
Os socialistas já previam o que seria a noite eleitoral, antes de se conhecerem os resultados oficiais: seria uma noite má. Talvez não pensassem que fosse tão pesada e, provavelmente, o PP não esperaria uma noite tão boa. Talvez não seja por acaso que Mariano Rajoy acabou por encerrar a noite com um discurso muito prudente e de quem parecia não ter alcançado uma vitória arrasadora.
As autonómicas e municipais espanholas de hoje serviram de grande ensaio para as direcções partidárias prepararem as legislativas do próximo ano e o bastião socialista de Castilla La Mancha seria o tradutor dos resultados nacionais. Nesta autonomia jogava-se mais do que o poder local.
Dolores de Cospedal, uma das pessoas fortes do núcleo de Rajoy, conquistou este bastião socialista e dá um claro impulso aos populares. Mas outros resultados do PP também não são de menor relevo, como a vitória na Extremadura*, impensável.
Em suma, em termos autonómicos, com excepção de Navarra e Astúrias (ganha pelo antigo homem forte de Aznar e que rompeu com o PP por não ter sido indicado pelos populares às Astúrias), o PP ganhou tudo, como foi o grande vencedor das municipais, com a conquista das principais cidades do país, com excepções na Catalunha e País Basco.
Na Catalunha, pela primeira vez, e em mais uma derrota (histórica) dos socialistas (pela primeira vez perdem o poder na cidade de Barcelona), os nacionalistas da CiU ganharam a Cidade Condal. No País Basco, o quase ilegalizado Bildu triunfa em San Sebastián e reparte com os nacionalistas bascos (PNV) o domínio partidário no País Basco.
Destaque ainda para o que se passou na Andaluzia, outro feudo socialista, mas onde não se realizaram autonómicas, pois decorrerão ao mesmo tempo das legislativas, o PP conquista as principais cidades, Sevilha inclusive, dando um forte sinal de que a Andaluzia pode ser ganha pelos populares.
Destaque ainda para as maioritárias vitórias populares em Madrid e Valência, onde os escândalos que envolvem os dirigentes populares não serviram para penalizar, mas para reforçar as respectivas lideranças.
Em suma, hoje, o PP obteve, no total, mais de dois milhões e duzentos mil votos que os socialistas, dominam a nível autonómico e municipal, e têm condições para ganhar em 2012. Porém, ainda há um caminho de 10 meses a fazer. Pelo meio há primárias no PSOE, para saber quem sucede a Zapatero, deverá ser Rubalcaba ou Chácon, e importa saber como Rajoy vai liderar a sua agenda. Ao contrário dos últimos anos, e tendo em conta o discurso desta noite, o líder popular, que já averbou duas derrotas nas legislativas, em 2004 e 2008, parece querer chegar a 2012 com uma imagem mais moderada e menor radical.
Como alguém disse nos comentários políticos desta noite na TVE, o capítulo político está virado, mas o próximo capítulo já não conta com Zapatero, o homem que perdeu estas eleições.
* O PP foi a formação política mais votada na Extremadura, porém, o PSOE vai manter o poder da região devido à soma do seus eleitos, 30, com os da IU (Esquerda Unida), 3, que batem os 32 eleitos do PP.





