Nenhum Primeiro-Ministro, em Portugal e em Espanha, chegou ao poder com tanta informação e conhecimento do estado do seu país e da realidade que tinha pela frente, como chegaram Passos Coelho e Mariano Rajoy.
Com a vasta e pormenorizada informação que tinham, ambos fizeram uma campanha eleitoral cinzenta (é tempo de começarmos a valorizar as campanhas, pois é neste período que se apresentam as propostas que depois, ao longo de uma legislatura devem ser apuradas do seu cumprimento ou não, e se não porquê). Não se comprometeram com muita coisa, a não ser o amor ao seu país, algo que qualquer candidato, em estado de normal lucidez tem, seja de direita ou de esquerda.
Nas campanhas que fizeram, tanto o líder do PSD como do PP, ambos prometiam, nas parcas palavras expressas, que não aumentariam os impostos. Passos Coelho, no dia 1 de Abril, mais conhecido como o dia das mentiras, qual coincidência do destino, chegou a dizer a uma rapariga, em Portugal, que cortar os subsídios (Férias e/ou Natal) era uma pura invenção. Escassas semanas, depois de ter assumido a chefia do Governo, a invenção tornou-se realidade.
Em Espanha, Mariano Rajoy quase que nem queria fazer campanha, para não se expor muito, ainda assim disse que não subiria os impostos. Ora, poucos dias depois de suceder a Zapatero, Rajoy decreta a subida de impostos.
Ambos eram tão hábeis a condenar os Governos socialistas, de Sócrates e Zapatero, mas uma vez encontrados no poder, não só aumentam a pressão fiscal como, pior, começam a desmantelar o Estado Social. Algo que os Governos socialistas peninsulares tudo fizeram para não debilitar.
Tudo é feito em articulação com a Chanceler alemã, para cair nas boas graças do Governo alemão, numa total irresponsabilidade. E nem por um único momento tem lugar a questão: o rumo que está a ser seguido é o correcto para o futuro de cada país?
É certo que os tempos são difíceis e as medidas de rigor são indispensáveis, porém não podem ser um fim em si mesmo, como defende o Governo alemão.
Se há quem ainda tem dúvidas de políticas de esquerda e direita, a crise é um exemplo das diferenças que existem. Enquanto a esquerda assume a austeridade, a direita impõe a asfixia.
Como se previa, os sociais-democratas chegam ao poder na Dinamarca, apesar de terem obtido, na eleição legislativa de ontem, um dos piores resultados das últimas décadas (chegou a perder votos em relação ao Partido Liberal, no Governo, que ainda obteve mais votos que nas anteriores eleições legislativas). Todavia, devido à subida de outras formações de esquerda, esta torna-se maioritária e pode formar Governo, depois de uma década de domínio de direita na Dinamarca.
No domingo, há mais uma decisiva eleição na Alemanha, com a eleição em Berlim, onde o SPD deve renovar o mandato à frente da capital germânica. Dos resultados importa apurar, além dos números do vencedor, quais os apoios que a CDU e o FDP vão contar. Pode haver mais um forte sinal de reprovação ao Governo de Merkel que começa a abrir muitas brechas, com total falta de sintonia entre os Ministros da CDU e os do FDP.
Por outro lado, em França, na disputa das primárias, que ontem teve o primeiro debate televisivo, não obstante as diferenças entre os seis candidatos, estes não entraram numa lógica de insulto, e preferiram a elevação, dando um sinal de maturidade e confiança ao eleitorado gaulês. Prevê-se que no dia 9 de Outubro cerca de 15% do eleitorado francês, correspondente a 6,5 milhões de pessoas votem (as primárias do PSF são abertas à população, assim, além dos militantes socialistas têm direito a voto os cidadãos que se inscreveram previamente, pagaram 1 €uro e manifestaram, por assinatura, o reconhecimento com as causas do projecto da esquerda socialista).
Se em Espanha o PSOE dificilmente ganhará nas legislativas de Novembro, há, no entanto, uma vaga de fundo na Europa que começa a dar sinais de mudança e regresso da esquerda à liderança na França, Itália e Alemanha.
Os socialistas, sociais-democratas e trabalhistas podem chegar a 2014 como a força maioritária na UE. E a eleição para o Parlamento Europeu pode atestar isso. Veremos!
O PSOE vai realizar uma Conferência Política na próxima semana com vista às eleições gerais de 20 de Novembro. Com cinco grandes áreas em foco e debate: Governar as mudanças; Emprego; Economia; Igualdade; e, Qualidade Democrática, esta Convenção dirige-se tanto aos militantes socialistas como a cidadãos interessados em fazer parte do projecto de progresso para Espanha que Rubalcaba lidera. Mais um bom exemplo da abertura partidária.
Os partidos precisam de inovar e adaptar-se aos novos reptos e a participação cívica é uma das novas e fundamentais condições de um partido do século XXI.
Acabo de ver o programa "59 segundos", da TVE, no qual o candidato socialista à presidência do Governo de Espanha, Alfredo Pérez Rubalcaba, foi entrevistado.
À excepção da língua e algumas questões pontuais, a entrevista podia ser acerca de qualquer país europeu, pois as realidades são cada vez mais semelhantes, assim com os problemas e as respostas a apresentar, tanto da esquerda como da direita.
Temos problemas comuns, em termos do papel do Estado nacional e o modo como este deve actuar, desde logo nas áreas sociais, e um desafio igual: a globalização e a crise.
Como disse acertadamente Rubalcaba: "A Europa é a chave", pois as soluções a nível nacional, neste estado de evolução do mundo, na Europa, por si só não chegam.
Sem nos darmos conta, os debates nacionais começam a gerar-se em torna da resposta europeia, com o enquadramento de cada país.
Mais um excelente artigo de Felipe González, no qual, apesar de defender a proposta de Zapatero, de inscrever o limite do endividamento na Constituição, revela que se podia ter adoptado outros instrumentos. Como sempre, González não descuida o enquadramento global, de que devemos ter consciência, do ritmo a que o globo anda e para onde anda.
Como seria de esperar, a questão do terrorismo basco entrou na pré-campanha das legislativas espanholas, de 20 de Novembro, com PP e PSOE a trocar galhardetes. O líder do PP andaluz, Javier Arenas, acusou o candidato do PSOE, Alfredo Pérez Rubalcaba, de não querer acabar com a ETA, dado o espaço de manobra que permitiu à banda terrorista. Uma vez mais, Mariano Rajoy não entra em confronto com o seu adversário e deixa aos "atacantes de serviço" do PP essa tarefa.
É evidente que Rubalcaba, como Ministro do Interior, foi um dos governantes espanhóis que mais combateu a banda terrorista, e os factos são evidentes: nunca a ETA esteve tão fraca. Todavia, o cenário político mudou e a realidade política basca alterou-se. Em 2009, os socialistas, com um entendimento com os populares, obtiveram a maioria dos deputados e arrebataram o poder aos nacionalistas de direita, do PNV, que governavam e dominavam o País Basco há décadas. E, este ano, depois de semanas a fio entre a legalização ou não de forças políticas ligadas à ETA, a Justiça deu permissão ao Bildu (anteriormente denominado Sortu e ilegalizado) concorrer às municipais que se realizaram em Maio.
O sucesso do Bildu foi tal que a formação apresenta-se, actualmente, como uma das formações mais fortes do País Basco. A conquista da Câmara de San Sebastian (Donostia) é o principal marco e bastião desta formação que assume, hoje, e ainda que por entrelinhas, a possível transformação da ETA, visando a total passagem da via das armas para a dos votos, até porque os últimos resultados superaram todos os resultados de outros grupos políticos ligados à ETA entretanto ilegalizados de participar nos actos eleitorais, nomeadamente o Batasuna.
Perante a fraqueza da banda armada, e o grande balão de oxigénio recebido pelas urnas, nestes dias, começa-se a falar no fim da ETA e na possibilidade de se anunciar a dissolução da banda terrorista. Partilho da visão dos polícias, que é cedo para acreditar em tal facto, mas o Bildu deve estar a preparar as legislativas de Novembro com todo o cuidado, pois será o seu segundo teste e procurará superar a meta, a de ter um resultado tão bom ou melhor do que em Maio. As sondagens estão a dar resultados ao Bildu semelhantes ao do PNV, com a eleição de 7 a 8 deputados (ao Parlamento Nacional), o que seria mais do que óptimo para a nova formação e colocaria em risco a predominância do PNV, até porque ambos estão interessados na eleição autonómica basca, de 2013, e conquistar o poder basco, que dificilmente os socialistas segurarão.
Assim, no País Basco, existem dois tabuleiros, o nacional, que opõe PSOE e PP, e o autonómico, o PNV e Bildu, e os dois mexem com a realidade basca e contagiam toda a Espanha. Muito ainda vai acontecer e o tom, por causa do terrorismo e o papel da ETA, vai subir até 20 de Novembro.
Zapatero decidiu, na semana passada, que as eleições legislativas espanholas deviam ser antecipadas, de Março de 2012 para Novembro próximo.
A pressão era enorme e foram vários os factores que conduziram o Presidente do Governo espanhol a esta decisão, a mais importante, e menos valorizada no meu entender, é a da elaboração do Orçamento do Estado de 2012.
Aliás, o novo cenário político estava estabelecido há várias semanas
Os socialistas já previam o que seria a noite eleitoral, antes de se conhecerem os resultados oficiais: seria uma noite má. Talvez não pensassem que fosse tão pesada e, provavelmente, o PP não esperaria uma noite tão boa. Talvez não seja por acaso que Mariano Rajoy acabou por encerrar a noite com um discurso muito prudente e de quem parecia não ter alcançado uma vitória arrasadora.
As autonómicas e municipais espanholas de hoje serviram de grande ensaio para as direcções partidárias prepararem as legislativas do próximo ano e o bastião socialista de Castilla La Mancha seria o tradutor dos resultados nacionais. Nesta autonomia jogava-se mais do que o poder local.
Dolores de Cospedal, uma das pessoas fortes do núcleo de Rajoy, conquistou este bastião socialista e dá um claro impulso aos populares. Mas outros resultados do PP também não são de menor relevo, como a vitória na Extremadura*, impensável.
Em suma, em termos autonómicos, com excepção de Navarra e Astúrias (ganha pelo antigo homem forte de Aznar e que rompeu com o PP por não ter sido indicado pelos populares às Astúrias), o PP ganhou tudo, como foi o grande vencedor das municipais, com a conquista das principais cidades do país, com excepções na Catalunha e País Basco.
Na Catalunha, pela primeira vez, e em mais uma derrota (histórica) dos socialistas (pela primeira vez perdem o poder na cidade de Barcelona), os nacionalistas da CiU ganharam a Cidade Condal. No País Basco, o quase ilegalizado Bildu triunfa em San Sebastián e reparte com os nacionalistas bascos (PNV) o domínio partidário no País Basco.
Destaque ainda para o que se passou na Andaluzia, outro feudo socialista, mas onde não se realizaram autonómicas, pois decorrerão ao mesmo tempo das legislativas, o PP conquista as principais cidades, Sevilha inclusive, dando um forte sinal de que a Andaluzia pode ser ganha pelos populares.
Destaque ainda para as maioritárias vitórias populares em Madrid e Valência, onde os escândalos que envolvem os dirigentes populares não serviram para penalizar, mas para reforçar as respectivas lideranças.
Em suma, hoje, o PP obteve, no total, mais de dois milhões e duzentos mil votos que os socialistas, dominam a nível autonómico e municipal, e têm condições para ganhar em 2012. Porém, ainda há um caminho de 10 meses a fazer. Pelo meio há primárias no PSOE, para saber quem sucede a Zapatero, deverá ser Rubalcaba ou Chácon, e importa saber como Rajoy vai liderar a sua agenda. Ao contrário dos últimos anos, e tendo em conta o discurso desta noite, o líder popular, que já averbou duas derrotas nas legislativas, em 2004 e 2008, parece querer chegar a 2012 com uma imagem mais moderada e menor radical.
Como alguém disse nos comentários políticos desta noite na TVE, o capítulo político está virado, mas o próximo capítulo já não conta com Zapatero, o homem que perdeu estas eleições.
* O PP foi a formação política mais votada na Extremadura, porém, o PSOE vai manter o poder da região devido à soma do seus eleitos, 30, com os da IU (Esquerda Unida), 3, que batem os 32 eleitos do PP.
Mariano Rajoy, o homem escolhido por José Maria Aznar para lhe suceder na liderança do PP, em 2004, mal sabia que sete anos depois, teria um parceiro semelhante ao seu modo de fazer política em Portugal, Pedro Passos Coelho.
É certo que Passos Coelho tem um mérito em relação ao seu homólogo espanhol, uma vez que alcançou a liderança através de eleição, não foi nomeado. Mas Coelho e Rajoy são rostos do mesmo lado da moeda. Ambos encontram-se na oposição e na sua liderança, curta (1 ano) ou longa (7 anos), nenhum dos dois foi capaz de apresentar uma ideia, uma proposta, um rumo. Os dois limitam-se a guiar pela sede de poder.
Se Rajoy bate aos pontos Passos Coelho em termos de experiência governativa, o líder do PSD nunca teve qualquer responsabilidade e Rajoy ocupou várias pastas no Governo de Aznar, ambos confrontam-se, actualmente, com o mesmo destino. Até há poucos meses, lideravam as sondagens com mais de 10% de vantagem, face aos PS's. Mas quanto mais nos aproximamos das eleições (em Espanha as legislativas decorrem na Primavera de 2012), os dois partidos da direita peninsular perdem apoios e os socialistas ganham. É evidente que os socialistas pagam a factura do desgaste do exercício do poder, 7 anos em Espanha e 6 em Portugal, mas mesmo assim, continuam a surgir perante as pessoas como a única opção crível, face a uma direita sem qualquer objectivo.
No caso da sondagem espanhola, não é indiferente a posição de Zapatero, de ter assumido publicamente que não voltaria a recandidatar-se à liderança do Governo espanhol e do PSOE, mas sobre a realidade interna do PSOE vale a pena abordar noutro escrito.
Poderá, naturalmente, equacionar-se: aconteceria o mesmo ao PS, se José Sócrates tomasse a posição de Zapatero? Os estudos de opinião publicados em Portugal contrariam esta tese, pois o PS, com Sócrates, continua forte.
Depois da Grécia e da Irlanda, Portugal e Espanha tornaram-se os novos alvos a merecer resgate do FMI. Porém, se a Grécia que devia ter sido uma lição, pois só as instituições europeias deviam, por ter capacidade, ser as únicas a intervir na economia nacional helénica, a condescendência e demissão das potências com mais responsabilidade na UE, Alemanha e França, continuou e, deste modo, a Irlanda tornou-se presa fácil para os mercados, com as consequências conhecidas.
Enquanto o €uro começou a ser alvo de ataque permanente incessante, deste a Primavera de 2010, e ainda não terminou nem se colocou um ponto final a este ataque, Portugal e Espanha são os países que se seguem, para receber o FMI, apesar de já estar em "agenda" outros países, com mais poderio e que podem representar um passo muito forte para o desmoronamento do €uro: a Bélgica, que devido à insustentável condição de entendimento político se torna um alvo fácil, e, sobretudo, e mais preocupante, a Itália.
Na actualidade, justifica-se plenamente a consciência da nossa cidadania europeia, que partilhamos a 27 e há que encontrar os responsáveis desta situação de grande instabilidade: Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, a senhora e o senhor que no final do ano 2010 anunciaram que 2011 não seria como o ano anterior.
Pelos vistos, os governantes alemães e franceses continuam a assobiar para o lado, qual orquestra do Titanic.
O grande artífice do combate à ETA do Governo Zapatero, e grande responsável pela debilitação da banda terrorista, Alfredo Pérez Rubalcaba, disse, há poucos minutos, tudo quanto à declaração da ETA hoje de manhã, de um cessar-fogo imediato: “não é uma má notícia, mas não é A notícia”.
Os Governos espanhóis sabem que estes anúncios da ETA mais não são do que uma tentativa de ganhar fôlego, dado o aperto que as autoridades espanholas, em conjunto com as francesas e, também, portuguesas têm assumido.
Muito provavelmente, nunca, como actualmente, a ETA esteve tão debilitada. Mas não é menos certo, a tomar em consideração cada palavra da declaração de hoje, que o abandono do terrorismo está assumido. Aliás, isso significaria o fim, em si, da ETA. E este ainda está por acontecer.
O Estado espanhol, em conjunto com outros europeus e mundiais, tem de continuar a sua batalha, para libertar Espanha e, sobretudo, o País Basco do terrorismo que há décadas ceifa vidas inocentes.
Nos últimos dias tenho ouvido ;ainda que poucos dada a manifesta falta de interesse por parte da generalidade das pessoas, comentários a lamentar a decisão da FIFA na escolha do anfitrião do Mundial de futebol de 2018.
Devo dizer em abono da verdade que fiquei satisfeito com a escolha a Rússia. E não encaro tal como falta de patriotismo; bem pelo contrário, a minha satisfação funda-se no meu bem querer à Pátria. Ademais, o nacionalismo não se reduz a uma mera dimensão desportiva ou "futebolesca".
E passo a explicar porquê.
Numa altura de franca crise económica, crise essa que o Governo não soube antecipar, prevenir e que até à bem pouco tempo renunciava, resultando na exigência de tantos sacrifícios por parte da generalidade dos portugueses surge a ideia peregrina desta candidatura. E não é demagogia criticar a ideia de organizar um campeonato de futebol quando se corta no abono de família ou na comparticipação dos medicamentos. Populismo é continuarmos a assistir por parte daqueles que nos governam à velha política de pão e circo, empurrando os problemas para a frente, na certeza que serão as gerações vindouras a pagar a factura dos seus desatinos.
Encontrou-se mais uma justificação para o TGV, gorada a legitimação financeira, económica e de mobilidade. Curiosamente, a Rússia não é possuidora de infra-estruturas ferroviárias de alta velocidade onde as distâncias são avassaladoras e ganhou a candidatura. Caiu por terra o argumento de aquém e além fronteira para grande desfortúnio de iberistas, financeiros irresponsáveis e patos bravos. Assim como a Rússia terá tido outros motivos mais ponderosos, também nós temos outros condicionalismos que desaconselham tal aventura desvairada nos tempos que correm.
Dados os constrangimentos financeiros de que somos alvo seria um crime contra a Pátria gastarem-se milhões de euros para termos três ou quatro jogos; aqueles que os castelhanos gentilmente nos atribuíram a título de caridade. E estes ainda se queixaram de que quem paga manda...
Paralelamente às razões económicas surgem outro tipo de questões. Esta candidatura era espanhola, da qual Portugal não seria mais que um apêndice. Bastava ler os jornais espanhóis. Esta seria a primeira vez na história da FIFA desde que se iniciou o movimento de candidaturas conjuntas à organização de campeonatos internacionais de futebol que os países visados não estavam numa situação de paridade. Nada de surpreendente. A tendência hegemónica castelhana acompanhou-nos sempre desde a Fundação, bom exemplo disso é a afirmação de José de Carvalhal y Lencastre, ministro de D. Fernando IV, “A perda de Portugal foi de puro sangue e, por isso, o ministro espanhol que não pense constantemente na reunião, ou não obedece à lei ou não sabe do seu ofício”. Lamentavelmente do lado de cá da raia não têm faltado Condes Andeiros ou Migueis de Vasconcellos.
Alguns teimam em continuar a viver acima das nossas possibilidades e em hipotecar o nosso futuro. Felizmente que fomos salvos de mais um desastre por uma organização internacional, neste caso a FIFA...
"Madrid debe ser olímpica porque es la única gran capital europea que nunca ha albergado unos Juegos." - Esperanza Aguirre, Presidente da Comunidade Autónoma de Madrid (PP).
Dra. Manuela Ferreira Leite, até num romance, como a Jangada de Pedra, José Saramago colocou a Península Ibérica TODA a separar-se do resto da Europa rumo ao Atlântico.
Quer queiramos quer não estamos casados com Espanha e um divórcio desgraçar-nos-ia irremediavelmente!Acha que é com violência conjugal que se resolvem os problemas?
Li o post de Fernando Martins que linkaste e apenas encontrei um conjunto de argumentos desfasados da realidade.
Pelos vistos, Fernando Martins desconhece o que se passa aqui ao lado, na vizinha Espanha.
Não é a primeira vez que o Rei Juan Carlos é alvo de ataques indecentes. Há pouco tempo, em Barcelona, num dos momentos de contestação do Processo de Bolonha, uns jovens radicais queimaram a fotografia oficial do Rei, o que deixou, na altura, a coroa e os partidos nacionais espanhóis (PSOE e PP) aturdidos com tal facto.
Por outro lado, Fernando Martins apenas pretende dizer mal de Zapatero e do Governo do PSOE por que sim. Ora, o bloguer do Cachimbo de Magrite nem tem em consideração o local da final da Taça do Rei, em Valência, nem os clubes finalistas: Barcelona (Catalunha) e Atlético de Bilbau (País Basco), com muitos adeptos a comungarem do ódio à coroa e ao Estado espanhol.
Em suma, Fernando Martins apenas pretende criticar Zapatero e a sua vontade é tanta que se esquece de ver quem é que hoje quer entendimentos com os partidos autonómicos. Pois é, imagine-se lá: Mariano Rajoy, o líder do PP!
A investidura de Patxi López como novo lehendakari representa um momento histórico para a democracia espanhola. Pela primeira vez, o líder do Governo basco não é um nacionalista e tal só podia suceder, como aconteceu, e bem, com um entendimento entre o PSOE e o PP bascos.
Da intervenção de López, no Parlamento de Vitória, merece destaque a sua profunda determinação em contribuir para o "fim da ETA", o que sendo um objectivo difícil de concretizar, tem, pelo menos, a grande virtude de contribuir para mais uma instituição, o Governo basco, estar em total sintonia com o Governo de Madrid e, em conjunto, dar um golpe sem misericórdia na banda terrorista.
Por outro lado, estes serão anos decisivos. Se Patxi realizar um bom mandato, o País Basco pode respirar um novo ar, em que a vida política e social terá uma dimensão salutar, sem as tensões que os grupos nacionalistas procuram amiúde instar.
Não será fácil, pois o PNV (partido que venceu as eleições mas não obteve apoios suficientes para reeleger Ibarretxe à frente do Governo) procurará cobrar caro a sua queda do poder e, factor a não descurar, as disputas entre o PSOE e o PP a nível nacional. Espera-se, por isso, que socialistas e populares bascos não quebrem a "lealdade", que o líder do PP basco, Antonio Basagoiti, hoje prometeu, sob pena dos dois perderem e, desse modo, reforçar, o radicalismo basco. (Publicado no Palavra Aberta)
Pela segunda vez, a primeira tinha sido em 2004, ao retirar unilateralmente as tropas do Iraque, Zapatero procede mal na arena internacional, com a retirada de militares espanhóis do Kosovo.
Considero que Espanha foi dos poucos Estados europeus com bom-senso, ao não reconhecer a independência do Kosovo - ainda que razões internas espanholas estejam na base desta posição.
Porém, ao não ter dado ouvidos ao seu Ministro dos Negócios Estrangeiros, Miguel Angel Moratinos, e a deixar a decisão na Ministra da Defesa, Carme Chacón, que esteve na semana passada nos Balcãs, onde deu a conhecer a retirada unilateral, sem qualquer informação aos parceiros da NATO, a Espanha dá um mau exemplo e dá mostra de pouca segurança na actuação a nível internacional.
Se, por um lado, Zapatero é audaz e empenhado, como na Aliança das Civilizações, por outro, peca por falta de compromisso com a estabilidade.
Os Balcãs continuam a ser uma área instável e retirar, sem sentido, contribui para a debilidade das forças de estabilização na região mais nevrálgica da Europa.
À saída de um restaurante em Madrid, onde comi francamente bem, pensei para comigo: Teria conseguido almoçar assim em Lisboa?!
Não!
E só porque me limitei a entrar num restaurante em que as portas que abriam para dentro, não tinham qualquer dístico de autocontrole ou HACCP; onde pude fumar o meu cigarro antes de ser atendido por uma empregada repleta de "ilegais" anéis; onde pude comer um gaspacho numas taças de barro que não estavam vidradas sob a marca de um selo azul; onde, entre milhões de outros pormenores, tive oportunidade de ver a cozinha e notar que não estava forrada pelo tão higiénico alumínio.
Sim, já não estava habituado e estranhei! Lembrei-me - quase me tinha esquecido dentro desta triste resignação - o bom que é poder comer numa verdadeira e saborosa tasca!
Podíamos ter sido nós?Talvez sim mas por qualquer razão parece-me que não, nem tínhamos seleccionador nem me pareceu que os nossos jogadores tivessem todos absolutamente concentrados neste desígnio.
Esperemos que o senhor Platini não aproveite este facto, bem como o do Apito Dourado, e a interpretação que o ex-jogador gaulês faz da justiça desportiva (existe uma justiça para italianos e outra para lusitanos) para forçar a candidatura exclusivamente espanhola ao Mundial 2018....
É que nesse Mundial, se for a "meias" com a Espanha, no ano de 2018 terá o José Mourinho cerca de 54 anos, presumivelmente a abertura será em Lisboa e o encerramento em Madrid, tenho um "feeling" que poderemos fazer História...é só um feeling!
Não sei se a CAP tem algum engenheiro informático especialista em tractores ou alfaias agrícolas a tratar da mobilização, presumo que não seja necessário, mas uma questão intriga-me, se a "alta dos combustíveis veio para ficar", para quê subsidiar o gasóleo agrícola ainda mais?
O debate não deveria ser aumentar a produtividade?Agregar minifúndios e alterar culturas se for mais rentável?Partir para a segmentos mais lucrativos e apostar na exportação?Ou são os mesmos dos jipes e moradias "à pala da CEE" da década de 80 e 90?Não, há muitos jovens agricultores empenhados e empresários do ramo com sucesso, em Portugal e especialmente em Espanha, mesmo ao lado da nossa fronteira, há imensos casos de sucesso, tantos que já investem em Portugal, qual é o problema?Qual é a diferença?
Os "custos de contexto" também incluem corporações e "singularidades" culturais?
Este paradoxo de Morte ao Estado....Viva o Estado é pura e simplesmente anedótico!
Estado mínimo para impostos e regulamentação....Estado máximo para subsídios!
Eu adorava ver os gurus do liberalismo da blogosfera, além de consubstanciarem a afirmação do Miguel Relvas no congresso do PPD de ser preciso "Mais liberalismo para reforçar a justiça social", enquadrarem estes "apoios e subsidios" a sectores "em apuros", sectores que não se adaptaram à nova realidade mundial e que não percebo, sinceramente, se serão alguma vez rentáveis e competitivos!
EUA abrandam, Espanha estagna e ouvi agora na SIC Noticias que o instituto nacional de estatísticas irlandês prevê que a Irlanda, país que ainda recentemente tinha a taxa de crescimento mais alta da UE, entre em recessão no próximo ano....com esta conjuntura qual será a terapia de choque mais eficaz?
Alturas de crise podem ser oportunidades de reformar e de mudar o que está mal....desde que exista coragem e não se opte pela politica dos "paninhos quentes".
Felizmente, Berlusconi cedeu à realidade e já não acolhe a proposta que fazia dos imigrantes quase criminosos. Como aqui se referiu, il Cavalieri é o líder de uma coligação e não pode ceder ao partido xenófobo com quem se coligou para alcançar o poder.
De destacar a importância do Governo espanhol neste processo, e neste recuo, pois desde o primeiro momento não deixou dúvidas quanto à oposição a um projecto indecente da Liga do Norte, conforme a Vice-Presidente De La Vega fez saber em tempo muito oportuno.
Tema delicado para a Europa, a imigração é um ponto forte e está a ser explorado pela direita europeia que assume neste campo as piores posturas proteccionistas.
Vejamos as recentes posições dos Governos francês e italiano, que propõem uma Europa fortaleza, são os mesmos Executivos políticos que defendem menos apoio europeu para a cooperação e apoio aos países em dificuldades. Completa contradição!
Para já, o Governo espanhol, e bem, tem feito saber que não está ao lado de quem pensa que fechando a Europa e limitando a sua importante ajuda e parceria com terceiros traz benefícios. Não os traz como agrava os problemas sociais e económicos, tanto da Europa como dos países emissores de imigrantes.
A Presidência francesa da UE, que decorre no próximo semestre, promete ser acesa, com o debate da política de segurança, da PAC, da imigração... E Monsieur Sarkozy a querer dar espectáculo.
Aqui ao lado, em Espanha, o maior partido da oposição, o PP, deve contar com um interessante congresso em Junho, em que se disputa a liderança partidária.
Além da já confirmada recandidatura do actual líder, Mariano Rajoy, se se confirmar a da candidatura da Presidente da Comunidade de Madrid, Esperanza Aguirre, haverá um intenso debate ideológico. Como, de resto, já começa a ter lugar, como se depreende do excerto da notícia acima exposto. O debate gera-se em torno de ideias e rumos.
Em Portugal, o maior partido da oposição, o PPD, que em breve escolherá o seu líder, em vez de discutir princípios e rumo, está encalhado na disputa de nomes, no mais elementar e infrutífero fulanismo.