O Governo Português é pródigo em pedir sacríficios aos estudantes, nomeadamente, através dos cortes nas bolsas de acção social escolar, sob a batuta da necessidade de cumprir as obrigações constantes do PEC. Por momentos, esqueçamos que é fundamental o investimento público nos sectores-chave, para estimular a actividade económica privada quando esta se contrai e para procurar obter dividendos a longo prazo. Esqueçamos, portanto, esta concepção macroeconómica e aceitemos as concepções liberais europeístas e nacionais, que visam estabelecer uma minarquia, onde o Estado se ausenta das suas obrigações sociais, nomeadamente no que há educação e promoção do conhecimento dizem respeito. O Estado não pode pedir, neste momento, sacríficios à comunidade estudantil, quando não são exemplares na gestão da res publica. Além da contraproducência económico-financeira, é completamente imoral. O Estado só pode pedir sacríficios aos estudantes, quando cumprir três pré-requisitos elementares para a qualidade do ensino e correcta racionalização dos recursos:
Ponto Primeiro: Racionalização dos serviços, cursos e do número de instituições de ensino superior. A título de exemplo, Portugal tem 17,45 instituições de ensino superior por milhão de habitantes; os países europeus com similar demografia têm em média 7,61. Quanto aos cursos, só no Distrito do Porto, 6 Instituições leccionam Psicologia, outras 6 Enfermagem, numa média de mais de 600 vagas por ano cada.
Ponto Segundo: O financiamento das instituições não é claro e equitativo ou com objectivos claramente definidos e havendo uma relação mérito-financiamento. As dotações orçamentais para os SAS do IPP são de 50€/aluno, enquanto em Coimbra e Açores são 300€/aluno, por exemplo.
Ponto Terceiro: Efectivação do disposto na Lei de Bases de Financiamento, onde consta que as receitas próprias, nomeadamente propinas, deverá ser usado para o melhoramento do sistema de ensino. Actualmente, o que se verifica é uma utilização para o pagamento de custos fixos e não uma canalização para o investimento.
Depois, creio, que estarão reunidas as condições para exigirem sacríficios da comunidade estudantil. Até lá, esperamos pela coragem e exigência política não percepcionáveis actualmente.
"Como avalia o trabalho do ministro Mariano Gago até ao momento?" | "Acho que foi muito positivo a abertura e a possibilidade que o senhor ministro deu a algumas instituições que passassem a fundações e terem alterado o seu modelo de governação, reduzindo a dependência dos reitores da eleição pelos alunos, que me parecia altamente prejudicial à liberdade dos reitores."
“A gratuitidade é a grande responsável pelo insucesso no ensino superior”
08.02.111 comentáriopor Câmara de Comuns_Convidado
Estou farto da choradeira populista da cidadania de sofá, de quem vomita, sem pensar duas vezes, precariedade, desemprego, Estado, políticos, oligarquia, revolução, and so on... Há uma forma excelente de fazer a revolução em democracia... chama-se sufrágio eleitoral!
Numa altura em que o perigoso populismo eleitoralístico anti-político fede, é bom que os portugueses se lembrem que não são exemplos de cidadania. Nomeadamente cerca de 80% de nós... Não podemos pedir melhor representação democrática, se não somos exemplos de cidadania solidária e democrática.
Motivo mais invocado para a não realização de trabalho voluntário: "Tenho coisas mais importantes para fazer" 38,2%...
De um estudo bem conhecido de Pedro Magalhães e de Jesus Sanz Moral para o "Centro de Sondagens e Estudos de Opinião da Universidade Católica Portuguesa "Os jovens e a política"
09.01.111 comentáriopor Câmara de Comuns_Convidado
Semana fulcral no Sudão. Se o referendo, que se realizará até dia 15, for aprovado, a região Sul (cristã e negra) torna-se independente da região Norte (árabe e muçulmana) cessando, finalmente, com as intermitentes guerras civis. A acompanhar...
05.01.111 comentáriopor Câmara de Comuns_Convidado
"Um estudo recente de dois epidemiologistas defende - e reúne uma enorme massa de dados em favor da tese - que a desigualdade prejudica e a igualdade beneficia a sociedade no seu todo. (...) Se não conseguirmos evitar as grandes desigualdades, precisaremos de mais prisões e polícias. (...) Teremos de enfrentar taxas mais altas de doenças mentais, uso de drogas e uma série de outros problemas."
29.12.101 comentáriopor Câmara de Comuns_Convidado
A sociedade portuguesa, nomeadamente a sociedade de consumo e de informação, andarevoltada com os abusos da empresaEnsitel que, muito pouco inteligentemente diga-se, coagiu uma consumidora a apagar meia dúzia de artigos críticos no seu blogue. Para quem surpreendentemente desconhecer o problema, poderão analisá-lo pelos links em cada uma das palavras precedentes, pelo que abrevio para não alimentar um futuro case-study sobre (mau) marketing e RP.
A revolta apresentada é tão surpreendente como exacerbada porque veja-se que, apesar de todo o desbarato de abusos da classe político-partidária dominante (e porque não, também, abusos da alta finança?), nunca observei uma demonstração de descontentamento similar tão espontânea e transversal para com o seio governante e aspirantes a tal. O mesmo povo que enceta um (simples) movimento fortemente agregador e espontâneo como o apresentado é o mesmo que se abstém da crítica, da revolta - não na conotação marxista-leninista do termo - e da participação cívica, começando pela expectável abstenção nas Presidenciais de 23 de Janeiro que nunca será inferior a 40% e acabando no silêncio profundo sobre as políticas traçadas pelos circulos parlamentares dos últimos anos. Assim, não se pode esperar que a classe política se volte a pesar pelos valores e princípios - de que fala aqui o Paulo Ferreira - como no período vintista do século XIX, quando a própria sociedade actual não se pauta por valores morais e princípios dignos. Só o fait-diver, o carpe diem e o consumo pelo consumo interessam nesta sociedade Baudrillardiana, que espera ad eternum um S. Sebastião que trabalhe por elas e lhes mostre o sagrado caminho para o milagre nacional.
Seria positivo ver mais movimentos agregadores de cidadãos demonstrando descontentamento (interventivo e construtivo) para com o statu quo. Está na hora de deixar o mero activismo reivindicativo apenas quando somos "atingidos" e deixar a mera "crítica de bancada" e, alternativamente, inundarmos a sociedade civil com participação activa e de forma transversal. O mero activismo sectário não nos levará a lado nenhum: se os estudantes são atingidos abruptamente por cortes na acção social, achamos muito bem porque são todos uma cambada de bêbados (expressão comummente usada); se os polícias têm que pagar integralmente o fardamento e demais material de trabalho e não podem, ainda, ter os mesmos direitos laborais que outro qualquer funcionário público, achamos muito bem porque são todos uma camada de pulhas que só sabem andar à caça à multa; se os bombeiros não recebem, calamos e consentimos; o rendimento social de inserção devia acabar porque são todos "malandros do rendimento mínimo" que não querem trabalhar e o paralelismo podia ser estabelecido para um sem número de outros sectores sociais e profissionais. Alheamo-nos de participar nas causas de terceiros e chegará a uma altura em que estaremos de facto sozinhos para protestar -Als sie mich holten,/gab es keinen mehr, der protestierte - ou já alcançamos esse estado?
O alheamento e sectarismo social e profissional que se estende ao político e ideológico é demasiado preocupante; um verdadeiro cancro herdado pela geração seguinte à pós-abrilista. Há que ousar combatê-lo!
Defensor Moura disse mesmo que era a favor de taxas de IRS de 60 e 70%? Só faltava o Estado captar 100% dos vencimentos e redistribuí-los...
E Fernando Nobre diz que deveria existir uma taxa de IRS de 40%? Conhecerá as tabelas de IRS?
Devia haver exames de ingresso para candidaturas à Presidência da República. É que não há desculpa alguma para estes níveis preocupantes de iliteracia política...
Depois da tirada "Já viu uma criança correr atrás de uma galinha para tirar o pedacito de pão que levava na boca?", Fernando Nobre saiu-se, no debate de ontem frente a Manuel Alegre, com um piscar de olhos ao eleitorado de Francisco Lopes, ao considerar - se não me falha a memória - Vasco Gonçalves como um dos principais consolidadores da nossa democracia. Nobre não tem culpa de cometer gralhas atrás de gralhas, equívocos atrás de equívocos e erros atrás de erros - como ele próprio diz "não é político" e até a sua candidatura terá sido um tremendo equívoco -, mas o que deveria evitar era de fazer passar a néscia figura de educador paternalista e único candidato moral e eticamente capacitado para transmitir bons princípios, costumes e valores. É tão tristemente doloroso ver e ouvir Fernando Nobre colocar-se em bicos de pés, afirmando-se como o detentor da "patente da moral", como ver um qualquer cidadão opositor a Manuel Alegre a considerá-lo de "traidor à pátria". Ambas as posturas revelam desespero e são contra-producentes para com o seu objectivo.