Terça-feira, 30 de Setembro de 2008
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Em resposta aos comentários a este post:

 

Para infelicidade dos meus colegas de blogue, não tenho parecenças nenhumas com a Joana Amaral Dias. Não tenho físicas - eles bem gostariam - e muito menos terei políticas.

 

Só julgo que nesta situação, como em tantas outras, não podem existir instituições que se sintam inimputáveis, tal é a dimensão atingida.

 

Uma bancarrota real, embora não desejável, pode até ser mais justa. Vejamos de forma fria e pragmática:

 

O banco vai à falência. Quem tem acções da instituição chora sobre o assunto. Quem lá tem dinheiro a render pode ou não ficar a arder, dependendo da justiça e dos activos da instituição. Dão-se um enésimo de desempregos, as empresas que dependem directa ou indirectamente desses bancos levam parte do impacto, surge uma tempestade económica, mas recorrem a outros e devagar dão a volta por cima.

 

Neste cenário em que o Estado se atravessa e o banco fale, quem tem acções da instituição chora para, depois de nacionalizado, ir pedir batatinhas ao Estado. Quem lá tem o dinheiro a render não fica para já a arder, pois o Estado, com o dinheiro dos contribuintes, paga aos contribuintes. Mesmo que soe a uma parcial devolução.

Mas neste cenário há mais  uma agravante: quem não arriscou naquele banco paga, enquanto contribuinte, da mesma forma os erros cometidos por outros, espalhando-se o mal pelas aldeias!

Entretanto a economia ressente-se, dão-se na mesma um enésimo de desempregos, pois o Estado, mesmo com dinheiro que não é seu, não consegue suportar tudo e todos. As empresas que dependiam dos bancos levam parte do impacto, vêem os seus créditos congelados tal como no cenário anterior, param e sentem-se no dever de ir pedir satisfações ao Estado.

O Estado fale tal como o Banco!

 

Eu, prefiro a segunda fotografia. E os comentadores apologistas das nacionalizações? 

 

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1 comentário:
De Miguel Lopes a 30 de Setembro de 2008 às 23:09
"quem não arriscou naquele banco paga"

Não se investe num criador de moeda. Ele tem que ser um benchmark. Investe-se em acções, futuros, opções. Não se investe em depósitos.

Caro João Maria Condeixa,
Um banco não pode ir à falência, porque as externalidades negativas que todos pagamos são superiores a qualquer ajuda que o Estado dê para evitar a falência. E como não é justo que se nacionalizem prejuízos de lucros que foram privado, é necessário montar um aparelho regulatório que impeça que a situação chegue até aqui.
Se houvessem diferentes moedas emitidas por diferentes bancos, a história era outra. Quando um banco falia, desvalorizava apenas a sua moeda, mas todos os bancos criam uma moeda comum através da expansão creditícia. E quando um vai à falência, o nosso sistema de fiat money abana todo.
É por isso que não deve existir um mercado no que ao sector bancário diz respeito, mas uma espécie de uma concessão submetida às conveniências da política monetária. Apenas isso.
Até os fundamentalistas de mercado percebem isto quando as suas fantasias chocam com a realidade.
Diz-me o nome de um economista respeitável que defenda a falência destes gigantes.

Cumprimentos


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