Segunda-feira, 21 de Julho de 2008
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Fiquei chocada com a minúscula notícia, na primeira página do Expresso de dia 19, sobre a proposta do PS que visa acabar com o voto por correspondência dos emigrantes.

 

Porque não diria melhor, aqui deixo o artigo publicado por Vasco Campilho no Blogue os Atlânticos.

"Quem tem medo dos emigrantes?

A diasporafobia atávica do PS voltou a atacar: esse partido que nasceu no exílio (a não confundir com essa ordinarice da emigração) por alguma razão sempre se opôs à inclusão dos emigrantes portugueses na comunidade nacional. Foi assim no voto para as legislativas, para as europeias, para as presidenciais: o PS colocou-se sempre do lado que levantava dificuldades ao exercício dos direitos de cidadania pelos portugueses emigrados.

Pensava eu, que várias vezes votei por correspondência, e cheguei a participar nas experiências de voto electrónico, que a tendência para o alargamento dos direitos de cidadania era uma inevitabilidade, também na emigração. Puro engano: com a proposta de obrigatoriedade do voto presencial apresentada no fim da sessão legislativa, o PS pretende à sorrelfa dificultar brutalmente a possibilidade de votar a milhares de cidadãos portugueses, de modo a transformar a eleição de quatro deputados num assunto caseiro, quase clandestino.

Como eu os compreendo: junta-se a fome à vontade de comer! Além do atávico desdém pelas comunidades emigrantes, há uma razão bem pragmática para perpetrar este atentado aos direitos democráticos: é que em 2009, 1 ou 2 deputados a mais ou a menos podem fazer a diferença. O traumatismo de 1999 ainda não foi esquecido, e desta vez é a doer.

Mas mesmo quando a luta aquece, há limites que não devemos ignorar: o direito de voto é um deles. A tristíssima figura que Alberto Martins fez ao tentar mascarar o intento do seu partido não produziu outro resultado senão associar indelevelmente o seu nome a esta ignomínia. Que lhe faça bom proveito."

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