As notícias saídas nas últimas horas, quer na imprensa israelita quer na europeia, revelam que a escalada de confronto entre Israel e o Irão está para rebentar, se os ânimos e as vontades não arrefecerem.
Não é por acaso que começam a ser publicadas sondagens de qual a posição geral dos israelitas face a um eventual ataque ao Irão e no Reino Unido o Governo prepara-se para o confronto.
Nada disto é por acaso, e não se pode desconsiderar, neste delicado e explosivo xadrez a mudança de líder na Arábia Saudita, país que vê com grande apreensão, tal como Israel, o poderio nuclear iraniano - resta saber se os sauditas estão dispostos, como em 1991 no Kuwait, a bancar parte uma intervenção -, ao mesmo tempo que os EUA retiram as suas tropas do Iraque (país onde a influência iraniana, após a queda de Saddam, tem vindo a aumentar).
Por outro lado, o outro actor global e determinante, os EUA, conta, actualmente, com uma Administração mais dada ao multi que ao unilateralismo, como a anterior, de GW Bush. E há questões relevantes, no caso norte-americano, a considerar: a dimensão financeira, os EUA estão esgotados devido às intervenções no Iraque e no Afeganistão; a estratégica, Obama tem tido um mandato de pontes e não de rupturas; e, a eleitoral, é muito arriscado para Obama, a um ano da eleição, lançar-se numa guerra sem perspectivas de rápido desenlace, como na Líbia, mas, ao mesmo tempo, o poderoso lobby de apoio judaico dos EUA, e tradicionalmente pro-Democrata, não perdoaria a Obama a falta de apoio e/ou associação a Israel numa intervenção.
Do lado dos britânicos, o entusiasmo, quiçá pela intervenção na Líbia, é pressentido, algo que não é o sentimento de outras chancelarias, como as de Moscovo e Pequim, opostas a qualquer intervenção no Irão.
Consta que Benjamin Netanyahu, Primeiro-Ministro, e Ehud Barak, Ministro da Defesa, estão empenhados numa intervenção, à imagem do que Israel fez no Iraque (1984) e na Síria (2007). Posição à qual já se somou o radical Avigdor Lieberman, Ministro dos Negócios Estrangeiros. Porém, não é consensual, no Executivo de Tel Aviv, a decisão de ataque.





