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A maior virtude da(s) esquerda(s) é, de facto, o seu pluralismo, como tem afiançado Manuel Alegre nos últimos anos mas, na verdade, também a sua grande fraqueza, resultando na incapacidade de se estabelecerem convergências e consequentemente a autofagia do seu fim comum. A incapacidade de se estabelecerem convergências nacionais tem, não só, raízes históricas nacionais - apesar do maior e, talvez, único e último combate em uníssono contra o regime fascista - como tem, essencialmente, raízes na própria génese e evolução ou construção da(s) esquerda(s). O busílis reside na separação entre o ideal e o real, entre anarco-sindicalistas, socialistas utópicos, socialistas científicos e a social-democracia empírica, claramente maioritária – também, maioritariamente anti-utópica - e que acabou por ceder recentemente, sem estratégia, aos encantos da desregulação - desresponsabilização ? – (neo)liberal, sob a capa da teorização da terceira-via de Giddens. 
Não me cabe fazer e nem acredito na diabolização do socialismo científico, do revisionismo bernsteiniano e dos “revisionismos” da própria concepcção social-democrata de Bernstein ou do(s) liberalismo(s), até porque existe um grau de admissibilidade desde que haja clareza na afirmação de um rumo ideológico. O que critico é a alienação ou o abandono do idealismo e humanismo da discussão e da praxis política à esquerda, considerando-se que a direita guia-se, em oposição ao utopismo e ao optimismo antropológico, pelo individualismo, realismo, cepticismo e até hobbesianismo. Assim, a cedência social-democrata ao empirismo e a contínua cedência do marxismo revolucionário à modelação anti-democrata como comprovada por Kautsky é, tout court, uma subserviência às concepções da direita, seja ela na sua versão libertária ou conservadora. A esquerda precisa de repescar princípios da visão reformadora, sinérgica e humanista de Owen, tal como princípios mutualistas proudhonianos e porque não princípios do capitalismo keynesiano? A esquerda necessita, como oxigénio da sua sobrevivência internacionalista, de arrumar com o seu próprio sectarismo e com o anti-humanismo da ortodoxia marxista e da social-democrata e tender, para a “luta cultural”, objectivando a construção pacifista de uma sociedade aclassista, em estabilidade democrática plena. “Exijamos o impossível”!
Publicado, originalmente, em Socialismo - Cultura
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 "Há iniciativas que não têm preço!"

 

Diz-se isto dos eventos que pela sua qualidade justificam qualquer montante pedido, mas diz-se também daqueles que pelo seu objectivo são a título gratuito. O OPART - Festival ao Largo reúne essas duas características, acumulando tantas outras que fazem dele um evento único e imperdível.

 

Em que cidade, em que recanto, nos podemos dar ao luxo de admirar, acompanhados por largas centenas de espectadores e pelos eléctricos mudos de vergonha que entretanto por ali passam, a qualidade de um bailado? E no fim, que preço tem sermos levados pelo vento fresco do Tejo a descer as ruas do Chiado até chegarmos a casa de alma satisfeita?

 

O preço é um "Muito, muito obrigado!" e minutos de aplausos intensos por tal oferta a não perder! 

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Parte um homem a quem o País muito deve em termos culturais.

 

João Bérnard da Costa aproximou-nos com paixão e dedicação à 7ª Arte.

 

A sua morte é um momento triste e desolador.

 

Fica a obra de um homem bom e um grande Cidadão do Mundo.

 

O corpo parte a Alma e a Obra ficam bem patentes na Rua Barata Salgueiro, na admirável Cinemateca.

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Foi enquanto estudante do ensino superior que conheci e aprendi a obra de António Quadros, fundador do IADE.

 

 

Por iniciativa de sua família foi agora instituída a Fundação António Quadros Cultura e Pensamento! Esta tem por objectivo a prossecução de acções de carácter cultural, artístico, cientifico, educativo e social, que visem a divulgação do pensamento e obra de António Quadros, Fernanda de Castro e António Ferro, assim como de outras personalidades de mérito.

 

Uma iniciativa que se aplaude, um excelente contributo para a preservação de parte importante da Cultura portuguesa.

 

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A PSP de Braga apreendeu hoje numa feira de livros de saldo alguns exemplares de um livro sobre pintura. A polícia considerou que o quadro do pintor Gustave Courbet, reproduzido nas capas dos exemplares, era pornográfico, adiantou uma fonte da empresa livreira.

António Lopes disse que os três agentes policiais elaboraram um auto no qual afirmam terem apreendido os livros por terem imagens pornográficas expostas publicamente.


Não há pachorra. Por onde corria a inteligência do agente (es) da PSP para considerar uma obra de Courbet um acto de pornografia. Vá-se lá perceber se o original da obra exposto no Museu D'Orsay em Paris, não é afinal um instrumento pornográfico ao serviço uma nova função cultural que os franceses pensaram para o equipamento cultural.

Que dizer então da série recentemente passada na televisão, que retratava a vida privada de Salazar? No mínimo apreendia-se o filme, encerrava-se como medida cautelar a estação e colocava-se sob termo de identidade e residência os incitadores da devassa.

Este é ainda uma parte do País que se herdou, atrasado e sobretudo sem estrutura alguma de formação e informação.

Ainda há uma semana numa conversa em que participei na RCP, sobre o património e cultura, reclamei a educação para a cultura, como um instrumento central para o exercício de uma cidadania plena.

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Entidades culturais e partidos juntam-se em coro de protestos contra ministro da Cultura

 

Mas não só a oposição se levanta nas críticas à gestão da cultura no último ano. O poeta e deputado socialista Manuel Alegre lamentou que o Ministério da Cultura (MC) continue a ter "uma dotação orçamental baixíssima", que se traduz, entre outros aspectos, "num grande desprezo pelo património".
"Não sou conta o mecenato, mas é uma responsabilidade fundamental do Estado recuperar e salvaguardar o património nacional, que é a pegada histórica de um povo", salientou.
Escusando-se a comentar a performance do ministro José António Pinto Ribeiro, o escritor preferiu centrar a sua avaliação nas prioridades do Governo para a área da cultura.
"A cultura não tem sido prioridade do Governo, daí os baixíssimos orçamentos", conclui Manuel Alegre, alertando para a degradação de alguns dos sectores mais importantes deste sector, como o património arquitectónico e os museus.
Lastimou os casos que têm vindo a público de degradação de património, como o Convento de Cristo, em Tomar, o Mosteiro da Batalha e a Sé Velha de Coimbra.
"Não percebo como o Estado tem tantos milhões para salvar um banco e não salva o património nacional do país. Parece que o património material está hoje acima do património histórico".

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Acabei de chegar de Torres Vedras, onde assisti ao lançamento do livro de poesia "Toda a Poesia Nua", do filósofo Paulo Alexandre e Castro. Trata-se de uma obra poética bilingue, português e francês.

Foram óptimos os momentos de discussão e tertúlia. Para além disso, tivemos a oportunidade de assistir a um pequeno recital, de alguns dos seus poemas. Os meus parabéns ao autor.

Quem quiser assistir ao lançamento em Lisboa, pode deslocar-se à Byblos, nas Amoreiras, às 18:30 da próxima quinta-feira, dia seis de Novembro. Fica o convite.

 

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"Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amorcego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, sãouma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?"
 

Miguel Esteves Cardoso, Expresso

 

Almoçava hoje, num dos muitos sítios do costume e lia a grande entrevista ao Miguel Esteves Cardoso à Sábado. Ao final da tarde, tomava café com uns amigos na baixa e relia o texto. Já à noite, no escritório, voltava a reler a entrevista. Fiquei vidrado, estupefacto e não sei que mais. Já tinha ouvido falar dos seus velhos hábitos, conhecia a sua história, já havia lido parte da sua obra, inclusivé ando a ler o seu último livro e até já tinha escrito sobre o MEC e sobre a sua incursão política no PPM. Mas quanto mais conheço o MEC mais simpatia ganho pela personagem.

 

Temos ideias muito diferentes, mas ao mesmo tempo muito iguais. Basta sermos portugueses, perdermos dois minutos a pensarmos sobre Portugal e descobrimos que cada um de nós tem um bocadinho de MEC e mais desconcertante do que isso, descobrimos que o próprio MEC tem um bocadinho de cada português. Lembrarmos a Noite da Má Língua na Sic, o velho Independente, as candidaturas monárquicas do final da década de 80 ao parlamento europeu, a revista Kapa e tudo o resto onde esteve, passou e brilhou Miguel Esteves Cardoso. Isto faz-nos ansiar um regresso. Nunca é tarde.

 

 

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Qualquer dia sou expulso do Câmara de Comuns. Motivo: obecessão por poesia e escritos da Catalunha. De qualquer forma, um blog mais não pode ser do que um espelho da nossa vivência e a verdade é que tenho passado os últimos dias absorvido pela poesia catalã. Por este motivo, deixo mais uma poesia, desta vez de Juan de Timoneda, poeta do século XVI. Novamente em catalão.

 

"És donzella molt galana
......entre donzelles;
és discreta i molt humana,
......bella entre belles.
Puix donzella m’ha nafrat
......i m’enamora,
ja el meu cor trobe robat
......d’una senyora."

Juan de Timoneda

 

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Há pouco tempo, deixei neste blog um poema de Joan Brossa, escrito em catalão. Pouco divulgado entre nós, foi um dos precursores da poesia modernista, para além disso, enquanto artista plástico, foi um dos ícones da poesia visual de Barcelona, cidade onde nasceu, viveu e morreu, no final do século passado. Em 1948 foi um dos fundadores da publicação Dau-al-Set, a principal das manifestações modernas da poesia visual catalã.

 

Do lado esquerdo deste texto, deixo um dos seus "poemas objecto", onde volta a questionar a ambiência da linguagem das palavras e das cores.

 

Deixo agora um excerto de um dos seus poemas, provavelmente o que mais me marcou na sua obra:

 

 

"Si eres una palabra, serías amarse
Si fueras un ídolo yo prepararía tu adoración en los santuarios.
Si fueras tibia claridad, te rodearías de rebaños.
Si fueras una gota de sangre, iluminarías.
Si el mundo de vida fuera todo soledad y caos, ya estarías destinada a ... manifestarte.
Si el mundo fuera una brumosa caverna, en ti convergerían infinitudes.
Tu eres el más bello reflejo de la Imagen primordial
Que allende los tiempos se multiplica inexpresable."

(Joan Brossa, Tú)

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O nosso colega de blog, Paulo Estêvão, do qual tenho a honra de ser Editor, para além de ter sido eleito recentemente o primeiro deputado regional do Partido Popular Monárquico nos Açores, acaba de lançar um livro, intitulado "Excertos de uma oposição monárquica ao regime cesarista açoreano". Esta obra marca o início da colecção de política da Chiado Editora, de nome "Passos Perdidos".

Nas palavras do mesmo: "Este livro é o resultado da súmula dos textos que escrevi ou republiquei no último ano. Revela o meu percurso político, as batalhas políticas que travei contra o regime não democrático que os socialistas criaram nos Açores e algumas das aspirações que tenho para o futuro do Povo Açoreano."

 

Para saber mais sobre a obra.

 

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A jovem escritora Catarina Coelho, irá lançar no próximo Sábado, dia 1 de Novembro, pelas 20h00 no OndaJazz, o seu primeiro livro, de índole infanto-juvenil.

"A fantástica aventura dos anões de luz" trata-se de um trabalho ficcional, sobre a magia no reino da inocência. Nos tempos modernos, podemos assumir a metáfora da magia, como os dons que todos nós temos, podendo utilizá-los para servirmos o bem, ou fazermos o mal. Por este motivo, aconselho a leitura a todos, principalmente aos mais jovens.

Como ainda sou um jovem e me deixei levar pela "magia" da obra, aceitei o desafio da Chiado Editora, com a qual colaboro enquanto Editor de Política, para fazer a apresentação do livro, pelo que convido os leitores do Câmara de Comuns a estarem presentes no seu lançamento.

 

Para saberem um pouco mais basta clicarem aqui. 

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O novo filme de Woody Allen vem confirmar a sua excelente fase, afirmando-se como continuador da trilogia Cassandra Dreams, Scoop e Match Point, os três últimos filmes do realizador. No entanto, esta nova longa metragem, distingue-se pela sua genialidade. Para o ajudar neste trabalho, contou com uma equipa de actores de luxo, onde figuram nomes como Javier Bardem, Penólope Cruz, Scarlett Johansson, Patricia Clarkson, Kevin Dunn, Lluís Homar e Rebecca Hall. O desempenho dos mesmos é brilhante, sendo necessário realçar o excelente momento de Penólope Cruz, que só pode ser comparado à sua prestação em Volver.

Qualquer gesto artístico que vise descrever, falar, ou simplesmente cantar uma cidade na qual não vivemos, é por si só complicado, quando a mesma se separa da nossa terra natal por um oceano físico e cultural imenso, o desafio pode tornar-se impossível. Acontece que Woody Allen não só ultrapassou facilmente este desafio, como foi mais longe na sua análise, ficcionando a viagem e estadia de duas mulheres americanas, tão distintas no aspecto físico como interior, em terras catalãs. O realizador traz-nos uma visão de uma Barcelona artística, boémia e completamente entregue aos prazeres da vida, trata-se de uma cidade desenhada com cenários de Gaudi e Miró, com passagens pelo o Parc Guël, La Pedrera e pela Sagrada Família. Todas as cenas são regadas a vinho, momentos descomprometidos e romances informais – Barcelona parece mais bela aos olhos de Woody Allen.

O noivado, o casamento, o adultério, a poligamia, a loucura e a arte, não são temáticas novas no cinema de Woody Allen, podemos encontrá-las em vários filmes, principalmente nos mais antigos. Desta forma, quem gosta do cinema de Woody Allen, vê em Vicky Cristina Barcelona um regresso às origens, com uma diferença – Barcelona parece-nos ainda mais bela e romântica do que a Nova Iorque de Annie Hall. A tragédia ao ritmo catalão tem um trago a doce, efémero e aventureiro, não há dor que abafe a vida latina e descomprometida com a paixão e os compromissos sociais. O génio do realizador revela-se naquele que é o maior dos hinos cinematográficos a Barcelona, a cidade que é vista de fora para dentro, ao ritmo do flamengo, sobre os olhos de um americano, que nos leva uma simples conclusão: ainda mais provável do que nos apaixonarmos por Barcelona, é apaixonarmo-nos em Barcelona.

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"A pesar de las apariencias y las teorías, dice

 

que tiene miedo de la soledad; se siente distanciado
de los objetos; tiene miedo de no ser más que una
cosa entre las cosas, entre objetos sin nombre:
tiene conciencia de no estar aquí."

 

Joan Brossa

 

 

 

 

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O prémio Nobel da literatura foi esta manhã atribuído ao escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clézio. O autor tem cinco obras traduzidas e publicadas em Portugal, distribuídas pela Assírio & Alvim, D. Quixote, Fenda e Relógio D'Água. Ficam os parabéns.

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Morreu hoje o escritor Dinis Machado com 78 anos, o autor de importantes obras, entre as quais "O Que Diz Molero". Não morreu só Dinis Machado, morreu também Dennis McShade, seu pseudónimo, com os quais editou várias obras, entre as quais "Mão direita do diabo" e o genial "Requiem para D. Quixote".

Faleceu o escritor, mas ficou a obra. Um dos mais enigmáticos do século XX português. A cultura portuguesa hoje ficou mais pobre. Pode parecer um lugar comum, mas não se trata disso. A literatura está de luto, que se prestem a devidas homenagens, pois em vida todas foram poucas.

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Está quase a chegar a várias cidades do país a "9ª festa do cinema francês". Em Lisboa o S. Jorge, a Cinemateca e o Instituto Franco-Português exibem vários filmes de 2 a 12 de Outubro. As cidades de Coimbra, Almada, Porto e Faro também estão incluídas no programa.

Um destaque para o "Les femmes de l'ombre" de Jean Paule Salomé, que se estreia no S. Jorge nos dias 2 e 4 de Outubro. A segunda guerra mundial, a resistência antinazi e a coragem de cinco mulheres em película. Imperdível.

Como nem só de cinema vive o cinema, para além das 36 longas-metragens, que serão exibidas pela primeira vez em Portugal, há ainda concertos, espectáculos e outras actividades. Um hino à cultural francófona, na época da imperial ditadura anglo-saxónica.

Alguém está interessado em ir ao S. Jorge ver a Sophie Marceau?

  

Trailler do filme

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Depois da crucificação do sapo em Itália agora é a vez de um Jesus Cristo com uma erecção causar indignação entre os cristãos. O Centro Báltico de Arte Contemporânea de Gateshead no Reino Unido deverá responder perante a justiça por atentar contra a moral e os bons costumes, de acordo com o jornal ElMundo.

A exposição «Gone, Yet Still» inclui 74 modelos do artista asiático Terence Koh, entre os quais de destacam o «David» de Miguel Angelo, o «Mickey Mouse» e o extraterrestre «ET», todos com erecções.

A cristã Emily Mapfuwa colocou um processo contra a instituição por se ter sentido ofendida com a imagem. A mulher, de 40 anos, considerou que se a imagem fosse de Maomé o museu não se teria atrevido a exibi-la daquela forma....pois não, porque será???

 

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 Hoje, quando os ponteiros do relógio desenhavam um ângulo recto perfeito que denunciava as nove da manhã, dei por mim a refrear o caminhar apressado e estremecer. O motivo? Um irmão! Um irmão que, do nada, ali encontrei, sentado, pensativo… É que caminhar pela rua e encontrar uma moeda, um amigo, ou mesmo uma paixão perdida, acontece todos os dias a muita gente e já ninguém se importa. Mas encontrar um irmão que se desconhecia existir, garanto-vos, é uma sensação estranha, um tanto agridoce, que impele uma torrente de vertigens a afivelar-nos o corpo.

 

Aproximei-me da berma, onde a estátua negra e consistente rumina versos intensos, quase obsessivos, não se cansando de exibir os olhos severos, simultaneamente assolados pelo desamparo do silêncio a que os lábios de bronze condenaram. Chamam-lhe Fernando Pessoa - será? - e nasceu há cento e vinte anos. Desde treze de Junho de 1888 que está vivo. E por cada vez que passa um ano sobre essa data fazem-se comemorações, recitais, discursos… e toda uma panóplia de pieguices com que, habitualmente, se homenageiam os mortos. Mas o Fernando, esse, está vivo.

 

Esse homem que as palavras - e não o bronze - imortalizaram, é irmão da Humanidade. Toda! Porque ser irmão nada tem que ver com o acaso de ser filho da mesma mãe e do mesmo pai, nada tem que ver com laços de sangue. Irmão é mel e fel, amor e dor, é o uivar da nossa alma numa outra voz. E a voz deste Poeta que diz: “Não sei quem sou, que alma tenho.” é o uivo que, secretamente, todas e cada uma das almas da Humanidade esconde.

 

Ver mais )
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João Ubaldo Ribeiro foi hoje distinguido com o Prémio Camões 2008. Um merecido reconhecimento público, exemplo do muito de bom que se escreve no Brasil, que para quem não sabe é um mercado livreiro imenso e que, cada vez mais,  mostra vontade de editar autores portugueses. Numa altura, em que se pretende voltar a redefinir o conceito de Lusofonia e arrumar um espaço para a língua e para a literatura portuguesa no mundo, é preciso cada fomentar uma ampla colaboração entre Portugal e o Brasil.

 

Por este motivo, não consigo partilhar as críticas do José Jorge Letria, da Sociedade Portuguesa de Autores, fundamentadas no facto do Prémio Camões, este ano, se ter restringido apenas a autores brasileiros.

 

Como Saramago o fez há pouco, aproveito para também lembrar o título da mais reconhecida obra de João Ubaldo Ribeiro: "Viva O Povo Brasileiro".

 

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A propósito do texto anteriormente escrito acerca da instalação da Fundação José Saramago na Casa dos Bicos, do segundo comentário desse post, que lança um conjunto de anátemas, há algo que se pode ter em consideração e aproveitar, a promoção dos vultos das letras peninsulares.

Por exemplo, a recuperação e promoção da obra de Unamuno, que tão esquecida tem andado. E a nós, portugueses, muito nos diz.

Lisboa também não pode perder de vista a sua dimensão peninsular. E a Cultura dá-nos e garante essa grandiosidade que pode ser desenvolvida com  afirmação e ganhos da cidade.

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Caro Rodrigo,

 

Tal como tu, vou poupar as análises pessoais acerca da obra do escritor. Não é isso que está em causa como muito bem referiste.

De qualquer modo, ambos reconhecemos o valor de Saramago enquanto um dos maiores vultos das letras portuguesas contemporâneas. E confesso-te: não sou grande fã da obra de Saramago.

Quando tomei conhecimento, também manifestei algum espanto, mas depois, bem vistas as coisas, até considero válida a instalação da Fundação do Nobel português na Casa dos Bicos.

Qual é o mal de juntar dois universos com créditos reconhecidos e apreciados por muitos, o arquitectónico e o literário, no mesmo espaço?

Reabilita-se a projecção da Casa - que tão apagada tem estado na vida cultural da cidade - e dinamiza-se a Fundação que pode desempenhar um papel cultural importante, em Lisboa e no País, difundindo e elevando a Língua Portuguesa.

Há que promover sinergias e estimular o nosso património, que é tanto, rico e diversificado.

Lisboa fica duplamente a ganhar!

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Uma Comissão Interministerial vai proceder à valorização do património de origem portuguesa espalhado pelo mundo a apresentar um plano em 180 dias. Que diabo, a Administração Pública não tem direcções-gerais, gabinetes de estudo, assessores, adjuntos, técnicos? O que fazem eles? Para quê mais comissões, mais ajudas de custo, mais despesa em papel, água e luz? Não posso estar mais de acordo que o Estado se concentre na conservação e na valorização do património, para mim, de resto, a única função na área da cultura que compete ao Estado. Mas não defendo que o Estado o faça à socialista: com mais comissões, com mais despesa, com mais planos. Que raio, não acertam uma ...

 

(publicado no Tomar Partido)

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Amanhã Zack de la Rocha, Tom Morello, Tim Commeford e Brad Wilk vão actuar no Optimus Alive!08. Infelizmente não vou lá estar para recordar uma das bandas, juntamente com os Deftones e os System of a Down, que mais marcaram a minha adolescência. Os jovens de 90 foram possivelmente a última das gerações com uma verdadeira consciência social, talvez os RATM tenham servido para isso, denunciando sempre a política seguida pela ONU, as políticas imperialistas dos EUA, manifestando-se contra a pena de morte e pela salvação de Mumia Abu-Jamal, entre muitas outras coisas, como a defesa de algumas guerrilhas na América do Sul. 

 

"It has to start somewhere
It has to start sometime
What better place than here
What better time than now

All hell can't stop us now
All hell can't stop us now
All hell can't stop us now
All hell can't stop us now
All hell can't stop us now
All hell can't stop us now"

 

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Sugiro uma visita ao blog literário do Filipe de Arede Nunes, meu amigo desde há alguns anos, os suficientes para me dar por contente por não o ter apanhado como professor na faculdade - penso que seja uma felicidade partilhada.

 

O blog do Filipe é um dos muitos blogs portugueses que continuam na sombra, mas que têm uma qualidade de escrita brilhante. Sei que a sua vida pessoal não tem permitido escrever muito mais, mas gostava de ver ainda mais textos, sempre inquietantes, sempre especiais. São palavras que gosto, simplesmente por serem belas.

 

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A Chiado Editora, da qual tenho a honra de ser Coordenador Editorial da Área Política, vai lançar em breve um livro de nome "Diário de uma paixão monologada", da autora Ana Brilha, jovem autora e advogada, que ganhou recentemente o prémio Literário da Ordem dos Advogados, com a obra "Memórias de um corvo".

 

Um livro com duas capas, uma história com dois protagonistas, a mesma autora e o diálogo no século XXI como tema de debate. De um lado Joana escreve um diário de paixão, virando o livro temos o espelho dos sentimentos de Jaime, duas visões do amor na actualidade. Boa obra de criação literária.

 

Em breve nas livrarias. A ser lançado dia 19 deste mês, em local a confirmar. Podem obter mais informações no site da Chiado Editora.

 

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O Pedro Marques põe em cena, no pequeno auditório da Culturgest, "Gengis entre os pigmeus", uma sátira do capitalismo e da sociedade consumista moderna. Torna-se importante também ler a entrevista a Pedro Marques na revista Actual, suplemento semanal do Expresso, onde ataca a subsídio dependência das grandes e históricas companhias de teatro português, critica por mim partilhada.

 

No Jazz é preciso ter atenção ao Cool Jazz Festival a decorrer em Cascais, Oeiras e Mafra durante os próximos dias. Um destaque para o concerto do dia 18 deste mês, em que Lizz Wright vai actuar na Cidadela de Cascais. Lizz Wright é uma cantora negra norte-americana com apenas 28 anos e que já assume o estatuto de estrela no panorama do Jazz mundial.

 

Melhor do que ler é muita vezes reler obras que se tornam para sempre inesquecíveis. Por este motivo voltei ontem a pegar no The New York Trilogy do Paul Auster. Brilhante.

 

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Pela razão de serem criticas em, digamos, "causa própria" fui evitando tecer considerações relativamente à inexistência de trabalho, ideias e projectos de Rosalia Vargas, actual Vereadora na Câmara Municipal de Lisboa, com os pelouros da Educação, Juventude e Cultura.

 

Ao longo de um ano fui vendo muitos projectos a não terem continuidade, como foi o caso do "Portal LxJovem" ou os espaços "Juventude @ Lisboa". Não via novos como alternativa. E no passado fim de semana fiquei a saber, pelo jornal Expresso, que o projecto "Futurália" foi entregue (gostava de saber as contrapartidas) à FIL - AIP.

 

Após as eleições intercalares do ano passado disponibilizei-me para reunir com os vereadores que assumissem os pelouros que tinha tutelado, de forma a fazer uma normal transição de pastas, partilhando informações e a experiência, mesmo que curta.

O vereador Cardoso da Silva, que assumiu o pelouro dos Serviços Gerais, teve a cortesia de me ligar e combinámos um encontro. Foi uma conversa cordial e profícua.

Até hoje, a senhora que assumiu o pelouro da Juventude não quis saber. Ignorou! Está no seu direito. Regista-se a ausência de cordialidade democrática ou, quem sabe, a falta de tempo.

 

Durante esta semana foi noticia que Diogo Infante se demitiu do cargo de director artístico do Teatro (municipal) Maria Matos.

Correndo o boato que poderá estar a caminho da direcção do Teatro Nacional D. Maria II, até se podia perceber.

Mas após ler algumas das motivações desta saída, fica a certeza de que há uma senhora que é, infelizmente para a cidade, um erro de casting!

 

Ora veja-se este excerto de uma noticia na edição online do Expresso:

«Fonte da autarquia adianta que o actor "tinha pedido há meses para ser recebido pela vereadora da Cultura e que isso nunca aconteceu"

 

Está visto. Não é defeito ...

 

e assim "lá vai Lisboa" ... infelizmente!

 

"LxJovem, que giro! O que é isso?"

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Como seria a Cultura e a Ciência em Portugal?A mesma?Quem substituía a Fundação Calouste Gulbenkian no seu papel?

Mecenato privado?Não acredito!O Estado?Custa-me muito a acreditar....

 

Uma investigadora portuguesa esteve na Antárctida entre Janeiro e Fevereiro deste ano para perfurar o solo sempre gelado (permafrost) e conhecer os efeitos das alterações climáticas. Conseguiu fazer um dos raros furos com mais de 25 metros de profundidade na Antárctida. O projecto, integrado no recente Programa Polar Português, foi o primeiro no continente branco a contar com financiamento português.
Gonçalo Vieira salientou que o financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian, através do seu programa Ambiente, “deu um impulso muito importante e pôs as equipas portuguesas no mapa internacional do estudo do permafrost”.
Além de fazer perfurações, Portugal tem na Antárctida investigadores a medir a temperatura do ar, a instalar postos de monitorização da temperatura no solo, da camada activa (aquela que, ao contrário do permafrost gela e descongela todos os anos) e está prevista a monitorização do processo de erosão da paisagem causado pelas alterações climáticas.

 

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