Como seria de esperar, a questão do terrorismo basco entrou na pré-campanha das legislativas espanholas, de 20 de Novembro, com PP e PSOE a trocar galhardetes. O líder do PP andaluz, Javier Arenas, acusou o candidato do PSOE, Alfredo Pérez Rubalcaba, de não querer acabar com a ETA, dado o espaço de manobra que permitiu à banda terrorista. Uma vez mais, Mariano Rajoy não entra em confronto com o seu adversário e deixa aos "atacantes de serviço" do PP essa tarefa.
É evidente que Rubalcaba, como Ministro do Interior, foi um dos governantes espanhóis que mais combateu a banda terrorista, e os factos são evidentes: nunca a ETA esteve tão fraca. Todavia, o cenário político mudou e a realidade política basca alterou-se. Em 2009, os socialistas, com um entendimento com os populares, obtiveram a maioria dos deputados e arrebataram o poder aos nacionalistas de direita, do PNV, que governavam e dominavam o País Basco há décadas. E, este ano, depois de semanas a fio entre a legalização ou não de forças políticas ligadas à ETA, a Justiça deu permissão ao Bildu (anteriormente denominado Sortu e ilegalizado) concorrer às municipais que se realizaram em Maio.
O sucesso do Bildu foi tal que a formação apresenta-se, actualmente, como uma das formações mais fortes do País Basco. A conquista da Câmara de San Sebastian (Donostia) é o principal marco e bastião desta formação que assume, hoje, e ainda que por entrelinhas, a possível transformação da ETA, visando a total passagem da via das armas para a dos votos, até porque os últimos resultados superaram todos os resultados de outros grupos políticos ligados à ETA entretanto ilegalizados de participar nos actos eleitorais, nomeadamente o Batasuna.
Este é um processo que não está consumado, e parece longe de estar concluído, mas a probabilidade desta transição ocorrer é forte. Enquanto isto vai sendo processado, os rostos do Bildu defendem em público a ETA. Ao mesmo tempo, evidencia-se o desconforto do maior partido basco, o PNV, que vê no Bildu o grande adversário.
Perante a fraqueza da banda armada, e o grande balão de oxigénio recebido pelas urnas, nestes dias, começa-se a falar no fim da ETA e na possibilidade de se anunciar a dissolução da banda terrorista. Partilho da visão dos polícias, que é cedo para acreditar em tal facto, mas o Bildu deve estar a preparar as legislativas de Novembro com todo o cuidado, pois será o seu segundo teste e procurará superar a meta, a de ter um resultado tão bom ou melhor do que em Maio. As sondagens estão a dar resultados ao Bildu semelhantes ao do PNV, com a eleição de 7 a 8 deputados (ao Parlamento Nacional), o que seria mais do que óptimo para a nova formação e colocaria em risco a predominância do PNV, até porque ambos estão interessados na eleição autonómica basca, de 2013, e conquistar o poder basco, que dificilmente os socialistas segurarão.
Assim, no País Basco, existem dois tabuleiros, o nacional, que opõe PSOE e PP, e o autonómico, o PNV e Bildu, e os dois mexem com a realidade basca e contagiam toda a Espanha. Muito ainda vai acontecer e o tom, por causa do terrorismo e o papel da ETA, vai subir até 20 de Novembro.





