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Já não escrevia aqui faz tempo, mas o Paulo Ferreira refrescou-me a memória e um "Control+C", "Control+V" não é gesto que consuma grande esforço, por isso, cá vai o que também aqui publiquei sobre a discussão que grassa por aí:

 

O monopólio - inexistente - das IPSS preocupa a CGTP, mas os do Estado - e são tantos e reais - já não! Os correios já não os deixa assim, nem a rede eléctrica nacional, nem os caminhos de ferro ou sequer a linha por onde lhes chega o telefone ou a televisão mais cara do que seria suposto caso a concorrência fosse efectiva.

 

Neste artigo do Público consegue-se perceber que a continuidade das respostas sociais não deixa de estar garantida só porque o Estado está menos presente. A sociedade tem, em muitos casos, capacidade para se fazer substituir a ele, dando uma resposta mais eficaz e aumentando a sustentabilidade de todos. E o Estado tem de ter a humildade para o reconhecer. O mesmo que, com maior facilidade e menos preocupação, pode acontecer noutras áreas para lá da social.

 

Se o Estado-social tem capacidade para se tornar mais leve sem que o país perca com isso, o Estado-empresarial ainda mais. E com um imperativo e urgência maiores.

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Passaram três semanas sobre as eleições legislativas. Temos novo Governo,  nova Presidente da Assembleia, novos deputados e, arrisco-me a dizer, uma nova esperança. Essa esperança, realista e consciente das dificuldades, encontrará pela frente o maior desafio governativo dos últimos 120 anos.

 

 

Se é praticamente consensual que a qualidade dos novos Ministros se situa acima das expectativas iniciais, algumas vozes têm levantado dúvidas quanto à orgânica do Governo no que se refere a dois ministérios: Economia, Emprego, Obras Públicas, Transportes e Comunicações, por um lado, Agricultura, Mar, Ambiente e Território, por outro. Em particular, têm aludido a uma excessiva concentração de pastas importantes sob a tutela de apenas um ministro. Já se sabia que Pedro Passos Coelho pretendia um executivo com menos membros.

 

 

Compreende-se que este Governo não tenha direito ao tradicional “estado de graça”, fruto das circunstâncias terríveis em que o país se encontra, mas que lhe seja, ao menos, conferido um certo benefício da dúvida.

Devemos pois, nesta altura, avaliar a orgânica desses e de outros ministérios sob um prisma de moderado optimismo: se as coisas vierem a correr bem estará lançado um paradigma de futuro no que se refere à constituição de um Governo.

 

 

Por outro lado, o novo Primeiro Ministro dá sinais de não se querer desculpar com a herança que recebe e aponta um caminho de acção. Fica-lhe bem essa atitude positiva. De resto, a crua realidade se encarregará de ir revelando o quão pesada é a tarefa que se apresenta ao país, não é necessário repeti-lo.

 

 

Na sequência do Conselho Europeu, Passos Coelho avançou para os próximos dias o anúncio da antecipação de novas medidas de combate ao défice. Nada de anormal. Ao contrário dos supostos excedentes orçamentais de que fomos ouvindo falar ao longo dos últimos meses, constata-se que já estamos em risco de não cumprir com a meta de 5,9% a que nos comprometemos com o triunvirato financiador.

Pondo de parte a explicação para a discrepância de valores de execução orçamental avançados pela Direcção Geral de Orçamento e Instituto Nacional de Estatística, ora numa óptica de entradas e saídas de dinheiro ora na óptica de compromissos efectivamente assumidos, já se desconfiava que era à conta de "artifícios" como atrasos no pagamento a fornecedores que os números preliminares de 2011 pareciam menos antipáticos.

 

 

Na altura em que escrevo, a Grécia começa a discutir no Parlamento a apresentação de novas medidas de austeridade das quais dependerá mais uma injecção de dinheiro que evite a bancarrota. De resgate em resgate até à bancarrota final, cada vez mais previsível dada a magnitude dos encargos de Atenas, uma Europa em estado de negação vai adiando soluções definitivas, trocadas por "pensos rápidos" que não parecem suficientes para travar um possível contágio colectivo.

Na expectativa estão, já não apenas Portugal, Irlanda ou Espanha, mas, os próprios americanos que dão sinais de preocupação face a um eventual alastrar da crise de dívida soberana europeia.

 

 

Como pano de fundo, vamos assistindo à transferência, cada vez mais evidente, do centro de gravidade do poder económico dos Estados Unidos e Europa para a China e um conjunto de outros países cujo epíteto de emergentes já vai pecando por defeito.

A discussão para a qual todos, enquanto cidadãos europeus, temos de ser convocados, e quanto mais depressa melhor, é o que queremos para o futuro. Que arquitectura europeia será a mais adequada para uma união monetária que nunca foi uma união económica e cujos desequilíbrios macroeconómicos começam agora revelar-se na sua plenitude ? Estaremos nós, e os outros, dispostos a dar passos efectivos no caminho de uma verdadeira união económica e em que a coordenação de políticas fiscais e macroeconómicas sejam uma realidade ? Estaremos nós até, e os outros, dispostos a caminhar no sentido de uma Europa de Estados Federais ?

 

 

São estas algumas das questões a que os líderes dos países europeus devem dar resposta. Respostas essas que, desejavelmente, devem merecer da nossa parte, cidadãos de Portugal e da Europa, uma atenção e participação bem mais efectivas do que noutras alturas do processo de construção europeia.

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O Ministro das Finanças reconhece que não há dinheiro para pagar salários a partir de Maio. As Polícias deixam de pagar as contribuições para a Segurança Social por falta de dinheiro. E, afinal, o país estava bem...

 

 

Nada como uma boa cortina de fumo para desviar atenções.

Entre o independente que comete o crime de aceitar um convite partidário, ao Comissário Europeu que verbera a atitude dos nossos dirigentes, ou até mesmo a marca de cerveja portuguesa que os "monstros do FMI" bebem, tudo tem servido para alimentar o consumidor de (des)informação.

 

 

Valeria a pena abordar o papel que alguma comunicação social tem tido, em particular na última década, para a formação de opinião e branqueamento de determinadas condutas.

Sou um adepto da frontalidade com que os media anglo-saxónicos exercem a sua actividade. Em Portugal, numa comunicação social nas mãos de quatro grandes grupos económicos, contam-se pelos dedos os casos de informação isenta e objectiva. Não seria mais sério as linhas editoriais assumirem a sua preferência por este ou aquele partido, este ou aquele político?

 

 

No dia seguinte ao pedido de demissão de Sócrates era difícil perceber pelas manchetes dos jornais quem é que nos trouxe até aqui. O carrasco transformado em vítima. Agradeçamos ao Grande Líder o trabalho que tem feito por nós!

 

 

Nos Estados Unidos, é habitual que jornais de referência como o New York Times, o Washington Post, o Wall Street Journal, declarem a preferência por um determinado candidato numa determinada eleição. Apoios às claras. Não serão preferíveis as paixões assumidas às convicções (mal) dissimuladas ?

 

 

Na Irlanda, ainda que as razões da crise se prendam mais com erros da banca do que do próprio Governo, o partido no poder não passou de cerca de 15% nas eleições antecipadas. Em Portugal, o homem que nos governa há mais de 6 anos consecutivos, e que nos últimos 16 anos exerceu responsabilidades de governo durante 13, irá, muito provavelmente, conseguir um terço dos votos...

 

 

Os políticos têm responsabilidades. Quem os elegeu, pelo voto ou pela indiferença, tem responsabilidades. Quem acha ser capaz de fazer melhor pela comunidade e prefere cuidar do umbigo tem responsabilidades. Quem transmite de um determinado candidato ou partido uma imagem que não corresponde à realidade tem responsabilidades.

 

 

Nas cortinas de fumo da última quinzena, voltam a comunicação social, os políticos, os portugueses, a desviar-se do essencial.

Se 5 de Junho é importantíssimo, tão ou mais importante é o caminho até 16 de Maio.

 

 

Até à próxima reunião dos Ministros das Finanças da União Europeia, Portugal terá que chegar a uma solução de compromisso com a equipa tripartida da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional. A necessidade de pedir ajuda para fazer face aos encargos pesados de um país que tem vivido acima das suas possibilidades, obrigará a que Portugal se tenha de comprometer com medidas muito difíceis. É preciso que todos se capacitem da necessidade de "optar" pelas menos gravosas e que não castiguem ainda mais os que menos podem.

 

 

Seria fundamental para o nosso país, mas complicado dada a escassa margem negocial que nos resta, ao reconhecer tardiamente a necessidade de ajuda, que se conseguisse um prazo maior para o ajustamento orçamental. E uma taxa de empréstimo mais baixa do que aquela que foi imposta à Grécia e Irlanda pelos nossos "irmãos" europeus. E, sobretudo, que se tivesse em mente que consolidação sem estratégia de crescimento económico agravará a condição deste doente.

 

 

Que todos dessem o seu melhor contributo para a solução era positivo.

Bloco e PCP dão sinais de não querer conversar com quem cá vem emprestar dinheiro. A Sudoeste nada de novo. Lavar as mãos de responsabilidades é um desporto nacional. E em época pascal o conforto da postura-Pilatos tem sempre os seus indefectíveis.

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"Um dos mitos da intervenção do FMI é de que os custos de financiamento baixam para níveis sustentáveis. Não baixam, como se vê na Grécia e na Irlanda. Hoje, Portugal paga menos por dívida a três anos do que a Irlanda está a pagar ao Fundo de Emergência Europeu. A única vantagem da intervenção do FMI é pois política: é vir alguém fazer o que devíamos e arcar com as culpas. É compensar a covardia dos governantes."  Pedro Santos Guerreiro - Jornal de Negócios

 

 

 

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Quem paga manda?Ou tantas vezes o cântaro vai à fonte que lá deixa a asa?

 

"...as reuniões foram organizadas no quadro do Banco de Portugal e abrangeram entidades de vários sectores, incluindo a banca.
Uma das reuniões foi com o presidente do Conselho Económico e Social (CES), Silva Peneda, confirmou o próprio ao PÚBLICO, e envolveu dois representantes do FMI. No entanto, Silva Peneda remeteu eventuais explicações sobre o assunto para o Banco de Portugal.
O Banco de Portugal não participou na reunião com Silva Peneda, mas poderá ter participado noutras.
A missão do FMI, a segunda em mês e meio e que não se sabe se ainda estará no país, era chefiada por um iraniano a viver há alguns anos nos EUA e teve várias reuniões, em Lisboa e noutras localidades, possivelmente no Porto.
A equipa veio directamente de Washington e não envolveu a participação de António Borges, o economista português recentemente indicado para chefiar delegação europeia do Fundo (que abrange uma área que vai de Portugal à Rússia e Turquia)."

 



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Ler o artigo "The Benefits of Fiscal Consolidation in Unchartered Waters", que analisa as vantagens de consolidar as contas públicas nesta fase de turbulência nos mercados financeiros.Aqui Jürgen Stark, Ludger Schuknecht e Philipp Rother consideram que vários países exageraram na crença que é possível gerir o ciclo económico apenas através da política orçamental e que o chamado fine tuning keynesiano....não funciona como esperado ou propalado!

 

 

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"Precisamos de aumentar a competitividade. Não tendo moeda, podemos simular os efeitos de uma desvalorização. E uma das formas é baixar os custos laborais sem tocar nos salários, como fez a Alemanha e como a OCDE recomenda: é baixar as contribuições sociais das empresas em função do trabalho, compensando a receita do Estado com outros impostos, ou seja, seria reduzir a taxa social única e aumentar o IVA. Isto tem várias grandes vantagens. Como todas as exportações são produzidas internamente, se se baixasse a contribuição social, baixava-se também o custo das nossas exportações. É como se estivéssemos a subsidiar as exportações. Além disso, como todas as importações têm de pagar IVA, estariamos a aumentar os impostos a que estas estão sujeitas. É o equivalente a criar uma tarifa sobre as importações. Portanto estamos a favorecer o comércio externo a nosso favor." - Vítor Bento, hoje no Público

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Escrevo, habitualmente, com 2/3 dias de atraso sobre a espuma dos dias. O preço de tal atraso é estar fora das discussões do momento, fora da berlinda da blogosfera mais atenta, fora do rol de artistas que pululam nas páginas dos jornais. Emitir opinião só depois de  ver os prismas que a compõem, toma mais tempo e tem tem estes custos, mas deixa-me descansado sobre a sustentabilidade das mesmas, quanto mais não seja no que à minha consciência e coerência na visão diz respeito.

 

Vem isto a propósito de nas últimas semanas, meses (?), ter visto inúmeros defensores da estratégia governativa assente na prioridade ao investimento público de larga escala vociferarem contra a opção de se apoiarem preferencialmente as PMEs. Uma posição tão válida como qualquer outra, desde que se apresentassem os argumentos válidos. Mas a maioria ficou-se por um apoio cego que se limitava a orbitar em torno daquela que era a opinião do governo. Opiniões que em tom de apoio choviam à mínima notícia sobre estes assuntos. Argumentos que à velocidade da luz eclodiam nos twitters, nos blogs, nos facebooks, nos jornais e que pareciam existir apenas com vontade de dar "fogo de cobertura" às decisões que o governo ia tomando. 

 

O governo entretanto adiou as grandes decisões, as grandes obras. O governo entretanto admite hoje que as prioridades deverão ser as PMEs. E agora?

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O tempo escasseia e o desafio lançado num comentário ao post anterior obrigava a mais, muito mais. Mas vamos lá por pontos:

 

Eficiência e eficácia no uso dos fundos do QREN. Para não me acusarem de cegueira ideológica comecei por um ponto que socialistas e não socialistas deveriam tentar ultrapassar. Com um índice de execução que ronda os 2% e sob a desculpa de não termos financeiramente forma de suportar a parte que nos compete para atingirmos um índice mais elevado, só pode soar a gozo as injecções que se vai fazendo nalguma banca e que parecem cair em saco roto. É mais que hora de não deixar dinheiro fugir!

 

Abdicar da tentação de fazer obras de regime para incrementar o apoio a PMEs. Esta é sem dúvida uma questão a que um socialista, por não crer tanto na regeneração do mercado, prefere não ceder. Opta por ir adiando a recuperação da crise ao mesmo tempo que orgulhosamente deixa marcas que oneram o presente e as gerações vindouras. Seria ajudar a criar postos de trabalho sustentáveis em vez de desesperadamente maquilhar estatísticas de emprego. 

 

Baixa de impostos como estímulo ao consumo. Esta decisão, sobretudo em épocas de crise, é fundamental para que se reerga a confiança e estimule a circulação de moeda. A um socialista admito que tal possa assustar, pois privado de tanto proveitos o Estado perde poder na acepção assistencialista que lhe dão.

 

Término do fundamentalismo e burocratização fiscal. Um socialista é especialista em engenharias, por natureza. Não opta, por exemplo, por flat taxes, tem dificuldade em agilizar pagamentos de IVA, em reduzir o seu peso, recusa-se a pensar numa alternativa ao actual IRC e teme acabar com exemplos de "justiça social" como a tributação sobre o património.

 

E poderia continuar pelo blog abaixo não fosse eu próprio cansar-me. Mas prometo voltar à carga assim a discussão o estimule. Mas como se vê, é possivel dar uma alternativa ao país que não passe pelo socialismo.

 

 

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Quando nem mesmo o futebol e a nossa selecção (A) conseguem dar o merecido ânimo às aspirações dos portugueses, resta-nos olhar com maior atenção para outros campeonatos e confrontos. Hoje, pelas 18h00, o nosso tenista Frederico Gil defronta o n.º 1 do mundo, na terceira ronda do Torneio de Miami, nos Estados Unidos. O encontro terá honras de court central. Ainda que a tarefa encerre em sim um grau de dificuldade que se prevê ser dificilmente ultrapassada, o português marcou já a história do ténis luso ao ser o primeiro a ultrapassar a 3.ª ronda de um torneio do grande Slam.

O nosso desporto e competição não pode ou merece ser só reduzido ao futebol. De igual forma, a nossa economia e esperança futura não pode caber apenas na Qimonda ou em outras empresas. Olhemos pois com alguma visão estratégica para o futuro, incentive-se e apure-se o empreendorismo, atirando para trás das costas o eterno "galo nacional" e as contas de última hora.
 
Também em Miguel Teixeira-Lx
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Costuma dizer-se que "Com o mal dos outros podemos nós bem" mas neste caso só poderemos aspirar a melhores tempos se os "outros", espanhóis, alemães, norte-americanos, ficarem bem melhor!É a globalização estúpido!

Neste quadro as relações/trocas comerciais e o IDE de países emergentes como Angola, o Brasil, a Índia ou a China torna-se fundamental, e em plena crise global é mais tempo para trabalhar do que relembrar velhos fantasmas ou clamar por princípios éticos cínicos de ocasião no que toca ao apoio e fortalecimento das nossas empresas.Eu não preciso de gostar de Chavés nem de concordar com o MPLA desde que portugueses tenham emprego, oportunidades de negócio, possibilidade de diversificar mercados e de inovar fora do pequeno mercado doméstico.Quanto às questões de liberdade, democracia e direitos humanos, essenciais na visão ocidental do Mundo, deixemos à diplomacia aquilo que é da diplomacia.

Quer Portugal confrontar a China com a terrível situação do Tibete por exemplo?Que o faça com inteligência ao mesmo país que verga os EUA e a UE com a leveza duma pena.

Quer  Portugal confrontar Angola com a liberdade de imprensa e a distribuição de riqueza no país?Que o faça com sensatez e utilidade não para ser como o publicano que bate com os punhos no peito em pleno templo armando-se em puro e imaculado apenas para agradar a alguma clientela intelectual.

Não é com fel que se apanham moscas...

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Apesar de por cá se achar que economia portuguesa deveria crescer 3000% este ano, a economia mundial vai recuar pela primeira vez nos últimos 60...
Bem diria Scolari.

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Depressa se chega à conclusão que o Ministro da Economia - ministério cuja pertinência não sou o único a questionar - é um tanto ou quanto hábil a ignorar as letras miudinhas dos contratos.

Não as leu com a Microsoft e os concursos públicos, não as tentou sequer ler com as empresas de painéis solares e a espécie de crédito bonificado e imagino quantos outros casos estarão por conhecer.

 

A economia fez-se para ser de uns quantos, que via "amigalhaços" do Ministério, vêem a concorrência arrumada!

 

Se a AdC funcionasse a estes níveis, já tinha dado uma valente sacudidela a Manuel Pinho.

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Ainda no debate de terça no RCP com o Miguel, lembrei a tirada de Guilherme Oliveira Martins sobre investimento público e que parece pautar o rumo deste governo:

 

"Mais vale fazer e fazer mal, do que não fazer."

 

Baseia-se nesta ideia para contrariar o comportamento catatónico tido na crise dos anos 30. Apoiar-se nessa ideia para justificar investimentos que estão enganados de raíz muito antes desta crise existir, é utilizar este enquadramento económico para sustentar uma verdadeira teimosia, pois deveria ser nesta altura, neste momento específico, que se deviam equacionar e reavaliar novas apostas com o dinheiro dos contribuintes e que tivessem uma repercussão mais imediata, uma taxa de retorno mais visível. Investimentos que gerassem economia e promovessem a efectiva circulação da moeda e não fossem, como megalómanos que são muitos deles, reais hipotecas das gerações vindouras. 

 

 

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Ainda no Iraque tive a oportunidade de ler a entrevista do Primeiro-Ministro chinês, Wen Jiabao, no Financial Times de dia 2 de Fevereiro, que recomendo vivamente a quem queira penetrar nos insondáveis mistérios de quem hoje detém a posição central na economia mundial e não se queira ficar apenas pelos exercícios de indução artificial de confiança a que se entrega a generalidade dos nossos actores ou comentadores políticos.

O Primeiro-Ministro começa por ser relativamente claro na matéria internacional que tem estado mais em evidência: o pedido de disponibilização de parte das reservas de dois mil biliões de dólares para as instituições internacionais de Bretton Woods (FMI e Banco Mundial) a fim de que estas possam fazer face à crise internacional.

Ao considerar que o mesmo não será possível sem a reforma destas instituições, Wen Jiabao está a dizer aquilo que deveria ser óbvio há muito tempo para os dirigentes ocidentais: é impensável que a China avance com o dinheiro e que sejam os ocidentais que continuem a dominar as instituições financeiras internacionais.

A China, fazendo uso da sua proverbial paciência, estará naturalmente disposta a esperar o tempo necessário até que os nossos dirigentes compreendam a nova realidade da relação de forças financeira, num braço de ferro de que todos pagaremos as consequências.

No segundo ponto, que é o de saber se a China estará disponível para continuar a financiar os défices norte-americanos, investindo nos seus títulos do tesouro, o discurso torna-se mais sibilino: nem sim nem não, tudo está em consideração. Por outras palavras, mais uma vez, trata-se de fazer compreender que agora são os EUA que têm de se portar bem se quiserem continuar a contar com o financiamento da China.

O líder chinês, com a sua proverbial flexibilidade, explica que não se poderá comprometer com limites quantitativos de emissão de CO2 dado que a China – num repente – passa de credor do mundo para um pobre "país em desenvolvimento". Num outro passo, ao apresentar o seu pacote de "estímulo económico", semelhante ao norte-americano, demonstra que a China não pode fazer mais do que o que está a fazer.

Quanto ao problema central, que é o da política cambial chinesa, a argumentação torna-se mais agressiva. Wen Jiabao, que de acordo com o articulista viaja sempre acompanhado por um dos mais importantes livros de quem é considerado como pai do capitalismo Adam Smith (A teoria dos sentimentos morais), e já não do livro vermelho do Presidente Mao ou do "Capital" de Karl Marx, não hesita em acusar o Ocidente de querer virar a realidade do avesso, criticando a China por emprestar dinheiro, em vez de se auto-criticar por não poupar como deveria.

A este último propósito, o discurso elíptico do governante chinês sobre as possibilidades democráticas na China deve ser lido e tomado em atenção, sem nos precipitarmos em conclusões ingénuas ou conspirativas.

Na realidade, os empréstimos chineses, as bolhas especulativas e as dívidas ocidentais, os desequilíbrios comerciais e as taxas de câmbio são tudo aspectos diversos da mesma realidade global, em que faz pouco sentido discutir quem é culpado e inocente, sendo que, se insistirmos nesta lógica de culpabilização, o argumento chinês faz todo o sentido: como é possível criticar a formiga em vez da cigarra?

O discurso da estabilidade cambial tem naturalmente de ser colocado em perspectiva, porque nada haveria de mais desastroso do que anunciar revoluções cambiais, seria mesmo colocar a cereja no bolo da depressão que enfrentamos.

Posto isto, para além da compreensível retórica de passagem da carga de responsabilidade da crise para o Ocidente e do indispensável discurso da estabilidade cambial, a questão é mesmo crucial, quer para o Ocidente quer para a China, e se não for rapidamente enfrentada em cooperação poderemos ter uma verdadeira catástrofe económica e política de insuspeitadas dimensões.

É por isso essencial ter bom senso, compreensão e sentido das proporções no que se pode e no que se não pode negociar. Rápida e urgentemente. A saída para a crise em que nos encontramos está aqui e não noutro lugar.

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Dizia-me ontem um grego, meio contente, meio conformado, que tinha acabado de estar por Espanha e que a situação por lá era diabolicamente depressiva. O êxtase até há pouco vivido contrasta com a fossa abismal em que se agora se encontram. Um país num ciclo bipolar, portanto! Até aqui nada de novo. Todos conhecemos, desde os primeiros sinais na imobiliária espanhola, a situação de nuestros hermanos.

 

Mas continuava ele, o grego, já de sorriso na alma, dizendo que a nós (gregos e portugueses) nada disso nos atingiria. Estávamos habituados à crise, a apertar o cinto, a atravessar dificuldades. Eles, sobretudo, realmente gostam de jogar à defesa!

 

E em certa parte tem razão. No entanto - não sei se na Grécia aconteceu o mesmo - Portugal desde a União Europeia que se habituou a viver como uma classe média - o que  é um sinal positivo, atenção! - Mas tal como a classe média, tem os vícios e gosto dos ricos e as dificuldades e racionamento dos pobres. E o principal problema é só pensar e agir pela primeira premissa.

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A sessão solene de celebração do décimo aniversário do Euro decorreu no dia 13 de Janeiro, no Parlamento Europeu. O balanço do Euro é, a todos os títulos, notável: conta hoje com dezasseis membros, tornou-se uma importante moeda de reserva internacional, assegurou estabilidade cambial e segurança monetária a países que a não tinham tido até hoje e permitiu um notável avanço na integração económica europeia.

Na realidade, apesar da pompa, não se ouviram foguetes ou o destapar das garrafas de champanhe, e a mais conhecida agência de avaliação do mercado financeiro, a Standard and Poor, avisou na véspera que iria rever em baixa a classificação da dívida pública de Espanha (a Grécia e a Irlanda já tinham piorado a sua cotação, espera-se que Portugal e a Itália se sigam).

Dias antes, mesmo o nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros tinha deixado que a sua veia de economista se sobrepusesse à sua veia diplomática para declarar, na abertura do seminário anual do Ministério, que Portugal se tinha dado mal com o Euro.

Como dizia o Comissário Almunia, no debate que decorreu na tarde do mesmo dia sobre o tema, a verdade é que as taxas de juro dos países que não estão no Euro estão muito mais elevadas do que as dos Estados participantes e que, mesmo um país que sempre se mostrou completamente contrário à integração europeia, como a Islândia, fez recentemente saber estar a pensar em rever a sua situação.

E no entanto, apesar da inegável protecção dada pelo Euro – ou talvez, exactamente por causa dessa protecção – a verdade é que o mal-estar perante a moeda única é hoje em dia claro e iniludível, não resistindo mesmo à franqueza do mais diplomático (por função e por feitio) dos nossos governantes.

Pela minha parte, pareceu-me perfeitamente claro, e não deixei de o dizer vezes sem conta, que a estagnação estrutural do crescimento económico em Portugal e a integração no Euro não foram coincidências.

Não é que o Euro seja um mau projecto – defendi-o e defendo-o – mas é que Portugal – e na realidade todo o Sul da Europa – não se soube preparar e adaptar para a realidade da moeda única.

A nossa gestão macroeconómica moderna, ou seja, a gestão posterior ao princípio da guerra colonial (e foi esta que fez finalmente estoirar os princípios rígidos da política gerida pelo Dr. Salazar) foi sempre marcada por uma apreciável cultura inflacionista em que a desvalorização da moeda nos mercados externos e a alta taxa de juro desempenhavam o papel de reguladores a martelo.

Com o Euro deixámos de ter desvalorização e passámos a beneficiar de uma taxa de juro incomparavelmente mais baixa, típica de países com políticas (e culturas) de estabilidade monetária, mas não mudámos de hábitos.

Primeiro foram os défices e as dívidas do sector público, mas rapidamente, para além das formas engenhosas com que ele se foi disfarçando, foi também o sector privado que se sucumbiu às tentações impossíveis de um consumismo insustentável animado por uma dívida privada que não deixou de se avolumar, todas em conjunto, levando a que Portugal seja o país da zona Euro que apresenta maiores défices das contas externas.

É uma situação que não seria necessário ter chegado ao Natal de 2008 para detectar, mas teria sido necessário entender duas décadas antes, quando se tomaram na Europa as decisões fundamentais que nos conduziram ao Euro.

Falar verdade e nada esconder aos portugueses teria sido dizer há vinte anos que o Euro iria trazer enormes benefícios ao país, mas que iria também exigir enormes responsabilidades, não é constatar que estamos a seguir uma trajectória insustentável há anos sem fim.

E agora, no décimo aniversário do Euro, o que temos a fazer? Penso que ninguém tem certezas, excepto que, em qualquer caso, vamos ter de alterar profundamente os nossos hábitos e que essa alteração não vai ser fácil ou indolor.

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El informe de Romer y Bernstein reconoce que "un dólar de gasto en infraestructuras es más eficaz para crear puestos de trabajo que un dólar de rebajas fiscales".

mi consejo al equipo de Obama es que se olviden de rebajar los impuestos a las empresas y, lo más importante, que afronten la amenaza de hacer demasiado poco haciendo más. Y la forma de hacer más es dejar de hablar de arranques y contemplar con más amplitud de miras las posibilidades para la inversión pública.

 

Cá, como lá, nos EUA, e em todo o mundo, debate-se a forma como responder à crise, sendo predominante a leitura keynesiana do investimento público para dinamizar a economia. E como os tempos indicam, sem a presença pública, o privado estaria sujeito a uma circunstância ainda mais vulnerável.

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O Conselho Nacional de Informação dos EUA, que desde a reforma de 2004 se tornou uma espécie de porta-voz dos serviços de informação americanos (e que a língua portuguesa, traindo a nossa atávica tara do segredo, chama de serviços secretos), editou no final do ano o relatório "Tendências globais 2025: um mundo em transformação". Dois dos seus principais autores, a convite do clube de reflexão entre o Congresso dos EUA e o Parlamento Europeu, de que faço parte, vieram apresentá-lo em Bruxelas.

Dividido em quatro cenários, o primeiro, que aparece naturalmente como o mais provável, é aquele em que o que é hoje o Ocidente é remetido à irrelevância; o segundo é marcado pelas alterações climáticas; e o quarto por uma globalização que marginaliza o papel dos Estados. O terceiro é dominado pelo actual duplo conflito da China e do Irão contra o "Ocidente", entretanto recentrado na Índia (um Ocidente oriental, portanto, um pouco como uma democracia ateniense com sede em Washington DC).

O ponto fulcral deste terceiro cenário é o da emergência do Brasil como o verdadeiro árbitro do complexo sistema de conflitos. Enfim, eu que me lembro de ouvir a piada, quando era miúdo, de que o então Presidente do Brasil teria afirmado que dentro de quarenta anos aquele seria o país do futuro, não me teria passado pela cabeça que, quarenta anos depois, fonte autorizada iria mesmo afirmar que o Brasil é o país do futuro e que, portanto, o dito do Presidente brasileiro, ou a piada feita a esse propósito (para o caso tanto faz), foi plenamente profético.

Os nossos amigos norte-americanos parecem ter do Brasil, de resto, a mesma ideia que nós temos: o país do Carnaval e o país para onde pedir asilo político em caso de necessidade, como explicaria Mário Soares; não necessariamente para tomar demasiadamente a sério, mas talvez por isso mesmo com virtualidades inesperadas.

Ilustrado por uma carta de ficção – como todos os outros cenários – o cenário BRIC começa por explicar que o Brasil só se terá tornado um dos quatro países emergentes porque os consultores da Goldman Sachs, a quem foi feita a encomenda do conceito, terão pensado que BRIC – Brasil, Rússia, Índia, China – soaria melhor do que RIC e que para além disso era preciso encontrar um país no hemisfério Sul.

E acontece assim que em 2025, a pátria do Samba seria a única com capacidade de diálogo entre as várias facções em confronto, desde o Irão e a China, à Índia, Rússia, Europa e EUA.

O cenário é talvez para levar mais a sério do que possa parecer à primeira vista e daria razão a todos os que, na senda do luso-tropicalismo de Adriano Moreira e outros, vêm o destino natural de Portugal como um dos braços de desenvolvimento desta potência muito sui generis que é o Brasil.

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O Conselho Nacional de Informação dos EUA – a nova estrutura que depois do 11 de Setembro centralizou a acção de várias agências de informação norte-americanas – editou um relatório que intitulou "Tendências Globais 2025, um Mundo em transformação", tendo os seus responsáveis sido convidados pelo Transatlantic Policy Network -associação de parlamentares europeus e congressistas norte-americanos de que faço parte – a fazer a sua apresentação em Bruxelas.

O relatório serve tanto para apreciarmos como será o mundo em 2025 como o que parece ser o estado de espírito americano quanto ao futuro.

Exaustivo e abrangente, o relatório toca em praticamente todos os pontos essenciais dos principais desafios actuais da humanidade.

O relatório corrobora a visão de um mundo cada vez mais centrado na Ásia, mas vê um declínio mais acentuado da Europa do que dos EUA, colocando este último país ligeiramente à frente da China em 2025.

Na perspectiva do documento, a Europa não vai conseguir encontrar uma fórmula de entendimento a fim de poder pesar na condução dos destinos mundiais e é essa a principal razão da perda do seu poder relativo.

Quanto à dependência do mundo em relação ao petróleo e ao gás, esta projecção faz dela uma das grandes dúvidas, em função da incerteza quanto à evolução das tecnologias de energias alternativas.

Surpreendentemente, o relatório, apesar de apontar correctamente para o aumento da dependência nestas matérias-primas do Golfo, não retira daí as necessárias ilações geopolíticas.

Muito técnico e apolítico, o relatório parece nada entender das consequências devastadoras para os interesses ocidentais da intervenção no Iraque, que abriu caminho ao domínio do Golfo por uma única potência agressiva.

Mesmo no cenário de guerra que ficciona no fim, a acção iraniana aparece como a ameaça de encerramento do Golfo, ou seja, aquelas a que já estamos habituados em 2008, parecendo o relatório não entender que se as coisas prosseguirem como até aqui, o Irão não precisará em 2025 de fechar o estreito do Golfo para controlar os fornecimentos de gás e petróleo.

Igualmente surpreendente é a visão do relatório quanto ao terrorismo. Tratado como um fenómeno socio-económico, prevê o seu declínio com base nas projecções demográficas do Grande Médio Oriente, fazendo-se absoluta tábua rasa das dimensões ideológicas e geopolíticas do fenómeno.

Por trás destas projecções persiste a incapacidade em entender que a lógica das ideologias não pode ser compreendida no quadro da racionalidade e que o mundo não se divide apenas entre Estados falhados e Estados racionais.

Da mesma forma, o relatório considera que o perigo fundamental está no avanço tecnológico do arsenal terrorista no domínio químico, biológico e nuclear, nunca colocando em questão o impacto da emergência de Estados que professam a ideologia e os métodos do chamado terrorismo como sua mola fundamental.

O relatório faz projecções mais consensuais em matéria demográfica, qualificação humana e tecnologias e dá por assente a aliança indo-americana.

A possível ruptura no bloco de Xangai – reabertura do conflito sino-russo – também me parece um cenário provável, enquanto o de um Brasil como a potência emergente benigna capaz de dialogar com todos é sem dúvida simpático, mas não sei se realista.

O futuro não é apenas uma questão de projecções, é também uma questão de construção, e por isso, a referência ao Brasil parece-me ser suficientemente importante para ser tida em conta por todos nós.

O Brasil pode ter sido incluído no lote das potências emergentes, porque BRIC soa melhor do que RIC, como alvitram os autores do estudo, mas tal como eles dizem pode ter sido uma feliz coincidência.

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A receita aplicada pelo Estado na terra da Escola Austríaca de Economia para um banco de investimento em dificuldades, o Banco Medici, foi....tomar o controle sem injectar capital.

Certamente Hayek deve estar a dar voltas no caixão.

 

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Uma história interessante, um currículo impressionante, uma desgraça pessoal que reflecte muito bem o se passou (passa!) nalguns meios e para algumas pessoas nos mercados financeiros.

As declarações, seguidas de detenção,  de Bernard L. Madoff aos funcionários da Securities and Exchange Commission parecem a confissão dos pecados do actual sistema económico-financeiro, qual será o acto de contrição?Existirá expiação possivel?E perdão?

 

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Da mesma forma que nos é dada a possibilidade, no pc, de salvar um documento  nuns quantos tipos diferentes de formatos, também este governo se mostra disponível a fazer o mesmo com as nossas empresas.

 

Nacionalizou o BPN de uma forma abrupta e que a mim me assusta pelo precedente que abriu. Salva agora o BPP, cuja causa do desastre é totalmente diferente do BPN, mas que da mesma forma carrega aos contribuintes o ónus de suportarem os erros alheios. Fica patente, no comportamento de Teixeira dos Santos, como é fácil vestir a pele de "mão amiga do Estado" quando o fazemos com dinheiro que não é nosso!

 

Mas, sempre quero ver como irá o governo reagir - e com que argumentos - quando lhe aparecer no jornal da noite um grupo de futuros desempregados de uma fábrica do Norte com Jerónimo de Sousa a encabeçar a multidão e a reivindicarem que o Estado amigo lhes salve a empresa da falência. Não vai ser fácil ter razão nessa altura, pois ao contrário do mundo da informática, não deveria existir mais que um "Save as".

 

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A inflação na Zona Euro terá caído para 2,1 por cento em Novembro, baixando uns inéditos 1,1 pontos percentuais em relação aos 3,2 por cento registados no mês anterior, revela uma estimativa rápida do Eurostat.
Toca de descer a taxa de juro de referência do BCE Sr. Trichet!

Será que teremos dinheiro tão barato como nos EUA?Taxa do BCE a 1,25% ou 1,0%?

Teria a sua piada depois de tanto transe anti-inflacionista...

 

Adenda: 36 quedas consecutivas da Euribor, taxas a 3 e a 6 meses já abaixo dos 3.9%!

Nos próximos 12 meses, as famílias portuguesas deverão gastar menos 14% com o crédito à habitação face aos custos que tiveram no último ano. Os contratos com revisão do crédito em Dezembro serão os primeiros a sentir a descida da Euribor, mas as boas notícias vão estender-se a todas as famílias que pagam prestação da casa ao banco.
Depois de três anos consecutivos de aumentos dos encargos, e de um ano de 2008 marcado pelo forte aumento dos juros, esta será a primeira vez em que todas as famílias vão sentir um alívio das prestações...Porreiro pá!

 

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O Estado tem agregado a ele uma série de empresas que nasceram apenas com o propósito de gravitarem em torno de dinheiro certo. Dinheiro que tarda em chegar - são conhecidos os prazos de pagamento do Estado que podem levar à falência das mais incautas empresas - mas que em contrapartida é certo e seguro. 

 

É importante que cada vez mais o Estado enquanto cluster cresça e prolifere, desde que isso signifique que transferiu para os privados algumas das suas competências e serviços permitindo-lhe adquirir, jpor meio dessas empresas, melhor competitividade e flexibilidade a melhores preços.

 

No entanto se o Estado, ao invés de se libertar, se comporta como sorvedouro de alguns serviços e aplicações que a mais não servem do que à autarquia X que quer parecer avançada tecnologicamente, ou à Y que teima em ser mais amiga do ambiente ou à Z que quer à viva força ganhar o prémio dos Sistemas Integrados - whatever that means - então os orçamentos que poderiam pagar o útil, passam a pagar o supérfluo, fazendo com que o outsourcing deixe de ser positivo e passe a ser mais um fardo.

 

Como em tudo e em todos é uma questão de gestão - que se quer da boa - que o Estado tem de fazer, mas que quase sempre não consegue nem ver.

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Enquanto os nossos líderes mundiais continuam a tactear em busca de interpretações e soluções para a grande crise económica, convém, pelo nosso lado, não nos limitarmos a esperar que eles as encontrem. Pelo contrário, convém começar já a responder com os meios à nossa disposição.

O pior que poderíamos fazer, numa altura em que uma crise de confiança mina a nossa actividade económica, seria diminuir os esforços públicos para dinamizar a economia, como tenho visto alguns analistas sugerir. Para mim é claro que os dirigentes regionais e locais devem fazer exactamente o contrário, ou seja, promover por todos os meios a actividade económica.

Posto isto, é necessário estabelecer prioridades e penso que a primeira deve ser a do estímulo à micro-actividade e, muito em especial, à que é protagonizada por mulheres.

As macro-actividades nos Açores – em resultado directo da nossa dimensão – têm mais dependência e geram mais efeitos no emprego e na actividade económica do exterior da região do que no seu interior.

Numa altura em que a prioridade absoluta é estimular a actividade económica interna, as micro-actividades têm vantagens ímpares.

Em segundo lugar, temos de ter em conta que o principal recurso dos Açores com potencial de crescimento é o da mulher e isso mesmo é confirmado pelo nosso passado recente. O nosso crescimento recente deve-se maioritariamente à mobilização da mulher para o mercado de trabalho. Com efeito, esse aumento teve apenas uma excepção, que é a correspondente ao grupo das mulheres com filhos pequenos. Isso quer dizer que, para além de termos de incentivar uma maior partilha das responsabilidades domésticas, temos também de potenciar todas as iniciativas de cuidado para as crianças e de ocupação dos tempos livres (e aqui convém lembrar o trabalho fundamental de organizações como as de escuteiros que merecem tudo o que pudermos fazer por elas).

Muito em particular temos de estimular o empreendedorismo feminino, área em que o potencial por utilizar é enorme. Recentemente, num debate promovido por empresárias, estas convenceram-me que se justifica equiparar as mulheres aos jovens, nas taxas de apoio. O micro-crédito pode ter aqui uma importância decisiva.

Vamos todos reagir com energia e determinação à borrasca que continua a avolumar-se no horizonte todos os dias. Não há tempo a perder, nem salvações divinas a esperar. Há que encontrar energias para enfrentar as dificuldades no nosso seio.

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Durão Barroso pronunciou-se hoje, em Bruxelas, contra o abandono projectos de investimento público de “qualidade”, recusando referir-se ao caso específico de Portugal, onde o PSD critica a política do Governo nesta área.
“O que tenho a dizer é que é importante não se abandonar projectos de investimento público desde que sejam projectos de qualidade e projectos que promovam o emprego e projectos que promovam a competitividade da economia”, defendeu o presidente da Comissão Europeia.

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O Henrique Raposo, no Expresso desta semana, lançou a terminologia de "reaço-esquerdistas", que o Rodrigo Adão da Fonseca classificou como deliciosa. Comecei a pensar sobre o tema. Lembrei-me então de um episódio, com cerca de dois anos, em que numa esplanada de Cascais falava com o pai de um grande amigo meu, brasileiro e petista, que me explicava o porquê de ser contra o casamento entre homossexuais. Tentei rebater o senhor, mas não consegui - fiquei então com a ideia de que se tratava de um "reaço-esquerdista".

 

Sei que para o Henrique Raposo isto não é um reaço-esquerdista. Falemos antes de economia e da suposta "falência do socialismo". O mesmo afirma que o liberalismo não está em causa, muito menos ferido de morte, com esta crise. Não consigo concordar com o Henrique Raposo. O liberalismo, para o bem e para o mal, foi sendo difundido, nas últimas décadas, por uma série de gestores, que apregoaram a falência do socialismo e do intervencionismo estatal na economia - tudo seria regulado pelo mercado e por uma mão invisível, tudo funcionaria melhor.

 

Anos passaram e os bancos começam a querer falir, o mercado pareceu não ser capaz de se auto-regular e a quem pedem agora apoio os gestores? Ao Estado, isso mesmo ao Estado, que se queria, anteriormente, cada vez menos intervencionista, cada vez menos Estado. Não será isto a falência de uma doutrina económica? Parece-me que sim.

 

Mas a política, quer seja liberal, ou conservadora, de esquerda, ou de direita continua igual. A melhor arma da defesa é o ataque e o Henrique Raposo sabe isso melhor do que ninguém. Perante a crise do capitalismo e do liberalismo há que responder com uma nova intifada contra o socialismo e a esquerda. Por mais eloquente que os liberais tentem ser, neste contexto, todo este discurso tem um trago ao dito "capitalismo descafeinado", instantâneo, de má qualidade e ultrapassado pela nespresso.

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O índice PSI-20 negoceia no valor mais baixo desde 2003, Euro abaixo dos 1,24 dólares e Barril de Brent abaixo dos 60 dólares...

As bolsas norte-americanas abriram a sessão em queda, penalizadas pelos receios cada vez mais acentuados de que as principais economias mundiais estão a caminhar para uma recessão económica. O índice Dow Jones descia 0,36% para os 8.348,61 pontos, enquanto o Nasdaq desvalorizava 1,13% para os 1.534,42 pontos.
Os índices americanos voltaram a recuar na semana passada, caminhando para o pior mês desde 1938.
Os mercados emergentes atingiram o nível mais baixo desde 2004. Em queda há cinco sessões consecutivas, os mercados continuam a ser penalizados pelos receios de uma recessão económica a nível mundial. A bolsa húngara já perdeu mais de 11% e na Rússia, o Micex continua encerrado após a forte queda de sexta-feira.

As matérias-primas estão a caminho de sofrer o pior mês em pelo menos 38 anos, penalizadas pelos receios de que o abrandamento global da economia tenha reflexo na diminuição da procura pelas mesmas. A liderar as quedas estão o petróleo, o cobre e o ouro. O índice S&P GSCI, que reúne 24 matérias-primas, descia 2,18%, colocando a desvalorização acumulada este mês em cerca de 33%, a mais elevada desde pelo menos 1970.

O petróleo acumulou quatro quedas semanais consecutivas, o cobre negociou no valor mais baixo em três anos e o ouro mantém a sua tendência de queda, estando a terminar uma série de sete anos de ganhos.
Na sessão de hoje, o West Texas Intermediate (WTI), negociado em Nova Iorque, cedia 3,26% para os 62,06 dólares, enquanto o Brent do Mar do Norte, transaccionado em Londres, e que serve de referência para a Europa, caía 2,53% para os 60,48 dólares.
O índice de contratos futuros sobre o dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana contra seis divisas, registou a maior subida em quatro décadas, impulsionado pela maior procura de dólares no mercado.
O índice ICE para o dólar acumula uma valorização de 21% desde 15 de Julho passado. Trata-se do maior período de ganhos dos últimos 40 anos, segundo revela a agência Bloomberg, que colocou o “benchmark” a negociar em máximos de dois anos

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Maus rumores, maus ventos e más noticias...a distancia entre o Paraíso e o Inferno é tão curta.

 

 

 

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