A Euribor continua a sua (lenta) trajectória descendente, muito por força da enérgica e bem ponderada intervenção do BCE, que ao contrário do que muitos (e eu incluído) diziam, tem acertado em praticamente todos os timings.
Mas a questão que me provoca alguma ansiedade prende-se com o facto dos Bancos tratarem a Euribor como uma espécie de gravidade invertida. Ou seja, quando desce, o ajustamento é feito muito lentamente. Quando sobe, o ajustamento é praticamente imediato e reflecte-se imediatamente no bolso de todos nós.
Compreendo que o momento e sério e necessita de uma reflexão cuidada e bastante ponderação. No entanto, e face à necessidade de se encontrar uma nova solução para o sistema financeiro, é também altura de criar um conjunto de regras que tornem mais justa a relação entre os clientes e os bancos. É que, ao contrário do que tentam fazer crer, os bancos não fazem favor nenhum ao emprestar dinheiro: esse é o seu core business. E se isto funcionasse como em qualquer outro mercado concorrencial equilibrado, há muito que os bancos teriam perdido uma parte muito significativa do seu negócio.
Espero que esta crise permita melhorar a relação de respeito entre os clientes e os bancos, que me parece, é muito desigual e francamente má para o cliente médio.





