De Daniel Geraldes a 3 de Abril de 2008 às 17:30
Não tenho por habito copiar ideias, mas como é que o administrador do blog colocou o canal parlamento em directo no blog, gostaria que me explicassem se fosse possivel para poder fazer o mesmo no blog em qual participo,
atenciosamente,
Daniel Geraldes
De
JPN a 3 de Abril de 2008 às 17:50
A mim nunca me passaria pela cabeça limitar o direito de ninguém a uma carreira profissional. E sem dúvida que Jorge Coelho compriu em mais do dobro a lei. Tudo isso é muito claro.
O que também se me afigura muito claro é que neste momento há um conjunto de factos públicos que indiciam uma relação muito promíscua entre o Estado e a Iniciativa Privada e é inevitável que as circunstâncias que fazem com que Jorge Coelho não possa ser alvo de nenhuma censura também não inibem a análise de colocar a sua situação nesse patamar de escuridão e neblina de casos e histórias que afectam as relaçãos entre o Estado, os Partidos e o Privado.
Ou seja: Coelho não me merece nenhuma censura mas também face a este facto grave que é a existência de cada vez maiores dúvidas públicas sobre a relação interesse público e interesse privado - em casos como os de, entre outros, Pina Moura, Ferreira do Amaral, Armando Vara, Telmo Correia, Paulo Teixeira Pinto - não merece nenhum tipo de elogio, parecendo-me muito claro que o assumir da sua morte política é talvez o único aspecto que, em consonância com a coragem política que teve quando se demitiu das Obras Públicas, lhe podemos, em jeito de despedida, creditar.
A questão da permuta de cargos entre o mundo político e o mundo empresarial não é um fenómeno tipicamente português e em Portugal nem sequer é recente. Vem já do tempo da velha senhora e não é esperável que deixe de acontecer enquanto existir Estado e será tanto mais acentuada quanto mais Estado houver.
Posto isto não nos iludamos: A colocação de políticos em empresas do Estado é um forma arranjo de conveniências mútuas que nenhum partido do arco governamental irá pôr alguma vez em causa. As competências de gestão desses gestores políticos são não raras vezes irrelevantes para as nomeações feitas.
A redução do perímetro empresarial do Estado tem implicado a redução do número de vagas para os políticos pretendentes.
Em consequência dessa contracção de vagas, surgiu outra oportunidade: a de os políticos serem recrutados pelas empresas privadas como interlocutores privilegiados entre as empresas e os governos. As competências de gestão, neste caso, podem contar como factor complementar mas nunca como factor determinante.
No caso abordado neste post há coelho à caçador.
Mas "esse coelho à caçador" é contraproducente, pelo menos para a maior construtora portuguesa!
Para que criar uma situação passivel de ser mal interpretada e constrangedora para o Governo, quando já está envolvida em consórcios vários que irão concorrer aos váriso concursos do NAL e do TGV, quando irá concorrer a muitas das barragens a serem lançadas em breve, lanços de auto-estradas, concessões....há tanto obra para lançar que fatalmente o Grupo Mota Engil ganharia sempre algumas!
Num país desta dimensão, em que há um top5 de construtoras, em que mesmo tendo em conta o crescimento da carteira de adjudicações de obras em mercado não doméstico de todas as grandes construtoras, ainda são pequenas para o mercado europeu ou mundial (veja-se a comparação com Espanha, a ACS, a SACYR(a quem pertence a Somague),a Dragados), tanto que apenas consórcios de várias empresas nacionais podem reunir condições para concorrerem ao futuro NAL e ao TGV, isto implica que as obras chegarão para todas as "grandes construtoras" nacionais.
Então porque a pseudo jogada de meter o "coelho na cartola"?
Olhando para o grupo Mota Engil, não apenas para a Mota engil Engenharia, e para os consórcios em que participa ou que lidera mesmo, boa parte das futuras obras públicas passarão pela antiga Mota e Companhia.
Será JCoelhor então uma espécie de seguro de vida?Uma garantia?Para que?
Adjudicações via Concursos Públicos, internacionais na maior parte dos casos citados,posso assumir que presume que a aposta em JCoelho será para influenciar os mesmos?
Em concursos desta dimensão não deve ser muito fácil não?Com empresas estrangeiras, que reclamam (aliás viu-se isso nuns concursos de armas ligeiras,submarinos,munições,helicopteros.....reclama muito esta malta estrangeira), apenas me parece muito dificil , sem ser em termos mais conspirativos, percepcionar assim as coisas....
Era o mesmo que assumir que o Eng Ferreira do Amaral preparou a cadeira na Lusoponte ainda no ministério, e, seja sobre qualquer politico de qualquer Partido, tenho que presumir a boa fé até prova em contrário!
A Mota Engil e as futuras grandes obras públicas a serem brevmente lançadas não são rotundas e chafarizes da responsabilidade de camaras municipais, onde alegadamente, algumas histórias obscuras, adjudicaçoes por ajuste directo, fazem pender suspeições!
A escala, a dimensão,a visibilidade, o controle, a regulamentação e vigilancia é de tal forma diferente que, sinceramente, me escapa essa visão siciliana deste assunto....
De rute a 3 de Abril de 2008 às 19:24
concordo com o post, mas não percebo o final: “por que será Tiago?” refere-se a quem? Ao TBR do Kontratempos?
Marcos:
Jorge Coelho é um cidadão, tem todo os direitos, respeito o seu trabalho enquanto militante socialista. Não há absolutamente problema nenhum em ser presidente da mota engil. É normal que as empresas privadas recrutem personalidades com trabalho governativo. Eu acho muito bem que o façam.
Acreditar que o Jorge Coelho será Presidente de uma empresa destas também pela sua agenda e pela sua rede de contactos é perfeitamente aceitável e natural. Digo eu e não me incomoda nada. É uma tendência natural, não é um fenómeno só português e revela a importância de ter quadros que entendam bem o relacionamento com o estado. Faz sentido o destaque na imprensa? Qual é a relevância deste acontecimento? É por ser o Jorge Coelho? É por ser socialista? É por ser a mota engil? Ou será por ter sido ministro?
Não entendo a defesa deste Coelho que se tornou tão manso. Continuo achar que é uma óptima aquisição para a mota engil. Se eu tivesse no conselho de administração desta empresa votava com certeza neste ex político profissional. E é por este prisma que eu comento esta aquisição no mercado de transferências dos altos quadros da nossa pequena praça.
Marcos:
Jorge Coelho é um cidadão, tem todo os direitos, respeito o seu trabalho enquanto militante socialista. Não há absolutamente problema nenhum em ser presidente da mota engil. É normal que as empresas privadas recrutem personalidades com trabalho governativo. Eu acho muito bem que o façam.
Acreditar que o Jorge Coelho será Presidente de uma empresa destas também pela sua agenda e pela sua rede de contactos é perfeitamente aceitável e natural. Digo eu e não me incomoda nada. É uma tendência natural, não é um fenómeno só português e revela a importância de ter quadros que entendam bem o relacionamento com o estado. Faz sentido o destaque na imprensa? Qual é a relevância deste acontecimento? É por ser o Jorge Coelho? É por ser socialista? É por ser a mota engil? Ou será por ter sido ministro?
Não entendo a defesa deste Coelho que se tornou tão manso. Continuo achar que é uma óptima aquisição para a mota engil. Se eu tivesse no conselho de administração desta empresa votava com certeza neste ex político profissional. E é por este prisma que eu comento esta aquisição no mercado de transferências dos altos quadros da nossa pequena praça.
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