Domingo, 31 de Outubro de 2010
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O nome vitorioso da noite é Dilma Rousseff, mas o grande vencedor é, sem margem para dúvida: Lula.

 

Pela primeira vez, desde o restabelecimento da Democracia no Brasil, na década de 80 do passado século, Lula não se apresentou a uma eleição por limitação constitucional.

 

Quando há dois anos, nos Estados Unidos, se tentou criar a imagem de Obama como o candidato vencedor mais genuíno da era democrática, por não vir do meio “aristocrático” da política, na verdade, Lula da Silva, o torneiro mecânico, merece, pelos factos, esse troféu, de longe muito mais do que Obama. Basta comparar a carreira de um com outro.

 

Depois de derrotado várias vezes, Lula triunfa em 2002 derrotando, então, o mesmo José Serra que hoje perdeu para Dilma, e renovou o mandato presidencial em 2006 frente a Geraldo Alckmin, eleito Governador de São Paulo há poucas semanas.

 

Os receios internacionais, de há oito anos, com a chegada de alguém de uma esquerda sem experiência governamental e com um programa pouco amigo da economia, por uma visão estatal da economia, dissipou-se. Lula foi inteligente e preferiu abdicar das causas radicais que empunhava na oposição e seguiu, no campo económico, as vias que Fernando Henrique Cardoso tinha lançado, com a estruturação da economia brasileira, mais estável, forte e robusta. A confiança mundial no Brasil não se dissipou. Aliás, ao longo destes anos Lula conquistou o mundo e é um dos líderes mais emblemáticos da actualidade, fruto do crescimento da economia brasileira.

 

Internamente, os seus mandatos ficam marcados pelas políticas sociais, fim da dívida do Brasil ao FMI e entrada do país no G20. Ao mesmo tempo, e negativamente, ficam registados os vários de corrupção que deixaram uma profunda marca negativa da governação do PT, que, todavia, não têm impedido Lula de triunfar, como a vitória de há quatro anos, na época com o célebre caso do “mensalão”.

 

Perante o dilema de rever a Constituição, para apresentar-se novamente à presidência, Lula acabou por revelar bom senso e recusou embarcar em nova aventura e limitou-se a cumprir os dois mandatos permitidos. Restava saber como o PT se apresentaria ao Planalto em 2010, pois podia perder a eleição. Lula escolheu a pessoa e o partido nem questionou e seguiu: Dilma Rousseff seria a candidata. (Salvo erro, o nome da candidata até foi dada por Lula numa viagem a Roma há pouco mais de ano e meio.)

 

A (então) desconhecida e Ministra da Casa Civil teria a missão de suceder a Lula. Mas se de facto isso aconteceu no boletim, na verdade, foi Lula quem mais se empenhou na campanha. E não é por acaso, se tivermos em conta a campanha, foi Lula que deu força e dinamismo à candidatura de Dilma. Não havia fala, imagem ou atitude de Dilma que não tivesse, sempre, o nome ou a pessoa de Lula. E não havia brasileiro que falasse em Dilma e não tivesse no seu pensamento Lula.

 

Lula foi o pai, o padrinho, o irmão, o companheiro que dava o selo de credibilidade a Dilma. Dilma foi, no fundo, uma sombra da imagem do popularíssimo Luís Inácio Lula da Silva.

 

É evidente que Dilma tem responsabilidades na sua vitória (e tem um enorme mérito, pois após o seu nome ter sido apresentado como candidata, foi-lhe diagnosticado um cancro que debelou pela quimoterapia). Mas ela, de facto, sem Lula, não obteria o que os brasileiros lhe deram hoje.

 

Carlos Manuel Castro

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Confirma-se a vitória eleitoral de Dilma Rousseff. Com mais de 80% dos votos apurados, Dilma recolhe, para já, 54% e derrota José Serra.
Acompanhe, aqui, os resultados.
Para já, esta eleição tem uma marca histórica, pois pela primeira vez o Brasil, a maior potência latino-americana, é liderada por uma mulher.
Carlos Manuel Castro
 
A postar nas próximas horas:
II - O grande vencedor desta eleição: Lula
III - O fracasso de Serra
IV - O percurso do Brasil
IV - O futuro do Brasil
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Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010
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Depois do Morabitino, do Dinheiro, do Real, do Escudo e do Euro, Portugal tem uma nova moeda: o Submarino.

 

Esta nova unidade monetária substituiu a moeda de jure em Portugal (o Euro) instalando-se quiçá em resultado do costume em sentido jurídico, ou seja uma prática reiterada com convicção de obrigatoriedade. Tudo é medido em Submarinos. O fundo de pensões da Portugal Telecom, o endividamento estatal, a cativação de receitas, o défice, o buraco financeiro causado pelos medíocres que nos governam.

 

A chave do sucesso da implementação do Submarino deveu-se à sua carga simbólica e à necessidade de uma unidade de grandeza suficientemente grande para medir os despautérios financeiros e as trambiquices políticas.

 

Infelizmente, mais uma vez são as Forças Armadas o bode expiatório das sandices da Situação. No entanto não deixam de se sacrificar novamente e de estar à altura dos desafios da Nação. E ainda há alguns demagogos que questionam a sua razão de ser...

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Se antes de partir de férias já levava a ideia que o país cada vez mais se assemelhava a uma novela mexicana de baixo orçamento - até neste ponto a ideia bate certo - então agora que voltei não me restam dúvidas nenhumas. Desde o primeiro episódio - pouco interessa quantos se perdem pelo caminho - que se conhece o desfecho final, mas ainda assim insiste-se em acompanhar o "evoluir" da trama. O vilão e o herói sabemos quem são desde o momento em que o primeiro atraiçoou o coração da doce e frágil beldade - as coisas que eu chamo ao eleitorado - e o outro, ainda que tropegamente, ofereceu o seu ombro para lá irem chorar.

 

E como nas más novelas - há boas? - o bom da fita, pouco ou nada faz para derrotar o mau, pois isso seria manchar a sua conduta. E se há coisa que o bom da fita não pode fazer, é perder aquele arzinho angelical, calmo e pacífico, de quem sabe que no fim tudo será seu. Até esse momento, será o estupor do vilão que, tal como o Coyote, tudo fará para se auto-infligir e enterrar. E nisso, Sócrates tem mostrado valor.

 

Só que aqui, até ao momento em que o vilão regressa uma e outra vez do coma profundo até por fim lhe chegar a morte final, quem também vai sofrendo com as amarguras das suas decisões é este país. E se o herói não entende isso,  também não merece ficar com a beldade do enredo, pelo que se afigura que ela vá parar às mãos de António Borges. Que é aquela personagem da qual só se ouve a voz e se vê a mão, mas à qual os peões poderão todos vir a ter de responder.

 

PS- estar de volta da viagem ao Médio-Oriente significa que tentarei, nos próximos dias, deixar aqui o que por lá encontrei a cada recanto. Para já adianto só que ir sozinho para aqueles lados não é tão arriscado quanto pintam! Ainda que se apanhem uns quantos imprevistos pela frente. Até já.

 

Também publicado aqui.

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As negociações entre o Governo e o PSD para o Orçamento de Estado terão falhado, como facilmente se previa, o que ameaça agravar a situação financeira do nosso país. Um mau orçamento não deve, de facto, passar, não obstante, a convergência política exige-se aos únicos partidos com condições de governabilidade. Todavia, há muito que os partidos do "centrão" não têm condições de convergir, não pelas divergências ideológicas, mas sim pelos interesses do "aparelho" estabelecido na esfera do público e da promiscuidade com os privados. Uma futura revisão constitucional deve, portanto, incidir na remodelação do sistema eleitoral permitindo que independentes possam candidatar-se a um assento parlamentar e não em fait-divers ideologicamente extremados sobre uma total ou ausente intervenção do Estado em áreas como a Saúde e Educação. Só com uma esfera política constituída, em parte, por cidadãos independentes é que libertaremos a economia e as finanças do poder partidário (não do Estado!) e só com independentes conseguiremos garantir a convergência sócio-política que se exige em tempos de adversidade. Ou escolhemos entre um governo popular ou o FMI e a eterna instabilidade governativa.

 

Cláudio Carvalho

 

http://claudio-carvalho.com

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Terça-feira, 26 de Outubro de 2010
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Falemos de cidadãos candidatos ao cargo de Presidente da República neste ano de comemoração do centenário da  República.

O candidato filiado no PCP com apoio oficial deste partido e do Partido "Os Verdes", o candidato não filiado em qualquer partido e sem apoio partidário, o candidato filiado no PS sem apoio oficial partidário e o candidato filiado no PS com apoio oficial do PS e do BE merecem da minha parte o mesmo respeito individual e a mesma consideração democrática.

Por razões óbvias julgo que apenas um destes candidatos tem utilidade concreta e objectiva para o País, gerando uma dúvida razoável no eleitorado ainda indeciso entre esta diversidade que tradicionalmente a "esquerda" proporciona aos eleitores e o bloco monolítico e aquilosante que a "direita" tem para "oferecer" de forma pouco entusiasmada e ainda menos convicta, o ex-ministro das finanças, o ex-primeiro ministro e actual Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Fazem este ano precisamente trinta Invernos que a Pátria tomou conhecimento público desta figura, em 1980, como Ministro das Finanças e do Plano de Francisco Sá Carneiro. Sobre o seu desempenho em boa parte destas três décadas como politico profissional opinei num artigo de 2008 em que é bem patente a minha opinião manifestamente negativa, quer para o País, quer para a República, para o sistema económico/empresarial, para o sistema bancário e, muito particularmente, para o PSD.

A sua acção, a sua aparente sombra protectora de vários amigos e a sua "magistratura" de opinião e influência causaram a criação de "monstros do défice / função pública", a "queda de um governo",a asfixia de lideranças do PSD instrumentalizando o partido em prol da sua agenda pessoal ou a alegada cobertura da "implantação de noticias a partir de cafés da Avenida de Roma", isto só para citar alguns exemplos e sem discutir mais detalhadamente a história do sector empresarial público e privado em Portugal.

Imaginar Portugal sem o Bloco Central é um esforço extraordinariamente difícil. Imaginar o Portugal que temos hoje sem Cavaco Silva como um dos principais responsáveis e obreiros é um esforço impossível. Para o bem e para o mal.Especialmente para o mal.

Jamais acreditarei que Cavaco Silva seja uma boa escolha para o que quer que seja. No entanto subscrevo o actual Presidente da República no seu artigo sobre a Lei Gresham e a Politica, publicado no Expresso em 2004, que me sugere que ele, Cavaco Silva,  não deve ser reconduzido no exercício de responsabilidades no Palácio de Belém e deveria ser afastado do exercício da sua forte influência na São Caetano à Lapa pelas razões que o próprio enunciou na altura:

 

"Nos anos recentes, muito se tem falado de uma certa degradação da qualidade dos agentes políticos em Portugal, da sua credibilidade, competência e capacidade para conduzir os destinos do país. Independentemente de ser de facto assim, o certo é que há hoje uma forte percepção da parte da opinião pública de que, em geral, a qualidade dos agentes políticos tem vindo a baixar (...)

A ser assim, a lei da economia, conhecida pela lei de Gresham, poderia ser transposta para a vida partidária portuguesa com o seguinte enunciado: os agentes políticos incompetentes afastam os competentes. Segundo a lei de Gresham a má moeda expulsa a boa moeda.(...)

Se nada for feito, é provável que a situação continue a degradar-se e só se inverta quando se tornar claro que o país se aproxima de uma crise grave. Então, algumas elites poderão chegar à conclusão de que está em causa o seu próprio futuro e dos seus familiares e que os custos de alheamento da actividade político-partidária são maiores dos que os custos de participação.
Mesmo assim, haverá que contar com a resistência à mudança dos aparelhos partidários instalados, o que pode levar ao arrastamento da situação.
Do ponto de vista nacional, seria desejável que o país não descesse até ao ponto de crise e que a inversão da tendência ocorresse o mais cedo possível.

Por interesse próprio e também por dever patriótico, cabe às elites profissionais contribuírem para afastar da vida partidária portuguesa a sugestão da lei de Gresham, isto é, contribuírem para que os políticos competentes possam afastar os incompetentes."

 

Artigo de Cavaco Silva no "Expresso", de 27 de Novembro de 2004

 


 

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Foi publicado o Relatório da Transparencia, onde no "Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2010", Portugal aparece em 32º lugar. Nós, portugueses, também já tinhamos percebido...

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Aguardamos os resultados da negociação entre o Governo e o PSD, num esforço comum para encontrar uma saída para Portugal. Porque a credibilidade e a estabilidade são factores determinantes no contexto dos mercados externos.

 

Este não é mais um Orçamento, este é o Orçamento. Aquele de que ninguém gosta, mas aquele que é necessário para a sustentabilidade do país.

 

É preciso racionalizar, é preciso fazer esforços, é preciso fazer cedências, mas é sobretudo necessário bom senso nas decisões. Equilibrar as finanças públicas salvaguardando o mais possível o crescimento económico e o emprego é o caminho, porque sem uma diminuição acentuada do défice não teremos capital para investir na economia, simplesmente porque os mercados externos avaliam o risco da dívida de forma demasiado elevada levando ao aumento dos juros e tornando a situação insustentável para o país.

 

Existe um consenso alargado quanto ao facto de precisarmos de credibilizar Portugal perante os mercados externos.

 

Enquanto Portugal se encontra suspenso da decisão das negociações em curso é necessário que os responsáveis políticos coloquem os interesses do país à frente dos seus interesses pessoais e  partidários, em nome do bem comum.

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Vi no domingo um documentário fabuloso. Não resito a partilhar a historia de um amor sem fronteiras...porque a sociedade se quer mais justa e mais solidária.

Ide ver..

Domingo, 24 de Outubro de 2010
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"Já tentaste. Já falhaste. Não importa. Tenta outra vez. Falha melhor." Samuel Beckett

 

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Por falar em propostas, programas e projectos....

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"Um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos." - Friedrich Nietzsche

 

 


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Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010
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por estas e por outras...tenho pena do meu país...

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No reino dos fins, tudo tem um preço ou uma dignidade. Se algo tem um preço, pode ser trocado por qualquer outra coisa. O que tem dignidade é único e não pode ser trocado; está além do preço.” Kant.

Consultando o site dos tesourinhos deprimentes, ou seja www.base.gov.pt, ficamos a saber da dignidade de muitas das opções que são tomadas pelos nossos dirigentes públicos. O procedimento n.º99010 de 13-10-2009, é disso exemplo. Vejamos:

Objecto do contrato: “Copos Vidro Empilhavel, Garfo Cromoníquel p/ carne, Faca Cromoníquel p/ carne, Prato de Porcelana, Prato de Porcelana Hotel Doce, Conchas Medidora de Arroz, Concha Inox, Formas de Aluminio p/ Pudim, Espumadeira Inox, Pinças Inox p/ Salada, Copos Vidro Empilhavel, Garfo Cromoníquel p/ carne, Faca Cromoníquel p/ carne, Prato de Porcelana, Prato de Porcelana Hotel Doce, Conchas Medidora de Arroz, Concha Inox, Formas de Aluminio p/ Pudim, Espumadeira Inox, Pinças Inox p/ Salada”.

Data da celebração de contrato: 17-03-2009. Preço contratual : € 55.454,32

É caso para dizer que é um faqueiro com muita dignidade…

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5 a 1

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Obrigado a tod@s....

 

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Quinta-feira, 21 de Outubro de 2010
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Consta que Thomas Gresham foi conselheiro da Rainha Isabel I. Fica-lhe associada uma Lei que postula ser a boa moeda expulsa pela má moeda num contexto em que as duas convivem num mesmo mercado. Em Portugal muitos se lembrarão da forma como esta Lei ganhou notoriedade num contexto não económico mas político.

 

Na realidade, quase seis anos são passados sobre um famoso artigo de opinião de Aníbal Cavaco Silva. O agora Presidente da República tecia um paralelo entre o que é descrito na Lei de Gresham e o que se passaria em contexto político, no caso o português. Assim, também na vida política os melhores protagonistas seriam afastados pelos maus.

 

Ao que se diz, Jorge Sampaio terá interpretado o artigo de opinião num contexto de crítica mais ou menos velada ao governo liderado por Santana Lopes. O resultado final desse processo é de todos conhecido.

 

Mas volvido este tempo, num contexto económico tão difícil quanto o que Portugal vive neste momento, há reflexões que não deixam de fazer sentido. Até ganham em oportunidade.

 

Serão hoje os protagonistas políticos de alguma maneira melhores que os que nos regiam em 2004?

Com franqueza, creio que não. Na maior parte serão os mesmos. Com os mesmos ou ainda piores defeitos. Terá passado pouco tempo para haver uma mudança de geração, é certo.

 

Mas a haver uma mudança de protagonistas, uma renovação geracional até, estaria Portugal melhor servido hoje? Sendo claro para todos que as últimas gerações que nos têm governado vão deixar aos seus filhos e netos um país mais pobre e desigual do que aquele que encontraram, bastará rejuvenescer a classe dirigente ?

 

Nas últimas semanas a propósito das Comemorações do Centenário da República ouvimos importantes historiadores traçar paralelos entre determinados factores que levaram à queda da Monarquia bem como à posterior queda da Iª República por comparação com o momento político actual. Não historiador, mas político, Marques Mendes teve até a esse propósito uma frase forte: “Cheira a fim de regime”.

 

A ser assim, provavelmente, só nos aperceberemos mais tarde. Mas valerá sempre a pena sonhar com a possibilidade de que a nossa vida melhore e evoluamos num sentido melhor. Partamos, pois, da realidade actual para o domínio da ficção. Ou de uma especulação saudável.

 

Imaginemos um país em que a meritocracia impere. Um país em que os melhores não sejam afastados pela mediocridade.

Um país em que não sejam corporações a influenciar o destino de todos mas o todo a prevalecer. Um país em que não seja esta ou aquela máquina instalada a definir o rumo comum.

 

Um país em que não seja a lógica paroquial ou os interesses particulares mesquinhos a condicionar os resultados do todo.

Um país em que os pequenos caciques não sejam maiores que a sua (pequena) dimensão intrínseca. Um país em que as batalhas sejam definidas pelos valores em disputa e os melhores possam ganhar no campo.

 

Sonhar não custa. Custa, sim, é criar as condições para que Gresham não tenha paralelos na política.

 

Se a história é feita de ciclos, e por vezes se repete, que nas actuais dificuldades sejam encontradas oportunidades. E que haja condições para os melhores prevalecerem. Hoje, elas não existem.

E, por isso, o que um certo Conselheiro disse há quase 500 anos continua de todo actual.

 

 

Nuno Reis

 

 

PS: Independentemente da lógica que lhe preside, encaro esta Câmara de Comuns não como um mero veículo de intervenção política. Talvez mais como espaço de reflexão. E até mesmo, nalgumas circunstâncias, de “escape”. Ou não fosse a escrita uma forma de libertação...

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Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010
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A acalorada discussão em torno da aprovação ou não do Orçamento esconde um dogma inerente, cuja perniciosidade  suplanta os per si inenarráveis malefícios do dito documento. O que está em causa é a verdadeira noção de Estado e de toda a concepção económica e social de Portugal. O projecto apresentado encontra fundamentos num eixo (agora sim, verdadeiramente mefistofélico) de cinco mitos que transformam os horizontes próximos num verdadeiro paraíso de Dali:

O desastre financeiro e a crise económica que atravessamos são consequência directa de estados sobredimensionados e os mercados financeiros não podem ser responsabilizados pela situação

O descalabro a que assistimos desde 2007 é filho da ganância e do despudor de Wall Street e congéneres. Activos tóxicos de consequências desconhecidas e especulação maximizada reduziram a cacos a economia internacional. Através de bailouts sucessivos, os estados provaram ser a solução e não parte do problema.

O défice orçamental está numa incontrolável espiral ascendente, que, se não for parada, trará a Grécia para o lusitano recanto

O défice não chega aos dois dígitos e situa-se em níveis francamente abaixo dos apresentados pela Irlanda ou pela própria França. Não se controla através de medidas extremas de contenção da despesa pública, que mais não fazem do que estrangular uma já moribunda economia. Controlem-se e racionalizem-se os gastos públicos, sem incorrer numa deriva recessiva.

A origem de todos os males reside na natureza excessiva dos gastos públicos e a posologia a aplicar é a redução exponencial dos mesmos

Apesar de um crescimento da despesa pública acima do desejável, a verdade é que a gigantesca crise que envolve a economia global é originada pela queda abrupta do investimento privado. Sem acesso ao crédito, os agentes privados, nomeadamente as fedorentamente famosas PME´s, estão cada vez mais encurralados. O investimento público assume pois um papel essencial neste enredo de série B que envolve todos, mas cuja factura só chega à caixa de correio de alguns.

O sector privado cumprirá com maior rigor e eficácia as funções até agora exercidas pelo Estado.

Mito de sempre, resiste a experiências negativas que há muito deviam ter arrumado a noção numa qualquer gaveta da História. Presumir que entidades privadas, orientadas e balizadas pelo horizonte do lucro, poderão atingir benevolentes objectivos através de políticas fomentadas pelas características inerentes à sua própria natureza, é a mesma coisa que entregar as chaves de casa a um foragido. Non sequitur.

O equilíbrio orçamental é a pedra de esquina de qualquer cenário de estabilidade económica e de preços

Montague Norman ou Herbert Hoover dão pulos de alegria numa qualquer sepultura, perante semelhante argumentação. Nos anos 20, foi esta linha que conduziu a globalidade das nações ao flagelo da Depressão. Os ciclos que caracterizam as economias de matriz capitalista são controlados através de apertada regulação dos mercados e dos agentes económicos. Orçamentos de austeridade em tempos de crise são uma excelente forma de garantir a perenidade da mesma e o agravamento das complicações económicas e sociais.

A novela que envolveu a antecâmara da mais do que esperada aprovação do Orçamento de Estado acaba assim por escamotear aquela que deveria ter sido a discussão em torno do famigerado documento. Mais do que discutir quais as medidas draconianas a serem tomadas, dever-se-ia optar pela discussão do paradigma que até aqui nos trouxe. Impregnada que está a ideia de inevitabilidade de apertar o cinto, urge redefinir as linhas com que cosemos a nossa sociedade e os olhos com que perscrutamos o futuro.

Impõem-se políticas responsáveis e socialmente justas. Atribuir responsabilidades a quem aqui nos guiou e atentar para aqueles que mais irão sofrer com a conjuntura que se anuncia ao virar da esquina. Políticas fiscais responsáveis e assertivas, transparência tributária, moralização da actividade política e reforço do Estado Social são fórmulas nunca verdadeiramente aplicadas. Anunciam-se messiânicas medidas, que não passam de relíquias travestidas em cores de néon. Até quando? O Zandinga que em mim palpita não tem a ousadia de apontar hora, nem dia. Mais cedo do que tarde, espero. Os mitos morrem quando menos se espera.

 

Daniel Martins

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Terça-feira, 19 de Outubro de 2010
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Esta tensão pré-conselho nacional, recorda-me um pouco a entrega dos óscares...E há que ter banda sonora a condizer..seja qual for a decisão, aqui fica o que me lembro de mais apropriado...

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Aquando da entrega do projecto de revisão constitucional do PSD, houve logo quem saltasse da cadeira para acudir à defesa do Estado Social, concretamente no que à Saúde e Educação dizia respeito. Deve ser por isso, que agora aparece isto. Pelo menos estavam calados...

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Mais milhão menos milhão...assim vão as contas no OE. São de um rigor, de uma precisão, de uma eficácia e rapidez que custa comentar como é que isto acontece..

 

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A Democracia europeia atravessa neste momento grandes transformações, devido à ascensão da extrema-direita e ao enfraquecimento da esquerda.

 

Um pouco por todos os Estados europeus, com a excepção de Portugal e Espanha, o radicalismo da direita cresce e é determinante para a vida política de cada país. Veja-se como o novo Governo holandês, para ser viabilizado, careceu do suporte da extrema-direita, de quem ficou refém.

 

E, o que sucedeu recentemente nas eleições legislativas suecas, de 18 de Setembro, com a entrada da extrema-direita pela primeira vez no Parlamento de Estocolmo – note-se: a Suécia, baluarte do desenvolvimento e bem-estar no mundo -, confirma a regra que França, Itália, Áustria, Holanda, Bélgica, Hungria, Roménia, e outros países já contam. Partidos radicais com representação e peso. Ainda há pouco mais de uma semana, na eleição regional de Viena, só uma das áreas mais desenvolvidas da Europa e do mundo, o partido austríaco mais forte da extrema-direita, o FPÖ (ainda há outro, o BZÖ), foi a segunda formação mais votada, com 27% dos votos.

 

Estes resultados estão a provocar mudanças. E se em termos eleitorais, como a seguir se perceberá elas são manifestas, em termos de políticas as transformações também ocorrem. E sempre no seio da esquerda e direita democrática.

 

Vejamos: Sarkozy, primeiro, com as suas políticas face aos trajes muçulmanos e, depois, na perseguição aos ciganos, mais não tem feito do que adoptar muitas das causas da Front National, de Le Pen. E, neste fim-de-semana, no congresso da jota da CDU, Angela Merkel decretava a falência do multiculturalismo, dado o mal-estar na sociedade alemã. Estas posturas, jamais impensáveis há 10, 20 anos, são hoje um sinal de cedência dos princípios da direita democrática ao radicalismo, para segurar o eleitorado. Mas, o mais espantoso é o crescimento da extrema-direita alicerçar-se em eleitorado de esquerda. Se no início desta década Le Pen tinha conquistado muitos dos eleitores do outrora forte PC francês, agora são os partidos socialistas/sociais-democratas/trabalhistas que vêem parte do seu eleitorado, desagradado com a situação, refugiar-se debaixo do discurso de exclusão e xenofobia de líderes radicais.

 

Pela fraqueza eleitoral e de valores do socialismo democrático europeu e pela abdicação dos valores da direita democrática, por mero tacticismo, o projecto europeu começa a ser abalado nos seus princípios, com elevadas e nocivas consequências para os 500 milhões de europeus. Convém recordar que aquilo que afundou tragicamente a Europa há pouco mais de meio século é, precisamente, o germe que está a singrar.


 

Carlos Manuel Castro

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O que me ocorre partilhar é uma citação de Konrad Adenauer - "Vivemos todos sob o mesmo céu, mas nem todos temos o mesmo horizonte."

 

 

 

 

 

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Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010
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Nao se assustem com o que veem na televisao. A Palestina nao e' pior, nem muito diferente de uma feira das galinheiras ou da antiga feira do relogio em Lisboa: suja, repleta de po' e cheia de rapaziada aos berros e 'as buzinadelas. De resto fui bem recebido, como e' qualquer pessoa que de resto se aproxime de um desses estabelecimentos comerciais dos feirantes!

Sair de la e passar pelo checkpoint foi mais enervante. Estou quase como o Pinheiro de Azevedo: nao gosto de uzis nem de M5s. E uma coisa que me chateia!

 

Disclaimer: este post nao e' uma tomada de posicao politica, meus senhores de esquerda. E' apenas a comparacao sociologica da coisa..

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Hoje, aqueles poucos que tinham dúvidas que o Orçamento de Estado para 2010 era um péssimo orçamento, já as não têm pois este serviu para aumentar a despesa em detrimento de reduzi-la e ao não atacar as razões conjunturais que já vêm de há muito e que nos levaram à beira do abismo em que nos encontramos. E esse aumento do défice foi deliberado como o Primeiro-Ministro há seis meses veio a terreiro confessar. Mas não foi para salvar o Estado Social como invocou. Foram meras medidas eleitoralistas tais como o abaixamento do IVA em 1%, o aumento em 3% nos vencimentos da função pública ou as costumeiras falhadas promessas eleitorais de não aumento dos impostos. O caricato campeão do Estado Social foi o seu coveiro apenas para se eternizar no poder a todo o custo. É este o legado político de José Sócrates.

 

Agora surge o mesmo Primeiro-Ministro, aquele que em Agosto montado num TGV proclamou a Pátria como o campeão do crescimento e que outrora escarneou aqueles que alertavam para a urgência da inversão do endividamento, vem com dor de alma (segundo o próprio) propor um novo orçamento para o ano vindouro tão mau como o anterior. Mas com uma novidade. Enquanto que o anterior escamoteava a realidade, este vem ainda piorá-la. A proposta de Orçamento de Estado para 2011 traduz um crescimento brutal dos impostos que estrangulará as empresas e as famílias condenando o País à recessão económica e subsequente colapso social. E surpreendentemente peca pelo mesmo de todos os anteriores: não reflecte uma política de fundo para a recuperação económica, não corta drasticamente a despesa pública extinguindo timidamente e de forma atabalhoada umas poucas dezenas de institutos públicos e apostando num aumento da receita fiscal e em engenharias financeiras para tapar o buraco deste ano. E atenção que graças à desorçamentação das empresas, institutos e fundações públicas bem como as parcerias público-privadas não vêm reflectidas neste orçamento pelo que o endividamento continua galopante.

 

O tangueiro Sócrates (nas várias acepções da palavra) de 2010 mudou de estilo musical, desta feita para uma soturna marcha fúnebre em 2011.

 

E é para este velório que mais uma vez vem convidar Pedro Passos Coelho e o PSD. Só que agora trata-se de um não convite pois é sua intenção que Pedro Passos Coelho falte à cerimónia chumbando o Orçamento de Estado. Só assim se explicam as suas provocações constantes e dos seus sequazes socialistas bem patentes no último debate quinzenal por exemplo. O PS não demonstrou uma verdadeira vontade de negociar, de chegar a um consenso. Ao invés vem impor o seu orçamento forçando o PSD a pagar a factura e mais uma vez a levar o Governo ao colo. Dada a falta de credibilidade socialista, à omissão governativa do último ano e sua ausência de rumo, o não cumprimento do acordo anterior bem como a desesperada situação económica portuguesa da qual é responsável, José Sócrates deseja o chumbo por parte do PSD. Sem orçamento, Portugal entrará num caos político, financeiro, económico e social e as hostes socialistas tendo as últimas sondagens em mente imputarão a responsabilidade a Pedro Passos Coelho e ao PSD.

 

Este é o pensamento típico daqueles que se agarram desesperadamente ao poder. O futuro do País é algo de somenos importância relegado para segundo plano por motivos partidários. A velha máxima socialista de que o que é bom para o partido é bom para o País está tão viva como nunca.

 

Pedro Passos Coelho tem uma decisão difícil para tomar. Face à pressão dos mercados financeiros, ao inevitável aumento dos juros e entrada do FMI em Portugal (e suas medidas dramáticas que se perspectivam) infelizmente terá que escolher o mal menor, viabilizando um mau orçamento de forma a escaparmos às consequências ainda mais gravosas da sua não aprovação; o que não significa que não deverá deixar bem claro o seu descontentamento por este orçamento socialista. Com esta atitude voltará a mostrar as suas qualidades de estadista acima de querelas partidárias e maquiavelismos políticos, marcando a diferença relativamente a outros que são medíocres na sua ganância pelo poder, revelando-se mais uma vez como o Primeiro-Ministro de que Portugal precisa.

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A taxa de juro das obrigações portuguesas a dez anos desceu para 5,702 por cento enquanto a margem (spread) face às suas equivalentes alemãs era de 333,4 pontos-base (3,334 pontos percentuais), quando na sexta-feira era de 342,8 pontos base, já bastante abaixo do máximo histórico desde o início do euro, que foi de 438,1 pontos no fecho de dia 28 de Setembro.

 

Chegará o OE 2011 para acalmar o "monstro"?

 

 

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"Precisamos de aumentar a competitividade. Não tendo moeda, podemos simular os efeitos de uma desvalorização. E uma das formas é baixar os custos laborais sem tocar nos salários, como fez a Alemanha e como a OCDE recomenda: é baixar as contribuições sociais das empresas em função do trabalho, compensando a receita do Estado com outros impostos, ou seja, seria reduzir a taxa social única e aumentar o IVA. Isto tem várias grandes vantagens. Como todas as exportações são produzidas internamente, se se baixasse a contribuição social, baixava-se também o custo das nossas exportações. É como se estivéssemos a subsidiar as exportações. Além disso, como todas as importações têm de pagar IVA, estariamos a aumentar os impostos a que estas estão sujeitas. É o equivalente a criar uma tarifa sobre as importações. Portanto estamos a favorecer o comércio externo a nosso favor." - Vítor Bento, hoje no Público

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Sábado, 16 de Outubro de 2010
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"O país não precisa de quem diga o que está errado; precisa de quem saiba o que está certo." - Quem disse isto?


a) José Sócrates

b) Pedro Passos Coelho
c) Paulo Portas
d) Medina Carreira
e) Pacheco Pereira
f)  Francisco Louçã

g) Cavaco Silva

 

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Sexta-feira, 15 de Outubro de 2010
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