Os acontecimentos dos últimos dias têm acicatado em mim o sentimento de que há uma excessiva permissividade judicial em relação ao Partido Comunista Português (PCP), à forma como vive e se organiza.
A manipulação da CGTP-IN, que é evidente, os discursos que por vezes têm e a forma como amiúde desenvolvem práticas no mínimo antidemocráticas, colidem com muitos dos princípios que a Nossa Lei Fundamental consagra. É normal que hoje em dia, a céu aberto e perante os ouvidos de todos, se saúdem regimes como o norte coreano e o cubano? É normal que assistamos a situações como a de ontem e que os responsáveis políticos assobiem para o lado? A nossa sociedade já exige que os partidos respeitem a liberdade de pensamento. É de monta que a CGTP e o PCP, pela voz dos seus secretários gerais, não condenem prontamente o que se verificou.
Viver em democracia tem ditames mínimos. Ou o PCP sabe conviver com eles, ou o PCP não sabe, e se não sabe, citando novamente Ricardo Araújo Pereira, "Quem gosta de liberdade festeja o 25 de Abril, quem não gosta faz aquela viagem ao Brasil que andava há tanto tempo para fazer.". Por paradoxal que possa parecer.
A escolha de Vital Moreira - um ex-comunista e candidato em campanha para as eleições europeias para representar o PS na manifestação da CGTP foi uma provocação e um oportunismo primário.
Para quem pensou que a cena teria a mesma consequência das agressões a Mário Soares na Marinha Grande, desengane-se. Tinha de ser mais tarde...
Não entendo tanto zurzir em volta de 200 mil possíveis manifestantes, quando todos sabemos que a actual crise que afecta todas as nações é por baixo, a pior desde a grande recessão. Outras formas e meios de confronto social surgiram em todos os cantos do planeta, com cidades paradas, universidades fechadas e a população nas ruas. Vá-se lá perceber se em outros pontos do mundo também coube a organização à CGTP e a responsabilidade dos protestos ao PS?
Não faltarão por certo "especialistas" na matéria a apregoar a este Governo as responsabilidades internas e internacionais.
“O ramo da CGTP para os funcionários públicos fez tudo para se opor ao aumento, estabelecido para 2009, de 2,9 por cento nos vencimentos. A Frente Comum não cedeu um milímetro à reivindicação de um aumento de 5,9 por cento. Sabe-se agora que os próprios funcionários da CGTP vão ter de se contentar com acréscimos de vencimentos que não excedem três por cento.
Ter ou não ter de gerir orçamentos, eis a diferença (entre a Ana Avoila da CGTP e a Ana Avoila da Frente Comum).
PS — Terão os funcionários da CGTP um sindicato que defenda os seus interesses?”
"Há brincadeiras que, pura e simplesmente, não são admissíveis. Os professores não estão nas aulas para brincar e os alunos também não podem estar", afirmou Mário Nogueira.
Depois de gozar, humilhar e escarnecer de todo o sistema educativo, do ministério e de todos os responsáveis, depois de insultar e promover o desrespeito por parte de alunos e professores, depois de incentivar e ser conivente com "dispensas de aulas para realização de trabalhos de campo na cadeira de acção directa ou anarquia aplicada", depois de demonstrar a todo o País que não é o melhor acordo que pretende para os professores mas a guerra pura e simples sem qualquer avaliação que seja, excepto a mais estúpida versão da auto-avaliação, Mário Nogueira não tem moral para fazer estas declarações....sem laranjas ou ovos na mão!
Todo e qualquer professor, a sério, dos que trabalham mesmo, preparam e dão aulas, saltam de reunião para aula e de volta para reunião em vez de cirandar em pseudo-encontros e férias administrativas nas falanges dos sindicatos sustentadas pelo erário público, tem ainda autoridade para fazer estas declarações.O Mário...não!
Estes professores têm a moral, têm a sua quota de razão, merecem aliás mais respeito e dignidade, merecem até muito melhor representação, agora o Mário....nem pensar!
E se de repente o "passado", Carvalho da Silva, se candidatasse a uma Câmara Municipal Municipal famosa por uma coligação de esquerdas puras e imaculadas?
Claro, para isto teria de fazer finalmente a vontade ao Comité Central do PCP e colocar a CGTP nas mãos de um operacional bem mais duro e persistente, ou se preferirmos, menos sensato, mais obtuso e cumpridor das orientações da Soeiro Pereira Gomes.
Mas isso implicaria uma mudança antecipada no mandato de Carvalho da Silva, reeleito em Fevereiro deste ano...como é que se trataria desta troca?
25 de Novembro - protesto nacional dos professores descentralizado na zona Norte 26 de Novembro - protesto nacional dos professores descentralizado na zona Centro; 27 de Novembro - protesto nacional dos professores descentralizado na zona da Grande Lisboa;estreia nacional de Madagáscar 2, Cidade dos Homens, O Perigo Espreita, O Sorriso das Estrelas e Quatro noites com Anna. 28 de Novembro - protesto nacional dos professores descentralizado na zona Sul
29 de Novembro - Início do XVIII Congresso do PCP comemorando a perda de 1/3 dos militantes com a apresentação destas "Teses".
«A guerra aberta entre os professores e a ministra da Educação é um manancial de perplexidades e incómodos. Registo alguns dos que me tocam.
1. É normal a ministra da Educação receber o líder da Fenprof, Mário Nogueira, depois de este afirmar que sairia da reunião caso a ministra, nos primeiros cinco minutos de conversa, não dissesse o que ele queria ouvir? Uma ministra, que representa o Estado, deve negociar nestas condições?
2. É normal um Governo desencadear um processo de avaliação sem, pelo menos, acautelar que um número significativo de visados compreende e aceita o modelo proposto?
3. É normal as escolas decidirem e, efectivamente, suspenderem um processo ao qual estão obrigados por lei e pela dependência orgânica do Ministério da Educação?
4. É normal existirem professores que, dentro do espaço da escola, façam autênticos comícios junto dos alunos contra a ministra e o Governo? E é normal que esses e outros professores incentivem alunos a ir a manifestações de rua contra a ministra?
5. É normal que um processo de avaliação seja tão odiado que leve 120 mil professores para a rua? Ou tudo isto não passa de uma explosão dos professores que ainda tem em vista o Estatuto da Carreira Docente que os obriga a muito mais permanência nas escolas, a mais trabalho e a mais dedicação?
6. É normal o Ministério da Educação apresentar um modelo de avaliação tão complexo que, passados uns tempos, necessita (segundo afirma a própria ministra) de um ‘simplex’?
7. É normal os professores verem-se envolvidos numa clara e evidente disputa pela liderança da CGTP, pelo facto de o líder da Fenprof ser o nome que o PCP gostaria de ver à frente da central, para substituir o ‘moderado’ Carvalho da Silva?
8. É normal que o próprio conceito de avaliação tenha de ser discutido pela ministra como se de uma questão política se tratasse, e, ao invés disto, nunca se ver uma discussão séria sobre a qualidade do ensino o qual, de acordo com os indicadores internacionais, é lamentável?
9. É normal nunca termos visto uma classe tão mobilizada como os professores protestar contra a degradação do ensino ou qualquer outro aspecto directamente relacionado com a Educação, mas apenas com as suas próprias condições e retribuições?
10. É normal um Conselho de Ministros discutir como se devem avaliar professores?
Estas 10 perguntas simples têm, a meu ver, todas a mesma resposta: não, não é normal.»-Henrique Monteiro- [Expresso assinantes] - recolhido via Jumento
Aproveitando o bom trabalho e a generosidade d' O Jumento deixo um artigo de opinião de Miguel Sousa Tavares que é imprescindível ler.
Parece que o que os sindicatos da CGTP fazem aos trabalhadores despedidos que não são sindicalizados ( cobrando 18 meses de quotas e 10% das indemnizações?) é normal, agora parece também que havia 81 sindicalistas dos CTT com tolerância de ponto, o que para alguns também era absolutamente normal...eu não acho nada disto normal nem saudável.Nesta matéria concordo totalmente com o Vital Moreira.
Em vez de manifestar regozijo, com a criação de mais emprego, a CGTP indica lamento.
Pelos vistos, o interesse cimeiro de qualquer sindicato: mais e melhor trabalho, no caso da CGTP passa para importância inferior, pois interessa servir interesses político-partidários.
Não haja dúvidas que o sindicalismo nacional anda pelas ruas da amargura e a CGTP em muito contribui para denegrir o nobre papel do sindicalismo. Além do mais, à CGTP falta moral para acusar seja o que for.
Além da má oposição que temos, contamos com um sindicalismo paupérrimo e que, ainda por cima, se desacredita, com as posições que assume.
Como seria de esperar o PCP é quem mais ordena e a conjuntura é de guerra contra o PS, custe o que custar...há gente que percepciona a liberdade e a democracia assim!
A tradição ainda é que o era...o que não era tradicional eram estes elogios da OCDE, sinal dos tempos se calhar!
Um jornalista da SIC (insuspeito presumo....) disse na SIC Noticias que após o final das comemorações oficiais do 10 de Junho, centenas de pessoas acompanharam a saída do primeiro-ministro, largas dezenas o foram cumprimentar e mesmo, de acordo com o jornalista da cadeia televisiva de Pinto Balsemão, "encher de beijinhos"!!!
O povo português é bipolar?Ou será que uns "estão organizados" e outros apenas em salutar passeio aproveitando o sol deste feriado?
A moção de Portas ao Governo e a enésima contestação da CGTP (quem é que pode dar credibilidade a uma central sindical que faz quase tantos protestos como quem bebe água), de hoje, ficam entaladas num momento de mediatismo futebolístico.
O Campeonato da Europa à porta, e a selecção nacional joga dentro de poucas horas, e o caso do FC Porto, acabam por retirar qualquer protagonismo aos dois factos políticos do dia, que acabam, deste modo, por surgir e esgotar-se hoje em escassas horas.