Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

Primeiro, devemos considerar que estas foram as segundas eleições de um povo que foi fustigado por uma guerra, que durou mais de trinta anos, e que depois das primeiras eleições tiveram a guerra mais sangrenta que assolou o país entre o seu próprio povo.

 
Eu estive e estou habitualmente na província que mais sofreu com a guerra, o Bié. Esta foi uma província totalmente destruída pela guerra e que está agora a recuperar a um ritmo único... a um ritmo que só mesmo visto. Isto para dizer que Luanda, então, tem tido um ritmo alucinante no seu crescimento... isto tudo muito antes das eleições (digo isto desde o ano 2005).
 
África e Angola em particular precisa de saber que têm um líder, alguém a quem todos prestam louvor.. alguém que está acima de tudo e todos em termos de poder. Se assim não for, o povo perde o norte e entra em convulsão... o exemplo está no Quénia que nunca sofreu com uma guerra e agora apresenta as dificuldades que se conhece.
Isto para dizer que mesmo tendo em linha de conta as formas de estar e viver de um pais como Angola, é preciso perceber que assim é que este pais vai conseguir crescer. Tem de existir tudo o que sabemos... e é por isso que existe todo este investimento neste país. Todos sabem e acreditam que o MPLA tinha de se manter no poder… e por diversas razões:
 
 
- é o único partido com quadros para governar este pais,
- o único com experiencia
- único com força e motivação
 
Não é preciso ir muito longe e perceber que o MPLA, mesmo sendo um partido manipulador e dominador, era a única saída para a estabilidade. A UNITA não apresentou uma única vez um quadro, ao nível de governação, capaz de mover forças. Alias, os únicos que teriam capacidade de liderar excluíram-se destas eleições e o povo não esquece o passado.
 
Durante o período eleitoral é facilmente constatável que o MPLA tinha muito mais direito de antena e muito mais protagonismo. Mas não foi esse o partido que levou este pais a evoluir e atrair o investimento todo em Angola?
 
Durante as eleições de facto, ver urnas de cartão e pessoas a votar na rua em barracas não é o melhor cenário, mas é o possível dadas as circunstâncias. Todos os angolanos queriam votar, e quase 70% da população está em Luanda. Como é que vamos por 3 milhões de eleitores a votar em meia dúzia de escolas? Foi o primeiro acto eleitoral a serio deste pais e com observadores internacionais. A motivação do povo era enorme e não se viu uma única manifestação de repúdio e ataques entre partidos ou simpatizantes. Foi um acto eleitoral perfeitamente tranquilo e minimamente organizado.
 
Mesmo em províncias como o bié, ou o Huambo, foi tudo tranquilo e pacífico. Estas províncias, que foram durante largos anos bastiões da UNITA, viraram para o MPLA com votos acima dos 75%. Tudo isto quer dizer alguma coisa: quer dizer que este povo está farto de guerra e quer paz e evolução. Angola caminha assim para a estabilidade e Democracia.
 
Acabaram as eleições e as obras continuam a ritmo ainda mais acelerado... tudo está a ser construído e reabilitado... é certo que agora vêem ai as presidenciais em 2009... mas será preciso muito mais para o José Eduardo ganhar? Com toda a certeza, a evolução preconizada pelo país bastará para a sua reeleição. E mesmo assim, o caminho-de-ferro esta a andar. As estradas já quase que ligam o pais inteiro (um pais 14 vezes maior que Portugal) e Luanda está cada vez mais próxima de se tornar a ex-líbris de África. Até o trânsito em Luanda está melhor...
 
É certo que existe corrupção, é certo que existe muita diferença de classe social, é certo que existe muito descriminação... mas neste país não vejo “car jacking” diários… não vejo roubos constantes e só vejo grandes empresas a chegar todos os dias para investir sem olhar para trás. É preciso não esquecer que a corrupção, as diferenças sociais e tudo o resto, existe em todo o mundo. A diferença por aqui é que todos sabem que é assim, que funciona, o que torna tudo muito mais claro e objectivo: ou se entra no esquema ou então não vale a pena cá estar. Acho que isto é válido para tudo o resto. Também só ficaremos no pólo norte a viver ou investir se aguentarmos o frio senão damos meia volta e voltamos para a nossa terra.
 
Conhecer Angola não é ler jornais ou ouvir nos cafés. Conhecer Angola é viver cada segundo e cada momento que ela tem. Aqui vive-se e deixa-se viver ao contrário de muito bom pais onde nem sequer se pode ter dinheiro no banco porque as finanças acham que é roubado. Por último: não é por acaso que grandes empresas portuguesas estão cá e continuam cá. E desta forma, conseguem ainda estar abertas, provando que a adaptação não é difícil e que este mercado é cada vez mais atractivo. 


Rui Miguel Menezes Vaz
Empresário – Ramo Farmacêutico
Província do Bié

 

 


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Paulo Ferreira às 10:56 | link do post | comentar

1 comentário:
De Nuno Castelo-Branco a 20 de Setembro de 2008 às 00:51
mas "aquela" bandeirola é cá uma coisa... dos diabos...


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