Segunda-feira, 4 de Maio de 2009
Completados que estão dois anos sobre o desaparecimento de Madeleine Beth McCann, somos levados a acreditar que pouco se sabe e muito ficou por saber. Ora, eu tenho uma opinião algo diferente: muito já se sabe e ainda há alguma coisa para saber. Porém, o post que hoje escrevo não pretende fazer qualquer balanço sobre o caso, como estas primeiras linhas poderiam sugerir. Pretende, sim, desabafar algumas notas soltas que, julgo, constiutirão matéria de análise profunda muito em breve.
Em primeiro lugar, uma nota relativa ao estado de saúde de Kate McCann.
Como já referi, têm corrido muitos rumores a propósito da saúde emocional de Kate McCann. Chegou, mesmo, a haver rumores de uma, alegada, tentativa de suicídio. Estes rumores vieram de Terras de Sua Majestade de uma fonte que, usualmente, não “lança bojardas”. Claro que sei que o argumento que acabo de dar é falacioso, na medida em que o padrão de comportamento da referida fonte não nos garante a verdade da informação. Mas, o que é facto é que essa informação (verdadeira ou não) chegou, como também já referi, numa fria noite de sexta-feira do mês de Dezembro. Por que razão retomo agora uma informação que já possuía há alguns meses? Porque têm vindo a acentuar-se alguns indícios relativos ao estado de saúde de Kate McCann. Antes de mais, até, esta questão do estado de saúde depressivo de Kate começou por ser veiculada pelos seus familiares e amigos, em particular no período que se seguiu ao arquivamento do processo (finais de Julho de 2008). Ora, a patir de Agosto de 2008, Kate McCann começou a aprecer em público com pouca frequência, tendo pautado por uma quase total ausência após o Natal. A sua própria mãe afirmou que ela se sentia só e rejeitada, inclusivamente pelo próprio marido, Gerry McCann. Não mais foi vista a fazer jogging ou a passear os gémeos. Esta questão vê incrementada a sua pertinência se atentarmos ao facto de Kate estar, aparentemente, mais magra, facto que é visível na sua deslocação aos Estados Unidos, para participar no Show de Oprah. Assim sendo, perguntemo-nos: numa pessoa que faz desporto com grande regularidade, que problemas podem surgir quando essa prática pára, repentinamente? Uma resposta óbvia: essa pessoa engordará e apresentará sintomatologia ansiosa, devida à desregulação das endorfinas (hormonas que o nosso organismo processa, em especial com a prática desportiva frequente, que constituem uma espécie de anti-depressivo natural). Ora, o que nos foi dado a observar? Aparentemente, algo de paradoxal. Kate não só não engorda como, aliás, emagrece e, segundo testemunhos familiares, tem vivido obcecada a ler o processo, deprimida e nem sequer os gémeos a têm animado (sinais depressivos, poderíamos especular). Recordemos, agora, o episódio relativo à lavagem do Cuddle Cat, no dia 12 de Junho, de 2007, referido no seu diário. Que significado terá esse episódio nesta estória? É muito provável que seja a primeira expressão de um processo de luto, comparável ao facto de Kate não ter, aparentemente, reconhecido a sua filha nos retratos de progressão etária que lhe foram mostrados no Show de Oprah. Porquê? Porque na primeira situação, de acordo com as suas palavras, Kate, praticamente, não admite que Maddie volte (cf. post neste blog sobre o Cuddle Cat) e, na segunda, o não reconhecimento parece significar a incapacidade de Kate conceptualizar uma Maddie mais velha, pois a sua última imagem é a de uma menina de 3 anos. Assim, o que quer que tenha acontecido, transparece em Kate como PERDA IRRECUPERÁVEL. Aliás, a este propósito, o lapsus linguae de Clarence Mitchell, na última entrevista à BBC, é extraordinariamente elucidativo: quando confrontado com a tese de um rapto oportunista, após a criança ter saído sozinha de casa para procurar os pais (tese pouco sensata, diga-se), o Spin Doctor disse –“isso não aconteceu, Kate sabe-o”. Em suma, seja o que for que tenha acontecido foi, seguramente, muito duro e não me espanta que Kate esteja, de facto, com uma severa perturbação emocional. Espero que a decisão relativamente à manutenção dos pactos leve em conta a relação de custo/benefício destes sofrimentos. Eu sei que já tinha escrito sobre esta matéria mas senti o dever de explicitar os argumentos e apelar para se evitarem situações limite.
Em segundo lugar, uma nota sobre os, alegados, retratos de progressão etária.
Duarte levy, que esteve presente no Show de Oprah, não deixou os seus créditos por mãos alheias (bem hajas, Duarte) e, competentemente, como é seu hábito, investigou junto do FBI a origem desses, ditos, retratos. A informação que obteve é a de que o FBI não teve qualquer participação nessas produções “artísticas”. Esta informação é preciosa para explicitar o que tenho tentado afirmar em relação a outra produções, alegadamente, forenses, como, por exemplo, os retratos-robot: trata-se sempre de uma falácia que tenta confundir o argumento de autoridade (foi uma desenhadora do FBI), com a autoridade do argumento (trata-se de uma produção de inequívoco valor forense). Os retratos de progressão etária devem assentar em metodologias rigorosas, do ponto de vista científico, e não constituir apenas uma manipulação fotográfica baseada. Existem questões prévias que passam por cânones antropométricos, com normas desenvolvimentistas, raciais, sexuais, probabilidades fenotípicas a partir de avaliação de genograma, entre outras. Mas, para além disso existe um problema metodológico: construção à post hoc sem recurso à noção de variável independente. Ou seja, Maddie podia, hoje, ter muitas faces, mantendo os traços gerais: cabelo louro e olhos azuis, com o pequeno sinal na íris. E o resto? Bom, se fôssemos completamente honestos e se a produção, dita, forense tivesse, de facto, o objectivo de procurar Maddie, então, teríamos de actuar de outra maneira. Proponho a seguinte metodologia: criar quatro grupos de desenhadores forenses independentes e “cegos” (isto é, em que nenhum dos investigadores de um grupo sabe o que os outros estão a fazer). Dois grupos de desenhadores terão instruções para realizar, pelo menos, três retratos de progressão de Maddie, a partir da MESMA foto original (de Maddie) e segundo a mesma metodologia que deve levar em conta as variáveis atrás descritas. De seguida, outros dois grupos de desenhadores forenses terão a tarefa de pegar nos três retratos, de cada grupo que fez a progressão, de forma aleatória, e terão a seguuinte instrução: “estas crianças tem seis anos. Por favor, de acordo com os critérios (que atrás descrevemos) produza três desenhos de regressão etária, que representem estas crianças com 3 anos”. Claro que se tería de introduzir retratos de controlo ou de placebo (variações de cor e forma de cabelos, olhos, etc., e a introdução de um desenho de outra criança). De seguida, o investigador chefe (o único a conhecer a metodologia) deveria comparar, por cânones antropométricos precisos, as fotografias de regressão com a fotografia original de Maddie que teria servido de modelo para as progressões. A foto que apresentasse maior matching com a original poderia, assim, constituir uma boa hipótese de progressão etária. Assim, a única coisa que estamos a produzir é potencial erro e enviezamento na informação. Mas, será este o objectivo? Bom, não sei. Mas, sei que há um mês atrás o objectivo era fazer uma campanha local (Aldeia da Luz) com a foto de Maddie aos 3 anos e agora o objectivo é fazer uma campanha mundial (transmissão do programa para 144 países) com uma foto que se aproxime da fisionomia, alegadamente, actual de Maddie. Em que ficamos? Quem dirige a campanha? Serão os tais polícias reformados da Scotland Yard? Aguardemos pela próxima estratégia. Até lá, vejamos com atenção o Show de Oprah para que possamos, como disse Duarte Levy, apreciar o Show dos McCann. E, uma curiosidade: reparem na roupa de Kate...
Até muito breve!
De marie(f) a 5 de Maio de 2009 às 09:44
Bonjour Paulo
Cet article complete très bien ce que vous avez dit hier après-midi sur TVI chez Julia.
Mais on a vraiment envie d'en savoir plus :-)
Bonne journée
Comentar post