Bem sei que a esquerda anacrónica não tem apenas demasiado protagonismo na América Latina, se bem que, aí, não só tem protagonismo como tem poder. Veja-se o caso de Cuba ou da Venezuela, onde os resultados são lamentavelmente conhecidos.
Na Europa, a esquerda anacrónica também tem relevo. Em Portugal, temos dois partidos que se enquadram neste campo da esquerda, ainda que um, o BE, querendo parecer menos ortodoxo do que o histórico partido comunista português, apresentando-se com laivos mais modernos, tem um estilo tão ou mais ortodoxo que o PCP.
Aqui ao lado, em Espanha, o anacronismo de esquerda perdeu força, com a IU sem qualquer representação parlamentar. Mas em termos de desenvolvimento nacional quem nos dera a nós, portugueses, que o nosso PC tivesse a leitura eurocomunista de Santiago Carrillo! Deveríamos estar bem melhor.
Em França, o outrora mais determinante partido de esquerda, o PCF, está pelas ruas da amargura, como a esquerda troskista.
Em Itália, os grupelhos de esquerda não acederam ao Parlamento. E, como já sucedera em França, onde a Frente Nacional procurara e recebera muito do seu apoio nas bases do PCF, e viu-se onde Le Pen chegou em 2002, no norte de Itália, a Liga do Norte, que duplicou a votação nestas eleições, cresceu pelo apoio colhido no eleitorado que era afecto à esquerda.
Todavia, onde se joga a preponderância da esquerda anacrónica na Europa é na Alemanha. O Die Linke, partido constituído pelos ex-militantes ressabiados do SPD, com Lafontaine no comando, e os ressabiados comunistas, que um dia foram poder na defunta RDA,estão a subir. No leste estão consolidados como força preponderante e no oeste estão a conquistar mais apoios. E, como seria de esperar, sendo quase inevitável, mais sobem os anacrónicos quanto mais o SPD se preocupa em querer afirmar-se mais à esquerda.
É bem provável que nas legislativas germânicas do próximo ano este partido cause um pequeno abalo, do qual o SPD é o principal prejudicado. E por culpa própria. Pois a esquerda anacrónica tende a subir onde a esquerda democrática tende a hesitar.
As propostas demagógicas e penalizadoras dos contribuintes (base comum à esquerda anacónica) do Die Linke, podem cair bem, e provavelmente vão ser apreciadas por certas fatias do eleitorado desiludido com o SPD.






