Lá diz o povo que "quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é tolo ou não tem arte". O Governo aprovou hoje uma proposta que, se for aprovada no Parlamento, impedirá o Governo, governos regionais ou autarquias de serem proprietários de órgãos de comunicação social, excepção feita ao serviço público de rádio e televisão. Esta decisão há algum tempo esperada, visa sobretudo eliminar duas situações concretas: o Jornal da Madeira e o Jornal do Minho, propriedade, respectivamente, do Governo Regional da Madeira e da Camara Municipal de Braga. O que não se percebe é a razão pela qual o Estado se reserva a si próprio e em regime de exclusividade pública a propriedade de empresas de comunicação social. O argumento do serviço público de radiodifusão e de radiotelevisão não colhe, visto que uma coisa é a concessão do serviço público e outra, bem diferente é a propriedade das empresas contratadas para o efeito. Mas o Governo, ou tem arte ou não é tolo e reserva os seus quintais de poder.
(publicado no Tomar Partido)
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