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O navio «Atlântida» terminou quinta-feira os testes de mar realizados no continente sem ter conseguido atingir os 19 nós de velocidade, a 75 por cento da potência, como pretendia o Governo Regional, refere a Lusa.

De acordo com o que revelou esta sexta-feira fonte ligada à construção, depois de três dias de testes, o máximo que o «Atlântida» conseguiu alcançar foi 16,5 nós, a 85 por cento da potência, ou seja, uma velocidade inferior à contratualizada, e com recurso a maior esforço das máquinas.

Esta situação que não deverá estar alheia aos problemas de estabilidade em caso de avaria, detectados ainda na fase de projecto do navio de transporte de passageiros que está em fase final de construção nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC).

Esta é a pior notícia que os responsáveis pelos estaleiros navais de Viana do Castelo podiam esperar.

A já longa novela do navio "Atlântida" ganhou novo fôlego com um episódio que coloca em causa a qualidade e a credibilidade no mercado dos ENVC.

O falhanço dos testes de mar é um sério revês e ameaça tornar-se um caso político regional, pondo em causa a credibilidade do executivo de Carlos César.

Depois do verdadeiro flop que ainda está a ser o projecto dos patrulhões, tão caro a Paulo Portas, este falhanço pode pôr em causa a confiança depositada nos ENVC, não só pelo Estado português, mas também pelos clientes internacionais que recentemente sinalizaram vontade de ali fazerem negócio.

Más notícias, portanto, para a nossa indústria naval.

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Ao longo das décadas passadas tenho chamado sistematicamente a atenção da vocação dos Açores para desempenhar o papel de ponto de encontro transatlântico.

Estou agora convencido de que é preciso juntar a essa vocação alguma pimenta. Não se trata de pimenta da terra, embora essa exista entre nós com abundância. Na realidade, ao recordar a Ponta Delgada que conheci em 1980, lembro-me que era mesmo impossível encontrar na então incipiente restauração local qualquer prato de peixe ou de carne, para não falar nas batatas ou arroz, que não fosse generosamente acompanhado de pimenta da terra. Hoje reduzida na maior parte dos casos ao papel de acompanhamento do queijo fresco, a pimenta da terra já não é o que foi, mas continua a ter uma respeitável presença entre nós.
Na verdade, estou aqui a pensar na pimenta que animou a epopeia das descobertas e que nos levou a virar uma página na história do mundo, a que veio do Sul da Ásia e que continua a ser a imagem de marca da culinária indiana, ou se quisermos ser mais precisos, que nos faz lembrar o seu carácter picante e condimentado, não necessariamente devido à pimenta.
Aqui convém ter em conta que as coisas não são bem o que parecem. Quem julga conhecer a cozinha chinesa por comer em restaurantes chineses, nem sabe a surpresa que o espera quando se abalançar à comida chinesa da China e perceber que os nossos amigos chineses são de uma versatilidade sem limites e resolveram adaptar a comida dos seus restaurantes ao que os seus clientes de facto gostam, por mais longínqua que seja a relação do que lá se serve com a comida chinesa.
Voltando aos condimentos, às especiarias da nossa história, as da Índia, essas são mesmo genuínas e de verdade ao ponto de me fazerem recordar, em 2009, da sensação de exagero que tive ao chegar a Ponta Delgada em 1980.
Mas deixemos por ora esta incursão pela culinária, de quem nesta matéria vai pouco além do ovo estrelado, que como o leitor se terá apercebido apenas serviu para condimentar uma escrita em riscos de ser demasiado insonsa, para tentar expor as razões que me levam a considerar a pimenta indispensável neste prato.
Entretidos em autênticas guerras de alecrim e manjerona (condimentos bastante menos agressivos, convenhamos), nas constatações astronómicas que colocavam uma das margens do Atlântico em Marte e a outra em Vénus, deixámos que passasse a nossa hora.
O Ocidente perdeu hoje a capacidade que já teve de dirigir o mundo, e se não se quer remeter à irrelevância ou ao triste declínio de quem se encolhe na nostalgia tem que estabelecer alianças estratégicas que não tem.
Alianças estratégicas não são interesses de oportunidade, são muito mais do que isso, são a constatação da existência de convergências de fundo e da necessidade de se trabalhar em conjunto.
Fazendo parte da equipa que está a preparar a segunda conferência transatlântica das energias renováveis, a realizar na ilha Terceira no princípio de Abril, propus assim o seu alargamento à participação do Sul da Ásia.
Na realidade, na primeira conferência transatlântica, e por iniciativa do Professor Paulo Ferrão, já tínhamos tido a presença de uma empresa da Malásia, mas não nos passou então pela cabeça o alargamento da tertúlia política a outros continentes, e é isso mesmo que ando agora a tratar em viagem pela Índia. 
A Índia, para além das afinidades políticas, tem interesses claros nas energias renováveis que podem complementar aqueles que marcam já o Atlântico e estou em crer que o tema das energias renováveis é extremamente propício ao desenvolvimento das nossas relações multilaterais.
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O colega Paulo Estevão colocou uma imagem efeminada de um nobre neste blog para ilustrar o semi-presidencialismo português. Contudo, diz que é demasiado poderoso.

 

Penso que está duplamente confundido. Nem o Presidente é da nobreza (que eu saiba vem de uma família do povo), nem é efeminado, nem todo-poderoso.

 

O colega também deve desconhecer a história do sistema político português. Mas eu posso-o esclarecer. Até 1820 houve a monarquia absoluta, em que o Rei mandava e o povo obedecia. De 1820 a 1910 tivémos a monarquia constitucional em que o Rei interferia na política através da Câmara dos Pares e da dissolução da dos Comuns. Na I República o Presidente não podia dissolver o Congresso, o que levou à bandalheira total. Para acabar com esta, no Estado Novo o Presidente da República podia não só dissolver a Assembleia Nacional como alterar a constituição (o que deve ser considerado uma blasfémia pelo nosso colega).

 

A Constituição de 1976 veio equilibrar um pouco as coisas e permitir que o Presidente dissolvesse a Assembleia em circunstâncias especiais, o que constitui uma mais-valia. Ainda assim, a Assembleia pode obrigar o Presidente a promulgar leis que não são do seu agrado.

 

Em relação à questão do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, penso que em Portugal se instalou a ideia de que afrontar a autonomia regional é, por si só, um crime. Não creio que as coisas se resolvam através de cedências irracionais, ainda mais quando as Regiões Autónomas gozam de uma autonomia bastante alargada.

 

Se querem mais autonomia não me oponho, mas quero ver em que termos. Se for para evoluírem para estados regionais, muito bem, que assim seja, mas que assumam todas as responsabilidades inerentes ao novo estatuto e não se venham queixar que o Estado não lhes dá dinheiro.

 

Assim se passa com os filhos. A partir do momento em que saiem de casa, têm de assumir os encargos inerentes à liberdade que almejam. Não acho bem que se esteja a pagar um dinheirão para ter umas pintas no meio do oceano a dizer Portugal entre parênteses só porque é bom para a marca Portugal. Quem é português deve saber sê-lo de uma forma responsável e não com chantagens emocionais que só confundem a realidade e dificultam a tomada das decisões mais acertadas.

  

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Assembleia açoriana compensa aumento de deputados com redução nas subvenções e número de funcionários dos grupos parlamentares
Um deputado "rende" ao seu partido na Madeira quase sete vezes o valor da subvenção atribuída pela Assembleia dos Açores por cada eleito. O parlamento madeirense terá em 2009 um custo global superior em 70 por cento ao do seu congénere açoriano, apesar de este ter mais dez deputados.
A Assembleia Legislativa da Madeira, com 47 deputados, gastará 17 milhões de euros em 2009, mais sete milhões que o parlamento dos Açores com 57 mandatos. A grande diferença, em termos de custos, advém do apoio financeiro à actividade parlamentar, encargo que na Madeira é assumido como forma indirecta de financiamento dos partidos, servindo para suportar as mais dispendiosas campanhas eleitorais do país.
Nesta região, cada partido recebe anualmente 14 prestações de 15 salários mínimos regionais (SMR) por deputado, enquanto nos Açores o apoio mensal era de três SMR por deputado, com a garantia de um número mínimo de dez salários. No entanto, segundo a proposta de alteração à lei orgânica da Assembleia dos Legislativa dos Açores, apresentada pelo PS, não só este valor mínimo deixará de existir, como também o factor multiplicador daquela fórmula baixa de três para 2,5. Daí resulta que por cada deputado eleito na Madeira qualquer partido receba quase sete vezes mais do que por cada mandato obtido no arquipélago de Carlos César.
O orçamento da Assembleia da Madeira para 2009, aprovado na quarta-feira passada, atribui às subvenções aos grupos parlamentares e partidos cerca de cinco milhões de euros, praticamente o mesmo montante gasto anualmente na anterior legislatura, apesar de ter sido reduzido de 68 para 47 o número de deputados. Naquele mesmo dia, o PS açoriano apresentou a proposta de alteração orgânica com que reduz o custo total dos apoios parlamentares de 864 para 807 mil euros, mesmo com mais cinco deputados e o dobro de partidos.

Açores cortam
Esta despesa poderia atingir 2,4 milhões de euros, se todas as representações e grupos parlamentares optassem por nomear o número máximo de adjuntos, secretários e auxiliares permitido na actual legislação.
A ser aprovada a nova lei orgânica, o parlamento açoriano manterá o orçamento global nos 10 milhões de euros, compensando o encargo dos vencimentos de mais cinco deputados com os cortes nas subvenções, no número de funcionários parlamentares e nas despesas com jornadas.
Com as novas regras, as representações com um único deputado (PCP e PPM) passam a receber uma contribuição anual de cerca de 14 mil euros. Constituídos em grupos parlamentares, o Bloco de Esquerda (dois deputados) contará com 28 mil euros, o CDS-PP (cinco) com 70 mil, o PSD (18) com 255 mil e o PS (30 deputados) com 425 mil.
Somada a subvenção à verba para encargos com estes funcionários de apoio e com material, o PPM e PCP passarão a receber um total de 50 mil euros por ano, o BE cerca de 80 mil, o PSD 400 mil e o PS 657 mil euros.
Muito mais elevadas são as subvenções atribuídas pela Assembleia da Madeira aos grupos parlamentares que totalizam quase cinco milhões de euros. Com um deputado, o BE, a Nova Democracia e o Partido da Terra recebem, cada, cerca de 92 mil euros por ano, o PCP e o CDS-PP (com dois) 185 mil, o PS (com sete) 644 mil e o PSD (33 deputados) mais de três milhões de euros.
Devido a uma auditoria do Tribunal de Contas que considerou ilegal tal financiamento, o PSD recuou na proposta que alterava a fórmula para repartir equitativamente os 6,2 milhões das subvenções despendidos pelo parlamento na anterior legislatura, quando tinha mais 21 deputados.
Excluída a subvenção estatal (19,1 milhões) atribuída este ano aos partidos nacionais em função dos votos, a Assembleia da República, com quase cinco vezes mais deputados (230) que o parlamento da Madeira, concede quase sete vezes menos a título de subvenções aos grupos parlamentares, num total de 823 mil euros, sendo de 653 mil os apoios para encargos de assessoria aos deputados e outras despesas de funcionamento.

22.11.2008, Tolentino de Nóbrega In Público.pt

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A principal novidade da noite eleitoral acabou por ser a demissão do líder da oposição, dado que ninguém duvidava seriamente da não confirmação do PS no Governo (e esse excesso de confiança foi sem dúvida o maior problema enfrentado pelos socialistas) e que a questão em aberto era muito mais a de saber o que iria o líder da oposição fazer perante a inevitável derrota.

Pela minha parte, e tendo em conta o que considero ter sido uma campanha com aspectos civicamente repreensíveis, penso até que o resultado do PSD pode ser considerado como acima das expectativas.

Basta apenas lembrarmo-nos daquela inqualificável acusação feita pelo líder do PSD em São Jorge, de que se estava a exigir aos eleitores fotografias do seu voto pela câmara do telemóvel, para se ter consciência do nível a que desceu a campanha desse partido, numa lógica de vale tudo, que penso ter sido contraproducente.

O Dr. Costa Neves é um político com um longo currículo, já exerceu os mais variados cargos, já se candidatou a muitos mais ainda e já liderou várias vezes o PSD nos Açores.

Na altura em que ele se demite, e sendo verdade que eu tive a oportunidade e o prazer de com ele trabalhar, nomeadamente no Parlamento Europeu, é de plena justiça realçar que é uma pessoa muito trabalhadora, que sabe trabalhar em equipa e que muito deu de si pelo seu partido, naturalmente da forma que achou mais conveniente fazê-lo.

É exactamente por saber desse seu espírito de servir o seu partido que presumo que a sua demissão significa um cansaço final e que ele terá concluído que a sua presença na direcção do PSD não ajuda o partido.

A sua demissão neste momento poderá não deixar o PSD na melhor das situações – partindo do princípio de que o calendário ideal seria mais o de 2010/2011, depois das próximas eleições e a tempo de lançar um novo concorrente para o acto eleitoral de 2012 – mas não é menos verdade que a sua permanência se tornaria também insustentável.

O PSD – tanto a nível nacional, como a nível regional – está, por outro lado, cansado de uma permanente rotação de líderes, com muitos obcecados pela escolha do momento mais oportuno, sendo que o novo sistema eleitoral vai tornar mais difícil a continuação da bipolarização que dominou em mais de três décadas a nossa vida política.

Pela minha parte, desejo sinceramente a melhor das escolhas para o principal partido da oposição, porque estou profundamente convencido de que uma boa oposição ajuda a estimular um bom governo.

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O rendimento mínimo garantido, independentemente do nome que assuma, tem sido sempre fonte inesgotável da crítica popular.

Os defeitos do sistema são reais, no sentido em que este não foi aplicado simultaneamente com uma política de crédito fiscal que complementasse baixos salários e também na medida em que o acompanhamento pressuposto pela parte das autoridades nem sempre se materializa. Até porque é caro e difícil.

Existe ainda na opinião pública quem pense que o marginal ou o marginalizado deve ser tratado a chicote, atirando-se-lhe, muitas vezes, pedras, sem quem as atira cuidar da qualidade do seu telhado.

Posto isto, a verdade – que infelizmente a comunicação social faz pouco para mostrar – é que esse rendimento mínimo tem sido muito importante para milhares de crianças, cujos salários dos pais são curtos para as necessidades, e trouxe alguma formação e integração a muitos milhares que sem ele não a teriam tido. É, nestes tempos de crise, um instrumento que é necessário reforçar e saber conjugar com uma política de protecção social.

O rendimento mínimo foi o bombo da festa nas passadas eleições de dia 19, com Paulo Portas e Costa Neves a usar e abusar da demagogia e sem que, da esquerda, se tenha ouvido a necessária defesa deste instrumento; o PS demasiado ocupado a fazer o rol dos sucessos da governação; o BE e a CDU mais ocupados a criticar o "modelo" económico do PS (sem ousarem, no entanto, descrever as maravilhas do modelo económico marxista-leninista).

E tivemos assim, o Dr. Paulo Portas, que nos obriga a pagar a despesa máxima de centenas de milhões em submarinos inúteis para uma política de defesa coerente, sem prestar contas do que fez arruinando as nossas finanças públicas, a vociferar contra o rendimento mínimo.

No mesmo dia em que o senhor Presidente da República se vangloriava de que só precisou de meia hora para promulgar o diploma que destina vinte mil milhões de euros à banca, documento que a Assembleia da República tinha benzido noutro repente – e aqui, valha-nos Manuel Alegre que se distanciou do frenesim –, escutei eu na rádio o dirigente regional do PP a prometer que ele, na Assembleia Regional, ia controlar o rendimento mínimo ao cêntimo.

Resumindo: de um lado assinam-se de cruz milhares de milhões de euros para a banca, do outro promete-se escrutinar ao cêntimo o que se destina aos pobres.

Nos EUA, onde a receita de pacote de salvação para a banca foi primeiro aplicada – e convém ter em conta que os nossos vinte mil milhões de euros são proporcionalmente mais importantes do que os 700 mil milhões de dólares dos EUA –, a medida só passou à segunda tentativa, profundamente modificada, com muito voto contra e compromissos de escrutínio. Entre nós passou-se tudo num ápice, tendo o nosso parlamento adoptado a lógica de quem raramente tem dúvidas e nunca se engana, sem se preocupar em obter explicações mais claras sobre o destino das verbas e garantias de uma profunda reforma do sistema financeiro.

Parafraseando o nosso chefe de Estado, somos uma democracia de sucesso e não temos tempo a perder, até porque tempo é dinheiro. Enfim, nada de fazer como aquelas democracias menos bem sucedidas como a americana.

E é por tudo isto que precisamos de uma esquerda clara – longe do marxismo leninismo e capaz de fazer a crítica dos seus crimes – que tenha a coragem de defender uma política de apoio ao rendimento de quem precisa, que esteja pronta a corrigir erros, mas que nunca aceite massacrar quem precisa de alguns cêntimos para desculpar quem esbanja biliões.

Essa esquerda é naturalmente a do PS; um PS que não se pode resumir à apologia da governação e que seja firme e claro na defesa dos princípios de uma sociedade marcada pela igualdade de oportunidades, pela liberdade, pela solidariedade e pela justiça social.

Penso que é esse o PS que os Açores, o país e a Europa precisam.

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O nosso colega de blog, Paulo Estêvão, do qual tenho a honra de ser Editor, para além de ter sido eleito recentemente o primeiro deputado regional do Partido Popular Monárquico nos Açores, acaba de lançar um livro, intitulado "Excertos de uma oposição monárquica ao regime cesarista açoreano". Esta obra marca o início da colecção de política da Chiado Editora, de nome "Passos Perdidos".

Nas palavras do mesmo: "Este livro é o resultado da súmula dos textos que escrevi ou republiquei no último ano. Revela o meu percurso político, as batalhas políticas que travei contra o regime não democrático que os socialistas criaram nos Açores e algumas das aspirações que tenho para o futuro do Povo Açoreano."

 

Para saber mais sobre a obra.

 

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O Presidente da República decidiu vetar o novo estatuto político-administrativo dos Açores, diploma que já tinha reenviado para a Assembleia da República e que os socialistas voltaram a aprovar apenas com alterações de pormenor, que não respondiam às preocupações manifestadas por Cavaco Silva.
E agora açorianos do Câmara de Comuns?

Tudo na Paz do Senhor, o PS volta a aprovar o Estatuto e siga para Bingo ou há implicações deste Veto?

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A expressão lobbying tem origem na actividade de esclarecimento, de informação, de propaganda ou mesmo por vezes de aliciamento por parte de determinadas organizações com ou sem finalidade lucrativa e ganhou esse nome através daquelas pessoas que praticavam a actividade esperando os decisores políticos no lobby dos seus gabinetes.

Em rigor, trata-se da mesma actividade conhecida por "propaganda" ou "informação" médica feita junto dos profissionais de medicina ou dos vendedores de seguros ou outros produtos financeiros e, na esfera política, aplica-se a todos nós que nos parlamentos procuramos influenciar os decisores para determinadas políticas ou acções, por vezes na região, outras vezes no país, outras ainda em Bruxelas ou por vezes mesmo ainda mais além. E, claro, em sentido inverso, sem nunca esquecer os nossos patrões, ou seja, os nossos cidadãos eleitores. Os meus, como se sabe, estão espalhados pelas nove ilhas dos Açores, incluindo a Malbusca, extremo Sul da freguesia de Santo Espírito na ilha de Santa Maria.

Sem desfazer nas outras nossas lindas ilhas, a ilha de Santa Maria tem, na minha opinião, o mais belo centro urbano - o de Santa Bárbara - e a mais bela arquitectura rural feita de casario disperso, de formas equilibradas e magníficas, com artísticas chaminés, e foi nesse cenário que tive o prazer de acompanhar os candidatos socialistas de Santa Maria - vereda abaixo vereda acima - a distribuir folhetos das candidaturas, camisola e bonés, dar uma palavra de amizade e confiança e ouvir idosos isolados que sofrem de solidão, miúdos que brincam com os pais, gente que trabalha na reparação do automóvel ou no arranjo da horta,  recados, estados de espírito, felicitações e reclamações.

O lobbying de proximidade dos políticos junto dos eleitores em época de eleições como fora dela, oferecendo uma camisola ou uma esferográfica aqui, sendo presenteado com uma fatia de massa sovada ou uma bebida ali, ou sem umas coisas nem outras, é absolutamente indispensável para a actividade política para não rodarmos em roda livre e termos a noção do sentir dos nossos eleitores. Se porventura ele se parece com a actividade de feirante - e nas minhas memórias de juventude mais me faz lembrar a de vendedor ambulante - não vem daí rigorosamente mal nenhum ao mundo.

E claro que os nossos eleitores esperam exactamente o mesmo de nós junto do executivos, que estejamos presentes, que façamos sentir a vontades, os interesses e os pontos de vista dos cidadãos eleitores açorianos - os da Malbusca como os de qualquer outro lugar nos Açores - no caso dos deputados europeus, junto das instituições europeias, ou seja, se preferirem a expressão, fazer lobbying junto das instituições europeias.

É justamente para isso que os açorianos nos elegeram e é isso que também não se faz à distância com comunicados de imprensa para fazer de conta que se está em debates e votações onde não se esteve.

Nesta era das telecomunicações insisto em considerar que não se pode ser teledeputado, que não podemos resumir a nossa actividade aos meios de comunicação social, aos comunicados de imprensa e aos eventos sociais, temos que estar presentes, temos que ter consciência das aspirações os nossos eleitores e dos nossos deveres.

A existência de equipas profissionais para apoiar ou complementar este trabalho é naturalmente bem vinda e salutar não existindo aí um modelo único e independente das circunstâncias e dos meios financeiros disponíveis. Será certamente um esforço com resultados positivos se não for feito para rivalizar com a actividade dos eleitos ou para os desculpar da sua falta de actividade.

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Acabei de ouvir, no programa "Quadratura do Circulo", António Costa criticar o PSD por bloquear alterações eleitorais e democráticas na Madeira, dizendo que o sistema eleitoral beneficia o PSD. Isto foi dito em defesa do PS Açoriano, dizendo que nos Açores é que foi dado um exemplo de democraticidade.

 

É grave que um político experiente, ex deputado, ex Ministro e, actualmente, comentador político demonstre uma falta de conhecimento brutal do que se passa no país.

 

Ambas Regiões Autónomas tiveram alterações nas suas leis eleitorais recentemente. Quer as recentes eleições nos Açores como as últimas na Madeira decorreram pela primeira vez com as novas leis.

 

Nos Açores aumentaram o numero de deputados. Não critico. Esse aumento é justificado pela criação do Circulo de Compensação. E os resultados comprovaram que foram os partidos pequenos que mais beneficiaram desta novidade. Com uma realidade geográfica de 9 ilhas, dificilmente deixará de haver vários Circulos.

 

E na Madeira? Reduziu-se o numero de deputados, ao mesmo tempo que terminaram os vários circulos eleitorais, passando a um único.

Sejamos sérios, com esta alteração se há critica que não pode ser feita ao PSD e em especial a Alberto João Jardim é de falta de democraticidade.

Com o último resultado nas eleições regionais mas com a anterior lei o PSD Madeira teria eleito ainda mais deputados. E existem agora mais partidos com representação parlamentar.

 

Aquando da aprovação da actual lei eleitoral madeirense, escreveu o Diário de Noticias:

«Com todos os partidos a concordarem que as alterações agora aprovadas representam um inequívoco avanço no respeito pela proporcionalidade entre o número de votos obtidos por cada partido e a sua conversão em mandatos (uma reivindicação antiga dos pequenos partidos)(...)».

 

É grave que certas pessoas não saibam estes factos. Ou será falta de memória? Conveniente!

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O Presidente do Governo Regional dos Açores e candidato socialista às eleições suspendeu, a 19 de Setembro – um mês antes do acto eleitoral em que a sua acção vai ser avaliada pelos cidadãos eleitores – a sua presença em actos públicos, impondo a si mesmo uma distinção entre estas duas condições, a de Presidente do Governo e a de candidato.

 

Há poucos dias, Manuela Ferreira Leite esteve nos Açores, no arranque da campanha do PPD para as regionais do próximo mês. A líder laranja disse na altura que nos Açores, como no continente, não havia democracia.

O que dizer, então, desta atitude do Governo Regional dos Açores e candidato socialista?

Porventura, desconhece o que faz o líder regional da Madeira, em períodos de campanha, quando as funções de Presidente do Governo regional se misturam e confundem com a de líder partidário.

Pena que o comportamento na Madeira não seja análogo. Algo que deve envergonhar a direita, como refere Paulo Casaca.

E o que dirá, então, Ferreira Leite a esta atitude Carlos César? Também será anti-democrática?

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Publicado por Ricardo em "O mundo na sombra"

 

O Kit já chegou lá a casa e, desilusão, não era o Kit que eu queria. Pensava que o Kit de que tanto ouvira falar fosse aquele mítico carro preto que me habituei a ver quando era pirralho, na série o Justiceiro, em que David Hasselhof interpretava a personagem Michael Knight que, ao volante do Kit, lutava mundo fora pelos pobres e oprimidos.

Quem não se lembra do "Kit, vem me buscar!"? (sim, sim, era uma série com direito a tradução brasileira e tudo).

Mas pronto, o Kit que me meteram na caixa de correio não tinha nada a ver com esse. Era, isso sim, o Kit Autonómico, ou seja, uma caixinha com 1 bandeira dos Açores, 1 CD com o Hino dos Açores, 1 carta de Sua Excelência o Presidente do Governo Regional dos Açores e 1 livrinho que, sinceramente, nem sei o que tem escrito mas que garanto que deve ter algo a ver com os Açores.

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A pedido de várias famílias regresso a este tema.

 

Cavaco dirige-se-nos agora num tom mais familiar, a propósito do Estatuto Político-Administrativo dos Açores.

 

Isso sucede por reconhecer a alargada incompreensão a propósito da estratégia de finais de Julho e por compreender o seu reflexo na sua descida nas sondagens de opinião.

 

Ainda, Cavaco sabe que pode vetar politicamente mas não sobram tantos mais poderes, como os que anunciou veladamente na sua comunicação ao país. 2008 tem eleições nos Açores e 2009 tem eleições em toda a parte.

 

Cavaco explica, com outra linguagem, as suas razões, em entrevista ao Público, onde registo pela primeira vez na minha memória a palavra "eu", a substituir o distante "o Presidente da República".

 

Quanto aos fundamentos: correctíssimos. Quer do ponto de vista jurídico-constitucional, quer do ponto de vista dos equilíbrios político-institucionais.

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O ex-presidente da República Mário Soares considera pouco feliz e “inoportuna” a intervenção televisiva do actual Presidente, Aníbal Cavaco Silva, no último dia de Julho, a propósito do novo Estatuto da Região Autónoma dos Açores.

 

A opinião de Mário Soares é partilhada por quase todos, mesmo que a alguns não a convenha transmitir.

Julgo que foi uma má ideia, que acabará por retirar importância a futuras "comunicações", que revelou uma Presidência obcecada com a sua autoridade, insultada com o facto de ter de realizar mais duas reuniões em caso de necessidade de dissolução da Assembleia Legislativa dos Açores.

 

Boa noticia é a nova descida dos combustíveis, isso é que anima os portugueses e a prazo a economia, quanto a lapsus linguae ou birras de São Bento, são fait-divers que não merecem grande atenção...

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Se preocupasse mais com as ilegalidades, faltas de educação e respeito, ataques pessoais, declarações xenófobas, concursos públicos com resultados anunciados e cenas de telenovela da Assembleia Regional da Madeira ou com negócios como a mais recente venda da marina do Lugar-de-Baixo ao grupo Pestana?

Nada disto preocupa Sua Excelência, quando em visita à pérola do Atlântico apenas quis saber de pão e circo, o medinho e o respeito que Alberto João Jardim impõe até ao Sr.. Silva é extraordinário....

Por isso é que eu digo, o Alberto João é o maior!

Basta ver a diferença de tratamento que recebe por parte de Belém e São Bento, desde há muitos anos e com muitos governos, ainda com Mota Amaral ao leme (parado sem fazer nada é certo) dos Açores e já era patente a desigualdade de atenção e "mimo" ou "negócio eleitoral" para com ambos os arquipélagos.

Cavaco joga para 2009, muito bem, será que joga mesmo para 2010?Andam por aí uns zunzuns estranhos...

Quanto às decisões do TC e a razão que neste caso dão pontualmente ao Sr. Silva, é melhor não discutir muito acerca dos condicionalismos do órgão em causa, é melhor corrigir os pequenos pontos chumbados e seguir para a frente.

Mas lá que a equipa da Presidência da República se mexe bem nos corredores, mexe, perguntem à Manuela, ao Sol, ao Expresso...pena que ao olhos de Belém haja Filhos e Enteados.

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O nosso colega de blog Paulo Estêvão, anunciou ontem, em conferência de imprensa, que será o candidato ao círculo eleitoral do Corvo pelo Partido Popular Monárquico, lugar que acumulará com o de nº1 pelo novo circulo de compensação regional, criado para as eleições regionais açorianas de 19 de Outubro. No que há ilha do Corvo diz respeito, parece-me que o Paulo já tem o seu lugar praticamente garantido na Assembleia Regional, tornando o PPM no 4º maior partido do Arquipélago dos Açores. Quanto a ser cabeça de lista pelo círculo de compensação regional, parece-me uma posição óbvia, visto ser Presidente do PPM - Açores, diga-se desde já, a maior distrital do partido. Paralelamente, foi anunciado que o PPM irá concorrer em todas as ilhas.

 

A novidade desta conferência de imprensa, foi a forte aposta do PPM no círculo eleitoral de S. Miguel, face a uma oposição de direita enfraquecida na ilha, onde quer o líder do CDS, quer o líder do PSD, são da Ilha Terceira, deixando a direita de S. Miguel, ao que parece, ao abandono. Neste cenário, o vice-presidente do PPM, Gonçalo da Câmara Pereira, apresentou-se ontem como cabeça de lista a S. Miguel, com o objectivo de se eleger como deputado e conseguir que o PPM tenha um grupo parlamentar nos Açores (2 deputados). Pelas declarações que vi nos jornais, pareceu-me que os últimos desaires eleitorais do Gonçalo da Câmara Pereira, o ajudaram a alterar a sua postura política. O discurso foi claro e rico em propostas, ficou ainda a promessa que caso seja eleito fica a residir nos Açores.

 

Com um PS eleitoralmente forte e o CDS e PSD a não demonstrarem força, parece que a guerra se vai fazer à direita, com um PPM a aparecer como um dado novo para as eleições de 19 de Outubro. Fica o vídeo da RTP - Açores.

 

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O Presidente da República, Cavaco Silva, requereu hoje ao Tribunal Constitucional a fiscalização preventiva da constitucionalidade do decreto da Assembleia da República que aprovou a terceira revisão do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores.

 

O presidente do Governo açoriano, Carlos César, afirmou hoje que embora legítimo o pedido de fiscalização da constitucionalidade do Estatuto Político-Administrativos dos Açores é uma "decisão incorrecta" do Presidente da República, que poderá suscitar "uma polémica autonómica indesejável". O Executivo açoriano garantiu que deseja "continuar a trabalhar para que as autonomias sejam projectos nacionais fundados no consenso e não em atitudes fracturantes".

 

O presidente do PSD/Açores, Costa Neves, responsabilizou hoje o PS por "ter provocado" a fiscalização preventiva do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, alegando que os socialistas "recusaram o consenso" que permitia "a limpidez constitucional de algumas normas estatutárias".

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