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Leio este artigo, e noto como tenho camaradas que não conseguem distinguir uma governação de esquerda de uma governação de direita.  

 

Se consideram que as antigas lideranças dos EUA (Clinton) e Reino Unido (Blair) eram neoliberais, como se pode então considerar que as lideranças de Bush Jr. e Cameron, estes sim, de direita, são más? E com péssimos resultados na sociedade e na economia.

 

A esquerda progressista da década de 90 e início do século XXI pode ter tido, e teve com certeza, vários falhanços, mas teve notáveis sucessos. Não saber distinguir as governações de então com as que lhe sucederam é branquear a política.

 

Em suma, para algumas pessoas ter Clinton ou Bush Jr. / Blair ou Cameron é a mesma coisa. Como são tão diferentes! E os tempos que atravessamos comprovam isso. Será que também consideram que Passos Coelho é igual a Sócrates?

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En Europa, la carencia desde la izquierda de un proyecto común sobre la globalización -que es tanto como decir sobre el futuro de la humanidad- parte de una insuficiencia previa que consiste en la inexistencia de una visión compartida sobre la construcción europea.

 

Sigue primando un supuesto "interés nacional" en asuntos que han dejado hace tiempo de ser "nacionales". el problema de la izquierda europea no es solo electoral, la cuestión de fondo es de proyecto, de discurso ante la nueva época y los nuevos retos.

 

los partidos tienen que abrirse a los ciudadanos, convertirse en partidos de los ciudadanos y no solo de los afiliados. La consulta y el debate entre elegidos y ciudadanía tiene que ser continua y deben darse facilidades para que, ante determinados temas de trascendencia, los ciudadanos puedan refrendar de manera vinculante.

 

Um bom artigo de Nicolás Sartorius acerca da esquerda democrática europeia, merecedor de leitura.

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A maior virtude da(s) esquerda(s) é, de facto, o seu pluralismo, como tem afiançado Manuel Alegre nos últimos anos mas, na verdade, também a sua grande fraqueza, resultando na incapacidade de se estabelecerem convergências e consequentemente a autofagia do seu fim comum. A incapacidade de se estabelecerem convergências nacionais tem, não só, raízes históricas nacionais - apesar do maior e, talvez, único e último combate em uníssono contra o regime fascista - como tem, essencialmente, raízes na própria génese e evolução ou construção da(s) esquerda(s). O busílis reside na separação entre o ideal e o real, entre anarco-sindicalistas, socialistas utópicos, socialistas científicos e a social-democracia empírica, claramente maioritária – também, maioritariamente anti-utópica - e que acabou por ceder recentemente, sem estratégia, aos encantos da desregulação - desresponsabilização ? – (neo)liberal, sob a capa da teorização da terceira-via de Giddens. 
Não me cabe fazer e nem acredito na diabolização do socialismo científico, do revisionismo bernsteiniano e dos “revisionismos” da própria concepcção social-democrata de Bernstein ou do(s) liberalismo(s), até porque existe um grau de admissibilidade desde que haja clareza na afirmação de um rumo ideológico. O que critico é a alienação ou o abandono do idealismo e humanismo da discussão e da praxis política à esquerda, considerando-se que a direita guia-se, em oposição ao utopismo e ao optimismo antropológico, pelo individualismo, realismo, cepticismo e até hobbesianismo. Assim, a cedência social-democrata ao empirismo e a contínua cedência do marxismo revolucionário à modelação anti-democrata como comprovada por Kautsky é, tout court, uma subserviência às concepções da direita, seja ela na sua versão libertária ou conservadora. A esquerda precisa de repescar princípios da visão reformadora, sinérgica e humanista de Owen, tal como princípios mutualistas proudhonianos e porque não princípios do capitalismo keynesiano? A esquerda necessita, como oxigénio da sua sobrevivência internacionalista, de arrumar com o seu próprio sectarismo e com o anti-humanismo da ortodoxia marxista e da social-democrata e tender, para a “luta cultural”, objectivando a construção pacifista de uma sociedade aclassista, em estabilidade democrática plena. “Exijamos o impossível”!
Publicado, originalmente, em Socialismo - Cultura
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Encruzilhada Ideológica

 

O partidarismo, nomeadamente, o nacional, invoca constantemente a polarização ideológica com o intuito de arrastar as bases para o "apoio claquista", talvez até, "religiosamente fanático" em prol de objectivos puramente eleitoralistas. 

 
A raiz da verdade é o mal da nação: Portugal não manda em si próprio. A democracia participativa ou representativa portuguesa tem um poder limitado a políticas locais. Quanto a macropolíticas, estamos completamente (de)pendentes da supressão decisória de organismos políticos europeus ou da oligarquia financeira e económica (aparte: federalismo europeu, neste contexto político-ideológico: não, obrigado!). Portugal, há muito, não manda em si próprio. Portugal cinge-se a um protectorado europeu sem autonomia de qualquer ordem: não governa, não produz e não cria.
 
Assim:
Não há Partido Comunista que possa almejar prosperidade para lá de uma imagine-se imposição revolucionária e de um estado transitório socialista. Não há Bloco de Esquerda que possa esperar 'per se' uma transição democrática para uma sociedade aclassista quando vivemos perante um xadrez sociológico individualista, realista, anti-utópico, em suma, de direita. Não há Partido Socialista que se possa intitular de esquerda, quando tolera e compactua, à deriva, com práticas de desregulamentação e de privatização de sectores públicos estratégicos. Este cinge-se a limitar o poder natural, diria espontâneo, do capitalismo político. E com os restantes não podemos contar com mais do que o liberalismo part-time, isto é, que depende de tendências socialistas para se alimentar como é bom exemplo o bailout a entidades financeiras e que se deviam cingir única e exclusivamente pelo darwinismo da orla económico-financeira.
 
Precisamos que nos digam a verdade, precisamos de estar receptivos a ouvi-la: O capitalismo não nos salvará; a esquerda tem que se reconstruir... Mas em que moldes?
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Duarte Cordeiro acusou as propostas do PSD de "liberalismo kamikaze". Pergunta-se: há liberalismo que não o liberalismo kamikaze?
 
É casual que o investimento estatal está intimamente ligado a um maior desenvolvimento das economias, bastando olhar para as referências exemplares dinamarquesas, francesas, suecas, belgas ou, em oposição para as referências, pela negativa, da Roménia, Letónia ou da Lituânia. As propostas do PSD e o pacto nacional com medidas contraccionistas na maior crise económico-financeira das últimas décadas, são a auto-destruição da civilização europeia tal como a conhecemos.
 
O chavão constitucionalizado da igualdade de oportunidades só nos conduz ao fomento pactuante das desigualdades pelo que o Estado deve assumir humanistica e corajosamente o objectivo da igualdade das rendas sem a supressão democrática. Seja aqui, seja nos EUA, o cerne da questão reside concretamente na distribuição da renda dos indivíduos, como podemos comprovar e observar pelo o que nos apresenta o João Vasco e a Discover. Se democraticamente somos a favor da quase real equidade de rendimentos, porque não actuam os Estados em busca de uma melhor redistribuição da riqueza? Não se trata de uma via autoritária marxista-leninista para alcançar a finalidade aclassista, mas trata-se de abolir a tecnocracia neoliberal institucionalizada pela adopção de medidas fiscais, socialmente morais, abolindo a promiscuidade com a alta finança e com os grandes grupos empresariais.
 
Assim, impõe-se uma grande coligação das esquerdas nacionais e europeias, moderadas ou jacobinas, uma estratégia assumida por verdadeiros estatistas democratas como o foram Olof Palme, Willy Brandt, Aneurin Bevan, Clement Attlee, François Miterrand e, porque não, Mário Soares. O desafio fica no ar...

 

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A Democracia europeia atravessa neste momento grandes transformações, devido à ascensão da extrema-direita e ao enfraquecimento da esquerda.

 

Um pouco por todos os Estados europeus, com a excepção de Portugal e Espanha, o radicalismo da direita cresce e é determinante para a vida política de cada país. Veja-se como o novo Governo holandês, para ser viabilizado, careceu do suporte da extrema-direita, de quem ficou refém.

 

E, o que sucedeu recentemente nas eleições legislativas suecas, de 18 de Setembro, com a entrada da extrema-direita pela primeira vez no Parlamento de Estocolmo – note-se: a Suécia, baluarte do desenvolvimento e bem-estar no mundo -, confirma a regra que França, Itália, Áustria, Holanda, Bélgica, Hungria, Roménia, e outros países já contam. Partidos radicais com representação e peso. Ainda há pouco mais de uma semana, na eleição regional de Viena, só uma das áreas mais desenvolvidas da Europa e do mundo, o partido austríaco mais forte da extrema-direita, o FPÖ (ainda há outro, o BZÖ), foi a segunda formação mais votada, com 27% dos votos.

 

Estes resultados estão a provocar mudanças. E se em termos eleitorais, como a seguir se perceberá elas são manifestas, em termos de políticas as transformações também ocorrem. E sempre no seio da esquerda e direita democrática.

 

Vejamos: Sarkozy, primeiro, com as suas políticas face aos trajes muçulmanos e, depois, na perseguição aos ciganos, mais não tem feito do que adoptar muitas das causas da Front National, de Le Pen. E, neste fim-de-semana, no congresso da jota da CDU, Angela Merkel decretava a falência do multiculturalismo, dado o mal-estar na sociedade alemã. Estas posturas, jamais impensáveis há 10, 20 anos, são hoje um sinal de cedência dos princípios da direita democrática ao radicalismo, para segurar o eleitorado. Mas, o mais espantoso é o crescimento da extrema-direita alicerçar-se em eleitorado de esquerda. Se no início desta década Le Pen tinha conquistado muitos dos eleitores do outrora forte PC francês, agora são os partidos socialistas/sociais-democratas/trabalhistas que vêem parte do seu eleitorado, desagradado com a situação, refugiar-se debaixo do discurso de exclusão e xenofobia de líderes radicais.

 

Pela fraqueza eleitoral e de valores do socialismo democrático europeu e pela abdicação dos valores da direita democrática, por mero tacticismo, o projecto europeu começa a ser abalado nos seus princípios, com elevadas e nocivas consequências para os 500 milhões de europeus. Convém recordar que aquilo que afundou tragicamente a Europa há pouco mais de meio século é, precisamente, o germe que está a singrar.


 

Carlos Manuel Castro

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Durão Barroso "tem um corpo de plástico, moluscóide, de quem não tem coluna vertebral. É do tipo de políticos que pensa que, com uma plástica, tudo pode continuar na mesma", disse, numa referência ao alegado apoio que o ex-primeiro-ministro deu ao ex-presidente Bush. Mais moderada nas críticas, Ana Gomes lembrou apenas que Durão Barroso "esteve ao lado das tentativas de constituição de um directório" das grandes potências em relação ao mundo.

 

Assim continua a campanha nacional contra a reeleição de Durão Barroso.

Desta vez o pretexto foi o lançamento de mais um livro de Mário Soares. Qualquer oportunidade é aproveitada para denegrir a imagem do presidente da Comissão Europeia, não poupando esforços para inqualificaveis ataques de carácter.

Para além de Mário Soares, Fernando Nobre e Ana Gomes também criticaram duramente Durão Barroso, tendo Fernando Nobre utilizado termos claramente inaceitáveis. Esta campanha não irá parar até terem conseguido o seu objectivo: derrotar a candidatura do português Durão Barroso e elegerem um ortodoxo socialista francês, alemão ou italiano.

Assim anda a nossa esquerda bem-pensante...

 

ADENDA: Rui, subscreves ou não as declarações de fernando Nobre? Estás de acordo com este tipo de ataque? Provavelmente se os actores políticos fossem outros alguns falariam numa campanha negra...

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Ao que parece a crise na direita deixou de existir ou pelo menos deixou de ter interesse  para os analistas. O CDS está consolidado, sai reforçado das directas e enquanto oposição tem conquistado reconhecimento de todos os quadrantes. Por seu lado o PSD está numa crise sem fim à vista, mas que de ideológico tem pouco. Deve-se sobretudo à sua relação com o poder, à forma como educou os seus quadros a trabalharem o poder e a ressacarem dele quando lá não estão. As ressacas sempre deram mau-feitio, intolerância e desorientação.

 

Mas a esquerda, ao que parece, e embora seja maioria no parlamento - que parece espelhar o país - tem vindo a ssumir um desencontro tal junto do eleitorado, que se fala agora (?) na criação de mais um partido. Um partido socialista, pois claro, que é coisa que o país não tem!

 

Manuel Alegre personifica este bluf que visa conquistar simpatias e empatias para junto do PS. É uma forma de chegar junto daquele eleitorado que está prestes a saltar fora do barco por descontentamento. Manuel Alegre presta assim um serviço a Sócrates junto desse eleitorado em como irá fazer tudo por tudo para relembrar, conquistar os "direitos e liberdades de Abril". É uma espécie de catalisador do voto. Numa altura em que muitos simpatizantes do Largo do Rato se revoltam contra as posições assumidas, nada como ter um agente que signifique a derradeira esperança antes de se bater com a porta, alguém que simbolize o velho PS e chame esta rapaziada jovem, que não sabe o que faz, à razão.

 

E assim se aguenta mais um voto!

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Manuel Alegre defendeu hoje a criação de uma “alternativa de poder” de esquerda, que “vá a votos” e não excluiu o cenário de criação de um partido político. Para alguma coisa havia de servir o tal Forum das Esquerdas, que nestas coisas os comunistas não são parvos. Agora, se o tal partido de esquerda avançar, como se faltassem partidos de esquerda ao país (só no Parlamento estão actualmente cinco sem contar com os fantasmagóricos Verdes melancia), avizinham-se tempos ainda mais difíceis para o PSD e o CDS: o eleitor comum, pouco dado à ideologia e ao médio prazo, tenderá a ver em Sócrates um verdadeiro líder de direita. Ao que isto chegou.

(publicado no Tomar Partido)
 

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há um grande défice de esquerda na Europa. Uma nova esquerda só poderá nascer de várias rupturas das diferentes esquerdas consigo mesmas. Ruptura com as práticas gestionárias e cúmplices do pensamento único. Ruptura com a cultura do poder pelo poder e com o seu contrário, a cultura da margem pela margem, da contra-sociedade e do contrapoder. Processo difícil, complicado, mas sem o qual não será possível construir novas convergências. Não para a mirífica repetição da revolução russa de 1917, nem para um modelo utópico global. Tão-pouco para segundas ou terceiras vias. Mas para uma via nova, que restitua à esquerda a sua função de força transformadora da sociedade e criadora de soluções políticas alternativas.

 

Desta reflexão apresentada por Manuel Alegre no DN de hoje, com a qual concordo quando afirma haver um défice da esquerda europeia - já o referira em Junho, faltam algumas premissas ao deputado socialista para compreender em que situação se encontra a esquerda europeia. Desde logo a sua posição no quadro dos Governos europeus. A maioria é de direita. Terá, porventura, Alegre pensado porquê? Devia! 

Quanto aos suaves piscar de olho às outras esquerdas, com a miragem das "novas convergências", pedir para que rompam com o seu dogmatismo, Alegre já devia saber, no caso nacional, que comunistas e bloquistas, fieis como são à sua ortodoxia, não rompem, pois são imobilistas. Não querem ser parte da solução, por que querem e dependem dos problemas para singrar.

Goste-se ou não, a via do socialismo democrático que nos últimos anos soube abrir novos modelos e impulsionar novos rumos, de forma bem sucedida, foi a social-democracia britânica, adoptada desde 1997. É verdade que os tempos são outros, passaram 11 anos. Mas a leitura de Blair continua actual: os princípios não mudam, mas as respostas aos desafios têm de se adaptar, sob pena da esquerda democrática europeia continuar afundada em apregoar boas intenções que os eleitores preferem ver na oposição. 

No quadro europeu, dos Governos de esquerda, felizmente, contamos com um bom exemplo em Portugal. E o apoio que este Governo colhe na sociedade não é fruto do acaso, mas de trabalho e marcas concretas. 

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Numa altura em que as atenções políticas estavam viradas para a gestão de Manuela Ferreira Leite do dossier Lisboa, o PS vem abrir as portas à existência de uma coligação de esquerda.

 

Este erro táctico do PS tem como consequência primeira o aliviar da pressão sobre a líder do PSD.

 

Numa semana em que Manuela Fereira Leite teve uma entrevista de fundo na TVI, foi precisamente quando confrontada com a escolha de Pedro Santana Lopes para a CML que esta teve a sua pior performance.

 

Estas afirmações do vice-presidente de António Costa vieram cortar o timing das critícas e ainda introduziu uma componente de instabilidade à esquerda.

 

Percebe-se que António Costa e o PS queiram a maioria dos votos à esquerda, mas não querem ficar com o ónus de um eventual fracasso de uma futura coligação. Ainda para mais num ano em que as eleições autárquicas serão muito próximas das legislativas, partidos como o PCP terão de alinhar num discurso anti-governo ainda mais duro.

 

É um contexto dificil para o montar de uma coligação de esquerda. Talvez por sentir a pressão, o PS tenha tentado iniciar este processo, de forma a melhor controlar as suas dinâmicas.

 

Embora seja um linha de argumentação legítima, o seu timing é contestável porque liberta Manuela Ferreira Leite de uma situação muito desgastante e porque não faz mais do que dizer aos lisboetas que:

  1. O PS está na defensiva em relação a uma hipotética candidatura protagonizada por Pedro Santana Lopes
  2. O PS não tem um projecto político para Lisboa, limitando-se a tentar alargar a sua base política de apoio no único lugar onde agora o pode fazer, à esquerda
  3. O PS receia uma bipolarização eleitoral
  4. O PS revela uma verdadeira reserva mental em relação ao PCP, querendo deixar para este a responsabilidade de uma eventual vitória do centro-direita em Lisboa.

O xadrez político de Lisboa vai ser, à falta de obra e de uma ideia de cidade, altamente dramatizado pelo PS.

 

António Costa e o PS já deram o primeiro tiro. Agora a bola está nas mãos do PCP e do BE...

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Questiona-se mais abaixo:

 

desde quando é que o Governo de Sócrates tem governado à esquerda?

 

Será que as reformas na Segurança Social vão no sentido de dispensar o Estado?

Será que a aposta no sector público educativo vai no sentido de ausentar o Estado?

Será que o investimento no aumento da rede do pré-primário visam a demissão do Estado?

Sem esquecer o rigor nas contas públicas, que está a ser cumprido, e o Governo não se dispensou de desenvolver políticas sociais e de qualificação profissional (como os de direita, que apertaram o cinto, aumentaram o défice e debilitaram o estado social e económico do País). 

Há quem pense, como o PCP e BE, que governar à esquerda é passar atestados de doutrina, deixando as pessoas à sua sorte.

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Há qualquer coisa a propósito desta crise financeira que me faz ter orgulho em sempre ter sido de esquerda.

 

Parece que o liberalismo selvagem, a globalização desregulada e essa mentirola sobre o mercado livre (que mercado existe, de facto, com concorrência perfeita?) começam agora a ruir e a dar lugar a considerações sobre o interesse público e o bem comum.

 

A direita cede ideologicamente aos princípios da intervenção estatal e ao mérito do Estado-Providência e a esquerda envergonha-se do desvio neo-liberal que sofreu nos últimos quinze anos. Mas ainda o faz demasiado timidamente, dado o enraízamento que essas ideologias tomaram no seu património político.

 

É hora de assumir a intervenção social e económica do Estado como o garante da qualidade de vida dos cidadãos e da sua protecção contra a intervenção danosa dos interesses meramente privados que não tenham preocupações de responsabilidade social.

 

Muito negativo seria ver que os lucros são reserva de alguns e os prejuízos são para todos pagarmos. 

 

Adenda: A Câmara dos Representantes chumbou o plano para o salvamento do sector bancário norte-americano, por 228 votos contra e apenas 205 a favor. A maior oposição surgiu da bancada republicana, onde metade dos representantes votaram contra a iniciativa da Administração Bush. O resultado fez mergulhar o Dow Jones, principal índice de Wall Street, mais de 400 pontos

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Caro Luís Naves,

 

Muito do que escreve acerca do estado actual da esquerda democrática do Velho Continente está certo. Basta atender ao número de lideranças socialistas/sociais-democratas/trabalhistas na Europa para notar a fraqueza da família política mais homogénea do nosso continente.

Porém, devo referir-lhe alguns pontos dos quais divirjo da sua leitura.

Refere-se como o outrora forte Partido Socialista Francês. É bem verdade que o PSF já foi mais forte e anda hoje pelas ruas da amargura. Mas, na V República, o PSF apenas contou com o período áureo de Mitterand. Em mais de 50 anos, os socialistas só residiram no Eliseu 14 anos, ou seja, cerca de quatro quintos é presidência de centro-direita.

Quanto ao futuro do PSF, sinceramente, encaro-o com bastante optimismo do que o Luís. Pior do que está, com Hollande, é difícil. Seja Ségolène ou Delanöe a ganhar o congresso de Novembro, provavelmente o último beneficiará do apoio de Aubry e outros vultos locais adversários da última candidata presidencial socialista para triunfar, e o actual autarca de Paris deverá contar com condições para obter melhores resultados e, sobretudo, novos caminhos para o socialismo gaulês. Que há muito precisa!

Quanto ao Labour, concordo com o que diz, que a esquerda europeia, desde logo a britânica, devia perceber o que se passa com a actual hecatombe da era Brown. Daí a considerar o New Labour um "patético falhanço"... Goste-se ou não de Blair, e a História far-lhe-á Justiça, o predecessor de Brown foi um dos mais marcantes e importantes Primeiros-Ministros britânicos de todos os tempos. As suas marcas governativas disso são prova. Para já, em termos partidários, foi, sem dúvida, o melhor até hoje.

Quanto ao leste europeu, o exemplo polaco, dos comunistas reciclados de socialistas, é um bom exemplo do que não deveria ter sucedido. Por isso, os resultados estão à vista.

No caso nórdico, onde as sociais-democracias foram tão bem sucedidas que acabaram por ser conduzidas à oposição, na Dinamarca e Suécia, podemos deduzir que o próprio sistema democrático aspirava a respirar diferença política. O caso sueco é de todo exemplar pelo seu carácter peculiar. Um Governo bem sucedido nos seus objectivos mereceu o convite do eleitorado para a oposição. Como diria o nosso engenheiro: é a vida!

Referências da esquerda da América Latina, quando muito só do Chile ou do Uruguai.

A questão final que suscita tem, portanto, toda a validade, tanto à esquerda como à direita: para onde caminha a Europa? PSE e PPE parecem não estar a dar a resposta que deviam.

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Uma boa lição política surgiu nestes dias, vinda da pátria da social-democracia.

O SPD mudou no passado fim-de-semana de liderança, e de rumo, assumindo, agora, a via do crédito e da responsabilidade públicas, em vez de satisfazer as tricas e gostos por quem prefere que a ideologia se sirva a si própria em vez de estar ao serviço da comunidade. E, como seria inevitável, eis que esta mudança causou mau estar na direita alemã, até há bem pouco tempo extremamente consolidada no poder federal, uma vez que manifestou temer o ressurgimento do grande partido da esquerda alemã, como grande adversário na eleição legislativa do próximo ano.

Como a realidade comprova, é pela responsabilidade pública, de contribuir para o progresso, que a esquerda é merecedora da confiança das pessoas, como se verifica no caso dos países em que os Governos socialistas lideram. E Portugal é, neste caso, um bom exemplo.

Onde os socialistas procuram alimentar debates e propostas estéreis, virando as costas à realidade, sem propostas nem ideias, como em França, os socialistas são eleitoralmente convidados a permanecer na oposição.

É, pois, por novas formas de entendimento, que saibam responder à realidade, e não aos egos ideológicos que nada apresentam de concreto, que prefiro o diálogo com os cidadãos ao diálogo com quem pensa que a ideologia, por si, é suficiente para lidar com os reptos existentes.

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Para o ex-candidato à liderança do PS, «chegou a hora de resistir ao condicionalismo e à colonização ideológica».

 

Caso para perguntar, neste dia tão especial, como é o 14 de Julho, por tudo aquilo que representa: em que século estamos e em que regime vivemos?

Pelos vistos, ainda há quem tenha dificuldades em perceber que a responsabilidade de uma grande área política, como o socialismo democrático, reside na projecção e concretização de uma agenda política baseada nos princípios do dia de hoje e não de uma resistência, que se baseia e alimenta de fantasmas de outras eras.

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Todas as estruturas que cristalizaram as ideias políticas do nosso tempo, acabaram por ser apanhadas pelos efeitos que elas próprias sempre almejaram, confinando-as a um papel marginal, dada a falta de flexibilidade, incapacidade de reinvenção e de vanguardismo que a sua própria institucionalização revelou. Pelo que, hoje, os paradigmas ideológicos devem depender mais da acção e atitude face aos problemas, do que de nomenclaturas ou de protagonistas. Uma fidelidade aos protagonistas institucionais para realizar determinadas políticas pode ser contrária ao objectivo dessas mesmas políticas e, portanto, acabar por posicionar esses protagonistas num território contrário àquele objectivo. 

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João Soares defende o nuclear como alternativa à crise dos combustíveis, dizendo assumir o ónus de ser uma das poucas figuras da esquerda a apoiar a solução

 

Muito bem, a esquerda precisOU de Manuel Alegre para perceber que pode gostar de futebol, ir à caça, rimar ESQUERDA com PÁTRIA e até respeitar a memória histórica nacional mesmo no que diz respeito à Familia Real sem violar ou despeitar nenhum suposto dogma ideológico, obrigado Manuel.

Fico contente por ver que a esquerda ainda precisA de João Soares para perceber que a opção nuclear é lógica, mais limpa que qualquer alternativa, importante em termos económicos e de segurança energética, estratégica mesmo para o futuro do País, obrigado João.

 

Nota: a foto ao lado de João Soares é dum projecto de expansão para a central nuclear Almirante Alvaro Barreto, no Brasil, a propósito o relatório de emissões que deixo em link é interessante.

Para os mais distraídos, esta central nuclear fica no Brasil, aquele país das telenovelas e do Lula!

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José Sócrates voltou a demarcar-se da social-democrata Manuela Ferreira Leite ao defender um Serviço Nacional de Saúde gratuito para todos e um sistema de Segurança Social «público e eficiente».

 

Na sequência da eleição interna do PPD, fica claro que em 2009 vão estar em causa dois projectos distintos para a governação do País. Um, o do PS, que valoriza e dignifica o Estado Social. Outro, o do PPD, que procurará abrir as primeiras brechas nas funções sociais do Estado.

Amanhã, no Teatro da Trindade, realiza-se a primeira tentativa para criar o "Die Linke" português, constituído, cá, como na Alemanha, por uma esquerda anacrónica e pouco interessada na melhoria social, ainda que se apresente com esse intuito.

Em 2009 estão em causa dois rumos para o país. A esquerda à esquerda, pelos vistos, está mais interessada na vitória da direita e no desmantelamento do Estado Social. É bom ter isto presente.

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"Novas e gritantes desigualdades, cerca de dois milhões de portugueses em risco de pobreza, aumento do desemprego e da precariedade, deficiências em serviços públicos essenciais, como na saúde e na educação. Os rendimentos dos 20 por cento que têm mais são sete vezes superiores aos dos 20 por cento que têm menos".

 

Ao ler este argumento, é caso para perguntar se Portugal há 20 ou 30 anos era um País justo, onde não havia desigualdades.

É evidente que há graves problemas, estruturais, que não são de hoje. Nem brotaram do nada.

O que é mais confrangedor nesta esquerda que apenas sabe protestar e nada apresentar de exequível - ou quererão penalizar os contribuintes? e já se sabe que os mais afectados são sempre os que menos condições têm - é que não percebeu e nem quer entender que o mundo está a mudar e os seus modelos estão completamente desfasados da realidade presente.

O combate às desigualdades passa pela procura de respostas, que não podem deixar a Educação de fora, e não se vencem do dia para a noite. Ou consideram estes iluminados do protesto que despejando dinheiro este se multiplica? A realidade comprova que este se esvai sem a criação de oportunidades na sociedade.  

Esta esquerda não dá saídas para as pessoas, apenas as encurrala ainda mais no beco das dificuldades.

E quando se fala em pensamento único, compare-se, por exemplo, o desempenho e resultados obtidos pelos dois últimos Presidentes norte-americanos e apurem-se os resultados.

Pensamento único e leitura monolítica do mundo em que vivemos apresenta esta esquerda, como as suas posições evidenciam.

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Há um mês, sensivelmente, a propósito das esquerdas anacrónicas, escrevi aqui:

 

o BE, querendo parecer menos ortodoxo do que o histórico partido comunista português, apresentando-se com laivos mais modernos, tem um estilo tão ou mais ortodoxo que o PCP.

 

Hoje, nem de propósito - em relação ao que acima se refere, num encontro bloquista que comemorou o Maio de 68, uma oração nada original foi proferida:

 

Francisco Louçã acusa Sócrates de declarar guerra à esquerda

 

Ora, ainda há dias, nas vésperas do 1º de Maio, o jornal oficial do PCP, o Avante, como aqui se referiu, indicava:

 

A continuação e intensificação da luta é o caminho para enfrentar e derrotar estes projectos e uma grande participação no 1.º de Maio da CGTP-IN (em Lisboa, no Porto e mais quatro dezenas de localidades) será uma primeira grande resposta a esta declaração de guerra aos trabalhadores portugueses - afirma a Comissão Política do Comité Central do PCP

 

Que o PCP tenha a atitude do estar contra só por estar, em especial aos Governos do PS, já é hábito. Isto já acontece desde 1975. O PCP, aliás, fica sempre incomodado com as políticas socialistas, especialmente no campo social. Em vez de ser parte activa e enriquecedora de programas sociais, marginaliza-se e contesta. Uma táctica já conhecida.

Desta feita, o BE, que gosta de se arvorar uma outra e moderna esquerda, com a posição que hoje assume, em matéria do Código Laboral, evidencia a sua realidade político-programática em campos chave, como é o do Trabalho: é tão ou mais dogmático do PCP, de quem, aliás, nesta matéria do Código Laboral está a reboque, como a própria afirmação "de guerra à esquerda", inicialmente dita pelo PCP, agora é subscrita pelo Bloco.  

Para quem tinha dúvidas da modernidade bloquista, nos assuntos essenciais para a vida das pessoas, como o Código de Trabalho, o Bloco não consegue refugiar-se na capa da dita inovação que gosta da apresentar, pois os seus princípios e propostas dogmáticas emergem.

O Trabalho, assunto caro à esquerda, é tratado pelo BE e pelo PCP como algo a desprezar. A postura dos dois partidos em relação à revisão do Código Laboral só demonstra quão pouco interessados estão na melhoria das condições profissionais dos portugueses. Como se nada fazer e deixar tudo como está, fosse uma grande ajuda para milhares de portugueses que se encontram no desemprego ou situação precária.

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"Confesso que chego a ter pena daquela malta da JS que, ano após ano, lá aparece na Avenida, pronta para desfilar e representar os mais velhinhos do PS que nestas alturas optam por ir a banhos ou mesmo por ficar em casa.
Mas este ano os tipos foram sérios candidatos à maior gargalhada do desfile..."

Bomb Jack, Spectrum

 

Há coisas que realmente me despertam gargalhadas, principalmente quando vêm de pessoas à minha esquerda, que continuam a achar que a democracia é deles e que a FEC(ML), a OCMLP, a LCI, o PRT, a UDP, o MES, o MRPP e a restante tralha, foram os verdadeiros heróis da democracia portuguesa.

 

Eu participei neste desfile, justamente atrás dessa lona e vi coisas muito engraçadas, realmente vi. Querem alguns exemplos? Vi militantes do de um certo partido, que se acha dono da liberdade, a insultarem militantes da Juventude Socialista, vi também um João Proença a ser assobiado, um Aquilino Ribeiro Machado a não merecer palmas e um Pedro Nuno Santos a também ser assobiado. Vi ainda um senhor, com um autocolante de um certo partido, a empurrar uma camarada minha da JS, para não falar daqueles que usam a marcha do 25 de Abril para atacarem o governo e para transformarem a política num mero exercício de provocação.

 

Maior falta de respeito do que esta, só no ano passado, quando o militante do PS Edmundo Pedro subiu ao palco e também foi assobiado. Para quem não sabe, este senhor foi o mais jovem preso político da PIDE, foi sempre um lutador e tem muitas lições a dar sobre o que é ser de Esquerda, principalmente aqueles para quem a JS no 25 de Abril provoca gargalhadas.

 

Abril é de todos, quer o "Bomb Jack" goste ou não. Infelizmente aquela marcha continua a ser utilizada como arma de arremesso político, por aqueles a quem Abril não lhes trouxe o respeito pelo pluralismo democrático, que ideológicamente nunca defenderam - olhemos para a China, para Cuba, para a URSS e para a Albânia. O facto da JS estar todos os anos na marcha é uma vitória da liberdade contra o sectarismo, mais do que isso, é um acto de coragem do qual muito me orgulho, enquanto jovem e enquanto socialista. Para o ano lá estarei.

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"Geralmente acredita-se que quanto mais jovem é um eleitor, maior a probabilidade de ser «de esquerda». Há quem justifique tal crença numa alegada viragem à direita que vai acontecendo com à medida que se envelhece, passando do idealismo sonhador ao pragmatismo temperado pela sabedoria da idade. Sempre me pareceu que esta justificação era disparatada, mas não sabia que o fenómeno que pretendia explicar era inexistente.
Pelo contrário: quanto mais velho é o eleitor, maior a probabilidade de ser de esquerda.(...)"

João Vasco, Esquerda Republicana

 

O João Vasco, que há uns anos tive a oportunidade de conhecer num programa da RTP, apresenta os dados de uma estatística que prova, com clareza digamos, que existe uma tendência para que as pessoas mais velhas votem mais à esquerda. Desmonta com isso a velha ideia, que o mesmo refere no seu post, de que quem aos 18 não é de esquerda não tem coração e quem aos 30 não é direita não tem cérebro.

 

Acho que as pessoas mais velhas têm mais memória histórica e este é o dado principal. Sabem que a direita que hoje se afirma como liberal, que premeia gestores a políticos e que usa e abusa da meritocracia capitalista, é a mesma direita que ainda há três anos deixou o défice em 7%, a mesma que na altura de Cavaco não soubre aproveitar os fundos comunitários e a mesma que, inclusivé a nível interno, se tornou num verdadeiro pântano.

 

A direita portuguesa só pode ser apelativa para a juventude, que mal veja o tempo correr e as politicas a falharem, acabará por votar à esquerda. Verdadeiramente, quem aos 18 não é de direita não é cool, quem aos 30 não é de Esquerda não tem cérebro.

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O que tentei explicar, há uns dias, foi que a filantropia não resolve os problemas da pobreza. Bem pelo contrário, a solidariedade social afasta a atenção mediática dos movimentos de cariz político e social, que tentam, estes sim, resolver o problema pela base. Lutando por políticas públicas que favoreçam aqueles que menos têm.

 

É vulgar na Direita portuguesa a defesa de um ideário filantrópico. O pensamento é simples: vamos acabar com a pobreza dando uns tostões, chegando com a Igreja Católica onde o Estado não chega. Eu defendo o contrário, quero que o Estado chegue a todos e quero que o mesmo acabe com a pobreza, através da política e não de esmolas. As diferenças são claras. 

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Caro André,

 

Bem sei que a esquerda anacrónica não tem apenas demasiado protagonismo na América Latina, se bem que, aí, não só tem protagonismo como tem poder. Veja-se o caso de Cuba ou da Venezuela, onde os resultados são lamentavelmente conhecidos.

Na Europa, a esquerda anacrónica também tem relevo. Em Portugal, temos dois partidos que se enquadram neste campo da esquerda, ainda que um, o BE, querendo parecer menos ortodoxo do que o histórico partido comunista português, apresentando-se com laivos mais modernos, tem um estilo tão ou mais ortodoxo que o PCP.

Aqui ao lado, em Espanha, o anacronismo de esquerda perdeu força, com a IU sem qualquer representação parlamentar. Mas em termos de desenvolvimento nacional quem nos dera a nós, portugueses, que o nosso PC tivesse a leitura eurocomunista de Santiago Carrillo! Deveríamos estar bem melhor.

Em França, o outrora mais determinante partido de esquerda, o PCF, está pelas ruas da amargura, como a esquerda troskista.

Em Itália, os grupelhos de esquerda não acederam ao Parlamento. E, como já sucedera em França, onde a Frente Nacional procurara e recebera muito do seu apoio nas bases do PCF, e viu-se onde Le Pen chegou em 2002, no norte de Itália, a Liga do Norte, que duplicou a votação nestas eleições, cresceu pelo apoio colhido no eleitorado que era afecto à esquerda. 

Todavia, onde se joga a preponderância da esquerda anacrónica na Europa é na Alemanha. O Die Linke, partido constituído pelos ex-militantes ressabiados do SPD, com Lafontaine no comando, e os ressabiados comunistas, que um dia foram poder na defunta RDA,estão a subir. No leste estão consolidados como força preponderante e no oeste estão a conquistar mais apoios. E, como seria de esperar, sendo quase inevitável, mais sobem os anacrónicos quanto mais o SPD se preocupa em querer afirmar-se mais à esquerda.

É bem provável que nas legislativas germânicas do próximo ano este partido cause um pequeno abalo, do qual o SPD é o principal prejudicado. E por culpa própria. Pois a esquerda anacrónica tende a subir onde a esquerda democrática tende a hesitar.  

As propostas demagógicas e penalizadoras dos contribuintes (base comum à esquerda anacónica) do Die Linke, podem cair bem, e provavelmente vão ser apreciadas por certas fatias do eleitorado desiludido com o SPD.

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"Mas o dado mais interessante destas eleições foi o desaparecimento parlamentar de partidos-chave da democracia italiana: comunistas e socialistas. Embora muitos deles estejam no Partido Democrático de Veltroni, não existem hoje no parlamento "Partidos Socialistas" ou "Comunistas". Que eu saiba, este é um exemplo único na Europa.

Luca Ricolfi, um sociólogo italiano assumidamente de esquerda e que convinha traduzir por cá, explica este dilema da esquerda com a sua antipatia, o seu apego ao passado, a sua incapacidade de se renovar. Até à derrota final."

Bernardo Pires de Lima, Atlântico

 

O BPL vaticina o fim da esquerda, usa a Itália como um sinal para a Europa, reconhece posteriormente que a mesma não é "um modelo de civismo democrático", mas afirma que "pode ajudar a antecipar cenários noutros países". Esquece-se que a esquerda portuguesa, não é a esquerda italiana e o que o PS é um partido de governo, que há muito não tem um "apego ao passado". Pelo contrário.

 

Em Portugal existem cinco partidos de esquerda, há menos de uma decada haveria mais quatro, sendo que a UDP, o PSR, a PXXI e o Ruptura/FER há muito se juntaram para fazer o BE, que segundo as últimas sondagens pode ultrapassar o CDS e o próprio PCP, nas legislativas de 2009. Esta nova extrema-esquerda é tudo menos antipática, tudo menos presa ao passado, bem pelo contrário, parece dinâmica e a crescer.

 

Temos um PCP ao qual a direita vaticina a morte há muitos anos, mas que resiste há mais de 80, que mantem uma implementação autárquica que o CDS já perdeu e que mantém  altos níves de organização e mobilização. No entanto, o PCP sim está preso ao passado, talvez por isso tenda a baixar nas votações. Derrota atrás de derrota, até à derrota final, como diria o Bernardo Pires de Lima.

 

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