções que viermos a adoptar. Quanto mais tempo se perder e quanto mais se ceder às tentações proteccionistas, pior.
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Não percebo bem alguns sectores políticos europeus, não têm dois pesos nem duas medidas, têm quatro ou cinco!Há vários tipos de vitimas, de crianças, de mulheres, de terroristas, de terrorismo.Sobre uns cai o Carmo e a Trindade, sobre outros o silêncio, triste cinismo e gritante cobardia. A Europa parece gostar muito de opinar sobre o que lhe convém, ignorar o que não dá jeito e nunca, mas mesmo nunca, fazer aquilo que é preciso para resolver mesmo os problemas, custe o que custar.É mais fácil ter uns "loucos americanos" para tratar do lixo!

É mais fácil bater apenas em Israel, é mais....seguro!É mais fácil serem militares americanos a cair no Iraque , é mais confortável fingir que se está empenhado no Afeganistão enquanto esta canalha terrorista continua a expandir-se a propagar a sua teologia da morte.

Eu julgo que à Europa caberia o papel de construir pontes, de autoridade moral para ser respeitada pelos várias lados de cada conflito mas isso não basta, é preciso que a Europa seja respeitada e temida e para isso é preciso honestidade intelectual nas declarações, sentido apurado de justiça na tomada de posições e, algo muito difícil para o Velho Continente, também estar disposto a correr riscos...

Só que a Europa se habituou demais aos navios norte-americanos carregados de mantimentos, aos mancebos do Texas ou do Louisiana que vinham morrer à Normandia e aos dólares do Plano Marshall...

 

"Há muito que oficiais iraquianos e americanos diziam que raparigas e mulheres estavam a ser violadas para depois serem levadas ao suicídio. Mas não tinham apresentado provas, pelo menos até agora. Na terça-feira, num vídeo exibido à imprensa, mostraram a confissão de uma iraquiana de meia-idade a admitir que recrutou dezenas de suicidas por ordem do grupo sunita Ansar al-Sunnah.

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O ano que passou ficará historicamente marcado pela ascensão da República Popular da China, não só nem talvez por causa da demonstração de força que foram os Jogos Olímpicos de Pequim, mas pela constatação, para muitos surpreendente, de que aquele país, ainda recentemente visto apenas como produtor de fancaria, quinquilharias e produtos falsificados, se tinha tornado a principal reserva financeira mundial.

É talvez do ponto de vista político que a revolução da posição relativa da China no mundo se tornou mais espectacular. Não foi só a Formosa que se rendeu às ameaças e arquivou indefinidamente a sua ameaça de independência ou a África que espelha uma influência chinesa mais importante que a europeia ou ainda os ditadores de vários cantos do mundo que encontram à sombra da China a sua protecção final; é George Bush – o mesmo que foi o autor da doutrina da acção unilateral – que pede licença àquele país para lançar o seu plano de salvação da banca.

E a Europa? Bom, a Europa começou 2008 a fazer pairar ameaças de boicote caso a China não retrocedesse na sua política de direitos humanos e depois de, como infelizmente já se vem tornando habitual, ser obrigada a engolir em seco e participar muito alinhadamente na consagração da potência chinesa, sem obter sequer o mais simbólico dos gestos por parte da China, acaba o ano quase pedir perdão por ousar receber o Dalai Lama, com a China, já em papel de pai tirano, a cancelar sem apelo nem agravo a cimeira sino-europeia e a descompor a liderança europeia.

Quando falo aqui de Europa, estou de facto a falar de Nikolas Sarkozy e a cometer, na verdade, uma injustiça para com, entre outros, Durão Barroso, que a esse propósito foi sempre mais consistente e mais prudente nunca ousando criticar a China, quer no princípio quer no fim do ano. Mas a verdade é que para o bem e para o mal, mesmo sem ninguém lhe ter passado procuração para tal (eu seguramente que não o fiz), Sarkozy, o Napoleão do século XXI, auto-entronizou-se como presidente (rei, imperador?) da Europa, mesmo antes da Presidência francesa, e foi visto como tal em todo o lado.

Salvou-se nessa matéria o Parlamento Europeu que, contra ventos e marés, ousou nomear para o seu prémio anual de direitos humanos, o prémio Sakharov, o dissidente chinês Hu Jia, que se tinha atrevido a dizer algumas verdades inconvenientes sobre o desrespeito pelos direitos humanos por vídeo-conferência para o Parlamento Europeu e que, em consequência, foi preso. Defender aqueles que arriscam a sua liberdade, e quantas vezes a vida, para responder a um convite do Parlamento Europeu é, do meu ponto de vista, a primeiríssima regra de decência nas relações humanas e é muito bom que o Parlamento Europeu não a tenha esquecido neste caso, mesmo tratando-se da China.

Em rigor, o Parlamento Europeu já tinha dado razões de sobra para que os diplomatas chineses exigissem dos governos ocidentais a substituição dos candidatos dos seus partidos às eleições europeias, pelo número e qualidade das condenações da política de violação de direitos humanos da China e pelo destaque que tem dado ao Dalai Lama.

E entra aqui em cena Daniel Cohn-Bendit, o líder dos verdes europeus. Para os mais jovens, convém recordar que Cohn-Bendit foi uma espécie de ícone da geração que fez o Maio de 1968 em Paris. Pela minha parte, confesso que ele foi uma das personalidades políticas que conheci no Parlamento Europeu que mais me tem decepcionado. Mas no debate sobre o balanço da Presidência francesa, realizado na Plenária do dia 16, é forçoso constatar que ele esteve não só muito bem pela substância do que disse – e a denúncia da pusilanimidade de Sarkozy perante a China foi o ponto central do seu discurso – mas também pela forma, vencendo o debate com Sarkozy por KO, o que vi acontecer pela primeira vez.

A resposta de Sarkozy aos ataques de que foi alvo por parte de Daniel Cohn-Bendit foi curta e esclarecedora: quando o senhor fala assim não está a ser europeu. É assim, na verdade já mesmo antes de Napoleão, com Luís XIV, "L´État c'est moi" (O Estado sou eu). Como Sarkozy é a Europa, denunciar as figuras tristes de Sarkozy é dizer mal da Europa.

Para lá do calculismo de Durão Barroso, do marialvismo hexagonal de Sarkozy e da, por agora, posição clara e de princípios do Parlamento Europeu, será necessário talvez reflectir no que é e no que será a Europa no mundo em que estamos a entrar.

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Será que podemos considerar a crise económica (e financeira) internacional como um endorsement ao Tratado de Lisboa?

 

 

publicado no PiaR

 

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Mario Soares disse na Visão que "A América, quer se queira quer não, entrou num novo ciclo. O neoliberalismo - e a 'terceira via', como se chamava em Londres e não só, morreu sem glória".

Então o que lhe sobrevive?O Socialismo clássico do final século XIX e da primeira metade do século XX?Socialismo moderno e democrático?O comunismo?A social-democracia (a versão original não a o PPD)?Um cocktail conservador e democrata-cristão?Um liberalismo realista ao contrário do puritanismo liberal em voga até esta crise financeira?

E se de repente todos estes conceitos e dogmas, referenciais e etiquetas fossem para o espaço e se colocasse à Velha Europa um desafio monstruoso, reconstruir o suporte ideológico, refazer as teorias e referenciais políticos, regenerar-se depois das ultimas décadas de desilusões?

Na Europa a 27 parece que faltam ideias e faltam lideres, portanto o "caminho" deve vir de fora, deverá ser importado.Ou será que há ainda energia e criatividade dentro do Velho Continente para liderar o caminho?

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Caro CMC

 

Tenho todo o prazer em dar-te o tratado europeu autografado.

 

Mas creio que a verdadeira questão por mim aludida não foi respondida. Obviamente que no âmbito da arquitectura institucional europeia quem tem por missão defender os interesses europeus, como um todo, é a Comissão, representada na cimeira pelo nosso Durão Barroso, e que quem tem por missão a defesa dos interesses dos Estados é quem detém a presidência da União Europeia a cada momento, neste caso a França.

 

Porém ambos sabemos que existe à centenas de anos, a tentação da criação de directórios europeus, que impoem a sua vontade aos restantes estados. O que muda é a metodologia de imposição. Umas vezes por manu militari, outas vezes por entendimentos diplomáticos.

 

 

 

 

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O secretário-geral da presidência francesa, Claude Guéant, afirmou que a mini-cimeira dos países europeus mais ricos "não excluiu ninguém" 

 

Apenas duas perguntas:

 

  1. Quem é que deste directório de 4 países europeus representava o interesse do Estado Português?
  2. Como é que o Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças portugueses tiveram, conhecimento das decisões tomadas em Paris, que acabarão por vincular o Estado Português?  Carta registada, mail, mala diplomática ou pela TV?

Já agora, quanto tempo falta para que este directório seja reconhecido de jure ? A História não demonstrou já, vezes sem conta, como é que os directórios políticos acabam?

 

A quem adivinhar as respostas oferece-se um exemplar do Tratado Europeu autografado pela Srª Merkel, pelo Sr. Brown, pelo Sr. Sarkozy e pelo Sr. Berlusconi.

 

ps: Da última vez que vi a UE não tinha 27 estados?

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O primeiro-ministro português, José Sócrates, perante a ameaça de uma crise internacional, garantiu hoje "que as poupanças dos portugueses estão garantidas".

 

As perdas de investidores espanhóis que detinham aplicações financeiras no falido Lehman Borthers podem atingir mais de três mil milhões de euros, segundo estimativas de um grupo de lesados, que já anunciou medidas legais contra o banco de investimentos norte-americano


Bélgica, Holanda e Luxemburgo vão investir 11,2 bilhões de euros (US$ 16,3 bilhões) no Fortis, uma das maiores instituições financeiras da Bélgica e Holanda. A nacionalização parcial do banco foi anunciada ontem à noite em Bruxelas por Yves Leterme, primeiro ministro belga.


Na Alemanha receia-se que o Hypo Real, a segunda maior empresa de crédito imobiliário, acabe por falir. É por esta razão que o governo federal alemão e alguns bancos privados vão injectar 35 mil milhões de euros como garantia

 

Estas garantias saíram do bolso dos cidadãos destes nossos parceiros europeus. A nós, quanto nos vai custar?

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A Europa foi demasiado longe no processo de desmilitarização

 

 

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Caro Luís Naves,

 

Muito do que escreve acerca do estado actual da esquerda democrática do Velho Continente está certo. Basta atender ao número de lideranças socialistas/sociais-democratas/trabalhistas na Europa para notar a fraqueza da família política mais homogénea do nosso continente.

Porém, devo referir-lhe alguns pontos dos quais divirjo da sua leitura.

Refere-se como o outrora forte Partido Socialista Francês. É bem verdade que o PSF já foi mais forte e anda hoje pelas ruas da amargura. Mas, na V República, o PSF apenas contou com o período áureo de Mitterand. Em mais de 50 anos, os socialistas só residiram no Eliseu 14 anos, ou seja, cerca de quatro quintos é presidência de centro-direita.

Quanto ao futuro do PSF, sinceramente, encaro-o com bastante optimismo do que o Luís. Pior do que está, com Hollande, é difícil. Seja Ségolène ou Delanöe a ganhar o congresso de Novembro, provavelmente o último beneficiará do apoio de Aubry e outros vultos locais adversários da última candidata presidencial socialista para triunfar, e o actual autarca de Paris deverá contar com condições para obter melhores resultados e, sobretudo, novos caminhos para o socialismo gaulês. Que há muito precisa!

Quanto ao Labour, concordo com o que diz, que a esquerda europeia, desde logo a britânica, devia perceber o que se passa com a actual hecatombe da era Brown. Daí a considerar o New Labour um "patético falhanço"... Goste-se ou não de Blair, e a História far-lhe-á Justiça, o predecessor de Brown foi um dos mais marcantes e importantes Primeiros-Ministros britânicos de todos os tempos. As suas marcas governativas disso são prova. Para já, em termos partidários, foi, sem dúvida, o melhor até hoje.

Quanto ao leste europeu, o exemplo polaco, dos comunistas reciclados de socialistas, é um bom exemplo do que não deveria ter sucedido. Por isso, os resultados estão à vista.

No caso nórdico, onde as sociais-democracias foram tão bem sucedidas que acabaram por ser conduzidas à oposição, na Dinamarca e Suécia, podemos deduzir que o próprio sistema democrático aspirava a respirar diferença política. O caso sueco é de todo exemplar pelo seu carácter peculiar. Um Governo bem sucedido nos seus objectivos mereceu o convite do eleitorado para a oposição. Como diria o nosso engenheiro: é a vida!

Referências da esquerda da América Latina, quando muito só do Chile ou do Uruguai.

A questão final que suscita tem, portanto, toda a validade, tanto à esquerda como à direita: para onde caminha a Europa? PSE e PPE parecem não estar a dar a resposta que deviam.

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Rodrigo, Primeira-Dama não é cargo nenhum na nossa República, numa Monarquia Parlamentar que estivéssemos e eu seria contra a sacralização das figuras públicas do Estado da mesma forma.

Piadas acerca do Bolo Rei de Cavaco Silva e da esposa, faz uma busca, podes usar o Google por exemplo, encontras tantas e muitas vindas de companheiros do teu partido.

Para mim a linha limite desenha-se na honra do visado, podes fazer buscas nos teu próprios posts, neste blog também, e encontrarás referências tuas a ministros do actual governo nada simpáticas, estiveste mal?Não, não me parece que tenhas atingido a honra dos visados.

As piadas, tal como a cobertura jornalística, não são boas ou más consoante interessam ou dão jeito, coerência é fundamental neste caso e para mim é muito simples, desde que não atinjam a honra do visado ou da família e, no meu caso particular, não sejam sobre religião, não vejo qualquer problema.

A politica nacional vale o que vale e está como está, mas não contribuímos para a denegrir com piadas sobre Bolo Rei e o inquilino do Palácio de Belém, no entanto alguns comentários que conhecidas figuras públicas fazem sobre companheiros do próprio partido não ajudam muito à credibilização do exercício da politica, mas, tal como tu espero, acredito numa grande renovação das ideias e  dos actores políticos, em todos os partidos, e nessa crença ou fé consubstancio a esperança de que muito pode mudar na imagem dos políticos, no exercício da politica baseado no espírito de missão e de serviço público em que ambos acreditamos.

Eu compreendo a conveniência da tua "indignação", fica-te muito bem, mas para ser coerente terias de estar revoltadíssimo há anos com muito do que se diz, muito do que se escreve, em todo o lado, e por todo o lado falo da Europa das Ilhas ao Continente (por Ilhas quero referir-me às Ilhas Britânicas, não vou usar o exemplo da Madeira), das Republicas às Monarquias Parlamentares, dos Parlamentos e Câmaras à imprensa escrita e canais televisivos.

Se calhar existe alguma marca de humor ou de sátira politica na matriz europeia, eu diria mesmo que sim e essa marca é perceptível do Atlântico aos Urais, do Mediterrâneo ao Circulo Polar Ártico, com vários excessos reconheço, mas Portugal não é deles particular exemplo!

A liberdade de expressão não pode existir para ofender e prejudicar alguém, nem pode servir de escudo para manobras ou jogos, existe para que todos digam o que pensam, discutam sobre aquilo em que acreditam, sem ofender a honra de ninguém.

Fui, portanto, coerente comigo próprio, o que é fundamental, se temos pontos de vista diferentes, ainda bem, porque de facto temos liberdade de opinião e de expressão e as aproveitamos na sua plenitude.

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