Não vale a pena o PSD e o CDS apresentarem a tese da vítima ofendida, de que a culpa é da governação do PS. A Comissão Europeia, insuspeita e dominada pelo partido no qual os dois partidos do Governo português têm filiação europeia (o PPE), diz, preto no branco: os desvios de 2011 devem-se à Madeira - o arquipélago governado pelo PSD quase há quatro décadas - e à crise europeia.
Por outro lado, é pedida uma "austeridade inteligente". Lamentavelmente, ontem, Passos Coelho apresentou um garrote a milhões de portugueses, colocando entraves ao crescimento económico.
O CDS parece estar a aprender a lição britânica e alemã e deixar a factura das más políticas para o parceiro de coligação.
Por várias vezes, nos últimos tempos, o CDS tem procurado demarcar-se das medidas do PSD e limitar-se a apresentar, assim que pode, medidas bem aceites. Talvez o exemplo dos libdem, do Governo britânico, e do FDP, do alemão, sejam inspiradores do caminho que o partido do Caldas não deve seguir.
A má governação da direita, com medidas muito pesadas e penalizadoras da vida das pessoas, representam, em termos políticos, o esvaziamento dos partidos de menor dimensão e a passagem de uma condição de poder viabilizador de poder a formação política sem qualquer poder de negociação.
Ficar refém e dependente do grande parceiro é um erro, até porque a rejeição faz-se sentir de modo mais pesado na força governativa minoritária, como ainda ontem o FDP, numa eleição regional alemã, sentiu, perdendo representatividade num land germânico.
O CDS manifesta a oposição à construção do TGV, mas "neste momento". Veremos o que decidirá o Governo dentro de um mês, quando terá de informar o Governo espanhol da posição portuguesa face à alta velocidade. Então, teremos oportunidade de verificar o cumprimento ou não dado na campanha eleitoral, pelas duas formações opostas ao TGV: PSD e CDS.
Se calhar, dentro de um mês o CDS pode ser um forte entusiasta.
Todavia, há uma sensação, nesta coligação PSD/CDS, que nem está formosa nem segura.
Cavaco avisara, há umas semanas, que só dará posse a um Governo maioritário.
Tudo indica que o vencedor destas eleições não terá maioria absoluta, logo, a possibilidade de PSD e CDS, mesmo que atrás do PS em votos, juntos, possam obter maioria absoluta. E, em Democracia, não seria a primeira vez que os segundo e terceiro partidos mais votados formem Governo. O CDS já deu sinais de querer ascender ao Governo com o PSD, mesmo com a vitória socialista. Passos Coelho hoje disse que não estava interessado em ser Primeiro-Ministro, caso o PSD não vença as eleições. Mas, como sabemos, o dito hoje por Passos Coelho não é o certo amanhã.
Em suma, a escolha nestas eleições é clara: ou PS ou PSD/CDS. E sabe-se muito bem que Sócrates dá-nos muitas mais garantias do que Passos Coelho.
Estive no Estádio José Alvalade a ver o jogo do SPORTING contra a Fiorentina e a imensa roubalheira do árbitro magiar.O jogador Marco Caneira, que é candidato a uma junta de freguesia pelo CDS, esteve em campo. Portanto é óbvio que estive a vigiar um candidato do CDS para enviar um relatório para o Largo do Rato. Em exclusivo mundial para o CC, deixo-vos cópia do relatório que enviei:
"Marco Caneira é um perigosíssimo candidato autárquico e, sem dúvida, um potencial sucessor de Paulo Portas.Alguém que joga tão mal assim só pode estar a encobrir a sua verdadeira profissão e os seus reais propósitos!"
Paulo Portas manifestou inteligência ao escolher o antigo líder centrista, e que agora cessa funções como eurodeputado, Ribeiro e Castro, para ser o cabeça-de-lista do partido no Porto nas próximas legislativas. Além do reconhecimento político que presta a Ribeiro e Castro, Portas pretende unir o partido, estendendo a mão como antes não o fizera ao grupo que diverge da sua liderança. Basta recordar como há quatro anos foi "tratado" um histórico do CDS, e então pouco próximo de Portas, Narana Coissoró, convidado para encabeçar a lista de Faro, sem qualquer hipótese de ser eleito.
Por outro lado, com a saída de Nuno Melo, para o Parlamento Europeu, Portas apresenta, em Braga, um candidato com rótulo de derrotas num dos bastiões centristas: Telmo Correia.
Resta, ainda, saber se a apresentação de Ribeiro e Castro no Porto não se prende ao (auto?) afastamento de António Pires de Lima, cabeça-de-lista pelo círculo portuense há quatro anos, engrossando a fila dos outrora apoiantes incondicionais de Portas, como Nobre Guedes.
"A Oposição em Portugal não tem no ADN a responsabilidade. Bloco e PCP são tão democráticos como o PS, o PSD ou o CDS, mas não estão disponíveis para governar no interesse comum".
Paulo Baldaia, director da TSF, "Jornal de Notícias", 13-06-2009
E ver que o BE e o PCP tiveram um crescimento eleitoral, dá que pensar. Interrogo-me se não andamos por vezes a gozar uns com os outros e com isso a manter uma coligação de estruturas radicais e oportunistas que formaram o Bloco, e um Partido Comunista que mantém o mesmo discurso e quase sempre as mesmas caras. A propósito, já imaginaram o Bloco sem Louça, é que eu ainda não conheci outro rosto na sua liderança.
Depois de ler este texto do João, de duas uma, ou ele desconhece a história e as causas políticas do CDS, o que duvido, ou esquece-se, o que é mais plausível, de qual é um dos grandes pilares do partido fundado por Adelino Amaro da Costa, e que Francisco Lucas Pires tão bem estruturou. Caso contrário não escreveria o que redigiu acerca do projecto europeu, que bem parece um argumento da era Manuel Monteiro.
Talvez José Ribeiro e Castro fosse uma voz, como é, dentro do CDS, com autoridade para falar da história, causas e propostas europeias pelas quais a democracia-cristã se bateu em muitos Estados europeus, como em Portugal. Mas, como não é pessoa do agrado do líder, que ora é eurocrítico ora eurocalmo ora europassivo, dispensa-se e apresente-se quem nada apresenta.
Tentando, sem tempo, responder ao Carlos e ao Carlos, só me posso limitar a dizer que, em primeiro lugar, não fosse o cepticismo de alguns partidos como CDS-PP nessa Europa fora e a euforia Europeísta do início teria criado um projecto muito próximo daquele sonho federalista que Soares tentou impôr.Não fosse algum cepticismo e conservadorismo de partidos como o CDS e teríamos a embarcar em regras quase aceites tacitamente. Agora, que os tempos mudaram e que a construção e maturidade europeia é outra, disso não há dúvidas, e o CDS acompanhou, com aquilo que apelidam de incongruência, essa evolução. Mas no fundo, o CDS continua calmamente atento!
Quanto a Nuno Melo, sempre que fala sobre a crise na banca - que é a que lhe tem dado mais tempo de antena nos últimos tempos - ou sobre segurança, a crise, imigração, ou outro qualquer assunto, está a falar de Portugal e de Portugal na Europa. Não falar da Europa é andar no fait-divers que temos visto entre Rangel e Vital Moreira!
Mas eu com tempo, volto a explicar melhor. Só não queria deixar passar em branco.Talvez também seja bom acompanhar a partir de manhã o discurso de Nuno Melo não vá ele contrariar essa vossa ideia de vazio programático ou de conteúdo.
Quanto assunto que nos diz respeito, o da ausência de ideias e propostas europeias do CDS, acabas por evidenciar, como bem assinala o Carlos Santos, uma fuga à resposta. Ou melhor, não foges, pois na realidade, não há nada a apresentar. Nem uma única linha Nuno Melo apresentou até ao momento.
Se o CDS diz que não brinca aos políticos, e tem necessidade de manifestar isso (terá dúvidas quanto à validade da sua postura na sociedade?) estando em causa, como está, uma eleição europeia e sobre esta nada diz, o CDS só pode estar a brincar às políticas.
Para o Carlos Manuel Castro brincar às políticas deve ser brincar aos recados, às farinhas Maizena, às mordaças, às trocas de acusações sobre agressões, aos D.Quixote e outros tantos fait divers com que a pré-campanha nos tem brindado.
Ora, o CDS não brinca assim e propõem-se a falar sério, como tem feito até agora enquanto oposição. O Carlos pode atacar as medidas, o conteúdo, as ideias que o CDS tem passado. Mas não pode dizer que elas não existem, caso queira manter a honestidade política na discussão. Depois de sexta, com o arranque da campanha, veremos se continua a dizer o mesmo!
Depois de se atrapalhar com as palavras e criado um call center, Manuela Ferreira Leite esclareceu o que quer dizer: coligação só com o CDS. Isto é, quer uma reedição dos mesmos rostos do Governo que teve políticas falhadas, que desbaratou o País e deixou-o de tanga.
Em suma, Ferreira Leite quer o regresso a um passado que não deixa saudades nenhumas.
Se os portugueses podem sentir orgulho de ter um Presidente da Comissão Europeia, à beira da reeleição - os militantes do PPD terão um sentimento de agrado redobrado, não deixa de ser confrangedor como o partido do Presidente da Comissão Europeia, a poucas semanas da importante eleição europeia, ainda não tenha um único nome para o Parlamento Europeu nem uma única causa.
A liderança de Ferreira Leite continua a demonstrar um vazio lamentável, para um partido que tem elevadas responsabilidades, tanto em Portugal como na UE.
Existe solução para tudo, mesmo para a futura vaga que pode engolir o PP após a vitória de Pedro Passos Coelho no próximo Congresso do PPD, vejam lá este rapaz, incomensuravelmente melhor que a Sarah Palin, de certeza melhor que o Paulo Portas!
Paulo Portas apresentou um e-mail enviado pela directora regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, à presidente do conselho executivo agrupamento de escolas Território Educativo de Coura.
No e-mail a que a Lusa teve acesso lê-se: «Sendo certo que muitos docentes não se aceitam o uso dos alunos nesta atitude inaceitável, acompanharemos de muito perto a defesa do bom nome da escola, dos professores, dos alunos e de toda uma população que muito tem orgulhado o nosso país pela valorização que à escola tem dado».
A fazer fé na notícia do Sol (ver aqui), Santana Lopes vai ter a companhia de Bagão Félix na lista à CML.
Das duas uma, ou Lisboa na óptica da futura coligação de direita é vista como um pagode onde vale tudo, ou então têm mesmo uma fé muito grande para acreditarem que os lisboetas entraram num estado de insanidade total, que lhes permita esquecer a última aparição conjunta destes dois. Foi em 2005 e o País afundou. Lembram-se?
O juiz Carlos Alexandre vai iniciar, no dia 3 de Março, a instrução do processo Portucale, com o interrogatório de 11 arguidos e a inquirição, como testemunhas, de políticos como os ex-ministros Costa Neves, Nobre Guedes e Telmo Correia.
A instrução do Portucale - processo de tráfico de influências e crimes conexos relacionado com o despacho que os três referidos ex-ministros do PSD e do PP assinaram, depois de derrotados nas legislativas de 2005, para viabilizar um empreendimento turístico do Grupo Espírito Santo (GES), em Benavente - só ocorre um ano e meio depois de emitido o despacho de acusação, porque houve uma tentativa de afastar o juiz Carlos Alexandre do caso.
Querem ver que agora vão abrir a caixa de Pandora?
Adenda: o caso SIRESP não foi ou ía ser reaberto também?
Pelos vistos contra o luxo que é o Grupo Parlamentar Centrista, a estrutura da Capital vive tempos de agonia, incapaz de reeditar a força que demonstrou no ano em que Paulo Portas avançou contra João Soares e o próprio Pedro Santana Lopes. Esta é uma postura medrosa e calculista. Peca pela superação do negativismo da própria realidade. Estou certo que com um candidato forte, algo que Telmo Correia não foi e Teresa Caeiro não é, o CDS poderia alcançar a vereação e ganhar massa crítica própria para as Legislativas. A ver vamos se esta coligação não terá reflexos nos resultados das Legislativas.
José Ribeiro e Castro pode ter poucos argumentos a favor do seu mandato à frente do CDS, mas tem um mérito que é inegável, o trabalho autárquico. A sua aposta em Maria José Nogueira Pinto, para continuar a trabalhar na Câmara de Lisboa e ser em 2009 a candidata democrata-cristã à capital do País, era uma aposta ganha e que traria mais apoios ao CDS, não só em Lisboa como no País, dado o trabalho de qualidade que desenvolveu na Vereação municipal de Lisboa, com repercussão nacional.
Fosse hoje Nogueira Pinto Vereadora e a ameaça, tanto para o PS, como para o próprio PPD, era bem real. A ex-Vereadora sujeitava-se a ganhar dois ou três mandatos, que poderiam ser decisivos para o futuro do Governo da cidade. Todavia, a lógica de Paulo Portas foi a inversa e diminuiu a intervenção do CDS, ao ponto da sua presença numa cidade que já comandou ser quase insignificante.
Ribeiro e Castro sabia, sabe, que para o CDS subir e aumentar a sua base de apoio precisa de começar a trabalhar nas Autarquias para conquistar o País, como sabiamente Amaro da Costa disse.
Hoje, com a rendição a uma candidatura falhada do PPD à Câmara de Lisboa, o CDS acaba por se rebaixar ainda mais, ao ponto de uma coligação de direita acabar por favorecer mais o PS, do que qualquer um dos dois partidos.
O CDS preferiu o caminho fácil, e do desastre, em vez do trabalho.
Ribeiro e Castro sabe porque é que esta coligação não é um "orgulho", sobretudo para o CDS, que está em risco de perder mais do que o PPD, uma vez que este partido tem uma capacidade de regeneração maior.
A candidatura de PedroSantanaLopes à Câmara Municipal de Lisboa (CML) significa inevitavelmente um regresso deste ao local do desastre, a um passado que nos traz recordações do pior período vivido pelos lisboetas no pós 25 de Abril, caos, polémicas, escândalos, cartazes e campanhas cheias de custos mas vazias de obra ou conteúdo.
Servem de contraponto a estas tristes lembranças o elevado progresso introduzido pelo Partido Socialista (PS) nos mandatos do dr. Jorge Sampaio e do dr. João Soares, que implementaram em Lisboa projectos estruturantes a diferentes níveis, como é o caso da total erradicação das barracas, da Lisboa capital europeia da Cultura, da CRIL, do túnel da Av. João XXI, entre tantos e muito bons exemplos que revitalizaram e deram dignidade à capital...
Os seis anos de consulado do Partido Social Democrata (PSD) na CML, primeiro com Santana Lopes e depois com Carmona Rodrigues, ambos com passagens por Governos de funesta memória, resultaram num gigantesco buraco orçamental, numa ausência de obra, numa cidade parada, sem rumo e plantada de tapumes que cobriam vergonhas sem destino.
Ontem ficou publicamente consumada a união do CDS com o PSD, com vista às eleições autárquicas de Lisboa, como se pode ler aqui.
Honestamente não esperava outro cenário, uma vez que se repetem os mesmos rostos e posturas que num passado recente de uma união cínica, uniram esforços para claro prejuízo da cidade e dos lisboetas.
Tenho para mim, que o CDS é cada vez mais um partido a recibos verdes, sem doutrina, campo ou ética, à mercê das supostas melhores oportunidades, prestando-se a um papel de moribundo à mão e mercê do pior PSD de que há memória, como escreveu no passado fim de semana, Miguel Sousa Tavares, em artigo publicado no semanário "Expresso".
Paulo Portas consolidou-se hoje como líder da oposição. Enquanto muitos se perdem em encontros na Aroeira e em horas a fio de permanência no sofá, assistindo à contínua verborreia de SIC e TVI, com Público, Sol e Expresso nas mãos, na esperança de ver o poder cair do céu aos trambolhões, Paulo Portas relança o que interessa: debate e construção de ideias. Desta vez trouxe um tema que, com o avançar da crise, ganhará mais destaque: a segurança. Fez o diagnóstico, lançou propostas e desafiou PS e PSD a trazerem as suas. Nove meses distante das eleições, era tradicional o CDS ter 4 a 5% das intenções nas sondagens. Por este tempo, e segundo o Expresso, anda próximo dos 10%. Não terá o PSD escolhido o alvo errado? O CDS demonstra mais substância para partido de poder que o próprio PSD. Destaco novamente o fantástico trabalho desempenhado pelo Grupo Parlamentar Centrista. Já a liderança do Partido segue imune a divisões internas, superou o Congresso Nacional e volta a marcar a agenda. De boa saúde este CDS.
Com receio de não eleger nenhum vereador, o CDS trepa para as costas do PPD à espera que este lhe garanta, pelo menos, um lugar da próxima vereação da Câmara de Lisboa.
Recorde-se que o CDS, sem procurar desgastar a sua imagem, já obteve bons resultados com este método, quando em 2004, nas europeias, Barroso averbou uma pesada derrota nas urnas, mas o CDS manteve os seus dois eurodeputados.
Resta saber se o PPD está disponível para libertar um ou dois lugares elegíveis para o partido do Caldas.
Confesso que entre um fim-de-semana calmo, dedicado ao descanso, em que nem sequer saí de casa e sem sobressaltos desportivos de grande importância, o tempo dedicado ao congresso do PP, acabou por ser mais do que inicialmente esperava.
A primeira impressão com que fiquei foi que ao nível de imagem este Congresso fora bem estudado. Estava perante um mero exercício de retórica para obter algum espaço televisivo e não para assistir a debates. Aliás, as directas no PP, tornaram este Congresso nisso mesmo: comunicação externa e não debate interno. Ao referir-se ao debate interno como “minudências” e a referir a necessidade de dirigir este Congresso aos portugueses, o Paulo passou o atestado de comparência, e não de participação, aos militantes do PP.
Do conteúdo político do mesmo nada de novo…muitas palavras contra os socialistas, muitas frases entoadas em tom de falsete e de firmeza pífia, muita demagogia, enfim nada que não se esperasse do pior dos populismos, que depende destes momentos para sobreviver. Não encontrei melhor frase para descrever a liderança e sobretudo a postura de Paulo Portas, que a proferida por um dos seus amigos1, no caso Filipe Anacoreta Correia, exigindo a “Primavera” pois não bastava “ser uma andorinha mediática”.
Registe-se a contradição que Paulo Portas comete, oscilando entre o homem de Estado e o político cuja sobrevivência depende de ter espaço de manobra, para fazer uma leitura vitoriosa dos resultados de algumas eleições que se aproximam.
Este facto foi por demais evidente neste Congresso.
O Paulo muitas vezes puxa os galões do tempo em que foi Ministro da Defesa. Puxa naquilo que lhe interessa. Sobre submarinos, 60.000 digitalizações e acordos na base das Lages, nem uma palavra. Sobre a proporcionalidade de Ministros oriundos do PP e escândalos em que os mesmos se viram envolvidos, nem uma palavra.
Gosta de passar uma imagem de homem de Estado, porque sabe que o seu partido, e nunca a palavra “seu” fez tanto sentido, definha sem o poder. Definha sobretudo à medida que as três letrinhas mágicas, CDS, se vão afastando cada vez mais das outras duas, PP.
E é essa necessidade de sobreviver, de ser uma muleta, ou uma muletazinha, que o fez pedir aos portugueses, em pleno Congresso, que “castigassem os socialistas” com o seu voto já nas eleições europeias, que considerou “uma primeira volta das legislativas”. O sentido de Europa continua a ser o mesmo do passado, pelos lados do Largo do Caldas. As eleições europeias na perspectiva do PP só servem para uns quantos lugares para alguns dos seus militantes. Que entregarão o seu dizimo a um partido ávido de liquidez. Neste aspecto, a visão da Europa que o PP tem é muito semelhante à visão da Europa que o PCP tem. Em simples coisas confirma-se que afinal os extremos tocam-se mesmo.
Se fossem coerentes…não apresentavam listas. Mas o vil metal fala mais alto…
Confundir eleições europeias com as legislativas, não só é um insulto para os portugueses, como revela aquilo que os Querubins de Paulo Portas, tentam desesperadamente disfarçar: que o sentido de Estado que Paulo Portas tanto proclama, se resume a lugares, coligações, retórica de frases curtas e uma atroz incoerência.
Estranho numa altura em que, quem ousa criticar a crítica fácil ao Governo de José Sócrates, seja apelidado de Jeová, esquecendo-se estes Querubins de olhar para o interior do seu partido.
Onde o Paulo é acusado de ter reduzido o CDS-PP ao seu próprio gabinete no Largo do Caldas.
Onde o debate interno e as críticas provenientes da oposição são classificadas de “minudências”.
O Paulo foi eleito com 95% dos votos dos militantes, e apresentou a sua própria Proposta de Orientação Política, Económica e Social. As directas no PP, foram castradoras das restantes POPES. De resto Pires de Lima, levantou uma questão, após se ter referido a este tema: “Alguém pensa que o Dr. Paulo Portas vai sair daqui para praticar uma estratégia que não é a sua?”. Claro que não. Isso é treta democrática. E o que se quer é julgamentos sumários. Pena a Celeste Cardona quando era Ministra da Justiça, não se ter lembrado disto…
Os Querubins continuam obstinados a guardar a “sua” árvore da vida.
Apontam colericamente o dedo a tudo o que vem dos socialistas.
Apelidam de fundamentalistas e de Jeovás quem ousa defender aquilo que todos decidiram atacar em 2009. É assim a política. São assim as regras do jogo.
Mas só lhes prevejo voos errantes e de rumo incerto, com as suas frágeis asinhas.
Aliás Anacoreta Correia depois do Paulo ter avisado que não queria perder tempo com o debate interno do partido, lançou a questão: “Que viemos cá fazer se as propostas estão anunciadas e as medidas adoptadas?”.
Não obteve resposta ao que parece. Mas eu diria: vieram ver os Querubins a sorrirem candidamente para o seu líder.
1 Escreveria camaradas caso me estivesse a referir a partidos de esquerda, ou companheiros no caso do PSD, mas foi assim que Paulo Portas se referiu sempre aos congressistas, “meus amigos e minhas amigas”.