


O Nord-Stream, hoje inaugurado por Vladimir Putin, é um acontecimento histórico em termos energéticos a nível europeu. Desde logo pela ligação directa entre russos e alemães. Deixa de haver intermediários entre o produtor e o consumidor, mas também de agravamento de relações entre a Rússia e antigos Estados soviéticos, como a Ucrânia, mas também a Bielorrússia, países por onde parte significativa da exportação de gás russo passava e gerava lucros locais.
Por outro lado, resta saber que vantagens energéticas vão ser conquistadas na UE, pois vários Estados-membros, nomeadamente os que aderiram à UE em 2004 e fizeram parte do Pacto de Varsóvia, dependem, e muito, da energia oriunda da Rússia.
Veremos o que esta estratégica conduta irá gerar no futuro. Fossem outros os tempos e deveríamos encarar com muito receio esta aliança, na qual os russos continuam a ter a faca e o queijo na mão.
"Riduzione a favore delle energie rinnovabili".
Perante o desastre de Fukushima, os japoneses estão apostados em mudar o seu modelo de sustento e desenvolvimento.
Medida corajosa e audaz, de um país que sabe quando arrisca tende a triunfar no futuro.
Apesar de um acordo parecer iminente a meio da tarde de hoje
Falhanço nas negociações para o fim da crise do gás
Mal tinha acabado de destacar a solução à vista, surge Moscovo a recusar o que estava a dar por acordado.
Pelos vistos, o poder dos negociadores russos em Moscovo é bastante diminuto, uma vez que é o chefe do Governo quem determina o que se faz ou não.
Assim sendo, é desejável que Putin se sente à mesa das negociações, em vez dos responsáveis da Gazprom, dado que se pouparia tempo com reuniões em que parte dos representantes não tem competência alguma.
Por outro lado, a Rússia demonstra e faz sentir o seu poder. Tivesse a UE uma voz una e seguramente Moscovo não se comportaria como quer e pretende. Mas a culpa não é russa, é nossa. (Publicado no Palavra Aberta)
Foi preciso o Presidente da Comissão Europeia, e bem, assumir o papel europeu, que devia ter sido da Presidência checa, de colocar russos e ucranianos a procurar entender-se, para acabar a presente situação de corte de gás que prejudica gravemente as famílias e empresas da UE.
A condução europeia, por parte dos checos é tão má que nem com os próprios checos os políticos de Praga manifestaram interesse, pois a República Checa é uma das mais afectadas com o corte de gás russo. (Publicado no Palavra Aberta)
Como os dados indicam, cerca de metade dos Estados-membros da UE está dependente do gás russo, nalguns casos essa dependência é total. A energia é de extrema importância para as nossas vidas e só quando se dá pela sua ausência comprovamos o seu relevo. Se hoje está bastante frio em Portugal, calcule-se como não estará na Europa Central, onde, ainda por cima, falta gás para combater as baixas temperaturas que se fazem sentir. (Publicado no Palavra Aberta)

Pois é Carlos, tens razão.
Parece claro qual vai ser a grande aposta da Rússia para a próxima década. Nunca a geopolítica dos recursos energéticos foi tão importante para a definição da nova ordem mundial que se aproxima. Ñeste período de indefinição em relação ao futuro as potências tentam capitalizar as suas mais valias para lhes conferir vantagens políticas para os dias dificeis que aí virão.
A existência de uma política energética comum tem sido, e bem, um dos cavalos de batalha da Comissão Barroso e teve no Presidente Sarkozy e na presidência francesa da UE um aliado firme.
Mas noticias como esta vêm relembrar que as politicas que a Russia tem vindo a seguir na ultima decada são consequência, em muito, da sua debilidade estrutural e da sua falta de competitividade.
Porém, o urso russo não vai estar fraco para sempre...

A pretensão do gigante russo de energia, Gazprom, comprar um quinto da Repsol, tem um alcance bastante vasto. A comprar, a Gazprom alcança uma posição privilegiada para entrar em Portugal, como já tentou, e na América Latina.
Há, ainda, a considerar, a regulação europeia que impede o monopólio de empresas estrangeiras controlar o gás e electricidade.
Mas, por este andar, será que a conhecida "cláusula anti Gazprom" terá efeito? Qualquer dia o domínio energético russo na UE é quase avassalador.
Quem pensa que a UE pode estrebuchar com Moscovo, tem acima descritos dados que elucidam o porquê da necessária e indispensável prudência europeia.
Como o Reino Unido não se "aquece", no Inverno, com energia vinda de leste, Brown pode dar-se ao luxo de querer apertar com Moscovo.
Brown não está a (querer) ler a condicionante em que a Europa está metida - dependente energeticamente do exterior -, e pretende que a Europa se torne independente de quaisquer pressões exteriores, entenda-se: da chantagem russa.
Para isso era necessária uma política energética comum e Brown não a defendeu, como nenhum dos seus colegas europeus.
A força da Rússia, em relação à UE, reside na nossa posição de debilidade negocial.
Os russos limitam-se a fazer das nossas lacunas as suas forças. Entretanto, nós, europeus, continuamos a tornar-nos mais vulneráveis.

Merkel y Sarkozy se enfrentan por los impuestos sobre el combustible
Num momento em que se devem procurar respostas alternativas ao consumo excessivo de petróleo na Europa, Sarkozy, bem ao seu estilo populista, quer dar sinais errados aos cidadãos, com a defesa da baixa dos impostos dos combustíveis, como se isso fosse benéfico.
Como refere, e bem, uma fonte da Comissão Europeia, a respeito da proposta de Sarkozy, tal medida seria dar pão hoje para ter fome amanhã.
Felizmente, em Berlim, está alguém com sentido de Estado e com responsabilidade para não seguir o facilitismo. Os tempos não são fáceis e não é iludindo hoje que se melhora amanhã.
Mais uma vez, Merkel diferencia-se dos governantes europeus de direita, em especial o francês e o italiano, por não pactuar com populismos que só conduzem a becos sem saída.
Espalhar farpas é a parte fácil, agora falta a explicação económica e política.
Caro Miguel Lopes,
É certo o que diz. Não bastam umas larachas, importa corroborar posições. Por isso, no caso das petrolíferas da América Latina, pela sua similitude (que é manifesta quando comparada no seu quadro regional e que pouco tem a ver com a realidade da intervenção estatal norueguesa, russa ou saudita, até por se tratarem de enquadramentos políticos, sociais e culturais diferentes dos latino-americanos), importa verificar qual a companhia petrolífera mais bem sucedida, e porquê, e quais as falhadas, e a que se devem tais perdas, no quadro da América Latina.
Por isso, merece leitura este artigo, que expõe as virtudes e os defeitos das companhias petrolíferas latino-americanas.
Como se pode depreender da leitura do texto, o caso de sucesso da Petrobras, que Fernando Henrique Cardoso lançou em 1997, e que Lula sabiamente não alterou, dado o êxito da companhia brasileira, bem podia ser um bom exemplo para o resto do continente. Trata-se de um bom exemplo. O Estado não se demite da sua presença, mas sabe que será tão mais bem sucedido nas suas pretensões de desenvolvimento e ganhos nacionais quanto mais contar com privados, que permitam melhorar a acção da companhia. Ao invés, as políticas populistas latino-americanas, com obsessão de tudo querer dominar, e de ver nos investidores estrangeiros uma ameaça, tal postura só conduz, como a realidade comprova, ao insucesso e perdas nacionais.
Ainda há quem pense que as nacionalizações são um boas e rentáveis. Os resultados estão à vista.
Como refere um ex-Ministro da Economia peruano, este Estado sul-americano perdeu 20 anos de desenvolvimento, devido às nacionalizações que a ditadura de direita decretou na década de 70. Desta feita, os populismos de esquerda, predominantes nalguns Estados latino-americanos, estão a enveredar pela implementação de mais injustiça social.
La gran paradoja es que incluso hay riesgo de desabastecimiento interno en Bolivia.
Para quem vê, com bons olhos, as políticas de nacionalizações da América do Sul, pode ler a notícia do El País que dá um testemunho da desastrosa nacionalização do gás na Bolívia.
Como se podia prever, a pretensão obsessiva dos populismos sul-amernicanos, de tudo querer dominar e dos investidores estrangeiros afastar, acaba por prejudicar o próprio país.
Escrevi um texto mais abaixo sobre a esquerda anacrónica no México, que se opõe à abertura ao sector privado da petrolífera estatal mexicana Pemex.
O André Azevedo Alves, do Insurgente, também destacou o assunto e gerou-se um interessante debate na caixa de comentários do Insurgente.
Dos vários comentários apresentados, destaco o do jornalista mexicano J. Enrique Olivera Arce, que refere a maior mobilização do país desde 1938 devido à questão energética, e concebe uma possível abertura da Pemex ao sector privado como uma subordinação às empresas norte-americanas e europeias.
Primeiro, a Pemex não tem necessariamente de abrir-se a empresas destes continentes, porque há outras, em África e na Ásia, na América do Sul inclusive, que podem entrar na petrolífera mexicana.
Depois, como López Obrador e os seus deputados, grevistas de fome, o jornalista mexicano não apresenta nenhuma forma de melhorar a Pemex.
É fácil criticar, mas antes de mais, é preciso resolver e a Pemex não pode continuar a afundar-se.
Enquanto muitos vêm atentados à soberania do México, o que se verifica com a actual situação, e alguns esquecem, é o afundar de uma grande companhia, vital para o interesse do México e seus nacionais.