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Passaram três semanas sobre as eleições legislativas. Temos novo Governo,  nova Presidente da Assembleia, novos deputados e, arrisco-me a dizer, uma nova esperança. Essa esperança, realista e consciente das dificuldades, encontrará pela frente o maior desafio governativo dos últimos 120 anos.

 

 

Se é praticamente consensual que a qualidade dos novos Ministros se situa acima das expectativas iniciais, algumas vozes têm levantado dúvidas quanto à orgânica do Governo no que se refere a dois ministérios: Economia, Emprego, Obras Públicas, Transportes e Comunicações, por um lado, Agricultura, Mar, Ambiente e Território, por outro. Em particular, têm aludido a uma excessiva concentração de pastas importantes sob a tutela de apenas um ministro. Já se sabia que Pedro Passos Coelho pretendia um executivo com menos membros.

 

 

Compreende-se que este Governo não tenha direito ao tradicional “estado de graça”, fruto das circunstâncias terríveis em que o país se encontra, mas que lhe seja, ao menos, conferido um certo benefício da dúvida.

Devemos pois, nesta altura, avaliar a orgânica desses e de outros ministérios sob um prisma de moderado optimismo: se as coisas vierem a correr bem estará lançado um paradigma de futuro no que se refere à constituição de um Governo.

 

 

Por outro lado, o novo Primeiro Ministro dá sinais de não se querer desculpar com a herança que recebe e aponta um caminho de acção. Fica-lhe bem essa atitude positiva. De resto, a crua realidade se encarregará de ir revelando o quão pesada é a tarefa que se apresenta ao país, não é necessário repeti-lo.

 

 

Na sequência do Conselho Europeu, Passos Coelho avançou para os próximos dias o anúncio da antecipação de novas medidas de combate ao défice. Nada de anormal. Ao contrário dos supostos excedentes orçamentais de que fomos ouvindo falar ao longo dos últimos meses, constata-se que já estamos em risco de não cumprir com a meta de 5,9% a que nos comprometemos com o triunvirato financiador.

Pondo de parte a explicação para a discrepância de valores de execução orçamental avançados pela Direcção Geral de Orçamento e Instituto Nacional de Estatística, ora numa óptica de entradas e saídas de dinheiro ora na óptica de compromissos efectivamente assumidos, já se desconfiava que era à conta de "artifícios" como atrasos no pagamento a fornecedores que os números preliminares de 2011 pareciam menos antipáticos.

 

 

Na altura em que escrevo, a Grécia começa a discutir no Parlamento a apresentação de novas medidas de austeridade das quais dependerá mais uma injecção de dinheiro que evite a bancarrota. De resgate em resgate até à bancarrota final, cada vez mais previsível dada a magnitude dos encargos de Atenas, uma Europa em estado de negação vai adiando soluções definitivas, trocadas por "pensos rápidos" que não parecem suficientes para travar um possível contágio colectivo.

Na expectativa estão, já não apenas Portugal, Irlanda ou Espanha, mas, os próprios americanos que dão sinais de preocupação face a um eventual alastrar da crise de dívida soberana europeia.

 

 

Como pano de fundo, vamos assistindo à transferência, cada vez mais evidente, do centro de gravidade do poder económico dos Estados Unidos e Europa para a China e um conjunto de outros países cujo epíteto de emergentes já vai pecando por defeito.

A discussão para a qual todos, enquanto cidadãos europeus, temos de ser convocados, e quanto mais depressa melhor, é o que queremos para o futuro. Que arquitectura europeia será a mais adequada para uma união monetária que nunca foi uma união económica e cujos desequilíbrios macroeconómicos começam agora revelar-se na sua plenitude ? Estaremos nós, e os outros, dispostos a dar passos efectivos no caminho de uma verdadeira união económica e em que a coordenação de políticas fiscais e macroeconómicas sejam uma realidade ? Estaremos nós até, e os outros, dispostos a caminhar no sentido de uma Europa de Estados Federais ?

 

 

São estas algumas das questões a que os líderes dos países europeus devem dar resposta. Respostas essas que, desejavelmente, devem merecer da nossa parte, cidadãos de Portugal e da Europa, uma atenção e participação bem mais efectivas do que noutras alturas do processo de construção europeia.

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... ao "A Arte da Fuga", que comprova que ao que parece outros Estados Socialistas, como os EUA, Reino Unido e Japão têm défices públicos e despesas públicas acima do que seria expectável. Eu que pensava que era só em Portugal de José Sócrates.

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O país está perante uma grave crise económico-financeira, política e social. Mais do que nunca, dizem-nos, a nós jovens, que não vale a pena estudar, trabalhar, criar, inventar ou viver em Portugal. Os conformados dizem-nos para desistir: mudar de país ou conformarmo-nos com o nosso fado. Pretendem formatar-nos para o mesmo pensamento catastrofista que nos trouxe até aqui, mas esquecem-se que a nossa geração tem as ferramentas – conhecimento, espírito de sacríficio e coragem - para ultrapassar as barreiras que outros não ousaram transpor. A renovação das estruturas democráticas e da “sociedade civil” vai passar, a curto prazo, por nós e aí teremos, finalmente, a oportunidade de implementar um novo paradigma económico e financeiro, procurando a sustentabilidade, o mutualismo e a justiça acima do individualismo financeiro, da usurpação e da ganância, elevaremos o mérito acima do nepotismo, a educação será rigorosa mas moderna e sem ser opressora e ultrapassada, a justiça não será promíscua, a democracia representativa será qualificada e a democracia participativa reforçada. Uma Nova Geração está, serena e paulatinamente, a tomar conta das rédeas do país e aí "a primavera vai chegar, florida”, como já dizia Torga.

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Espera-se que mais uma vez o dinheiro europeu não seja dado para compra de tractores agrícolas jipes como nos tempos idos do cavaquismo.

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Não deixa de ser curioso que se continue a insistir na tese da responsabilidade total da oposição e sobretudo do PSD na actual crise política.

 

Esqueceram-se porventura da viabilização do Orçamento de Estado (que não é o seu) e dos sucessivos PEC's numa atitude que Mário Soares considerou próprio de quem visava o interesse nacional e de quem transpunha as lógicas político-partidárias, algo só ao alcance de estadistas.

 

Pois rapidamente se fez tábua rasa desse entendimento e o tango transformou-se em marcha fúnebre.

 

Agora o PSD é o grande responsável pelo status quo. Não é o Governo praticamente nado-morto desde o início que não tomou atempadamente as medidas severas que se exigiam. Não foi o Governo que andou a ludibriar tudo e todos com contabilidades criativas e engenharias financeiras. Não foi o Governo que não cumpriu aquilo com que se comprometeu nas negociações do Orçamento de Estado. Não é o Governo que mente sistematicamente. Não foi o Governo que andou a ganhar tempo nos últimos meses a adiar o inevitável. Não foi o Governo que anuiu a entrada do FMI no fundo de resgate europeu, aquele mesmo FMI que diaboliza internamente. Não foi o Governo que se auto-limitou considerando a entrada do FMI em Portugal uma derrota política governamental. Não foi o Governo que negociou um PEC4 nas costas de todos sem passar cavaco ao Presidente da República, Parlamento, Conselho de Ministros, Parceiros Sociais e PSD. Não foi o Governo que face à inevitabilidade da entrada do FMI se apercebeu que tinha mais condições de disputar umas eleições agora do que daqui a uns desgastantes 3 meses, confrontado com a verdade dos números e a derrota política do resgate externo. Não foi o Governo que portanto forçou a situação levando o PSD a ter que assumir as suas responsabilidades como o maior partido da oposição. Não é concomitantemente do interesse do Governo a crise política por si despoletada devido a critérios eleitoralistas e de manutenção no poder. Também não é do seu interesse ter um pretexto para aplicar a sua táctica política preferida: a auto-desresponsabilização e a vitimização.

 

Não.

 

É o PSD que beneficia da crise política ao receber como herança um País em pantanas e o ónus da tomada das incontornáveis e impopulares medidas de austeridade; como é evidente camaradas.

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Europa: um continente à deriva (2009)


Estou preocupado com a Europa. Na verdade, estou preocupado com o mundo todo - não há porto seguro contra a tempestade económica planetária. Mas a situação na Europa preocupa-me mais que a dos Estados Unidos.

Não estou a começar aqui uma repetição da queixa comum norte-americana de que os impostos europeus são altos demais e os benefícios sociais demasiadamente generosos. Os grandes Estados de bem-estar social não são a causa da atual crise europeia. De facto, eles na verdade representam um fator atenuante.

O perigo claro que a Europa enfrenta agora vem de uma direção diferente: o fracasso do continente em desenvolver resposta efectiva à crise financeira. A Europa apresenta deficiências em termos tanto de política fiscal quanto de política monetária. Enfrenta um problema tão sério quanto o dos EUA, mas faz menos para combatê-la.

Do lado fiscal, a comparação com os EUA é notável. Muitos economistas, entre os quais me incluo, argumentaram que o plano de estímulo do governo Obama é insuficiente, dada a seriedade da crise. Mas, ainda assim, as ações norte-americanas agigantam-se perante quaisquer medidas tomadas pelos europeus.

A diferença na política monetária é igualmente notável. O BCE (Banco Central Europeu) vem sendo muito menos activo que o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA); demorou a cortar os juros e vem evitando outras medidas fortes para descongelar os mercados de crédito.

A única coisa que funciona em favor da Europa é aquilo que lhe vale as maiores críticas: a dimensão e a generosidade de seus sistemas de seguro social, que vêm amortecendo o impacto da crise econômica. Mas "estabilizadores automáticos" como esses não substituem ação positiva. Porque é que a Europa está a falhar? A integração económica e monetária está bem adiantada na integração das instituições políticas. Mas, ao contrário dos EUA, a Europa não dispõe das instituições continentais necessárias para enfrentar uma crise continental.


Paul Krugman 

(A tradução é de Miguel Heleno)

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Na encenação do Primeiro-Ministro português com a Chanceler alemã, no discurso ensaiado de um e no elogio público da outra, está a última ilustração da ideia de que um Estado endividado não é verdadeiramente livre. Tão pungente como a fotografia, é a banda sonora: as palavras repetidas por Sócrates sobre o tal país com "oito séculos de história" e que "não é subserviente com ninguém" formaram o perfeito contraste com a cena e com o contexto da própria deslocação a Berlim.

 

 

Mas essa cimeira bilateral é também demonstrativa do estado da Europa. De um lado, Portugal, poderia representar os países do Sul, acompanhados pela Irlanda. Do outro, a Alemanha, representava-se a si própria, os seus próprios interesses e talvez os da França e de alguns países da Europa Central, cujas contribuições para o Orçamento Europeu começam a ser escrutinadas com olhos cada vez mais críticos por parte dos respectivos cidadãos.

 

 

Esta é, de resto, uma novela com novos capítulos nas próximas semanas. O recente "Pacto para a Competitividade" gizado pela Alemanha e apresentado depois como uma iniciativa franco-alemã para uma articulação de políticas entre os países da zona euro, deverá ser alvo de discussão já esta sexta-feira, dia 11, numa cimeira de líderes dos 17 países da moeda única.

 

 

Sendo certo que a Alemanha, fruto do rigor e estratégia da sua governação, está hoje com a taxa de desemprego mais baixa dos últimos 19 anos e que, depois da recessão em 2009, a Europa retomou o rumo do crescimento económico, o problema mais imediato com o qual a Europa se confronta não é o da competitividade mas a necessidade de resolver a crise de dívida soberana, de países cujo eventual incumprimento poderia ter efeito de contágio e comprometer a moeda única.

 

 

Este "Pacto para a Competitividade" parece surgir, pois, em sentido diferente, quase como um compromisso de responsabilidade a exigir pelo eixo franco-alemão aos países que necessitam de ajuda para lidar com défices excessivos.

 

 

Entre a Cimeira da próxima sexta-feira, dia 11, e o Conselho Europeu dos dias 24 e 25, joga-se, pois, muito do futuro próximo da moeda única e do projecto europeu.

 

 

Estou algo céptico quanto àquilo que o Conselho Europeu poderá trazer. Desde logo, o facto de se realizar dois dias antes de na Alemanha haver eleições regionais em mais um estado (precisamente, o estado Natal da Sra. Merkel) pode propiciar um clima pouco favorável às decisões que Portugal e outros necessitariam.

 

 

Falemos claro, os juros relativamente elevados que estão a ser pedidos à Irlanda para o seu financiamento através do tal Fundo Europeu de Estabilização Financeira a que recorreu recentemente, bem como as medidas que lhe estão a ser exigidas, assim como à Grécia, ou as que veladamente se pedem a Portugal ou Espanha, são entendidas hoje pela opinião pública na Alemanha, como na Holanda ou na Áustria, quase como que um preço justo pela falta de «disciplina» interna. E portanto, aquilo que for percepcionado como uma "ajuda" sem contrapartidas aos países em dificuldades não dá votos. Ainda por cima, longe vão os tempos em que líderes como Helmut Kohl davam primazia à importância da Solidariedade na construção do projecto europeu.

 

 

Para baralhar ainda mais as contas, sobretudo as nossas, veio o Presidente do Banco Central Europeu sinalizar um possível aumento da taxa de juro de referência já no próximo mês, num cenário em que o aumento dos preços da energia e bens alimentares aumenta os riscos de inflação. Mais uma notícia que os países com necessidades de financiamento elevadas não desejariam ouvir.

 

 

Março será, pois, o mês de muitas decisões quanto ao futuro próximo.O de Portugal e o da Europa. Não faltará muito para percebermos se será "pau", "pedra" ou mesmo "o fim do caminho". Para nós, portugueses, que daria jeito que as "águas de Março" trouxessem, em vez do "fundo do poço", uma "promessa de vida no coração", lá isso daria...

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29 de Abril 2010: PSD teme entrada do FMI em Portugal

20 de Setembro 2010: Orçamento. Fantasma do FMI vai obrigar PSD a salvar o governo

20 de Outubro 2010: PSD: Caso se torne inevitável, ajuda do FMI "será bem-vinda" -- Passos Coelho

23 de Novembro de 2010: PSD teme entrada do FMI em Janeiro

21 de Dezembro 2010: Cavaco: Intervenção do FMI significará que Governo "de alguma forma" falhou

9 de Janeiro 2011: Intervenção do FMI será “um falhanço político grande e grave do Governo”
10 de Janeiro 2011: FMI está cada vez mais perto de Portugal

 

(Imagem daqui: http://camaradecomuns.blogs.sapo.pt/1873740.html)

 

 

Cláudio Carvalho (CC)


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O mundo vive de mitos urbanos e foi um deles que levou a que António Costa Pereira tivesse de recorrer a partidos políticos, Governo, Presidência da República - de quem durante dois anos levou sopa e não foi sobras - para pôr em prática a sua ideia de distribuir as refeições sobrantes de cantinas e restaurantes pelos mais necessitados. Dizia-se que isso não era possível por causa da Lei de Saúde Pública e do seu braço armado, a ASAE. Afinal, não era bem assim e até esses se mostraram disponíveis para promover e pôr em prática tão simples gesto, mas que demorou anos a concretizar-se.

 

Foi preciso vir a crise para a coisa andar. De repente passámos de um encolher de ombros para uma prioridade nacional. Em Lisboa a Moção do CDS-PP vingou em sessão de Assembleia e de Câmara. Cavaco já se pronunciou e não tardará para que a ideia se estenda a todas as autarquias do país. Pelo meio ficou a ideia socialista de criar uma "agência" para controlar e zelar pela operacionalidade da coisa - imagino quantos administradores, directores e amigos não levaria -. Felizmente os tempos vão sendo outros e houve quem falasse mais alto e conseguisse livrar o projecto das mãos sorvedouras e inoperantes do Estado Central para o colocar mais próximo do terreno e de quem tem capacidade para o fazer, quase sem custos.

 

Cabe agora às Câmaras e Juntas de Freguesia darem o apoio necessário e mostrarem que o aumento de autonomia lhes assenta que nem uma luva, tal como reclamam. A ver vamos. Há quem bem precise. A António Costa Pereira um sentido obrigado! Portugal precisava de mais cidadãos do género.

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A acalorada discussão em torno da aprovação ou não do Orçamento esconde um dogma inerente, cuja perniciosidade  suplanta os per si inenarráveis malefícios do dito documento. O que está em causa é a verdadeira noção de Estado e de toda a concepção económica e social de Portugal. O projecto apresentado encontra fundamentos num eixo (agora sim, verdadeiramente mefistofélico) de cinco mitos que transformam os horizontes próximos num verdadeiro paraíso de Dali:

O desastre financeiro e a crise económica que atravessamos são consequência directa de estados sobredimensionados e os mercados financeiros não podem ser responsabilizados pela situação

O descalabro a que assistimos desde 2007 é filho da ganância e do despudor de Wall Street e congéneres. Activos tóxicos de consequências desconhecidas e especulação maximizada reduziram a cacos a economia internacional. Através de bailouts sucessivos, os estados provaram ser a solução e não parte do problema.

O défice orçamental está numa incontrolável espiral ascendente, que, se não for parada, trará a Grécia para o lusitano recanto

O défice não chega aos dois dígitos e situa-se em níveis francamente abaixo dos apresentados pela Irlanda ou pela própria França. Não se controla através de medidas extremas de contenção da despesa pública, que mais não fazem do que estrangular uma já moribunda economia. Controlem-se e racionalizem-se os gastos públicos, sem incorrer numa deriva recessiva.

A origem de todos os males reside na natureza excessiva dos gastos públicos e a posologia a aplicar é a redução exponencial dos mesmos

Apesar de um crescimento da despesa pública acima do desejável, a verdade é que a gigantesca crise que envolve a economia global é originada pela queda abrupta do investimento privado. Sem acesso ao crédito, os agentes privados, nomeadamente as fedorentamente famosas PME´s, estão cada vez mais encurralados. O investimento público assume pois um papel essencial neste enredo de série B que envolve todos, mas cuja factura só chega à caixa de correio de alguns.

O sector privado cumprirá com maior rigor e eficácia as funções até agora exercidas pelo Estado.

Mito de sempre, resiste a experiências negativas que há muito deviam ter arrumado a noção numa qualquer gaveta da História. Presumir que entidades privadas, orientadas e balizadas pelo horizonte do lucro, poderão atingir benevolentes objectivos através de políticas fomentadas pelas características inerentes à sua própria natureza, é a mesma coisa que entregar as chaves de casa a um foragido. Non sequitur.

O equilíbrio orçamental é a pedra de esquina de qualquer cenário de estabilidade económica e de preços

Montague Norman ou Herbert Hoover dão pulos de alegria numa qualquer sepultura, perante semelhante argumentação. Nos anos 20, foi esta linha que conduziu a globalidade das nações ao flagelo da Depressão. Os ciclos que caracterizam as economias de matriz capitalista são controlados através de apertada regulação dos mercados e dos agentes económicos. Orçamentos de austeridade em tempos de crise são uma excelente forma de garantir a perenidade da mesma e o agravamento das complicações económicas e sociais.

A novela que envolveu a antecâmara da mais do que esperada aprovação do Orçamento de Estado acaba assim por escamotear aquela que deveria ter sido a discussão em torno do famigerado documento. Mais do que discutir quais as medidas draconianas a serem tomadas, dever-se-ia optar pela discussão do paradigma que até aqui nos trouxe. Impregnada que está a ideia de inevitabilidade de apertar o cinto, urge redefinir as linhas com que cosemos a nossa sociedade e os olhos com que perscrutamos o futuro.

Impõem-se políticas responsáveis e socialmente justas. Atribuir responsabilidades a quem aqui nos guiou e atentar para aqueles que mais irão sofrer com a conjuntura que se anuncia ao virar da esquina. Políticas fiscais responsáveis e assertivas, transparência tributária, moralização da actividade política e reforço do Estado Social são fórmulas nunca verdadeiramente aplicadas. Anunciam-se messiânicas medidas, que não passam de relíquias travestidas em cores de néon. Até quando? O Zandinga que em mim palpita não tem a ousadia de apontar hora, nem dia. Mais cedo do que tarde, espero. Os mitos morrem quando menos se espera.

 

Daniel Martins

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No rescaldo de ter assistido à enésima dissertação sobre a crise e suas consequências nacionais e internacionais; há um sentimento que me toma de assalto: a sensação de mais do mesmo.

 

Pode ser quixotesco, mas é humano que quando se ouve alguém a falar sobre determinado tema que angustia o mais comum dos cidadãos, que estes procurem respostas ou indicações sobre o rumo a tomar, e que estas extravazem o senso comum. Tal, infelizmente, não tem acontecido.

 

Debater a crise tornou-se no desporto nacional. Está taco a taco com o futebol, honra lhe seja feita, o que não deixa de ser preocupante.

 

Fala-se de ex cátedra, discute-se, relata-se e orienta-se sobre os tempos dificeis que atravessamos. Mas fica-se por aí. Não há respostas directas, nem medidas concretas para além de lugares comuns e decisões genéricas; que já se mencionam há anos, muito antes da crise. As razões de fundo para a nossa decalage face a Europa são perenes há vinte anos. E agora, para se justificar e combater as várias crises que nos atormentam, recauchutam-se e reciclam-se os mesmos conceitos.

 

Alguém tem dúvidas que; a reforma da justiça, da segurança social, da educação, do fisco, do próprio Estado, das mentalidades,  a imperatividade de medidas sociais e a melhor redistribuição da riqueza, o combate à corrupção, a aposta na cultura e nas novas tecnologias, a reformulação do tecido empresarial, a competitividade e produtividade, o aumento do poder de compra e de salários, o empreendorismo e a saúde, o ambiente ou o urbanismo; não eram questões fundamentais para o nosso desenvolvimento há já duas décadas, no mínimo?

 

Fala-se de ex cátedra, discute-se, relata-se e orienta-se.

 

Também ninguém espera respostas fáceis, até porque a própria crise e as suas consequências ainda não estão estudadas em profundidade. Porém espera-se que quem tem conhecimento de causa ou que lida com estas matérias diariamente, esteja um passo à frente.

 

Fala-se de ex cátedra, discute-se, relata-se e orienta-se.

 

Tenho a sensação que estou a ler a mesma crónica do Expresso, rescrita por diferentes autores, vezes e vezes sem conta...

 

 

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O tempo escasseia e o desafio lançado num comentário ao post anterior obrigava a mais, muito mais. Mas vamos lá por pontos:

 

Eficiência e eficácia no uso dos fundos do QREN. Para não me acusarem de cegueira ideológica comecei por um ponto que socialistas e não socialistas deveriam tentar ultrapassar. Com um índice de execução que ronda os 2% e sob a desculpa de não termos financeiramente forma de suportar a parte que nos compete para atingirmos um índice mais elevado, só pode soar a gozo as injecções que se vai fazendo nalguma banca e que parecem cair em saco roto. É mais que hora de não deixar dinheiro fugir!

 

Abdicar da tentação de fazer obras de regime para incrementar o apoio a PMEs. Esta é sem dúvida uma questão a que um socialista, por não crer tanto na regeneração do mercado, prefere não ceder. Opta por ir adiando a recuperação da crise ao mesmo tempo que orgulhosamente deixa marcas que oneram o presente e as gerações vindouras. Seria ajudar a criar postos de trabalho sustentáveis em vez de desesperadamente maquilhar estatísticas de emprego. 

 

Baixa de impostos como estímulo ao consumo. Esta decisão, sobretudo em épocas de crise, é fundamental para que se reerga a confiança e estimule a circulação de moeda. A um socialista admito que tal possa assustar, pois privado de tanto proveitos o Estado perde poder na acepção assistencialista que lhe dão.

 

Término do fundamentalismo e burocratização fiscal. Um socialista é especialista em engenharias, por natureza. Não opta, por exemplo, por flat taxes, tem dificuldade em agilizar pagamentos de IVA, em reduzir o seu peso, recusa-se a pensar numa alternativa ao actual IRC e teme acabar com exemplos de "justiça social" como a tributação sobre o património.

 

E poderia continuar pelo blog abaixo não fosse eu próprio cansar-me. Mas prometo voltar à carga assim a discussão o estimule. Mas como se vê, é possivel dar uma alternativa ao país que não passe pelo socialismo.

 

 

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A crise económica, financeira e agora social em que vivemos tem puxado pela imaginação dos decisores políticos.

Estes inventam mil e uma medidas, cada uma mais imaginativa que a outra, sempre com o intuito de ajudar aqueles que mais estão expostos aos seus efeitos. Nem todas as medidas são felizes, mas em todas elas está presente o desejo de ultrapassar este período mais negativo.

Neste contexto de profunda crise e de contenção orçamental, as comemorações do 25 de Abril, deveriam ser um sinal de é possível fazer mais com menos.

Assim, e ao observar o programa das comemorações do 25 de Abril na Amadora não pude deixar de me enterrogar do real alcance duma actividade prevista.

De 12 a 17 de Abril, no navio "Funchal" irá decorrer o cruzeiro "Músicas e Melodias", saíndo de Lisboa e passando por Málaga, Gibraltar, Tanger e Cadiz.

Não era possível comemorar o 25 de Abril um pouco mais perto?

Como medida de combate à crise não parece um pouco descabida?

Os poderes públicos não deveriam dar o exemplo de contenção e de combate ao despesismo?

Provavelmente estarei errado, mas que isto não me parece bem, não parece.

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Vendo a entrevista de Sócrates, ficamos com a nítida noção que esta crise é óptima para um socialista:

 

A possibilidade de esgotar recursos públicos em grandes obras de regime sob a justificação de combate ao desemprego. A criação de uma série de engenharias que visam a empregabilidade pendurada na árvore do Estado, mas que mais não servem do que dissimular estatísticas, criar falsas expectativas, maquilhar custos de oportunidade e, como nalgumas autarquias, assegurar um punhado de votos devedores. A possibilidade de intervenção sobre o mais íntimo da sociedade, a liberdade individual, sob o pretexto do "bem comum". O espaço para aumentar o assistencialismo através de uma receita que tem dado mais provas de preguiça e usurpação do que de benefícios reais, como se tem visto no subsídio social ao desemprego. Isto e muito mais...

 

O problema é que esta crise, embora boa para um socialista, não é boa para o país, nem se prevê que tenha um final feliz por esta via! E se isto é uma forma bucólica de ver a coisa, então que me chamem antes Ricardo Reis - com a devida vénia ao génio de Pessoa -, pois não tenho outra maneira de o fazer.

 

PS - só concordei com Sócrates sobre o jornal da TVI. Aquilo é perseguição ao homem! Verdade seja dita que se a TVI continuar na tecla insistente e irritante acabará por trazer ao PM mais benefícios que problemas, mas, ainda assim, não deixa de ser perseguição truculenta

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O director-geral da Saúde sugeriu que o alargamento do horário das cantinas ajudava a combater as carências alimentares das crianças, a ministra não gostou da proposta e chamou-lhe "alarmista".

 

Alarmista? Isto há coisas que se me fossem explicadas eu não acreditaria. Uma Ministra a pôr em causa um Director Geral que não é do seu Ministério. Sou insuspeito de ser um defensor deste director geral de saúde. Noutras ocasiões julgo que não terá agido de acordo com o que lhe era exigido, mas neste caso não tenho a mínima dúvida que as suas declarações apenas pecam por defeito.

A Ministra achou mais importante a defesa dos seus serviços do que julgar as afirmações por aquilo que são. Uma constatação de uma realidade.

A crise que começou no mundo das finanças e dos seguros tem consequências sociais muito graves e ataca com mais força aqueles que por natureza são os mais frágeis, como as crianças e os idosos.

O que o director geral de saúde solicita é algo que não pode merecer contestação. A abertura das cantinas das escolas ao fim de semana. Para a Senhor Ministra este facto foi encarado como uma caixinha de problemas. Renegociação de contratos, pagamento de horas extraordinarias, reforço da segurança, todo um conjunto de coisas que para a Minisra da Educação mais não não são do que contrariedades.

Para esta Ministra que se diz da Educação, a realidade da crise não existe, crianças cujas únicas refeições que tomam são aquelas que são dadas nas escolas não existem, crianças cujo único banho que tomam é aqueles que podem tomar na escola depois das aulas de educação física.

Esta MInistra devia descer do seu pedestal, da sua torre de marfim e falar com os autarcas, com os professores (se ainda houver algum que fale com ela), com os médicos de família e ver o que está a acontecer.

A crise não vai parar porque a Sr.ª Ministra assim o decretou.

 

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El ex director gerente del Fondo Monetario Internacional Rodrigo Rato ha asegurado hoy que "no estamos ante una crisis cíclica, sino ante una transformación de la globalización".

 

"Vamos hacia una nueva globalización", que no tiene por qué ser necesariamente "peor, sino distinta" a la actual, ha añadido Rodrigo Rato durante una conferencia en Valladolid.

 

Aludi,  dias, à intervenção de Rodrigo Rato, acerca da sua leitura do actual momento global, que não considera uma crise mas uma transformação. 

 

Não sendo um apreciador da doutrina que o ex-director do FMI e um dos todo-poderosos Ministros da era Aznar perfilha, Rodrigo Rato é uma voz autorizada e que apresenta uma leitura merecedora de reflexão.

 

Os tempos dirão se a sua intervenção em Valladolid teve sentido ou foi descabida. Tem, aqui, uma síntese mais pormenorizada da intervenção.

 

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Caro Filipe,

 

Por saber que prezas uma análise política merecedora de atenção e com interesse, deixo-te esta reflexão de Aznar, sobre a crise e que respostas dar, que será apresentada na próxima segunda.

Por outro lado, ouvi há pouco, na TVE, uma intervenção de Rodrigo Rato, um dos pilares do Governo de Aznar e ex-director do FMI, considerando o actual momento uma transformação e não uma crise. Do que ouvi, as palavras de Rato apresentam uma óptica bem diferente das leituras correntes quanto ao momento presente. Uma matéria a regressar em breve.

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"Alguém acredita que um Governo com maioria absoluta e que teve a cooperação do presidente da República não tenha responsabilidades na situação a que chegámos?",

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As empresas de construção civil afirmam que a factura de quase dois mil milhões de euros, referente a dívidas do Estado, «está exactamente na mesma», um ano depois de o Governo ter lançado o programa «Pagar a Tempo e Horas», que tinha como objectivo, precisamente, a regularização das dívidas

 

Não era suposto injectar dinnheiro rapidamente na economia? Ainda para mais numa área nevrálgica para o país. E não estamos aqui a falar de injecção de dinheiro no sector financeiro/especulativo (riscar o que nã interessar).

O que está a falhar?

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Police are preparing for a "summer of rage", according to a senior Metropolitan police officer, as the recession deepens and we see more protests about the economic slump

 

Parece a promoção de mais um filme de acção, mas é muito mais sério do que isso. Com o aprofundar da crise económica e financeira parece claro que rapidamente eclodirá uma grave crise social.

No Reino Unido as autoridades policiais já estão a planear a sua resposta, ainda para mais quando pelo meio se intromete mais uma Cimeira dos G20 em Londres, um poderoso chamariz para manifestações mais exiberantes, senão mesmo violentas.

E em Portugal? Ficaremos a salvo destes fenómenos mais violentos?

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Ainda no Iraque tive a oportunidade de ler a entrevista do Primeiro-Ministro chinês, Wen Jiabao, no Financial Times de dia 2 de Fevereiro, que recomendo vivamente a quem queira penetrar nos insondáveis mistérios de quem hoje detém a posição central na economia mundial e não se queira ficar apenas pelos exercícios de indução artificial de confiança a que se entrega a generalidade dos nossos actores ou comentadores políticos.

O Primeiro-Ministro começa por ser relativamente claro na matéria internacional que tem estado mais em evidência: o pedido de disponibilização de parte das reservas de dois mil biliões de dólares para as instituições internacionais de Bretton Woods (FMI e Banco Mundial) a fim de que estas possam fazer face à crise internacional.

Ao considerar que o mesmo não será possível sem a reforma destas instituições, Wen Jiabao está a dizer aquilo que deveria ser óbvio há muito tempo para os dirigentes ocidentais: é impensável que a China avance com o dinheiro e que sejam os ocidentais que continuem a dominar as instituições financeiras internacionais.

A China, fazendo uso da sua proverbial paciência, estará naturalmente disposta a esperar o tempo necessário até que os nossos dirigentes compreendam a nova realidade da relação de forças financeira, num braço de ferro de que todos pagaremos as consequências.

No segundo ponto, que é o de saber se a China estará disponível para continuar a financiar os défices norte-americanos, investindo nos seus títulos do tesouro, o discurso torna-se mais sibilino: nem sim nem não, tudo está em consideração. Por outras palavras, mais uma vez, trata-se de fazer compreender que agora são os EUA que têm de se portar bem se quiserem continuar a contar com o financiamento da China.

O líder chinês, com a sua proverbial flexibilidade, explica que não se poderá comprometer com limites quantitativos de emissão de CO2 dado que a China – num repente – passa de credor do mundo para um pobre "país em desenvolvimento". Num outro passo, ao apresentar o seu pacote de "estímulo económico", semelhante ao norte-americano, demonstra que a China não pode fazer mais do que o que está a fazer.

Quanto ao problema central, que é o da política cambial chinesa, a argumentação torna-se mais agressiva. Wen Jiabao, que de acordo com o articulista viaja sempre acompanhado por um dos mais importantes livros de quem é considerado como pai do capitalismo Adam Smith (A teoria dos sentimentos morais), e já não do livro vermelho do Presidente Mao ou do "Capital" de Karl Marx, não hesita em acusar o Ocidente de querer virar a realidade do avesso, criticando a China por emprestar dinheiro, em vez de se auto-criticar por não poupar como deveria.

A este último propósito, o discurso elíptico do governante chinês sobre as possibilidades democráticas na China deve ser lido e tomado em atenção, sem nos precipitarmos em conclusões ingénuas ou conspirativas.

Na realidade, os empréstimos chineses, as bolhas especulativas e as dívidas ocidentais, os desequilíbrios comerciais e as taxas de câmbio são tudo aspectos diversos da mesma realidade global, em que faz pouco sentido discutir quem é culpado e inocente, sendo que, se insistirmos nesta lógica de culpabilização, o argumento chinês faz todo o sentido: como é possível criticar a formiga em vez da cigarra?

O discurso da estabilidade cambial tem naturalmente de ser colocado em perspectiva, porque nada haveria de mais desastroso do que anunciar revoluções cambiais, seria mesmo colocar a cereja no bolo da depressão que enfrentamos.

Posto isto, para além da compreensível retórica de passagem da carga de responsabilidade da crise para o Ocidente e do indispensável discurso da estabilidade cambial, a questão é mesmo crucial, quer para o Ocidente quer para a China, e se não for rapidamente enfrentada em cooperação poderemos ter uma verdadeira catástrofe económica e política de insuspeitadas dimensões.

É por isso essencial ter bom senso, compreensão e sentido das proporções no que se pode e no que se não pode negociar. Rápida e urgentemente. A saída para a crise em que nos encontramos está aqui e não noutro lugar.

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A taxa de desemprego entre os jovens atingiu os 18% no último trimestre do ano passado

 

E de acordo com o Governo os números estão abaixo das expectativas... Para quem tanto acusa as oposições de demagogia, populismo e chicana política, esta falta de sentido de Estado é atroz.

Quem diz que estes números são "animadores" é porque qualquer percepção da realidade já há muito que desapareceu.

Infelizmente para o país.

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Governo alemão poderá ser forçado a nacionalizar o Hypo Real Estate

 

A economia de França registou a maior contracção em mais de 20 anos no quarto trimestre, o que intensifica as preocupações quanto à recessão económica que a Zona Euro enfrenta.
O produto interno bruto (PIB) francês caiu 1,2% no quarto trimestre de 2008, divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística de França.

 

A economia alemã recuou 2,1 por cento no quarto trimestre do ano passado, "a maior queda do Produto Interno Bruto (PIB) num só trimestre desde a reunificação do país" em 1990 .

 

A Itália, que entrou em recessão técnica no terceiro trimestre do ano passado, continuou a agravar a sua situação económica no quarto trimestre de 2008, ao apresentar uma queda do PIB de 1,8 por cento, foi hoje anunciado pelo instituto nacional de estatística (Istat) do país.
 

Zona Euro contrai 1,5% no quarto trimestre

 

A economia portuguesa contraiu-se dois por cento no quarto trimestre do ano, face ao trimestre anterior, desempenho que contribuiu decisivamente para a variação nula do Produto Interno Bruto (PIB) no conjunto do ano, anunciou hoje o Instituto Nacional de Estatística na sua estimativa rápida. Em Janeiro, a inflação homóloga caiu para 0,2 por cento, menos seis décimas do que em Dezembro e o valor mínimo histórico registado pelos inquéritos realizados pelo instituto.

 

Euribor atinge valor mais baixo de sempre

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Obama terá de voltar a procurar um dirigente para o Departamento do Comércio, depois do senador republicano do New Hampshire Judd Gregg, que aceitou para o cargo, ter constatado existirem “diferenças políticas irreconciliáveis” que o impedem de participar nesta Administração!

Não está nada fácil, uma certa aura de desânimo, estimulada pelos media do costume, que lá como cá "fazem politica" mas dão a cara e assumem os objectivos, começa a assombrar a Casa Branca...

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“Chegou a altura de dizer basta, de nos organizarmos porque a iniciativa privada em Portugal não tem ninguém que a represente minimamente. Existem umas tantas confederações que não são mais que emprego certo para umas tantas pessoas. Não falam por nós, estão ligadas ao poder e só nos prejudicam. Temos que ser uma voz activa independente”

 

“Enfrentamos uma crise social enorme que está a ser ainda pior devido à acção dos políticos. Ainda no outro dia ouvi um político na televisão a falar do capital como uns malandros que tudo estragam e nada estão a fazer. Esquecem-se que 25 de Abril houve um, não dois. A iniciativa privada não tem que aturar isto e, se assim for, passem muito bem que nós temos para onde ir.”

 

“É pena que tenhamos sindicatos que incentivam à greve numa altura em que as empresas estão mal. É uma atitude retrógrada e cretina e que mais que prejudicar o país prejudica os associados sindicais”

 

“Temos um parlamento que nada discute, nada controla”.
 

Adenda: duas boas noticias, a Jerónimo Martins, do mesmo autor destas frases, informa que não vai despedir ninguém.Excelente.A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) apresentou queixa-crime no Ministério Público contra a Carfer, que, na semana passada, anunciou o despedimento de 160 trabalhadores. Isto numa altura em que estão a ser investigados cerca de 600 casos de falências fraudulentas.Excelente noticia ver o "Estado" a mexer-se e a agir rapidamente em relação aquilo que podem ser fraudes que pretendem tirar proveito da crise global.

 

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Já aqui falei das tendências proteccionistas que as administrações norte-americana e britânica estão a seguir. São claramente medidas erradas que só pensam no curto-prazo. Políticas proteccionistas não favorecem as democracias e as sociedades livres e podem dar levar a implicações sociais muito preocupantes, ainda para mais, num contexto de crise onde a esperança já rareia.

Proteccionismo gera proteccionismo, e não era preciso analisarmos a crise de 1929 para o percebermos. O fecho de mercados e o isolamento comercial tem consequências muito graves.

Por isso não me parece estranho que o Japão, uma das maiores potências comerciais do mundo vá avisando os EUA para o perigo da política que estão a empreender...

E isto é so o começo.

Agora, mais do que nunca, é preciso encorajar o comercio, as trocas comerciais entre países, estimular a sua capacidade produtiva, fomentar as exportações e acelerar o ritmo das reformas.

Precisamos de mais mercado e melhor mercado.

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Em 2005, Espanha registava a mais baixa taxa de desempleo em 26 anosno Reino Unido o unemployment descia a olhos vistoschômage francês recuava pelo sétimo mês consecutivo atingindo o valor mais baixo dos últimos três anos e nos Estados Unidos o unemployment baixava duas décimas em Março.

Nós por cá, como bem constatou o Pedro Correia, batíamos records de taxa de desemprego trimestre após trimestre e o "bandido" do líder da oposição (José Sócrates) ficava indignado com isso e manifestava-se, imaginem! Era suposto ficar calado quando o mundo avançava e o País recuava de forma economicamente inexplicável?

Desemprego, desempleo, unemployment e chômage são palavras que representam o mesmo triste facto. Esse facto tem uma personalidade fraca e anda sempre atrás dessa tal de conjuntura económica mundial que por vezes não tem comportamentos muito sérios.

Por mais que se esperneie, o País já sabe que o nosso desemprego actual decorre da crise mundial.

Já em 2005 não era bem assim...

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Aqui fica a entrevista dada pelo presidente francês Sarkozy a um canal de televisão a respeito do seu plano de combate à crise.

Em França, um país muito propenso a agitações sociais e a proteccionismos tem aqui uma liderança que diz que esta crise não pode ser uma desculpa para parar as reformas já iniciadas, mas antes um catalizador para que estas realmente se façam.

Tão diferente de Portugal...

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Enquanto que por aqui o tão falado ímpeto reformista desapareceu (chegou a existir?) e o Governo apenas fala em investimento público, penalizando assim o país pela ortodoxia de uma solução de cariz ideológico, lá por fora na reaccionária França do reaccionário Sarkozy o combate à crise está a ser feito com mais investimento público acompanhado por uma baixa de impostos,  tal como aqui é defendido pelo PSD.

É o que dá pensar primeiro no país e só depois nos dogmas. Estangeirices...

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