"Se não houvesse medo, um qualquer destes destacados militantes socialistas que periodicamente nos avisa do grave perigo que atravessa a sociedade portuguesa teria tido a coragem suficiente para abandonar a sua zona de conforto e enfrentar José Sócrates. Pelo menos, ter-se-iam evitado estes embaraçosos 96,43%, muito pouco europeus. Além de que se teria ganho uma excelente oportunidade para perceber o que vale, a nível interno, a sensibilidade que há muito pressiona o partido do Governo.
Obviamente, Manuel Alegre não tinha interesse, nesta fase, em que ficasse à vista o peso interno da sua corrente no PS.
De forma hábil, ele tem construído o essencial da força de negociação perante Sócrates no destaque que as suas posições, assentes em propostas e críticas de natureza social, vão recolhendo no País e não no partido."
Ora vejamos, fractura exposta da tíbia e do perónio da perna esquerda, rotura total dos ligamentos cruzados do joelho esquerdo, foi o resultado desta entrada por trás e "a pés juntos" sobre alguns destacados militantes do Partido Socialista.
Espera-se ansiosamente pelo castigo da Comissão Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol...
Entrevista telefónica de Robert Fisk, jornalista britânico a residir há 32 anos no Líbano,autor do livro 'A Grande Guerra pela Civilização', ao DN.
Quanto tempo levou a escrever este livro?
De certa forma, levei 32 anos porque é o resultado desses anos de trabalho e dos meus milhares de arquivos , dossiês, notas, etc. Mas se se refere ao tempo que levei a recolher todo esse material, diria que foram 17 meses de trabalho desde as seis horas da manhã até às oito da noite, sem cigarros, álcool, nada. Só trabalho. Foi um livro muito interessante de elaborar mas também muito deprimente...
Teve a oportunidade de se encontrar várias vezes com Ben Laden. Como é que os americanos e os britânicos, com toda a sua tecnologia, não o prenderam?
Porque os seus serviços secretos são muito maus, não sabem "ler" as pessoas; de qualquer modo, Ben Laden é agora irrelevante; a Al-Qaeda funciona por si só.
Faz alguma diferença Obama ganhar as presidenciais dos EUA?
Nada, tudo ficará como está. Daqui a seis meses haverá guerra com o Líbano e os EUA irão apoiar Israel.
Na sequência do processo de alegados favorecimentos na atribuição de casas em Lisboa, António Costa revelou aos vereadores o património da autarquia. Onde há 16 palácios, com inquilinos que pagam rendas de amigo
A Câmara de Lisboa tem 16 palácios históricos, com milhares de metros quadrados arrendados, por quantias quase simbólicas a 101 particulares, empresas e instituições. Na lista que António Costa distribuiu esta quarta-feira aos vereadores da autarquia, e à qual o DN teve acesso, constam os palácios Alarcão, Benegazil, Braamcamp, Cabral, da Folgosa, da Mitra, dos Condes de Figueiró, Monte Real, Relvas, Ulrich, São Cristóvão, Banhos de São Paulo, dos Távoras, Marim Olhão, Pancas Palha e o Convento das Bernardas.
Entre os inquilinos destes palácios, que pertenceram a famílias nobres portuguesas e que são hoje em dia parte do património disperso da CML, estão instituições como a Polícia de Segurança Pública, que não paga renda pela ocupação do Palácio da Folgosa, a Santa Casa da Misericórdia, que está no Palácio Monte Real, na Rua se São Mamede ao Caldas, e não paga também nem um cêntimo. A Associação Nacional de Freguesias está no Palácio da Mitra, arrendado por 350 euros, o preço de um quarto em Lisboa. O Clube TAP Air Portugal está no Palácio Benegazil, onde paga 531,70 euros, e a Confederação do Turismo Português ocupa o Palácio Pancas Palha, onde paga 664,35 euros, ou seja o preço de um T1 ou T2 numa zona menos nobre da cidade.
Mas os institutos também têm direito a preços de amigo. O Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais paga 72,30 euros pelo Palácio de São Cristóvão, onde está ainda o Gabinete Português de Estudos Humanísticos, que paga a módica quantia de 53,46 euros. A Associação de Arquitectos Portugueses está no Palacete dos Banhos de São Paulo a custo zero, sem qualquer renda a pagar. A maior leiloeira portuguesa ocupa centenas de metros quadrados no Palácio Marim Olhão, na Calçada do Combro, e paga de arrendamento o que muitas famílias pagam por um T3: 1.100,32 euros por uma das fracções. Uma firma de fixações, parafusos e outros metais chamada Pecol está no Palácio Alarcão, onde aluga duas fracções. Uma por 57,07 euros e outra por 62 euros. Um caso pouco exemplar é o do Palácio dos Távoras, na Mouraria, onde estão dezenas de inquilinos, com rendas que vão desde os 2,22 euros aos 58,89 euros. Mas os ateliers de artistas são outros dos pratos fortes da lista que António Costa deu aos vereadores. Artistas de renome nacional e internacional têm arrendados à CML ateliers por dezenas de euros, contrastando com as centenas, e na maior parte dos casos, milhares de euros que rendem as suas obras. Gracinda Candeias, Teresa Magalhães, Eurico Gonçalves, Luís Filipe Abreu, Henrique Ruivo, Victor Belém, Isabel Laginhas, Inácio Matsinhe ou Lagoa Henriques são alguns dos beneficiados, na maior parte com arrendamentos que datam de 1990, mandato de Jorge Sampaio. Há um caso em que não há sequer lugar ao pagamento de renda. A artista Romy Castro "paga" zero de renda.
Durante a campanha eleitoral que o levou à Casa Branca, Bill Clinton tinha afixado no seu gabinete, mesmo em frente aos seus olhos (para não se esquecer, nunca), um cartaz com a frase: "It's the economy, stupid!"
Uma das coisas boas que José Sócrates aprendeu com o antigo presidente dos Estados Unidos foi a importância nuclear da economia e isso tem-se notado no roteiro das suas viagens.
Portugal tem uma economia pequena e aberta que mesmo no mais recente período de prosperidade europeia teimava em crescer abaixo do ritmo dos nossos parceiros na UE. Agora, que o bloco económico em que estamos integrados está a perder gás, Portugal tem de procurar alternativas.
Como quando a Europa se constipa nós arriscamo-nos a apanhar uma pneumonia, José Sócrates brilha a grande altura ao abrir as portas de novos e importantes mercados para as empresas portuguesas.
José Eduardo dos Santos, Hugo Chávez e o coronel Kadhafi não são exactamente um modelo de líderes democráticos, mas Angola, Venezuela e Líbia escaparam à crise do subprime e enriquecem sempre que o barril do petróleo sobe.
No ano passado, as exportações portuguesas para Angola cresceram 39%. Já este ano, Luanda ultrapassou os Estados Unidos e tornou-se o nosso principal mercado fora da UE e o quinto maior cliente de bens e serviços, ao absorver 4% do total das nossas exportações.
As exportações têm sido o motor de crescimento da nossa economia - e o motor pode gripar por efeito do arrefecimento do clima económico nos nossos principais mercados. Por isso, Sócrates faz bem ao abrir estes mercados.
Só para lembrar: prosseguem os julgamentos em Palermo e na Sardenha, ou não? Sim, na Sicília, onde ser mulher de juiz pode levar, no mercado, a escutar esta pergunta assustadora: "A senhora mora na rua X, no terceiro esquerdo, não é?" Sim, na Sardenha, a capital dos raptos, onde os filhos dos juízes vão à escola. E, então, os juízes continuam a julgar? Pelo que eu sei dos costumes indígenas (os da minha terra), não deviam. Deviam suspender por falta de condições de segurança.
Claro que exigiu guarda-costas. Ele e os juízes de Palermo, da Sardenha e do País Basco não são suicidas, nem aqui os chamaria se fossem heróis tolos. Não misturam é o cu com as calças: o facto de serem alvo dos bandidos não os impede de exercer o que são. Não fecham as portas ao primeiro susto. Combatem quem os assusta tornando-se mais eles, mais juízes. Porque o susto os convenceu ainda mais que são necessários. As agressões do Tribunal da Feira deviam ter convencido os juízes, assim: "Olha, sou mesmo necessário." Em vez disso, suspenderam-se.
Um juiz que suspende julgamentos porque durante um julgamento se cometeu um crime, é um juiz que não acredita que os julgamentos servem para combater os crimes. E, já agora, do ponto de vista do criminoso: se um crime num julgamento acaba temporariamente com os julgamentos numa comarca, porque não mais crimes desses para prolongar a suspensão de julgamentos? E porque não estender a táctica a todos os tribunais portugueses?
Tanto eu, como o Daniel, por trabalharmos no sector da comunicação social, somos suspeitos e por princípio, também acho que não deviamos fazer comentários públicos sobre a qualidade de outros órgãos de informação. Lembro os estimados leitores, de que o Daniel Oliveira foi jornalista e actualmente é cronista no Expresso e comentador na SIC Notícias.
O Diário de Notícias é um jornal de referência, com comentadores bastante interessantes, lembro-me já à primeira vista do Pedro Lomba, que embora não seja da minha área política, nem da do Daniel, é um comentador de qualidade indiscutível, do Mário Bettencourt Resendes que é provedor do leitor e muitos outros profissionais que merecem o nosso respeito.
Nem só o que é do Balsemão é bom, há mais imprensa de qualidade em Portugal.