Caro Diogo,
Já li, em especial na blogosfera, muitas críticas à participação de Carlos Reis e à sua atitude menos digna no “Prós e Contras”, como os oponentes do Acordo Ortográfico (AO) fazem questão de sublinhar.
Se as pessoas prendessem por breves momentos a atenção na área de especialidade de Carlos Reis, estudos queirosianos, perceber-se-ia melhor a forma de estar do actual Reitor da Universidade Aberta, que faz jus ao estilo e conteúdo das leituras que Eça apresentou.
Mas, não é sobre o comportamento dos intervenientes, que na globalidade ficaram aquém do que se esperava, e estamos em sintonia neste ponto, desde os fracos argumentos apresentados por Lídia Jorge à agitação quase constante de Maria Alzira Seixo, sem esquecer a visão apocalíptica apresentada por Graça Moura, que nos deve centrar a atenção, mas sim a importância do AO para a língua portuguesa no século XXI.
Dos vários pontos que enumeras, deve referir-se que o AO não beneficia, como indicas no terceiro ponto, só Portugal e o Brasil, mas todos os Estados lusófonos.
Afinal, ficamos todos com a mesma escrita e esta circunstância, na competitividade global, em que as línguas participam e contam, passa a ser um trunfo para o português, algo que agora não é. Como alguém disse no referido programa da RTP, em França há quem pretenda aprender o “brasileiro”. E, de facto, é incontornável, o português tem hoje uma presença significativa no mundo por causa do Brasil. A dimensão demográfica conta, e de que maneira.
Mas, o português poderá ter uma presença ainda mais preponderante, quando dentro de alguns anos, Angola e Moçambique, especialmente Angola, contarem com uma sociedade estável e próspera. Sinais que os dois países começam a dar no presente. E, esta situação de estabilidade terá a sua natural repercussão em termos demográficos, uma vez que finalizada a guerra, havendo mais condições de saúde, com as elevadas taxas de natalidade que se registam em África, às quais Angola como Moçambique não são excepção, o número de nativo falantes pode aumentar exponencialmente. Isto, pelo lado endógeno.
A língua é propriedade de quem a usa e, assim como o AO tem impacto nos nacionais dos 8 países lusófonos, tem também em todos os seus milhões de emigrantes espalhados pelo mundo. Passaremos todos a escrever da mesma maneira.
Do lado exógeno, isto é, de quem quer aprender o português, e são muitos, nomeadamente os chineses, e como é importante não desperdiçar esta oportunidade!, o AO é ainda melhor para qualquer pessoa que queira aprender português, uma vez que não terá de aprender duas grafias, mas sim a grafia do espaço lusófono.
Num momento em que a prosperidade começa a florir nos países africanos (ressalvo um ponto que tende a ser apresentado e é um erro tomar os cinco países africanos lusófonos todos por igual, importa respeitar a individualidade de cada um, que por si só é riquíssima na sua diversidade interna; dada a sua circunstância geográfica, só São Tomé e Príncipe é o mais homogéneo), que o Brasil se afirma no mundo como potência emergente, que Timor terá tão mais a ganhar em termos de identidade e reconhecimento no quadro austral em que se encontra quanto mais o português for tido como língua preponderante, e Portugal pode desempenhar um papel determinante na União Europeia, em termos de ponte para o hemisfério sul; desperdiçar uma oportunidade, em que todos beneficiam, só por uns quantos quererem manter o seu reduto escrito, é um total disparate. Esta posição acaba por recordar um dos episódios de “Os Lusíadas”, quando célebre vetusto do Restelo não queria que o país passasse as margens do norte de África em termos de conquista. Mas, o português é tão língua de Camões como é de Amado, de Mia Couto como de Águalusa, de Pepetela como de Alda Espírito Santo, entre tantos outros.
O momento é de desafiar o longínquo e agora podemos dar esse passo, de valorização e dignificação da nossa língua no mundo, ou ficar agarrados ao nosso penacho, como se fosse algo só nosso e que mais ninguém pode usar.
Este paternalismo só nos conduz ao isolamento e enfraquecimento do português como língua mundial, que é.
De João Santos a 16 de Abril de 2008 às 17:16
O que é mais esquizofrénico nesta "cólica" ortográfica é que os seus paladinos (um dos quais CMC, como aqui fica comprovado) são maioritariamente aqueles que, em oposição, sempre foram contra o "Império", a expansão portuguesa para as "Colónias" e a sua fixação e, imagine-se, ao tornar a língua portuguesa no idioma oficial desses países. Vejam se isto não é a contradição das contradições...
Entendam-se! Fomos corsários colonialistas mas já não faz mal utilizar a hegemonia nacional a que esses povos escravizados e diminuídos foram sujeitos nas suas idiossincrasias culturais, para nosso benefício??? Mas andam a brincar connosco?
Vão dizer aos americanos para "britanizarem" a sua ortografia. Ou mais difícil, vão dizer aos britânicos para se "americanizarem"... E ao lado desse poderíamos colocar muitos outros exemplos. O que vale é que continuamos a querer tornar-nos mais pequenos do que somos. Pelo caminho porque é que não sugerimos ao Lula tornarmo-nos brasileiros para, assim, beneficiarmos da sua posição visível no mundo?
Uma pergunta, para alguém que generosamente me possa responder: desde quando é que a lusofonia esteve em causa por não ter havido AO durante mais de 500 anos? por não se escrever fato em vez de facto, atual em vez de actual?
Antes de mais, sou contra o AO.
E concordo com o comentário anterior. Falta referir é que também há cedências da parte do Brasil, por exemplo eles deixam de usar o trema!
Mas isto não é justificativo. No post falha por num ponto. A pessoa que queira aprender português terá que aprender a escrever em português de Portugal e em Portugal do Brasil, porque a nível gramatical é diferente e só há um Acordo na grafia.
Por exemplo:
"AMO-TE" - português de Portugal
"TE AMO" - português do Brasil
O Acordo é mau para Portugal, é uma cedência desnecessária. Estou a estudar na Irlanda e cá tentam colocar o irlandês como 1.ª língua e nas escolas todas a maioria das disciplinas é dada em irlandês... Só em Portugal é que se vai buscar o brasileiro!
Já agora o português vai puder usar "time" para equipa... Sabia? E isso irá confundir os portugueses por completo...
Muitos sem saberem muito falam no aspecto do "facto" e "fato", só que os especialistas disseram que esse facto não entrava no Acordo e fica correcto escrever das duas maneiras...
Não estou correto? (escrevendo pós AO)
De Zé da Burra o Alentejano a 17 de Abril de 2008 às 12:02
A Língua portuguesa está a passar por um período de implantação, quer nos países Africanos de Língua Portuguesa, quer em Timor Leste. Na Guiné-Bissau esteve até para ser adoptado o Francês como língua oficial e em Timor-Leste o Inglês. Daí será fácil concluir que a língua portuguesa nas nossas ex-colónias não ficou muito bem cimentada. Esses países já não são colónias portuguesas, são livres e tanto poderão seguir o português falado em Portugal, por 10 milhões de habitantes, como o português falado no Brasil, por 220 milhões.
A teoria de Darwin é mesmo verdadeira e Portugal, se teimar em não se aproximar da versão de português do Brasil sujeita-se a ficar só e, mesmo assim, não vai conseguir manter a pureza da língua porque ela evolui todos os dias, independentemente da questão que agora se nos põe: todos os dias há termos que caem em desuso e outros novos que são adoptados pela nossa língua, em especial termos ingleses que são adoptados sem quaisquer modificações.
Se não houver aproximações sucessivas ambas as versões do português continuarão a divergir e daqui a algumas gerações serão línguas completamente distintas. Será então a altura de Portugal confirmar que saiu a perder porque ficou agarrado a um tabu que não conseguiu ultrapassar.
O Brasil tem um impacto muito maior no mundo do que Portugal, dada a sua dimensão, população e poderio económico que em breve irá ter. O nosso português tem hoje algum peso muito em função dos novos países africanos PALOPs ) e de Timor Leste, mas ninguém garante que esses países não venham um dia a aproximar o seu português da versão brasileira e há até já alguns sinais nesse sentido. As altas tiragens das publicações editadas no Brasil produzirão livros mais baratos e se houver maior harmonização as editoras portuguesas (ou dos PALOPs ) poderão vender mais no Brasil. Não poderemos esquecer-nos de que são países independentes e poderão decidir como muito bem entenderem.
Se Portugal permanecer imutável um dia poderá ficar só: a língua portuguesa de Portugal será então considerada uma respeitável língua antiga (o Grego é ainda mais), da qual derivou uma outra falada e escrita por centenas de milhões de habitantes neste planeta. O nosso orgulho ficar-se-á por aí e pronto!
Ambas as versões de português têm uma raiz comum e divergem há apenas cerca de 250 anos. Outros tantos anos a divergir e já não nos entenderemos: terão que ser consideradas línguas diferentes.
O acordo ortográfico é uma decisão apenas política que os técnicos terão depois que assimilar e seguir. Portugal nada ganhará de imediato mas tem muito a perder no futuro se rejeitar o acordo que o Brasil está agora disposto a aceitar. Este acordo não chega e no futuro mais acordos terão que fazer-se.
Zé da Burra o Alentejano
É!
Que pena esta coisa não se poder FALAR!
LOGO:
Nada de medos dos FRANCESES que querem aprender Brasileiro!!
A RECEITA ( Tem Funcionado com todos ...conheço muitos!) Dizes em Inglês que não compreendes que Língua estrangeira que só falas SUECO ( Entretanto aprendes SUECO! Com livros brasileiros ... aí está o ma do PT ... mas vale)
E entretanto DIVERTE-TE com o HORROR dos franceses agoniados por serem franceses e andarem a querer aprender brasileiro! Garanto-te que o complexo de CHACOTA lhes passa logo!
ODEIO ESTE ESTADO DE ESPÍRITO PORTUGUÊS QUE SE DEIXA INTIMIDAR POR UM ESTRANGEIRO!
O TEU texto! E TU talvez tb falham por isso! Essa coisa ... ... temos que ser um pouquinho como o FIGO a dar a cabeçada certeira na cabeça do HOLANDÊS ! VALE!
De Raul a 6 de Junho de 2008 às 14:27
Atenção Portugueses!!!
Diz um ditado popular:" Se não pode com eles, junte-se a eles"...
Então Portugueses ou vocês unam-se ao Brasil, ou seu idioma está com os dias contados e ficará na história e nas lembranças no mundo. O maior engole o menor e vocês se forem inteligentes e espertos deviam entender que não deve-se dar "murro em ponta de faca" e creio que seu governo já enxergou isto, mas muita gente não... Já li muitos foruns e opiniões diversas, confesso que a grande maioria dos comentários são contra...
Deixem de ser arrogantes e puristas... sejam humildes e aceitem a realidade. A criatura dominou o criador...
Comparem Brasil e Portugal e vejam que em todos sentidos Portugal está a anos luz atrás do Brasil...
Abram os olhos e vejam a realidade...
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