Quinta-feira, 11 de Junho de 2009
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Os portugueses passam rapidamente do 8 para o 80 e vice-versa. É sabido! Na política não é diferente. Muita gente no PS considerava as eleições apenas o cumprir de calendário. Agora, estão derrotistas. No PSD, aguardava-se pela disputa eleitoral que se seguiria às eleições autárquicas e legislativas: vide Pedro Passos Coelho. Agora, unem-se em torno de quem só tinha defeitos e já se escolhem pastas, gabinetes e assessores. Ambas as percepções são, para mim, um exagero.

 
Muitas vezes, na política portuguesa fazer previsões é quase suicidário. Como se tem visto nos últimos anos. No entanto, julgo ser pacífico afirmar que as próximas eleições poderão ser um momento de exaltação democrática, de debate de alternativas e, naturalmente, disputadas. Assim os protagonistas queiram afirmar o que de mais nobre tem a política. O que por vezes, infelizmente, não acontece. É esse o caminho que o PS, na minha opinião, tem de trilhar nestes meses. Com a certeza de um caminho em que terá de trabalhar muito e bem. E em que todas as opiniões deverão ser bem vindas!
O ciclo eleitoral está a disputar-se em clima de crise, a nível mundial, financeira, económica e social. A pior desde 1929. Os seus efeitos são globais. Não só de alguma depressão das pessoas, mas nos efeitos de empobrecimento de quem sofre por via do desemprego. Ainda que seja desvalorizada, por muitos, para efeitos de retórica política interna. Vejam-se as recentes declarações de José Pedro Aguiar Branco na TSF ou de João Rendeiro, em todo o lado, a propósito do BPP e da sua gestão.
O terreno é ideal para o populismo e isso nota-se à esquerda do PS e no CDS. Um discurso entre os corruptos, capitalistas, exploradores, mentirosos, e os combatentes pela verdade, pela moralização, pelos direitos de todos a tudo. É uma linguagem moral e populista que é utilizada. Embora, por vezes, se oiçam algumas propostas interessantes. Como não notar, por exemplo, a diferença entre o discurso de Rui Tavares e outros dirigentes do Bloco?
Mas, se descontarmos os riscos de populismo e do providencialismo, que captam, por vezes, o descontentamento conjuntural, é natural que quem vá votar possa ter uma atitude madura e responsável no momento de decidir o seu voto para o governo do país e das autarquias. Ainda que deprimidos e pouco esperançados pela crise mundial, não acreditando nos políticos ou não esperando muito das propostas apresentadas (pelo que dizem nas sondagens e a abstenção demonstra) muitos dos portugueses esperam, penso eu, solidez, seriedade, confiança, segurança e credibilidade no governo do país. Factores que lhes permitam atravessarem a crise e, passada a tempestade, melhorar alguma coisa.
É um programa para tempos difíceis, mínimo mas racional, para os eleitores do "centro", que é onde a maioria dos eleitores está, mas que pode também captar a esquerda que quer continuar a transformar socialmente o país. Não acredito que o eleitor vá votar em grandes questões programáticas que possam traduzir grandes rupturas nem em listas de medidas por muito atractivas que elas sejam. Também não acredito em grandes e repentinas mudanças sem que pareça que o PS se esteja a negar a si próprio.
Acredito, sim, num reforço dessa solidez, seriedade, confiança, segurança e credibilidade face ao PSD e ao regresso ao passado de Manuela Ferreira Leite, Portas, Santana, entre outros. Acredito, também, na necessidade de um reforço da participação dos militantes do PS na vida interna do partido e nas suas decisões a par de um reforço da unidade e da inclusão de todos nas batalhas eleitorais que se aproximam. Não podemos fechar as estruturas em circuito fechado ou fazer listas com base em meras opções internas.
Acredito, igualmente, no corrigir de algumas propostas e/ou atitudes que têm sido contestadas reforçando a componente social e de procura do desenvolvimento económico, da qualificação dos portugueses e de abertura e transparência da vida democrática. O PS deve ouvir, compreender os reparos, ponderar as propostas alternativas e corrigir aquilo que o possa ser. Sem trair o rumo que tem seguido a bem do país, pois não se deve comprometer o futuro com vista ao curtíssimo prazo, mas sem ter a veleidade de deixar tudo na mesma.
Se o fizer e o souber explicar penso que o PS poderá ganhar as próximas eleições. Com muito trabalho, qualidade e unidade. E a certeza que a disputa será dura. Assim seja politicamente engrandecedora para a democracia portuguesa.
4 comentários:
De tricPro-MFL a 11 de Junho de 2009 às 22:38
hipoteses, tão validas quantos as restantes!

sendo você um socialista, acha que o primeiro-ministro deve suspender os contratos das grandes obras como exigiu MFL?


De Raul Costa a 12 de Junho de 2009 às 09:40
ó joão lopes, solidez, seriedade, confiança, segurança e credibilidade no governo do país é coisa que nenhum português espera. Aliás, é coisa que nenhum europeu espera. Palavras como unidade, qualidade, engrandecimento, até já ficam esquisitas nos discursos. Os políticos falharam aqueles que votam fazem-no sem convicções, com um encolher de ombros. Esse tipo de palavras já não valem de nada excepto para as discussões entre políticos que numa espécie de autismo fechado em si mesmos vão anuindo ou discordando, aplaudindo ou apupando. É tempo de vocês encararem isso.


De Zé da Burra o Alentejano a 12 de Junho de 2009 às 14:45
SONDAGENS

As sondagens dão uma indicação de voto aos eleitores quando anunciam previamente as percentagens de voto previstas para quem deverá ficar em 1º, 2º, 3º ou 4º lugares, o que influencia o resultado da votação, sempre no sentido das sondagens, pois uma boa parte do eleitorado acaba por ser induzido a escolher apenas de entre os partidos que são apontados nas sondagens como ficando em 1º ou 2º lugares. Trata-se de uma tendência desportiva, onde ou se ganha ou se perde. Só por isso as sondagens deveriam ser proibidas e são-no em alguns países. Além disso, estão a tornar-se suspeitas de serem mal feitas ou pouco sérias porque se enganam sistematicamente a favor dos grandes partidos. No final, apesar de tudo, os pequenos partidos acabam por ter sempre mais votantes do que os indicados nas sondagens.

Na política não é como no desporto, pois quem fica em 2º, 3º ou 4º lugares também acaba por influenciar o poder. Apenas não têm qualquer influência a abstenção, os votos brancos ou os dados a partidos que chegam a eleger representantes para a assembleia. Também é muito diferente ganhar com maioria absoluta ou relativa, pois se a maioria for relativa o partido ganhador terá que procurar fazer uma coligação ou governar sem ela e na dependência do voto parlamentar. Em qualquer dos casos há que ter em conta outras políticas e outras sensibilidades. Por vezes é essa a única solução e é a democracia que fica a ganhar nestes casos.

Os grandes partidos são alvos de cobiça de interesses particulares que os apoiam esperando receber compensações em retorno quando aqueles forem poder e mais fácil será o retorno se tiverem uma maioria absoluta, por isso um povo politicamente esclarecido deve fugir sempre de dar maiorias absolutas a quem quer que seja, embora todos os partidos as peçam.



De Sofia Loureiro dos Santos a 12 de Junho de 2009 às 16:28
Excelente post. Obrigada.


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