Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011
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Daniel Martins

 

Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011
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Esta oposição anda doida. Veja-se, que de um problema num processo eleitoral, quer agora retirar ilacções políticas e responsabilizar o ministro da tutela em vez de apurar as dificuldades técnicas que o causaram. Silva Pereira, que é esse ser iluminado, é que sabe: a oposição podia perfeitamente juntar-se e investigar porque razão o undersnipe não manteve o linkage de acesso ao router no dropdown do vote em download consecutivo de eleitores armados ao hacker do pingarelho. Podia fazê-lo mas preferiu esse caminho turtuoso, baixo e sujo de pedir responsabilidades àquele que as tem - o que em Portugal além de raro, até já devia ter sido proibido e constitucionalmente definido como "no can do". -

 

Essas atitudes excêntricas deviam ficar reservadas para o gigante russo - que no dia seguinte ao atentado do aeroporto de Domodedovo demitiu os responsáveis - ou para esses meninos de coro britânicos que se demitem do governo por durante o seu mandato à frente do News of  the World - um jornal da terra - terem sido feitas escutas ilegais. Nós não somos assim..

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Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011
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Alô, alô, Federação dos Mercados Financeiros do Sistema Solar, Cavaco Silva do Planeta Boliqueime venceu as eleições na cratera Portugal do planeta Terra,podem parar com o ataque!!!!

Por falar nisso, os  juros das obrigações de Tesouro a cinco anos estão em 6,44% e a dez anos em 7,11%....ainda bem que não houve segunda volta, hein!?Porreiro pá...

 

 

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Através do excelente blog do Porfirio Silva reli um excerto dum discurso que há muito tempo não me passava pela frente e que me fez pensar.

Estamos no olho do furacão da crise global e nacional-estrutural, ou seja, vendo brilhar alguns raios de sol que quase fazem esquecer que se está mesmo no meio do turbilhão que dita a nosso futuro nas próximas décadas.

Na fase pós eleições presidenciais que ninguém quis e a poucos entusiasmou, chegou o tempo de decidir e assumir. Partidos e movimentos, dependentes e independentes, eleitores e abstencionistas, filiados ou alérgicos, contribuintes criativos ou nem por isso, subsidiados a fundo perdido ou já não muito, filhos ou enteados do Pai Estado, têm de assumir o País que querem para os próximos 20 anos.

Voltar, mais uma e outra vez, a deixar passar o comboio, tapando a janela para não ver as estações, preferindo jogar, esperar para atacar em melhor posição para a sua tribo, defender o seu quadrado para manter regalias de uns quantos, negociar o curto prazo da quinta em prol do longo prazo da herdade, abrir posições curtas...e longas em todos os mercados,tudo isto é apenas jogar. Jogar com fichas do futuro alheio ou colectivo na roleta da fado nacional.

Temos MESMO de investir mais e melhor, trabalhar MESMO mais e melhor, precisamos dos que que querem MESMO mais e sabem fazer MESMO  melhor.

Em vez de negociar, medir e avaliar, enrolar e disfarçar, esticar ou contabilizar, os políticos profissionais, assumidos ou não, devem dizer clara e frontalmente ao que vão, para quê, como e quando sob pena de um dia passarmos duma República com cadernos eleitorais infestados de eleitores fantasma para uma República fantasma infestada de culpados do seu fim! Penso eu de que...

 

«O atraso de Portugal é grande. A economia é deficitária. Mesmo que se eliminassem todos os lucros da grande burguesia e se procedesse a uma melhor distribuição da riqueza, o produto nacional não asseguraria, ao nível actual, a acumulação necessária para um desenvolvimento rápido e uma vida desafogada para todos os portugueses. Para o melhoramento das condições de vida gerais será necessário aumentar a produção em ritmo acelerado. E isso obrigará não só a investir como a trabalhar mais e melhor

Álvaro Cunhal, discurso ao VII Congresso do PCP, Outubro de 1974

 

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"(...) os juros das OT a dez anos fixaram-se em 7,13%, destronando o anterior máximo de 7,1% alcançado a 7 de janeiro."

 

Contrariando as previsões do agora reeleito presidente da República, as taxas de juro das obrigações do tesouro a dez anos continuam a sua escalada imparável. Os mercados, entidades de génese aparentemente divina, não se mostraram sensíveis à suposta estabilidade resultante da reeleição de Cavaco Silva à primeira volta. E esta, hein?

 

Daniel Martins

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Desculpem voltar atrás mas há coisas que me confundem.Ora então agora Manuel Alegre foi o único e exclusivo culpado do resultado de dia 23!?!

É uma das deduções mais brilhantes que pude admirar ao vivo nas ultimas décadas, pelos menos nas 3 ultimas!

Manuel Alegre obrigou e forçou toda a gente dentro do PS,qual ditador maléfico, impôs-se sem qualquer alternativa para ninguém subjugando todos os dirigentes e responsáveis nalguma masmorra ideológica recôndita e depois fez tudo mal, sozinho!Espantoso!

Soa-me a disparate demasiado conveniente e pouco convincente.Soa-me a uma ideia tão genialmente estúpida que se assemelha a uma conclusão de menino cábula que no quadro circula entre o 2+2=5 e o E=MC^3!!!

Quem no PS decidiu...decidiu.Quem se opôs..opôs.Nos lugares e foruns próprios.Quem calou...consentiu.É da vida,temos pena!

Quanto ao resto da fauna politica ou "comentadeira" que regurgitou barbaridades nos últimos dias, por favor...alguma honestidade intelectual por favor!

Então Manuel Alegre perdeu porque foi apoiado por dois partidos políticos com posições opostas?Se foi essa foi a razão da derrota de Manuel Alegre então Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio não teriam tido tantos mandatos cada...certo?Alegre obrigou sozinho um grande partido o seguir o seu ego e deixou-se instrumentalizar por um pequeno partido, de certeza?Manuel Alegre tem muita culpa do cartão amarelo ao PS devido ao contexto Governo/Crise?Qual foi mesmo o resultado das ultimas eleições europeias por exemplo, foi bom para o PS/Governo?

O apoio a Manuel Alegre foi assim tão consensual no BE? A forte abstenção deveu-se exclusivamente ou principalmente a Manuel Alegre? NÃO!

Se existiram muitos sorrisos amarelos pela Direita com a vitória (enfim,tinha que ser apesar do enfado!) de Cavaco Silva, também existiram sorrisos sentidos na Esquerda....embirro com uns e com outros, sorrisos de cobardes, parasitas ou canibais irritam-me.

 

"Friends, Romans, countrymen, lend me your ears; / I come to bury Caesar, not to praise him; / The evil that men do lives after them, / The good is oft interred with their bones."

 

 

Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2011
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Num combate em que só um dos candidatos se apresentou com uma “ideia” para o país era natural que acontecesse o que aconteceu nestas Presidenciais.

 

 

Ganhou, e bem, Cavaco, porque o seu principal opositor não representou a voz descomplexada de protesto de há cinco anos. Carregando o passivo de ter, desta vez, o apoio do (seu) partido do governo, numa altura em que o país vive a maior crise dos últimos trinta anos, Alegre fez uma campanha triste, desgarrada, tentando sempre o exercício impossível de não hipotecar o apoio de quem apoia (PS) e de quem se opõe ao Governo (BE).

 

 

Ganhou, e bem, Cavaco, porque à excepção, a espaços, de Nobre, todos os outros candidatos se preocuparam mais em atacar o “homem” do que colocar em causa o “político”.

 

 

O que resta pois de uma batalha cujo desfecho se adivinhava à partida? A confirmação do estado de descrença colectiva de um país que em 2010 começou a acordar para a dura realidade de uma história que tem pouco a ver com o conto de fadas que, nos últimos anos e culminando nas legislativas de 2009, alguns lhe tentaram impingir.

 

 

Descontem-se os eleitores, e ao certo não se sabe quantos foram, a quem o voto não foi permitido pelas trapalhadas do cartão único e motivos afins. Descontem-se aqueles, e continua a não se saber quantos são, que apesar de engrossarem os cadernos eleitorais já faleceram. Descontem-se todos os que, pelos mais variados motivos, não puderam deslocar-se à mesa de voto. Feitos todos os descontos, ninguém poderá negar que de entre os mais de 5 milhões que não votaram haverá muitos e muitos portugueses cuja descrença e distanciamento em relação à política é hoje grande. Não é apenas um partido que sai prejudicado. O descrédito de Sócrates e do actual Governo tem efeitos colaterais graves, por arrastamento, em toda a classe política.

 

 

E há também uma outra realidade. Aquela que não foi, nem na noite eleitoral nem no dia seguinte, suficientemente escalpelizada. Pessoalmente dou ao voto branco um significado muito mais forte do que ao “não voto”. E somados, os votos brancos representaram o sentimento de mais de 190 mil portugueses. Um número de votos superior ao conseguido por aquele a quem muitos chamaram a surpresa eleitoral, José Manuel Coelho, e quase o triplo dos votos conseguidos pelo altivo Defensor Moura. O voto de protesto de maior relevância está aqui.

 

 

No rescaldo, vergado ao peso de uma derrota inequívoca, o secretário-geral do PS e primeiro-ministro, José Sócrates, de rosto pálido e fechado, reagiu de forma inteligente. Fazendo jus à capacidade de comunicação que se lhe reconhece, procurou imediatamente tentar condicionar a atitude futura do Presidente reconduzido com referências repetidas sobre a necessidade de cooperação institucional.

 

 

Mas não é isso que deveria ser a sua preocupação principal. Da mesma forma que alguns dentro do PSD estarão bem enganados se pensam que Cavaco dará «boleia» rápida e certa para o regresso ao Governo. O, agora reeleito, Presidente de todos os Portugueses, deu mostras ao longo da sua carreira política de preservar a estabilidade como valor essencial da acção política. Dissolver a Assembleia, embora sendo possível, seria a última coisa que Cavaco faria. Arrisco mesmo, tal só acontecerá se não lhe restar outra alternativa.

 

 

Concentrem-se, pois, os protagonistas políticas no essencial. Governar bem o país, num caso, fazer uma oposição sustentada e preparar uma alternativa de Governo, no outro.

É tempo de pensar apenas e só no país. Se tal não acontecer, é líquido que o distanciamento dos portugueses face à política tenderá a aumentar. A quem governa e a quem faz oposição: pensem nos 190 mil e não se esqueçam dos 5 milhões.

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"Sources briefed on the debt restructuring proposal argued that its “debt reduction impact” has been “overestimated” as bondholders would not be compelled to participate."

 

 

Daniel Martins

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"Cutting the deficit by gutting our investments in innovation and education is like lightening an overloaded airplane by removing its engine. You may feel like you're flying high at first, but it won't take long before you'll feel the impact."

 

 

 

Daniel Martins

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Como se podia perceber, a revolução tunisina iria ter as suas repercussões nos países vizinhos. E o maior risco, pela importância geoestratégica na região (tanto em África como no processo de Paz do Médio Oriente), o Egipto, começa a dar mostras de sentir o contágio tunisino.

 

As últimas horas demonstram um confronto, sem precedentes, a Hosni Mubarak. A vontade de querer mudar de líder é muita. São várias décadas no poder, que geram muitos vícios, e o regime não está a dar resposta aos problemas da população. Se se juntar o facto de há poucos meses o Egipto ter feito de conta que tinha tido um acto eleitoral de estilo democrático, as condições são mais do que propícias para a explosão social e política.

 

Porém, ao contrário da Tunísia, o Egipto é um colosso e desempenha um papel fundamental na estabilidade da região. Nada disto pretende defender Mubarak, que é um ditador. Mas é preciso ter em consideração, ao contrário da Tunísia, que o Egipto conta com grupos, significativos e fortes, de radicais. E a queda do actual poder egípcio pode representar um acesso bem rápido para a ascensão dos extremistas, que defendem tudo aquilo que representa o retrocesso social e instauração da ortodoxia, do que o triunfo de homens como El Baradei, antigo Director da Agência Internacional de Energia Atómica, com uma visão e sentimento de Democracia, e que pretende ter um papel político no seu país natal.

 

O estranho, ou nem tanto, dada a situação que sentimos no nosso dia-a-dia, é a passividade da UE, perante estes enormes focos de risco, desafio e oportunidade. Bruxelas parece não sentir-se minimamente afectada pelo que se passa no Mediterrâneo sul e oriental (Tunísia, Egipto, Líbano), como se aquilo que aqui ao lado se passa não tivesse impacto em nossa casa. Continuamos a não estar atentos à realidade... de depois queixamo-nos!

 

Carlos Manuel Castro

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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011
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No discurso do estado da União mais aguardado dos últimos anos, Barack Obama dirige-se esta terça-feira aos norte-americanos, com uma mensagem que visa “ganhar o futuro”. O cenário político encontra-se mais desanuviado, com os media a centrarem atenções em Palin e com o incidente de Tucson ainda na agenda do dia. Todavia, apesar dos animadores dados macroeconómicos recentemente conhecidos, a conjuntura económica é ainda marcada por fortes incertezas. O Congresso encontra-se dividido, prometendo o GOP ser mais efectivo na oposição às políticas reformistas da actual administração, durante a segunda metade do mandato de Obama.

 

Com cobertura televisiva nacional, o discurso anual do presidente, dirigido ao Congresso, junta os três ramos do sistema de governo norte-americano. Este ano, o segundo de Obama, surge num momento crítico para a Casa Branca, depois das eleições intercalares de Novembro, em que viu o seu partido perder a maioria na Câmara dos Representantes. Depois de uma primeira metade de mandato caracterizada pela acérrima oposição republicana às reformas empreendidas no sistema de saúde, no sistema de regulação financeira e no sistema fiscal, Obama adquiriu novo fôlego, com vários estudos de opinião a mostrarem uma taxa de aprovação em crescendo. Não estranhamente, a referida taxa de aprovação sobe no preciso momento em que a economia parece finalmente entrar nos eixos, por terras do Tio Sam. It´s the economy, stupid!

 

Aproveitando o descontentamento do eleitorado republicano moderado com o assalto ao poder no GOP, levado a cabo pelos partidários do Tea Party, Obama mostra claros sinais de uma viragem ao centro no seu discurso. Aliviando a clivagem ideológica que pautou a agenda de Washington nos últimos dois anos, prepara-se para reconquistar a confiança do eleitorado independente que foi decisivo para a sua vitória em 2008. Apesar das dúvidas manifestadas por republicanos moderados, como Paul Ryan, e da prometida oposição do Tea Party, liderada por Michele Bachmann, o presidente em funções dedicará o grosso das suas palavras à economia, na tentativa de se aproximar das reais preocupações do Joe Plumber. Tal como Clinton, Obama sabe que é na carteira dos seus compatriotas que se decide a sua reeleição.

 

Quais serão então as linhas mestras do discurso de Obama e como pretende o presidente dos EUA dar o derradeiro pontapé na recessão? Durante 2011, existem cinco objectivos primordiais para assegurar a recuperação económica e financeira daquela que ainda é a mais poderosa economia mundial: criação de emprego de forma estruturante, protecção do sistema de segurança social, assegurar a continuidade do sistema de saúde que emergiu de uma longa batalha no Congresso, credibilizar o sistema de regulação financeira e assegurar a estabilização do valor do dólar. Garantindo a criação de postos de trabalho, afasta a desconfiança do cidadão médio; protegendo as reformas empreendidas na primeira metade do mandato, assegura a derradeira e necessária alteração do paradigma social americano vigente desde Eisenhower; credibilizando o sistema financeiro, demonstra estar ao lado dos contribuintes e longe de Wall Street; assegurando a estabilidade do dólar, abre a porta ao aumento das exportações e à diminuição da dependência de Pequim.

 

As cartas serão lançadas e os objectivos traçados. Do seu sucesso, depende o futuro político de Barry, o homem que um dia prometeu devolver o sonho ao american way of living.

 

Daniel Martins

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Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011
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Barack Obama profere, na madrugada de amanhã, o tradicional discurso do Estado da Nação. Será o momento de arranque da sua segunda e final etapa neste mandato, que terminará dentro de um ano e dez meses, com a eleição presidencial. 

 

Este discurso de Obama é feito numa nova realidade política norte-americana. Os Democratas já não são predominantes, como foram até ao passado mês de Novembro, e os Republicanos detêm a maioria na Câmara dos Representantes, procurando obstaculizar o mandato presidencial.

 

Prevê-se que o crescimento e expansão da economia e a criação de empregos, em termos de agenda doméstica, façam parte do discurso "ganhando o futuro" que amanhã será expresso. Resta esperar qual será a visão para a política externa, em especial o papel dos EUA no Afeganistão e os reptos do terrorismo. Talvez não falte uma palavra de incentivo, e exemplo, ao que se passa na Tunísia. Que é tanto de desafio como de risco... Longe vão os tempos, nada saudosos, em que W. Bush era o Presidente em exercício e as promessas de espalhar a Democracia no mundo faziam parte da sua verve.

 

Todavia, é a dimensão interna que importa aos legítimos interesses de Obama, uma vez que quem o elege são os norte-americanos e 2012 é amanhã. E é a nível interno que Obama começa a recuperar popularidade, muito fruto do trágico acontecimento de Tucson, que não deverá ser esquecido e dos sinais de arranque da economia.

 

Carlos Manuel Castro

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No reino das denominadas commodities, a credibilidade ocupa  lugar cimeiro. Bem escasso, de elevada procura, a credibilidade assume por estes dias contornos de extrema importância e contundência. A aparência credível causa admiração, garante respeito e assegura eleições. Os cada vez mais imprescindíveis gurus da comunicação política estão cada vez mais cientes deste facto e granjeiam admiradores (e clientes...) pela capacidade demonstrada a revestir de credibilidade e confiança, perfis que, de outro modo, seriam nefastamente nublados. As próprias medidas de participação cívica ficam a dever grande parte da sua beleza à maquilhagem que a sua automática credibilidade proporciona.

 

Como e quando assumiu tamanha importância? O que significa e qual o escopo do axioma credibilidade na vida política e na actuação da administração pública? Qual a sua dependência? Quais são os seus traços caracterizantes? Quando é apropriado declarar, sem rodeios, que determinada liderança é credível? Qual o seu valor para os cidadãos e para a sociedade civil? Em suma, quais são as manifestações, motivações e implicações da cruzada pela credibilidade dos ditos agentes políticos?

 

Não obstante partilharem bastantes traços comuns, os valores da credibilidade e da aceitabilidade são valores distintos e de percepção pública diferenciada. Para ser aceitável perante a opinião pública, qualquer actor da cena política necessita de um histórico pessoal recheado de eficácia e eficiência. Este histórico, juntamente com a obviamente essencial legitimidade democrática, garante a assunção generalizada de aceitabilidade por parte do eleitorado. A credibilidade – verdadeira garantia de sustentabilidade de uma carreira política de longa duração – emana da referida aceitabilidade, mesclada com uma paleta de qualidades pessoais, de tal forma inatas que apenas podem relevar de um qualquer cocktail cromossomático de origem ainda inexplicável. Entre os referidos atributos, relevam especialmente a capacidade retórica, o carisma, a visão, a eloquência e, no caso português, a aparência professoral de contornos sidonistas.

 

Nos hodiernos tempos, a sociedade é caracterizada pela horizontalidade nas diversas formas de accountability, existindo dois vértices primordiais na criação e manutenção do referido axioma: a preservação da imagem de credibilidade associada à generalidade da classe política e a expansão dos critério e da necessidade de fomento da credibilidade aos vários sectores da sociedade civil, como sejam empresas, instituições ou cidadãos em geral.

 

Passadas que estão as eleições presidenciais, é precisamente no âmbito do referido valor que residem as duas grandes ilações a retirar do acto eleitoral: a classe política nacional está claramente descredibilizada aos olhos da generalidade do povo português, conforme atestam os elevados níveis de abstenção, a elevada votação do verdadeiro candidato anti-sistema, José Manuel Coelho, ou ainda o crescimento exponencial do número de votos em branco; o presidente reeleito sente que perdeu, quiçá inexoravelmente, o capital de credibilidade que durante décadas alimentou a sua professoral imagem junto dos portugueses. O discurso foi de vendeta e não de vitória, típico de quem sente o tapete da confiança dos cidadãos a fugir debaixo dos pés e não de um presidente reeleito por expressiva margem. Doravante, Cavaco não será o mesmo aos olhos do país.

 

Daniel Martins

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Não acredito que ninguém no seu perfeito juízo tenha votado em José Manuel Coelho com vista à sua eleição e tenho a ideia que a grande maioria dos votos de Nobre lhe foram atribuídos, não por lhe reconhecerem capacidades para o cargo, mas por personificar uma candidatura fora do sistema.

 

No fundo foram dois canais de votos de protesto que somados representam 18.6%, ou seja, 782 482 votos. Se a estes somarmos 4.26% brancos e 1,93% de nulos, ficamos com 1.028.000 votos de protesto, ainda que alguns nulos sejam de monárquicos. Um milhão e 28 mil eleitores (!) a reclamarem melhores políticos e políticas, o que num universo de 4.489.904 pessoas que foram votar representam 23%.

 

Com uma abstenção a bater recordes e a posicionar-se nos 53,37% e 23% de votos de protesto já descritos, não devíamos estar a falar no estado de saúde da democracia - como já é hábito e se tornou cliché - mas sim no estado de saúde político daqueles que trabalham sob a sua égide. É que a primeira está viva e recomenda-se, agora os seus protagonistas, esses, definham a cada acto eleitoral que passa. Sinal de que há uma geração por acabar. Só espero que não tenha feito escola...

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É hoje que Cavaco Silva vai explicar as ligações BPN/SLN/acções e "Coelhas" afins? Através de comunicado oficial, entrevista ou café na Avenida de Roma com assessores discretos? Aguardo...para mim o café é sem açúcar por favor.

 

 

 

 

Domingo, 23 de Janeiro de 2011
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O CDS lançou hoje, em ante-estreia, um novo album, tributo aos Nirvana e a Kurt Cobain, "Smells like Power....and it smells gooooood!"

 

 

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Se a esquerda unida alegadamente não soma, eventualmente até subtrai, poder-se-á dizer também que a direita mesmo sem qualquer alma, crença, vontade ou convicção,mesmo com desgosto e até desprezo,reelege um presidente mal amado no seu próprio terreno.Dois dados curiosos a merecer reflexão profunda...

 

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E se de repente...existisse uma segunda volta? Isso seria Impulse?

Não, a culpa é do cartão do cidadão!Está visto, esta encontrado o bode expiatório, crucifique-se o cartão do cidadão na cruz mais próxima por favor, em nome da Pátria sem cravo e com uma Coelha!Ri-di-cu-lo!

 

 

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Será que a partir de amanhã passaremos a ter dois tipos de abstenção, a voluntária e a "involuntária"?

Servindo a segunda para justificar tudo, mais alguma coisa e o seu contrário?Quase parece que caminhamos nesse sentido "versátilmente útil"....

 

Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011
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Garanto-vos que programas como o Ídolos cumprem mais o seu propósito que as campanhas presidenciais. Quem chega ao fim, goste-se ou não, mostrou os seus dotes vocais. Enquanto que nas presidenciais - não se julgue que só estas é que foram assim - poucos são os momentos em que os candidatos mostram ao que vão.

 

Primeiro por tal não lhes ser pedido: nas ruas o eleitorado que se cruza com os candidatos transforma-os, pelos pedidos que lhes faz, em Super Primeiro-Ministros. Para o eleitorado há os Presidentes de Junta, os Presidentes de Câmara, o Primeiro-Ministro e, por fim, no topo da cadeia alimentar, o Presidente da República. Este é o organograma que traçam de Portugal sem distinções de responsabilidades e competências. A todos fazem, praticamente, os mesmos pedidos e reclamações.

 

Daí que os candidatos, cedendo à tentação de absorverem a atenção do eleitorado, falem daquilo que muitas vezes não lhes compete, esquecendo, por exemplo, temas que lhes deviam encher os dias como a manutenção da soberania do Estado e dos instrumentos financeiros que a estão a pôr em causa - não o FMI, mas, por exemplo, a necessidade de levar à Comissão um orçamento para aprovação prévia -. Poucos foram os temas que focaram e que lhes dizem directamente respeito: ou mandaram para o ar declarações de interesse gerais ou prometeram aquilo que não lhes compete.

 

Ora se nem eleitorado, nem candidatos focam e valorizam os dotes para as ditas funções, talvez isso queira dizer algo sobre o confuso regime semi-presidencialista em que vivemos e que poucos parecem saber, ao certo, o que é.

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Se, de facto, Cavaco conseguiu um lucro de 140% com ações que nem sequer estavam cotadas na bolsa, pode ser o homem certo para ocupar o mais alto cargo do País. Basta que gira o orçamento de Portugal como soube gerir o seu. Por azar, Oliveira e Costa está preso, o que impede o País de comprar a uma sociedade gerida por si ações a um euro e vendê-las a 2,4. No espaço de dois anos, seríamos a Noruega da Península Ibérica.

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Portugal atravessa a maior crise económica e financeira dos últimos anos. Para além disso, vive uma crise de confiança. Não é tempo para experiências ou malabarismos. Alegre pode ter "bom ar" (que o tem, sem dúvida), e pode até ter aquela aura especial de poeta boémio-marialva, mas isso agora não chega. Precisamos de um homem com provas dadas e com competência reconhecida. Precisamos, sobretudo, de um Presidente que tenha uma visão clara (e institucional) dos poderes presidenciais. Não queremos um jogador do jogo político, como foi Sampaio. Queremos um juiz imparcial e um defensor da ordem constitucional.

 

Voto Cavaco para ter a garantia de imparcialidade e de análise lúcida e capaz das circunstâncias políticas e económicas.

 

Voto Cavaco porque todos sabemos que em cada casa é preciso o adulto chato e cinzento, para impor alguma ordem no recreio. Se o país é o recreio e o governo é o circo, Cavaco é o chato e cinzento que nos dá segurança quando as coisas correm mal.

 

Voto Cavaco porque é a única opção viável. A melhor opção. E voto muito mais convicta do que há 5 anos atrás, porque Cavaco foi exactamente o Presidente que eu imaginava: atento e, sobretudo, previsível. E, nos estranhos tempos que vivemos, essa acaba por ser a sua melhor qualidade e a melhor garantia para os próximos 5 anos.

 

 

Também publicado aqui.

Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011
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Ou um excesso de entusiasmo motivado pela emoção do momento?

 

 

 

 

Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011
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Salvaguardadas as devidas distâncias e proporções, o escândalo resultante da falência do BPN assemelha-se, em génese, ao caso Lehman Brothers. A controvérsia resultante da nebulosidade que continua a assombrar ambos os casos foi idêntica e os esclarecimentos sobre as causas originárias foram de tal forma dúbios que não conseguiram afastar minimamente as suspeitas de atitudes fraudulentas e lesivas do interesse público. Com as conhecidas repercussões e consequências.

 

Levantado que está o véu sobre a inequívoca participação do actual ocupante do Palácio de Belém nas negociatas levadas a cabo pela instituição de Dias Loureiro e companhia, indaguei uns quantos amigos do outro lado do Atlântico sobre o que sucederia na terra de Washington e Jefferson se viesse a público que Obama – ou qualquer outro presidente – tinha adquirido e vendido acções do Lehman Brothers com injustificável benefício próprio. Publico abaixo as respostas, sem recurso a tradução, deixando ao leitor a liberdade de retirar as suas próprias conclusões.

 

 

Caroline Sandberg (consultora, democrata, residente no estado da Califórnia):

Didn't Lehman Brothers go under a few years ago? Well regardless, what would happen if it became public that the vice president was a major shareholder of defense contractor, and then he pushed us into war? Apparently nothing. There were all kinds of those conflicts with the last administration, there are probably some of those conflicts in the current administration (albeit a little less devious, I reckon) and nobody ever does anything. We're far too bourgeois to actually DO anything, don't you think? We talk, we yell, we make claims, and then we move on to the next affront.

 

 

Daniel Martins (in Alegro Pianissimo)

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Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011
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Deixe-mo-nos de tretas e olhemos de FRENTE para a imundície que é a fossa séptica pestilenta BPN com a mesma minúcia e detalhe (mas sem invenções ou manipulações, por favor) com que se olhou alguns "casos" recentemente ou como se deverá deveria sempre olhar para qualquer "caso" de "aparente" corrupção.

O Freeport foi o Freeport.Tentaram algo que não pegou.Temos pena.O Face Oculta será o que for.Eu ainda esperei pelo "Apito" e vou "deitando o olho" ao "Furacão" mas a esperança de que alguém dê um pontapé na caixinha da Tia Pandora, confesso, não é muita.Assumo a minha descrença.

Agora, deitarem, descarada e despudoradamente, areia para os olhos dos portugueses sobre a maior fraude desde o Alves dos Reis, fazendo de todos nós "tolinhos", ISSO NÃO!

A imagem Bíblica de fazer passar um camelo por uma agulha pode ser um enorme exagero ou então um erro de tradução do original aramaico ("gamla", camelo; "gamala", corda grossa), mas tentar fazer Cavaco Silva passar por competente e honesto começa a ser mesmo como tentar fazer passar um grande camelo pelo buraco duma agulha bem pequenina....!


 

 

Perguntas  da VISÃO sem resposta


Estas são algumas das questões enviadas a Cavaco Silva, para Belém e para a sua direção de campanha.

- Pode o senhor Presidente da República confirmar que adquiriu a propriedade do atual lote 18 da Urbanização da Coelha (Sesmarias, Albufeira) à empresaConstralmada?
- Essa transação foi feita através de uma permuta de terrenos?
- Por que valores foram avaliados os terrenos que adquiriu, e os que cedeu?
- Recorda-se do ano em que foi feita a escritura pública desta transação?
- Tinha conhecimento que a referida empresa, a Constralmada, era detida pela Opi-92, empresa de que eram acionista o Dr. Fernando Fantasia?
- Quem lhe propôs a permuta?
- Recorda-se do cartório notarial onde foi firmada a escritura pública desta transação?

 

 

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O Ministro Luís Amado confirmou a evidência. O Governo tem feito esforços para vender a nossa dívida a investidores estrangeiros. Nada de surpreendente e infelizmente inevitável. Posteriormente Sócrates desmente. Agora fontes governamentais dão o dito pelo não dito e afinal é verdade. No entanto afirmam que não é uma venda mas sim um investimento.

 

Motivo para esta trapalhada? O Primeiro-Ministro não quis dar a entender aos mercados que estamos desesperados na venda.

 

Portugal parece aquela aristocracia falida que quer alienar os seus já parcos activos sem passar pelo vexame junto ao seu círculo de relações sociais e sem atrair os abutres aproveitadores destas situações. Para obviar à penúria restar-lhe-á por fim tentar casar uma filha com um qualquer burguês novo rico garantindo a subsistência. O problema é que a sua filha é um estafermo e não há muitos interessados nos seus títulos...

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Cavaco é um verdadeiro português: cultiva a simplicidade, a humildade, a discrição relativamente a “assuntos de dinheiro”, fala da terra e dos avós com nostalgia, é pouco dado a viagens e estrangeirices, ampara amigos e família, tem orgulho no que a história escrita lhe diz que a raça fez, enaltece a maneira “especial” dos portugueses fazerem as coisas, é avesso ao conflito e à confrontação de ideias, não fala de futebol nem de política.Essa sua condição de síntese de uma portugalidade em vias de extinção ainda rende votos em determinados escalões etários. Por estas razões, o voto nestas eleições presidenciais é bem mais importante do que aparenta. Votar Cavaco é prolongar a portugalidade que quero superar. Votar Cavaco é reduzir o país à sua condição de periferia, de eterna nostalgia pelo passado e de provincianismo elevado a nacionalismo.As limitações que as condições económicas e sociais têm imposto à afirmação de uma dimensão moral superior do português não devem impedir-nos de exigir a quem nos representa a exemplaridade dessa desejável dimensão moral.Cavaco vive com o remorso de ter cedido à facilidade dos corredores do verdadeiro poder (o financeiro) entre 1996 e 2006. Não pode ignorá-lo e não devemos esquecer. Ainda tenho esperança que a boa moeda expulse a má moeda (a moeda da especulação, dos negócios entre amigos, da rentabilização de capital simbólico e político).

 

João Assunção Ribeiro

(Ad Confessionem)

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Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011
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A consagração, esperada, no passado fim-de-semana, de Marine Le Pen, no Congresso da Frente Nacional (FN), sucedendo ao seu pai, Jean-Marie Le Pen, na liderança da FN, significa que a extrema-direita está forte e apresenta um futuro promissor. O que não deixa de ser uma causa de profunda preocupação, dados os valores que defende e a simpatia que recolhe por uma parte já significativa do eleitorado francês (cerca de um quinto). 

 

Marine, que venceu a disputa interna da FN com dois terços dos votos, apresenta-se como a candidata da extrema-direita ao Eliseu no próximo ano.

 

É evidente que Marine sabe que não ganhará a eleição, mas será, desde logo, uma adversária difícil e pode ser determinante para a eleição do próximo Chefe de Estado francês.

 

Com um programa que não renega as causas xenófobas da FN, Marine limita-se a adaptar o discurso e teses do seu pai aos tempos que correm, para recolher votos no descontentamento. Que, em França, é muito. Em vez de se falar em imigração, passa a predominar o combate ao Islão; a negação das câmaras de gás da II Guerra Mundial deixam de figurar nos argumentos apresentados, mas o combate ao €uro e o regresso ao franco, emergem como causa mais recente, dada a crise financeira.

 

Marine eleva a fasquia e pretende que a FN, liderada por si, ultrapasse as votações obtidas por Jean-Marie Le Pen. O que é bem provável, tendo em conta as sondagens, que dão a Marine cerca de 18% dos votos nas presidenciais.

 

Se a eleição presidencial, pela função e poder que o Presidente tem em França, aparece nos escaparates, é bom não esquecer que há legislativas e autárquicas, onde a FN carece de maior implantação, para poder consolidar-se como um dos grandes partidos gauleses, a par do PSF e do UMP.

 

Todavia, o maior desafio, em termos de sistema político e do quadro de valores, é manter a diferença entre a direita democrática e a extrema-direita em França. E tudo por causa da base eleitoral do UMP, que vê hoje, em alguns locais, com bons olhos, alianças entre a UMP e a FN. Isto prende-se com o futuro das direitas francesas, hoje em grande parte convergente no UMP, que não deverá ser a mesma a partir de 2012, devido à profusão de candidatos: Sarkozy, Marine Le Pen, Villepin,  (possivelmente) Borloo. E se a esquerda ganha, como é bem possível, no actual quadro, mais acelera um quadro de reajustamento partidário à direita, que pode dar espaço de manobra à FN para subir.

 

Se juntarmos às guerras de egos das personagens em contenda, a crise predominante, o mal estar existente na sociedade e as condições para o progresso de uma discurso xenófobo, Marine sujeita-se a cumprir com o seu objectivo.

 

Certo, para já, é a grande disputa presidencial em 2012.

 

Carlos Manuel Castro

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Estes últimos dias não deixam de reflectir os últimos meses, de total inanidade da UE.

 

Se à crise que começou a atacar a Grécia, passou para a República da Irlanda, e ameaça fazer cair mais Estados no guião do FMI, como se a UE não tivesse capacidade de responder às questões nacionais, junta-se, agora, a total passividade europeia face ao que se está a passar na Tunísia.

 

O outrora ambicioso e desejável desígnio europeu do Mediterrâneo, área vital para a estabilidade e segurança da Europa, foi abandonado.

 

A Tunísia dá uma volta de 180 graus. Os seus acontecimentos começam a inflamar todo o Mediterrâneo, e já chegam à península arábica, e têm naturais repercussões na Europa. A tudo o que se passa, da UE só se conhece a ausência. A página da Presidência da UE nem alude a nada do que se passa na Tunísia, como se esta fosse uma realidade distante e sem qualquer ligação com a UE.

 

O Tratado de Lisboa dotou a União de melhor capacidade de respostas, mas infelizmente a União não está dotada de pessoas sem capacidade de responder. Da dupla Rompuy/Ashton, passando por Barroso e Orbán, verificamos uma total passividade.

 

Quando mais se precisa da UE, mais distante a União está.

 

Carlos Manuel Castro

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Sábado, 15 de Janeiro de 2011
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Achei que poderia passar sem escrever sobre o tema do momento. Primeiro, porque, para mim, casos de polícia são apenas isso: casos de polícia. Segundo, porque a crónica social fútil não me interessa especialmente (se é para ser completamente fútil prefiro escrever sobre sapatos, carteiras, roupas ou hotéis). Porém, a dimensão sociológica que tomou o “caso Carlos Castro” interpela-me (como nos deve interpelar a todos) e obriga-me a pensar sobre o que não está bem no nosso país. Basta ler os comentários nos jornais, ler alguns blogs ou ver as páginas de “apoio” que nascem no Facebook, como cogumelos, para uma pessoa normal e equilibrada ser forçada a perguntar-se: “Será isto normal?” Não, não é normal um país em que há pessoas que entendem por bem defender os actos de um homicida. (E não falo aqui de uma família em choque que, com toda a naturalidade, quererá defender um dos seus, apesar do horror dos actos por ele praticados). Falo de um país que vem para os comentários e para as redes sociais defender o indefensável, a coberto da protecção da “rede".

 

Eu não faço juízos de valor sobre Renato Seabra (“RS”). Não o conheço para saber se era um estudante exemplar ou um “menino de ouro”. Apenas sei que ele matou e torturou um homem, num crime abjecto, que não pode ser desculpado. RS agiu em surto psicótico? Talvez. Como em surto psicótico agirão, todos os dias, assassinos, pedófilos e violadores e nem por isso a sociedade os desculpa. Porque, com surtos ou sem eles, cometem crimes hediondos que a sociedade (e muito bem) não está disposta a aceitar.

 

Então porquê desculpar o crime de RS? Porquê as referências a ele, sistemáticas, como “menino”? RS tem 21 anos. Há muito que passou a infância e é um homem adulto. Até onde sabemos, também não seria incapaz. É um adulto: um homem que matou outro homem. Então, porquê a complacência? Porque será, também, que muitos o desculpam dizendo que foi Carlos Castro que se aproveitou de um jovem inocente, quando, todos os dias, a sociedade condena, à partida e sem qualquer pudor, a jovem mulher de 21 anos que se aproxima do homem mais velho? Porque será que nunca ouvimos dizer que J. Howard Marshall se aproveitou da inocência da muito jovem Anna Nicole Smith para a levar a casar-se com ele?

 

Será que o factor “x” deste caso é o facto de Carlos Castro ser homossexual? Possivelmente. Se Carlos Castro tivesse sido morto por uma “menina” de 21 anos num quarto de hotel em NYC, não tenho qualquer dúvida dos comentários que veríamos sobre a psicopata/vilã que se aproveitou, sem pudor e sem vergonha, do homem mais velho. Seria condenada, sem apelo nem agravo, por essa “sociedade dos comentadores de bancada”, tal como o foram os pais da Maddie, por exemplo.

 

Mas não foi uma “coelhinha-psicotapa”. Foi um “menino” e como tal é fácil colocá-lo na posição da vítima de abusos intoleráveis, incapaz de repelir os avanços da “velha-raposa” a não ser recorrendo a mais de uma hora de tortura e maus tratos que resultariam na morte do “agressor”. Com sorte, para estes comentadores de bancada, RS terá agido em legítima defesa, e a violência utilizada terá sido proporcional à “violência sofrida”. Razoável, não é? Como sociedade devemos reflectir sobre tudo isto.

 

Devemos reflectir sobre páginas com centenas de fãs que têm por título “matar homossexuais não deveria ser crime”. Um país que se comporta assim, não está bem. E isto, infelizmente, o FMI não virá resolver.

 

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