Com a aproximação de um documentário sobre o livro ”A Verdade da Mentira” (que, vivamente, a TODOS, aconselho), os media britânicos vieram, massivamente, tentar proteger, mais que nunca, a imagem dos McCann. Aliás, o próprio Dr. Gerry McCann veio assumir que houve “erros de ambas as partes”, conforme refere Duarte Levy, hoje, dia 13/4/2009, no diário “24 horas”. Por que será?
Mas, esta defesa massiva por parte dos periódicos britânicos é realizada através de um ataque, ignorante e, muitas vezes, mentiroso, ao ex-investigador da PJ Gonçalo Amaral, pelos mesmos meios. Já afirmei que o tradicional almanaque português “O Borda d’Água” tem muito mais interesse do que a maioria da imprensa a que me refiro. Ainda assim, não deixo de assinalar tal produção mediática como o reflexo do, estou seguro, enorme medo que tal documentário estará a causar pela banda dos McCann.
O Dr. Gerry McCann esteve em Portugal no fim-de-semana anterior à Páscoa com o, suposto, propósito de realizar uma reconstituição dos acontecimentos da fatídica noite de 3 de Maio de 2007. Na prática, Dr. Gerry McCann, a Jane Tanner e o Dr. Mathew Oldfield vieram como consultores para a realização de um documentário sobre o que eles querem dizer relativamente ao que se passou naquela noite. Tal facto constitui, como diria Karl Popper, um ataque forte à falsificabilidade necessária à evidência científica, pois está mortalmente enfermado de epistemologia confirmatória. Que quer isto dizer? Quer dizer, de uma forma muito simples, que ninguém pode ser juiz em causa própria e que o documentário vai reflectir, necessariamente, o que os “consultores" pensam sobre os factos sem qualquer intervenção de natureza contraditória. O mesmo será dizer que não se trata de reconstituição porque: os intervenientes não estão todos presentes, os que vieram possuem uma teoria não baseada em factos, um deles é, demonstradamente, inconsistente no seu testemunho (Jane Tanner) e o guião do documentário não é questionável por metodologias críticas nem por observadores imparciais. Em conclusão, trata-se de um EMBUSTE que irá privilegiar, como uma alegada reconstituição da BBC, a figura de um suposto raptor que se esconde num apartamento frontal à entrada traseira do 5A (e ninguém o via?), estuda os padrões da família e dos tapas nine (o que é improvável tendo em vista o número elevado de intervenientes e a exiguidade de dias em que tal podia decorrer –quatro), rapta a Maddie numa janela de tempo relativamente curta, sai pela janela, transportando a menina ao colo, sob o testemunho de Jane Tanner, e foge por um caniçal, sob o testemunho de duas cidadãs britânicas que nada têm a ver com o caso. Estou seguro que será dada ênfase a dois momentos: quando Gerry McCann entra no apartamento e "pressente" alguém e quando Jane Tanner "vê" o alegado raptor. A atmosfera do documentário será tensa e mostrará a infelicidade e tristeza de uns pais que lamentarão, profundamente, não estarem na hora certa, no local onde deveriam estar. Não nos trará nada de novo, tal como a, dita, nova campanha mediática nada nos trouxe. Mais uma PALHAÇADA para “Inglês ver”.
Em Outubro de 2007, em conjunto com o Professor Pedro Gamito e sua equipa (Diogo Morais, Jorge Oliveira, Tomás Saraiva, Miguel Pombal e Joel Rosa), realizei uma reconstituição 3D das duas horas, supostamente, anteriores ao desaparecimentode Madeleine Beth McCann. Com os dados disponíveis em quatro fontes credíveis, duas portuguesas e duas inglesas (“Público”, “Sol”, “Times online” e BBC”), sem qualquer teoria apriori, através do cálculo do índice de concordância entre as referridas fontes e com a intenção de descrever os acontecimento pudemos verificar que:
- Os McCann mentiram nas suas primeiras declarações (de onde jantavam era IMPOSSÍVEL ver o apartamento 5A e a distância que os afastava dos filhos era de 84 metros em linha recta, 114 metros a andar, e não cerca de 50 como referiram);
- O número de deslocações dos membros do tapas nine (14) em duas horas, com vista à, suposta, vigilância das crianças, produziam, em média, "janelas" de tempo inferiores a 7 minutos sem vigilância. Contudo, se contabilizarmos o vai e vem destes movimentos de pessoas e a elevada probabilidade de outros transeuntes caminharem naquele local, que também era visível dos edifícios fronteiros onde muita gente poderia estar à janela, verificamos que, pelo teorema da probabilidade condicionada de Bayes (tomando com hipotéticos eventos possíveis dois raptos na praia da Luz, naquela semana), a possibilidade de um raptor (premeditado ou impulsivo) ter entrado no apartamento, levar a menina, sair pela janela, não deixando vestígios, sem ser visto, seria mais baixa do que a possibilidade de um gato cair em cima de um teclado de um piano com cinco oitavas e tocar a anacruza das quatro notas da quinta sinfonia de Beethoven. É claro que o problema complexifica-se quando foram os pais a referir, desde logo, e insistentemente, o rapto.
Mas havia outro problema. Quanto tempo demoraria alguém a esconder um corpo num local como a Igreja? A mesma equipa realizou uma simulação onde, em dois percursos alternativos, alguém que levasse um corpo num carro, a uma velocidade média de 50 km/h (máximo permitido nas localidades), demoraria cerca de 27 segundos a realizar esta viagem. Se imaginarmos uma janela de tempo de 7 minutos, concluiríamos que seria possível alguém levar Maddie até à Igreja e voltar ao Ocean Club neste espaço de tempo, até porque alguns dos intervenientes se ausentaram do restaurante por períodos superiores a 20 minutos.
Por hoje fico por aqui, prometendo voltar para demonstrar novamente que os avistamentos foram “fabricados” e que os retrato-robot são a produção mais ridícula de todo este processo.
Antes de me despedir, aconselhando a que TODOS assistam ao documentário que irá passar hoje na TVI deixo-vos algumas inquietações:
a) Há três meses atrás, numa fria noite de sexta-feira, tomava um café com um Amigo, quando, via telefone, recebemos uma notícia, não confirmada, de Inglaterra, de um agravamento súbito e crítico do estado de saúde de Kate McCann, que a teria conduzido a uma situação limite. Este tipo de referência tem sido frequente em alguns meios, sem ter sido possível confirmar seja o que for, em qualquer hospital. Contudo, Kate tem estado estranhamente afastada e os gémeos têm sido vistos, mas não a Mãe. As alusões às “depressões de Kate” têm constituído outro dos engulhos deste caso.
b) A método 3 já não consta no site findmadeleine. O que aconteceu?
c) O site findmadeleine antecipa, agora, em homepage, novas t-shirts da falhada campanha na aldeia da Luz.
d) R. Murat processou alguns media portugueses, os McCann NÃO!
Até Breve.





