Quarta-feira, 29 de Junho de 2011
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No meio de tantos problemas em Portugal, na Grécia, na UE, parece que as mudanças que ocorrem no norte de África e Médio Oriente passam ao lado das agendas mediáticas, mas estes acontecimentos têm importância nos nossos Estados, e por vezes nem temos muita noção do impacto que os países vizinhos, da orla sul do Mediterrâneo, provocam na margem norte (o mais visível e evidente continua a ser a imigração clandestina).

 

O referendo constitucional que se vai realizar, na sexta-feira, 1 de Julho, em Marrocos, é mais um dos momentos marcantes das transformações que têm acontecido no norte de África em 2011. O impacto não se assemelha à queda de Ben Ali ou Mubarak, mas a importância é quase análoga à saída destes ditadores.

 

Temendo uma revolta, que se fez sentir de algum modo, em Marrocos, como aconteceu e passa na Tunísia, Egipto, Líbia e Síria, o Rei de Marrocos decidiu tornar o sistema político menos dependente da coroa, ainda que o seu peso se faça sentir na esfera política.

 

Para os adeptos da tese de Benjamim Constant, esta medida de Mohammed VI fica aquém do desejável, mas nas transições estáveis que se desejam, rumo à Democracia, a atitude do Rei marroquino é um primeiro e importante passo para a melhoria do sistema em Marrocos.

 

Veremos o resultado da consulta que se realiza depois de amanhã, tendo em consideração a afluência às urnas, os boicotes, as posições de peças chave do país, como a atitude de alguns partidos da oposição.

 

Quem mais estará atento, fora de Marrocos, a este acto será o Rei jordano, que já deu a entender querer o mesmo tipo de transição na Jordânia.

 

Vale a pena continuar a acompanhar!

 

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Euroescepticismo, control estatal de los medios y una nueva Constitución que mezcla un romántico nacionalismo con la retórica cristiana, son los pilares de la Hungría que Viktor Orban construye a su medida

 

Na véspera de terminar o mandato da Presidência da UE - que fica marcado pela concretização de um dos objectivos do mandato: a adesão da Croácia à UE em 2013, pois no combate à crise esta Presidência pouco se notou -, vale a pena recordar que a Hungria vive um num quadro político único a nível europeu. O Fidesz, formação do Primeiro-Ministro Viktor Orban, tem mais de dois terços dos deputados eleitos e faz o que quer e lhe apetece no país, sem grande consideração pelas regras democráticas, pois confunde maioria com imposição.

 

Para quem conhece a Hungria e, sobretudo, os húngaros, sabe como os magiares são pessoas orgulhosas da sua História e em alguns casos, e não são poucos, o orgulho transforma-se em prepotência, com sonhos de uma grande Hungria que ignora as outras identidades nacionais e pensa que o querer se faz, apenas, à vontade dos senhores de Budapeste.

 

Este artigo de István Hegedüs é uma síntese do que se passa no país governado por Viktor Orban. Infelizmente, parte dos húngaros, a começar nos seus governantes, não quer perceber as razões do projecto europeu e as regras e respeito da integração europeia, como esta posição de Orban atesta:  

 

El propio Orban reaccionó con un desafiante discurso en el Día Nacional de Hungría comparando a "Bruselas" con la Viena de los Habsburgo y con el Moscú de la Unión Soviética, al decir que los húngaros nunca aceptaron los dictados de ninguno de ellos.

 

A Hungria é um caso de estudo, mas é uma ameaça, pelo rastilho que ameaça provocar convulsões na Europa Central, por causa dos egoísmos e egos nacionais.

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Passaram três semanas sobre as eleições legislativas. Temos novo Governo,  nova Presidente da Assembleia, novos deputados e, arrisco-me a dizer, uma nova esperança. Essa esperança, realista e consciente das dificuldades, encontrará pela frente o maior desafio governativo dos últimos 120 anos.

 

 

Se é praticamente consensual que a qualidade dos novos Ministros se situa acima das expectativas iniciais, algumas vozes têm levantado dúvidas quanto à orgânica do Governo no que se refere a dois ministérios: Economia, Emprego, Obras Públicas, Transportes e Comunicações, por um lado, Agricultura, Mar, Ambiente e Território, por outro. Em particular, têm aludido a uma excessiva concentração de pastas importantes sob a tutela de apenas um ministro. Já se sabia que Pedro Passos Coelho pretendia um executivo com menos membros.

 

 

Compreende-se que este Governo não tenha direito ao tradicional “estado de graça”, fruto das circunstâncias terríveis em que o país se encontra, mas que lhe seja, ao menos, conferido um certo benefício da dúvida.

Devemos pois, nesta altura, avaliar a orgânica desses e de outros ministérios sob um prisma de moderado optimismo: se as coisas vierem a correr bem estará lançado um paradigma de futuro no que se refere à constituição de um Governo.

 

 

Por outro lado, o novo Primeiro Ministro dá sinais de não se querer desculpar com a herança que recebe e aponta um caminho de acção. Fica-lhe bem essa atitude positiva. De resto, a crua realidade se encarregará de ir revelando o quão pesada é a tarefa que se apresenta ao país, não é necessário repeti-lo.

 

 

Na sequência do Conselho Europeu, Passos Coelho avançou para os próximos dias o anúncio da antecipação de novas medidas de combate ao défice. Nada de anormal. Ao contrário dos supostos excedentes orçamentais de que fomos ouvindo falar ao longo dos últimos meses, constata-se que já estamos em risco de não cumprir com a meta de 5,9% a que nos comprometemos com o triunvirato financiador.

Pondo de parte a explicação para a discrepância de valores de execução orçamental avançados pela Direcção Geral de Orçamento e Instituto Nacional de Estatística, ora numa óptica de entradas e saídas de dinheiro ora na óptica de compromissos efectivamente assumidos, já se desconfiava que era à conta de "artifícios" como atrasos no pagamento a fornecedores que os números preliminares de 2011 pareciam menos antipáticos.

 

 

Na altura em que escrevo, a Grécia começa a discutir no Parlamento a apresentação de novas medidas de austeridade das quais dependerá mais uma injecção de dinheiro que evite a bancarrota. De resgate em resgate até à bancarrota final, cada vez mais previsível dada a magnitude dos encargos de Atenas, uma Europa em estado de negação vai adiando soluções definitivas, trocadas por "pensos rápidos" que não parecem suficientes para travar um possível contágio colectivo.

Na expectativa estão, já não apenas Portugal, Irlanda ou Espanha, mas, os próprios americanos que dão sinais de preocupação face a um eventual alastrar da crise de dívida soberana europeia.

 

 

Como pano de fundo, vamos assistindo à transferência, cada vez mais evidente, do centro de gravidade do poder económico dos Estados Unidos e Europa para a China e um conjunto de outros países cujo epíteto de emergentes já vai pecando por defeito.

A discussão para a qual todos, enquanto cidadãos europeus, temos de ser convocados, e quanto mais depressa melhor, é o que queremos para o futuro. Que arquitectura europeia será a mais adequada para uma união monetária que nunca foi uma união económica e cujos desequilíbrios macroeconómicos começam agora revelar-se na sua plenitude ? Estaremos nós, e os outros, dispostos a dar passos efectivos no caminho de uma verdadeira união económica e em que a coordenação de políticas fiscais e macroeconómicas sejam uma realidade ? Estaremos nós até, e os outros, dispostos a caminhar no sentido de uma Europa de Estados Federais ?

 

 

São estas algumas das questões a que os líderes dos países europeus devem dar resposta. Respostas essas que, desejavelmente, devem merecer da nossa parte, cidadãos de Portugal e da Europa, uma atenção e participação bem mais efectivas do que noutras alturas do processo de construção europeia.

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Durante muitos anos, na UE a 12 e a 15, Portugal e Grécia ocupavam a cauda dos rankings. Alguns portugueses, sempre com o fado do fatalismo e da miséria lusa, acreditavam que os gregos estavam bem melhor do que nós. Infelizmente, são precisos momentos muito delicados, como os actuais, para perceber que o desenvolvimento dos dois países não era precisamente os mesmo ou, no caso, o grego melhor do que o português.

 

Hoje, sabe-se do estado da Grécia, que a prejudica, como os tempos que correm demonstram. Sabe-se da necessidade que a Grécia tem de mudar actos e atitudes, para que se enquadre no quadro das regras e respeitos das normas de um Estado de Direito e transparente.

 

Os gregos merecem toda a solidariedade neste período complexo, mas os helénicos também precisam de dar sinais de querer mudar, para que a solidariedade prestada seja reconhecida por ambas as partes (quem dá e quem recebe). Manter tudo como está não é solução para ninguém. E a pior postura é o orgulho saloio de considerar que os problemas se devem ignorar ou a Grécia não precisa de ajuda externa. 

 

É, por isso, lamentável o que se passa na Grécia, com constantes greves e actos de vandalismo, bem marcantes nestas horas.

 

Georgios Papandreou tem uma missão difícil, como Primeiro-Ministro, mas tudo tem feito para recuperar o crédito e a dignidade da Grécia no exterior. Pena que no interior as suas árduas medidas não sejam, pelo menos, respeitadas e compreendidas. A começar pelo maior partido da oposição, a Nova Democracia (formação política que ocultou o verdadeiro défice grego).

 

Veremos a votação do pacote de austeridade, hoje, no Parlamento de Atenas. Mas quanto mais se protesta e mais se destrói nas ruas, mais o país se afunda e mais se debilita o €uro. E com isto, todos nós perdemos. 

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Marcelo rejeita culpa no veto de nome de Bernardo Bairrão

 

Depois do caso Nobre, eis o caso Bairrão. Um Governo que começa com os pés trocados.

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Terça-feira, 28 de Junho de 2011
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No Expresso:

"Pai de Angélico devastado ao ver o filho sofreu uma quebra de tensão e teve de ser medicado para se manter consciente"

 

No Estatuto Editorial do Expresso

 

" (...)

8. O Expresso sabe (...) que a publicação insistente de determinados assuntos (...) poderia aumentar a venda de exemplares, mas recusa-se a alimentar qualquer tipo de sensacionalismo que ponha em perigo o jornalismo de qualidade que sempre pretendeu fazer. (...)"

Sábado, 25 de Junho de 2011
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O Cláudio sente-se ofendido, porque o trato por tu e não você, pois não somos, como ele diz, camaradas. O João Maria Condeixa, que também escreve por aqui, também não é camarada e tratamo-nos por tu. Veja lá!

 

É pena que não compreenda que neste blog pretende-se ter um lugar de debate franco e directo, mas como sempre, o Cláudio limita-se a disparar argumentos sem sentido e não centra na objectividade. Noto como meio milhão de desempregados e milhares de estudantes sem condições de progredir não merecem qualquer consideração. Isto não é teoria, mas a vida real.

 

Quanto ao Chipre, infelizmente, não sabe que o sistema é presidencial, e por isso o destaque à pessoa do Presidente da República. Mas prefere dizer que há uma coligação. Há uns anos em França também havia um Governo de esquerda, liderado por Jospin, mas a faca e o queijo estava nas mãos de Chirac.

 

O caso Soares/Blair, descanse que tive oportunidade de dizer directamente a Mário Soares o que pensava de Blair.

 

Enfim, resta-me desejar-lhe felicidades!... e que compreenda que os teóricos são importantes, mas não são sagrados como pinta. Zamiatine, Orwell ou Huxley demonstram porquê!

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Em resposta à presunção ético-moral e política deste post "As teses e a realidade":

 

(1) Não me peça para voltar a referir que não é sensato nem responsável fazer juízos políticos com base em avaliações normativas. Est gratia: Hiperbolizando para melhor percepção, se eu comparar Hitler com Merkel, Merkel será sempre melhor. Regan é um "santo" à beira de Pinochet. 

 

(2) Gostei da tentativa de me "colar" à extrema esquerda, mas mais depressa me veria "devorar" Rothbard do que um qualquer escrito de Álvaro Cunhal, já para não falar nos teóricos de base. Foi uma tentativa despropositada, recorrente e reveladora do nível de algumas práticas actuais.

 

(3) Não me peça, unicamente, que advogue que as ideias se devem moldar às pessoas, dado que essa postura política foi precisamente a que conduziu ao estado de desconfiança/descrédito nas estruturas e à corrupção perpetuada no seio político nacional. Mais, remeto para o ponto (5). É, também, sem dúvida, curioso ver uma dita esquerda adoptar a visão que a diferenciou secularmente da direita conservadora: anti-humanismo e anti-utopismo. Quanto à prática quotidiana, não tenha dúvidas que já servi positivamente mais as pessoas de que me acusa, sem a mínima vergonha, de não ter consideração, nomeadamente jovens e estudantes, do que a grande maioria dos partidários de hoje. Felizmente, a dedicação aos outros não é propriedade da classe político-partidária, ainda que esta presunçosamente se ache muito capacitada e a única dedicada à res publica.

 

(4) Também, não me leu quanto ao Chipre. É pena. Que o AKEL é o partido do PM cipriota, sei eu! Tente descobrir qual é o partido do Ministro dos Negócios Estrangeiros (http://www.mfa.gov.cy/mfa/mfa2006.nsf/index_en/index_en?OpenDocument). Sim, é um governo de coligação e sim o ministro não é independente e não é do AKEL. 

 

(5) Soares é um excelente político, com erros e virtudes, mas não é um exemplo de teórico irrepreensível, ainda assim diz umas coisas fabulosas:

 

"Tony Blair (...) politicamente nunca me mereceu especial apreço por causa da sua famosa terceira via, na qual, como os meus eventuais leitores se lembrarão, nunca acreditei. (...) Quando um político, com aspirações a marcar a história com a sua acção, não tem convicções e segue os ventos oportunistas do tempo, segundo as conjunturas, fica sempre sujeito a que os eleitores descubram e, mais tarde ou mais cedo, o abandonem... Mais vale perder com honra que ganhar enganando."

 

E paro por aqui. Foi a minha última publicação neste espaço. A cidadania não passa só por aqui, muito menos por gabinetes e púlpitos políticos. Um abraço aos demais.

 

PS: E para a próxima, pode-me tratar por você. Não sou seu camarada...

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Depois de 5 de Junho, a fase do homem que via tudo mal terminou. Agora, Medina Carreira quer um Salazar, para colocar o País em ordem.
Numa coisa não duvido, com um Salazar, Portugal tinha, rapidamente, as contas em dia em pouco tempo. Porém, a miséria e a fome dominariam o País... sem esquecer a criação da instituição com sede na Rua António Maria Cardoso, bem eficiente na reeducação dos que quisessem pensar por cabeça própria e lutar contra o miserabilismo.
Assim se faz de conta que o Estado Novo foi algo muito útil para Portigal.   

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Usted tiene fama de hombre pragmático. ¿Fue también un niño o un adolescente pragmático?

- Sí y no. Si por pragma se entiende la idea griega de trasladar a la realidad las ideas, sí. Si por pragmatismo se pudiera entender aquello que beneficia a tus propios intereses personales, entonces no.

Felipe González

 

Caro Cláudio,

 

Agarraste à teoria - como a esquerda que considera que as pessoas é que têm de servir as ideias e não as ideias as pessoas -, mas continuas a apresentar premissas baseadas em anátemas. Social-tatcheristas? Enfim, não queres ver nenhuma evolução no Reino Unido na época do Labour.

 

O teu branqueamento dos factos é de tal modo lamentável que ignoras as medidas do actual Governo, de direita, britânico, que provoca o despedimento directo de meio milhão de pessoas e condena milhares de jovens, pois aplicaram um aumento de propinas incomportável. Sem esquecer o fim de apoios à habitação social e que coloca em causa a estabilidade de muitas famílias. E por que será que a anterior política de Saúde do Labour está a merecer um desejo de privatização do Executivo de Londres, por não ser toda privada? Mas era tudo política de direita no tempo de Blair. O tal que era tão tatcherista que, ao contrário de Tatcher, qual herege, encarou o caso da Irlanda do Norte a pensar nas pessoas, fartas de tanto sangue derramado e vidas ceifadas. 

 

Falas da eleição de Ed Miliband. Pelos vistos, manifestas que não sabes, de facto, porque é que David Miliband não ganhou, devido ao complexo sistema de eleição do líder do Labour.

 

Condenas as PPP's, como se estas fossem males da sociedade (típico de uma certa esquerda que se indigna e dá mal com o sector privado, num claro esquecimento de que este sector também responsabilidades públicas), omitindo o que o Presidente do Tribunal de Contas diz e muito bem acerca das PPP's.

 

Em suma, não queres perceber o que se passou nas eleições legislativas suecas de há meio ano (em parte semelhantes à de 2001 na Dinamarca e que foram um forte sinal por todos ignorado) e de como estas deviam fazer reflectir toda a esquerda democrática europeia. Ficas, como alguma esquerda, que nada fazendo e nada assumindo, no sofá, qual treinador de bancada, limitando-se a dizer o que é certo (nada) e errado (tudo). Pois, como diz a tese oficial, não há nada de esquerda nos partidos de esquerda que governam, pela simples razão de que a esquerda, como alguns esquerdistas do socialismo não democrático pensam, a esquerda não pode governar, excepto quando se cumpre a tal tese da luta de classes que derruba o opressor. Como a História relata, é implementado um opressor, que se reclama do e pelo proletariado, mas, na verdade, não serve o trabalhador, explora-o.

 

Talvez se deixares de olhar para a forma como as pessoas têm de servir as ideias, como certa esquerda, que não é do socialismo democrático (as duas palavras têm sentido, Mário Soares pode explicar bem), e se começares a ver como é que as ideias de cada formação, no Governo, cumprem ou não os seus desígnios, terias mais em consideração os que perdem o emprego ou deixam de estudar por não ter condições financeiras. Mas talvez ainda estejas interessado em servir a ideologia e não colocá-la ao serviço das pessoas. Isto deve ser, para ti, contorcionismo, mas a vida é real, não um mar de ilusões, no qual as pessoas comem teses e com estas pagam as contas do seu quotidiano.

 

Quanto ao Chipre, o título diz tudo.

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Sexta-feira, 24 de Junho de 2011
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Diz-se que não terei sido muito objectivo, quando me "aticei" contra o pragmatismo político, que oportunamente se aproveita da sua base sociológica, proveniente dos social-tatcheristas pretensamente chamados, igualmente, de partidários do socialismo democrático - quanto atrevimento!, que heresia infiel a minha!. Assim, tanto quanto parece, fui tão subjectivo quanto a praxis da própria terceira-via que o Carlos Manuel Castro defende, apenas porque sim.

 

Contudo, mais preocupante não é esta presunção da objectividade mas o contorcionismo ideológico e o revisionismo histórico: mais preocupante, é que nada se aprende com o passado, recente e o longínquo, tal é a assumpção marketizada de que as últimas governações ditas socialistas têm sido bem sucedidas, fingindo a realidade pura e dura das sucessivas derrotas eleitorais. Repito: "há uma década atrás, quase metade dos países europeus eram governados por partidos sociais-democratas". Isto é o primeiro facto.

 

O segundo facto é que nenhum teórico do dito "socialismo democrático" que seja de se levar a sério, se refere a... "socialismo democrático". Na realidade, socialismo democrático não mais é que social-democracia, mas cá no burgo lusitano é um problema que o povo pense por si mesmo. O socialismo nada tem de democracia, a democracia nada tem de socialista.

 

Terceiro facto: por muito que insistamos numa linha argumentativa, esta não faz dela, necessariamente, mais credível ou verdadeira. Isto é, não é pelo Carlos dizer convictamente: "Foram ou não os anos de Blair um caso de sucesso? Foram." ou "Foram ou não alcançados grandes feitos com o Labour no Reino Unido? Foram.", que isto se torna irremediavelmente um dogma. Ou não é pela actual governação ser má - "E a actual governação tory/lidbem ainda destacam mais as políticas de esquerda do Labour." - que a governação do "New Labour" se torna primorosa. Alguém minimamente atento, perceberá, facilmente, porque é que foi Ed Milliband, e não o irmão David, que ganhou as eleições internas no Labour. Factualmente, se o New Labour permitiu uma maior liberdade económica, também promoveu o militarismo, capitulou na promoção de maior coesão sócio-económica (será enviesado estabelecer uma avaliação normalizada), manteve planos de privatização do governo conservador precedente - nomeadamente no sector público de transportes ferroviários (efectivado!) e nos correios -, promoveu os mesmos abusos que os homólogos portugueses com as PPP's, nomeadamente em sectores do Estado-Social como a saúde e a educação, mas não só, ajudou à desregulação da legislação laboral. Salto à frente no regabofe compactuante da desregulação financeira...

 

Ainda, mais preocupante é o contorcionismo com a alternância democrática ser unidireccional, sempre em prejuízo da família S&D - "Mas para quem governou 12 anos, num contexto de exigência mediática sem precedentes e que desgasta muito quem está no poder, esperaria-se que o poder fosse eterno? Vivemos em Democracia e se a alternativa pode não existir a alternância existe". Na verdade, não passam de tentativas esforçadas de desculpabilizar a má governação e a má accountability. O Carlos não percebeu: A culpa da Social-Democracia - ou do que ele apelida de socialismo democrático - não é mais que não ter um caminho. O Carlos, também, não percebeu que não foi o meu intuito ser objectivo: a teorização da social-democracia serve-me tanto a mim como a qualquer outro cidadão.

 

A culpa deve ser, certamente, da imprensa dos órgãos político-partidárias e essa, sim, é a verdadeira responsável pela "consolidação da direita no poder". Ainda, assim, não tenho nada contra o liberalismo - neo, ordo, minarquista, anarcocapitalista,... -, só não gosto de ideologias tresmalhadas e revisionismos históricos demasiado forçados.

 

PS: O poder no Chipre é governado em coligação: comunistas e social-democratas.

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Retorno à escrita a este blog, depois de alguns dias de ausência, e leio este interessante post do Cláudio, acerca do socialismo/social democracia/trabalhismo. 

 

Há algo que o Cláudio está coberto de razão e que se prende com esta mudança de ciclo na Europa, da viragem à direita. Algo que devia fazer e tem de saber estimular, no seio do socialismo democrático europeu: procurar encontrar as causas para o actual estado e quais os caminhos a seguir.

 

Não obstante algumas pequenas imperfeições, deduzo que influenciado por uma má imprensa que divulga sem o devido rigor, o poder no Chipre é comunista e não social-democrata. Quanto ao argumento apresentado, que é manifestado por muitos à esquerda, é de que a culpa foi da Terceira Via, qual coveira do socialismo democrático.

 

Lamentavelmente, mistura-se o que se deve distinguir e não se é objectivo, pois os argumentos baseiam-se em anátemas e não em factos. Primeiro, foram ou não os anos de Blair um caso de sucesso? Foram. Foram ou não alcançados grandes feitos com o Labour no Reino Unido? Foram. E a actual governação tory/lidbem ainda destaca mais as políticas de esquerda do Labour. Mas para quem governou 12 anos, num contexto de exigência mediática sem precedentes e que desgasta muito quem está no poder, esperaria-se que o poder fosse eterno? Vivemos em Democracia e se a alternativa pode não existir a alternância existe. 

 

No caso alemão, que nunca me agradou particularmente com Gerhard Schröder, não é dispiciendo recordar as enormes diferenças da presença do SPD no Governo. Basta comparar os dois mandatos de Merkel. No primeiro, totalmente europeísta - Steinmeier, do SPD, era o MNE - e, no segundo, com os liberais (FDP), em que está muito aversa ao projecto europeu. Pode parecer um pormenor, mas não é, pois estamos a sentir na pele os erros da actual liderança germânica. 

 

Em suma, há certa esquerda democrática que faz lembrar os velhos tubarões do PSF: gostam de manifestar que têm as melhores soluções do mundo, as mesmíssimas soluções que os eleitores chumbam nas urnas. Felizmente, até os socialistas franceses já perceberam que para mudar e melhorar as coisas é preciso ganhar eleições e implementar as ideias que efectivamente contribuem para a melhoria da vida das pessoas (a lição do primeiro mandato presidencial de Mitterand não devia ser esquecida.)

 

Fala-se do caso grego e espanhol, que Papandreou e Zapatero estão a seguir os mesmos caminhos de Blair, Sócrates e Schröder. Uma vez mais omite-se o essencial: são Governantes que herdaram modelos económicos (como o espanhol no caso imobiliário) e o falta de rigor orçamental (no grego, com uma dívida tapada). E no caso espanhol, desde 2004, alcançaram-se avanços sociais e políticos exemplares.

 

Talvez o exemplo sueco, da derrota dos sociais-democratas e do feito histórico da direita renovar o poder, devesse ser tido mais em consideração. Mas continua-se a preferir os anátemas à realidade... não é, pois, por acaso que a direita se consolida no poder.

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Terça-feira, 21 de Junho de 2011
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“Passos Coelho é um homem de palavra pois manteve a sua promessa de levar Nobre a presidente da AR”. Grosso modo é este o sentido geral das declarações dos spins oficiais e oficiosos do PSD. Um ou outro mais delirante atreve-se mesmo a culpar a esquerda pela não eleição do presidente da AMI.

 

Claro que ao PSD dá jeito que se pense assim. Mas a verdade é outra.

Nobre foi um erro de Passos Coelho desde o primeiro minuto em que foi convidado. Não trouxe mais votos. Não alavancou nenhuma mensagem de “sensibilidade social” que servisse de contrapeso à matriz ideológica liberal com que o PSD se apresentou a votos. Basta pensar que depois da entrevista ao Expresso nunca mais ninguém lhe ouviu uma palavra. Nobre foi por isso um elemento neutro nestas eleições.

 

Apesar de tudo isto, desenganem-se aqueles que consideram que a não eleição de Nobre para presidente da AR é uma derrota de Passos Coelho ou do PSD. Daqui as umas semanas este episódio não passará de um fait divers que será lembrado de forma divertida para os lados da Lapa – “o dia em que nos livrámos de Nobre e ainda saímos por cima”. Já o presidente da AMI, por todo o seu passado, e apesar de alguma tentação narcisista, não merecia a desconsideração pública a que foi sujeito. A política nem sempre é uma coisa bonita.

 

 

também no Vozes de Burros

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Depois da derrota do Labour no Reino Unido para a coligação Tories-Lib Dems, seguiu-se a derrota nacional de mais um partido social-democrata europeu. Há uma década atrás, quase metade dos países europeus eram governados por partidos sociais-democratas; hoje restam cinco: Espanha, Grécia, Áustria e Eslovénia e Chipre, esperando-se que Zapatero em Espanha e Geórgios Papandréu na Grécia também caiam. Estão a ter dificuldades em renovar, no caso do primeiro, ou concluir os seus mandatos. Não foi por falta de aviso. SPD, Labour, Partido Socialista, PSOE e SPÖ têm especiais responsabilidades por não terem sabido conduzir o processo de construção teórica - sem cedências ao laissez-faire - e estratégica da social-democracia. O problema não é recente e não se pode imputar a culpa da crise aos processos comunicacionais dos diversos partidos. A social-democracia não pode ser considerada um "modelo perfeito" sob tão parca teorização, sendo usurpada abusivamente por efeitos marketizantes, com o desnorte de estratégia política que temos vindo a assistir por toda a Europa e pelo afastamento da sua base sociológica. Quanto à teorização e evolução histórica, a cedência à visão, sabe-se agora falhada, edificada por Giddens sobre a renovação da social-democracia, como teorizado em "The third way: the renewal of social democracy" trouxe, realmente, um retrocesso de todo dispensável à manutenção das políticas sociais e de fomento da coesão e sustentabilidade económico-financeira. A queda social-democrata na primeira década do terceiro milénio, só pode ser comparada à queda que o Keynesianismo e o Marxismo sofreram nos finais da década de 70. Curiosamente, a tentativa de reabilitação dos socialistas, trabalhistas e sociais-democratas pela terceira-via, foi precisamente a sua implosão. Mas será que se pode aplicar o termo de "queda em queda até à queda final"? 

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Segunda-feira, 20 de Junho de 2011
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Ainda sobre o vídeo em que Passos Coelho (alegadamente) insulta Sócrates, façam o favor de ler aqui a reflexão do Shyznogud

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Quarta-feira, 15 de Junho de 2011
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Estou há que séculos para te escrever. A primeira vez que dei por ti foi quando dei pela tua falta.

Eu não queria ficar preso a ti, queria correr mundo. Passei a querer correr para ti – e foi para ti que corri, mal pude. 

Teria preferido chegar à conclusão que te amava por uma lenta acumulação de razões, emoções e vantagens. Mas foi ao contrário. Apaixonei-me de um dia para o outro, sem qualquer espécie de aviso, e, desde esse dia, que remédio, lá fui acumulando, lentamente, as razões por que te amo, retirando-as uma a uma dentre todas as outras razões para não te amar, ou não querer saber de ti.

Custou-me justificar o meu amor por ti. És difícil. És muito bonito e és doce, mas és pouco dado a retribuir o amor de quem te ama. 

Que remédio tinha eu senão começar a convencer-me que havia razões para te amar.

Encontram-se sempre. E, a partir de certa altura, quando já são seis ou sete razões que se foram arranjando ao longo dos anos, deixamos de amaldiçoar este amor que nos prende a ti e, inevitavelmente, começamos a sentir-nos, muito estúpida e secretamente, vaidosos por te amarmos, Como se fôssemos nós que tivéssemos sido escolhidos.

Não sou só eu, somos muitos. Possivelmente todos. Tragicamente todos, um bocadinho. Se calhar estamos todos, de vez em quando, um bocadinho apaixonados por ti.

Pois hoje vou-te dizer porque é que te amo. 

Amo-te, primeiro, por não seres outro país. Amo-te por seres Portugal e estares cheio de portugueses a falar português. Não há nenhum outro país, por muito bom ou bonito, onde isso aconteça. 

Mesmo que não achasse em ti senão defeitos e razões para deixar de te amar, preferiria isso mesmo, deixando de te amar, a que não existisses.

Se deixasses de existir, o meu olhar ficava de luto e nunca mais podia olhar para o resto do mundo com os olhos inteiramente abertos ou secos ou interessados. 

Esta é a única verdadeira prova de amor: fazer tudo para que sobreviva quem se ama. 

Mesmo que não houvesse em ti um único pormenor que não houvesse nos restantes países do mundo, mesmo assim eu amar-te-ia como se fosses o único país do muno, diferente em tudo. 

Amo-te tanto que, quando perguntas porque é que te amo, não fico nervoso, nem irritado. Não preciso tentar dar uma razão convincente. Amo-te à mesma, fiques ou não convencido.

Como vês, não preciso de razões para te amar. Mas tenho muitas. E boas. A primeira delas é secreta e embaraça-me confessá-la: amo-te, Portugal, porque, não sei contra todas as provas e possibilidades, acho que és o melhor país do mundo.

Como vês, não sou o romântico que estava a fingir ser, que te ama sem precisar de razões para isso. Tenho uma razão muito interesseira para te amar: acho que és o melhor país do mundo. Por muito relativista que seja noutras coisas, acho mesmo que tive sorte de nascer aqui. Em ti. Aqui, entre nós. 

Mesmo assim, insistes em perguntar: que tens tu de tão especial, que os outros países não têm? 

Essa íntima vaidade, por exemplo. Tu não és orgulhoso. Mas, muito bem disfarçada, tens uma vaidade sem fim. Dizes-te feio e vestes-te mal mas, quando passas por um espelho, espreitas e achas-te giro. E se alguám te diz que és feio e estás mal vestido, não ficas ofendido – achas que aquela pessoa é obviamente estúpida e não tem olhos na cara. 

Sabes que a tinta fresca salta muito à vista e que é cansativa. Esperas, despreocupado, pela beleza que há-de vir com a passagem dos tempos.

É a tua maneira, Portugal amado, de garantir que continuaremos a tentar retratar-te. Tanto te faz que o retrato seja feio ou bonito, desde que seja de ti. 

Eu amo-te porque mereces. Eu amo-te pelas tuas qualidades. Preferias não tê-las. Para que o amor fosse mais puro, mais contraditório, mais injustificável. Mas tens qualidades. 

Desculpa lá dizer-te isto, Portugal, mas amar-te é uma coisa simples.

Amo-te, aconteça o que acontecer. Amo-te por causa de ti. Não é apesar de ti. É por causa de ti. Não há outra razão. Nem podia haver uma razão mais simples. 

Por muito que te custa ouvir (apesar de eu saber que não só não te custa nada como gostas de ouvir…), digo-te: é tão grande o meu amor por ti que até consigo amar-te sem dar por isso.  (Miguel Esteves Cardoso)

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Terça-feira, 14 de Junho de 2011
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Processar jornalistas só "revelava tiques de autoritarismo" quando foi Sócrates a fazê-lo, certo?

 

Como é o Cavaco ninguém se indigna? Ninguém rasga as vestes?

 

Para memória futura fica aqui o que escreveu o jornalista da Sábado, sobre o (triste) discurso de vitória de Cavaco nas últimas eleições presidenciais.

 

"Tal como Fátima Felgueiras e Isaltino Morais, Cavaco Silva acha que uma vitória eleitoral elimina todas as dúvidas sobre negócios que surgem nas campanhas".

Domingo, 12 de Junho de 2011
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Porto vs. Benfica. Azul vs. Vermelho. Norte vs. Sul. Independentes vs. Políticos. Republicanos vs. Monárquicos. Socialistas vs. Liberais. Trabalhadores vs. Empresários. A História Social Contemporânea Portuguesa assenta em dicotomias infrutíferas e retrógradas que nos conduziram, sem prejuízo de necessárias conotações ideológicas, a esta crise - mais de valores do que económico-financeira - : foram verdades por dizer, promessas impossíveis de cumprir e consensos "destruídos" pelo desejo individualista do poder pelo poder. O Estado do país é o estado dos que o compõe. Os que em 2009 prometiam uma política económica keynesiana sabendo-o que esta adopção não dependia tão só deles, não são muito diferentes dos que em 5 de Junho passado trifunfaram prometendo a redução da TSU, um novo modelo fiscal para os próximos quatro anos e a manutenção dos sectores vitais do Estado Social como o conhecemos. Sem falsas esperanças, nunca será possível um Estado democrático, sustentável e justo, quando a verdade e o interesse social são subjugados à futebolização política e ao interesse do indivíduo. 

 

E disse.

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Terça-feira, 7 de Junho de 2011
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Os militantes do PS que na noite de Domingo apuparam a jornalista da Rádio Renascença fizeram-no porque comentaram um erro de avaliação sobre o alcance das palavras da senhora.

 

Insinuar – afirmar - que Sócrates estará agora mais exposto a um processo judicial não é uma ofensa ao Engenheiro Sócrates. É uma insinuação de completa irresponsabilidade e incompetência  aos juízes e magistrados portugueses. 

 

Curiosamente, como bem nota o Filipe Nunes Vicente, isso pareceu não incomodar a classe. Até o líder sindical – do sindicato mais infame do país – sempre tão apressado nos comentários quando se trata de defender a corporação, parece estar em paz com esta acusação.

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PSD consegue 38,63% dos votos e conquista 46,46% dos deputados (+7,83%).
PS alcança 28,05% dos votos e garante 32,30% dos deputados (+4,25%).
CDS-PP atinge 11,74% do total de votos e garante 10,62% dos deputados (-1,12%).
PCP-PEV consegue 7,94% dos votos e garante 7,08% do número total de deputados (-0,86%).
BE alcança 5,19% dos votos e conquista 3,54% de deputados (-1,65%).

Na contabilização final (*), espera-se que o diferencial entre a percentagem do número total de deputados garantidos e a percentagem de votos alcançada aumente em favorecimento dos dois maiores partidos e em claro prejuízo da representatividade democrática.

 

(*) Nota: Faltam distribuir 4 mandatos dos circulos "Europa" e "Fora da Europa"

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Segunda-feira, 6 de Junho de 2011
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Gostava sinceramente que o Senhor Presidente da República tirasse 6 minutos do seu tempo de trabalho no Facebook para comparar a diferença entre discursos de raiva, ingerência e ódio mal disfarçado, que muito mal fizeram ao País, e este discurso do Secretário Geral do Partido Socialista.

2 comentários

 

Fui um grande admirador de Sócrates. Vi nele a determinação e coragem que Portugal precisava para dar à volta a um dos seus principais bloqueios – as corporações.

 

Foi também com Sócrates que o modelo de desenvolvimento económico do país começou a mudar: qualificação da população, investimento em tecnologia, exportação de capital intelectual, por oposição à produção a preços baixos,  foram temas que o PS colocou na agenda, e que muito puxaram pelo país nestes últimos seis anos.

 

Mas a verdade é que Sócrates falhou claramente no combate às corporações.

Apesar da maioria absoluta, e sem o apoio do PSD, o PS foi recuando em muitas das medidas que podiam ter mudado o país para melhor – sendo a avaliação dos professores a mais paradigmática de todas.

Após  os 2 primeiros anos de legislatura, o amor da comunicação social virou ódio, ao qual se juntou a contestação permanente na rua e um PSD altamente irresponsável na oposição.

 

A partir daqui o PS começou a ficar acossado, e o foco começou a ser a gestão de danos e a vitória nas eleições de 2009. O ruído que se gerou à volta do Freeport ou da Licenciatura - do qual Sócrates não se soube proteger ao ter escolhido dar o peito às balas - também não ajudou a que houvesse a clarividência necessária dentro do PS para que se corrigisse o caminho que estava a ser traçado.

 

Depois veio a crise financeira. E quanto a isso estou completamente convencido que fosse o PS ou outro partido qualquer que estivesse no poder, estaríamos hoje exactamente na mesma situação em que estamos – com o FMI à perna. É uma convicção que se baseia essencialmente na nossa condição de país periférico que se viu obrigado a reger-se pela mesma bitola dos que ditam as regras na UE. Quem faz provas de atletismo sabe bem que não se pode impor “pode decreto” a um atleta que tem um ritmo de 5 minutos por Km, que acompanhe aqueles que correm a 4 minutos por Km. O resultado é sempre o mesmo, acabando o mais lento com os “bofes de fora” a ficar cada vez mais para trás. Enfim, esta é uma teoria que ficará por provar. Talvez num universo paralelo seja possível.

 

A verdade é que o ciclo de Sócrates acabou ontem, com enorme dignidade e honra, algo que só os maluquinhos anti-Sócrates são incapazes de reconhecer. E para mim, para além das palavras de circunstância que ficam sempre bem nestes momentos, a frase da noite foi o desejo sincero que “Passos Coelho seja feliz à frente dos destinos de Portugal”. Sem ressentimentos. Sem amarguras. Apenas grandeza e sinceridade.

 

Viva Portugal!

 

 

 

Também publicado no Vozes de Burros

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A todos os meus amigos PSD e CDS queria dar os meus parabéns pelos resultados e deixar honestos votos de um bom trabalho nesta fase difícil para todos.Desejo sinceramente que possamos todos contribuir para garantir um melhor futuro aos portugueses, dignificando o exercício da politica e melhorando a imagem dos actores ou agentes no palco da politica em nome de Portugal.

Domingo, 5 de Junho de 2011
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Para Ministra da Educação

 

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Para Ministro da Saúde

 

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Quase aos 50 anos Passos vai finalmente ter um emprego sem ser à conta do Ângelo Correia

Sábado, 4 de Junho de 2011
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Li hoje no Expresso um texto de Roberto Carneiro (sem link) onde este desmonta um por um os argumentos bacocos daqueles que denigrem as Novas Oportunidades.

 

Considerando a relevância que o assunto tomou nas últimas semanas, seria da mais elementar “normalidade jornalística” que o texto tivesse – no mínimo – uma chamada de primeira página... Nada! Nem um destaquezinho. E mesmo a SIC, caixa de ressonância do Expresso aos fins-de-semana, ostracizou completamente o assunto. 

 

A verdade é que nos últimos meses tornou-se demasiado claro  que o Expresso tem uma agenda política . E não acho que isso constituísse qualquer tipo de problema, desde que houvesse a coragem de o assumir em termos editorais. Assim, é apenas tentar tomar os leitores por parvos. E eu, como não gosto de comer gato por lebre, enquanto as coisas não mudarem, vou deixar de comprar o bendito jornal.

Sempre são 12 euros que se poupam por mês, e ouvi dizer que temos todos de fazer sacrifícios…  

 

 

também publicado no Vozes de Burros

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...falharam de tantas maneiras

 

 

Sexta-feira, 3 de Junho de 2011
1 comentário

Era uma espécie de oráculo para José Sócrates (e vice-versa): quando olhávamos para ele sabíamos que roupa iria vestir o Primeiro-Ministro no dia seguinte (e vice-versa); quando o ouvíamos sabíamos o que nos ia dizer o Primeiro-Ministro no dia a seguir (e vice-versa ); quando o víamos na defensiva era porque o Primeiro-Ministro tinha feito asneira (e vice-versa); quando o víamos desmentir uma notícia era porque o PM tinha mentido no dia anterior (e vice-versa); quando falava sobre o freeport era porque a nuvem se adensava sobre o José Sócrates (e vice-versa); quando o ouvíamos na rádio ficávamos com a ideia que era o PM que estava a falar (e vice-versa).

 

Até ao seu aparecimento só se tinham registado duplas personalidades de um mesmo corpo. Este foi o seu inverso: uma única personalidade a viver dois corpos. Vai deixar saudades.

 

também publicado no República do Cáustico.

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