
Zapatero decidiu, na semana passada, que as eleições legislativas espanholas deviam ser antecipadas, de Março de 2012 para Novembro próximo.
A pressão era enorme e foram vários os factores que conduziram o Presidente do Governo espanhol a esta decisão, a mais importante, e menos valorizada no meu entender, é a da elaboração do Orçamento do Estado de 2012.
Aliás, o novo cenário político estava estabelecido há várias semanas
, primeiro quando Zapatero disse que não seria novamente candidato em Abril, e, depois, quando o PSOE indicou Rubalcaba como o novo rosto dos socialistas, na sequência da pesada derrota que o PSOE averbou em 22 de Maio, nas eleições autonómicas e municipais que deram ao PP um triunfo bastante folgado.
Rajoy e o PP partem como grandes favoritos para a eleição de 20 de Novembro, porém o principal adversário, Alfredo Pérez Rubalcaba, impõe respeito. Uma sondagem publicada na semana passada dá alguns sinais de preocupação nas bandas populares. Rubalcaba consegue reduzir a diferença, ainda significativa entre PP e PSOE, mas bate, nos vários itens de avaliação de apreciação dos candidatos com perfil para governar Espanha, Rajoy. Rubalcaba é, provavelmente, o político espanhol no activo com mais experiência e vai fazer desta arma um trunfo, frente a um Rajoy pouco entusiasmante.
Nos três meses e meio que faltam para a eleição, muito vai acontecer e qualquer questão pode e deve ser aproveitada, desde a deslocação do Papa Bento XVI, neste mês de Agosto, a Madrid, aos debates, que além de envolverem os dois principais rostos, Rubalcaba e Rajoy, bem podem ser alargados à presença de representantes de outras formações: IU (a CDU espanhola, mas menos ortodoxa), CiU (nacionalistas catalães) e PNV (nacionalistas bascos).
Rajoy está apostado em jogar pelo seguro e não perder votos. Nesse sentido, procurará fazer uma campanha sem ataques, deixando isso aos seus auxiliares, como os tempos actuais têm demonstrado. O líder do PP sabe que deste modo poderá chegar à chefia do Governo, depois de ter averbado duas derrotas consecutivas, frente a Zapatero, em 2004 e 2008. Quanto a Rubalcaba, o candidato socialista tem a difícil missão de combater o grande adversário do PSOE: a abstenção e os desencantados da área socialista. Rubalcaba sabe que conquistando muito do eleitorado socialista pode ter hipóteses de alcançar o seu objectivo.





