Para quem tem seguido o fenómeno Maddie com alguma atenção verificou que o mês de Janeiro, em particular a sua segunda semana, foi fecundo em ocorrências a que já dediquei um post neste mesmo blog. Mas o mês de Março, com os prodrómios e eclosão da Primavera, trouxe-nos alguns dados muito interessantes.
No primeiro dia deste primaveril mês, o periódico britânico “The Independent” publicou um artigo sobre Clarence Mitchell cujo título era: “Sou um ser humano decente. Se os puder ajudar, ajudo”. Este artigo anunciava uma conferência de Mitchell no Oxford Union “seguindo os passos de Desmond Tutu, Teresa de Calcutá e [imagine-se] Cocas, o sapo”. Não riam, porque eu não estou a fazer ironia. Esta frase é retirada do periódico “The Independent” de dia 1 de Março. Relativamente aos Marretas, sempre preferi a loucura de Animal, o baterista, ou a luxuriante sedução de Miss Piggy (agora sim, é para rir!!!)
Que objectivos tinha esta “notícia”?
a) Preparar para o anúncio da extinção da maior fonte de rendimento dos McCann, de Mitchell e da Método 3 – Brian Kennedy;
b) Iniciar uma campanha de limpeza de imagem de Clarence Mitchell, preparando o terreno para “outras águas”;
c) Abrir caminho para a ida de Gerry McCann ao parlamento inglês;
d) Preparar a opinião pública para o “circo descer à cidade”, ou melhor, à aldeia da Luz;
e) Porque faltavam cerca de dois meses para o, infeliz, segundo aniversário da morte de Maddie.
f) E, como tal, algumas surpresas são esperadas!
Por que razão e com que legitimidade afirmo “Morte de Maddie”? Pelas mesmas razão e legitimidade que Gerry McCann e Clarence Mitchell (sim, porque Kate McCann tem estado estranha e “firmemente” calada e não tem aparecido muito, como tenho vindo a sublinhar) afirmam “rapto de Maddie”. Mas existe uma diferença abismal entre as duas afirmações: uma delas representa uma tese que tem nos seus argumentos a autoridade e outra representa uma outra tese que tem na autoridade os seus argumentos.
Mas, já agora, apesar do periódico britânico ter, na minha opinião pessoal, muito menos valor informativo que o popular almanaque português “O Borda d’Água”, devo referir que fiquei, abissalmente, estupefacto com a forma como foi tratada esta informação. Aconselho, vivamente, a leitura da referida notícia para se poder entender o que é, verdadeiramente, MANIPULAÇÃO MEDIÁTICA numa Sociedade onde, pensava eu, imperarva uma velha tradição de Direitos Civis, Liberdades e Democracia. Confesso que esta última frase é (quase) um plágio de uma afirmação cretina, ignorante, insensata e, barbaramente, snob, da autoria de um Senhor Assessor de um Senhor Eurodeputado Conservador Inglês, quando se referia à incompetência da Polícia Judiciária portuguesa. Tal frase pode ser lida no Semanário “Sol” de 13 de Novembro de 2007. Assumo o uso irónico do (quase) plágio da frase de Piers Merchant e as consequências que daí surgirem e aconselho, também vivamente, a leitura deste artigo.
Por que razão?
Porque o assunto a que me acabo de referir foi retomado por Gerry McCann este mês. Após ter-se deslocado ao parlamento inglês, para “Inglês ver”, ou não teria esta Câmara deixado passar a “Mentira de Gerry” que, subtil e inteligentemente, Duarte Levy denunciou, o médico (sublinho médico e não Dr. Para não se confundir com outro tipo de Dr., por exemplo, em Leis) criticou o Segredo de Justiça Português, dissertando sobre o seu carácter obsoleto, resultado de “leis que remontam ao tempo de um regime fascista e depois comunista” que explicariam”o porquê de não funcionarem”. Apesar de todos termos direito à nossa opinião, deixem-me desabafar:
a) A formação Médica, com especialização em Cardiologia, nas Universidades Britânicas, possui no seu curriculum de estudos alguma Cadeira de opção em História do Direito Português?
b) Se possui, urge processar os docentes que as leccionam pela manifesta incompetência com que o fazem; Se não possui (como espero, até porque os cardiologistas têm mais fazer do que estudar História do Direito Português), fico um pouco mais descansado e interpreto que foi o triste resultado de uma confusão devida às dificuldades de compreensão da lingua portuguesa, na assessoria do casal britânico, porque tenho a certeza absoluta de que os Ilustríssimos Advogados que representam os McCann em Portugal não profeririam tamanha ESTUPIDEZ!
c) Até porque as Leis portuguesas não mantêm presos cidadãos inocentes, ou com, supostas e levianas, “provas” e, após o detectado o erro erro, não repetem julgamentos pelo mesmo crime, após nulidade assumida pela administração da Justiça, respeitando, assim, os Direitos Humanos, ao contrário de algumas Nações Europeias (Veja-se o caso de Nicolas Bento, por exemplo, caso a que voltarei).
Mas, não bastaria esta bizarria, na mesma altura o mais famoso dos spindoctors tenta recriar uma teoria para sustentar a crítica à espectacular mediatização que, a determinada altura, reconhece, ter «tentado controlar» sob encomenda (“contratado em Setembro de 2007 para «salvar as suas reputações»”, as de Kate e Gerry; in The Independent, 1 de Março, de 2009): os jornalistas britânicos estariam sistematicamente embriagados por passarem as tardes inteiras a consumir álcool no Ocean Club, rogando-lhe notícias sobre o caso para, alegadamente, não perderem o emprego. Como não conseguiam notícias, traduziam as notícias dos jornais portugueses e estava justificada, no seu ponto de vista, a, alegada, campanha de difamação contra os McCann.
É, particularmente, fascinante esta teoria. Contudo, como todas as teorias muito fascinantes, é demasiado exagerada, falta-lhe lógica e os factos podem ser explicados mais parcimoniosamente. Ora bem, Senhor Mitchell:
a) Relativamente a consumos de álcool haveria muito a dizer, mas vou ficar-me pelos frequentes e testemunhados abusos do tapas nine group (estes foram comprovados por empregados e documentos – facturas de jantares) e por considerar que o Senhor está a fazer acusações infundadas e difamatórias a uma classe à qual pertence e cujos elementos não podem ser metidos no mesmo saco;
b) Relativamente ao facto dos jornalistas andarem “desesperados” por notícias, devo afirmar, com conhecimento de causa, que o Senhor manipulou muitos deles, do mesmo grupo de periódicos ingleses, havendo, claro, em alguns, a partir de determinada altura, ameaças de despedimento, sim, mas se publicassem, supostos, “factos difamatórios contra o casal”;
c) Alguns Jornalistas portugueses foram ameaçados de serem processados judicialmente pela famosa Carter-Ruck, o que até hoje não passou disso mesmo: ameaças!
Com isto, o Senhor quererá dizer que os Jornalistas portugueses difamaram os McCann nos seus Jornais e que os, embriagados e ameaçados de desemprego, Jornalistas britânicos traduziram essas notícias, em sua opinião, difamatórias e que, por essa via, foram condenados a pagar indemnizações ao casal McCann, que as terá diluído no fundo Find Madeleine?
Balelas, Senhor Mitchell, Balelas!
Sabe porquê? Porque, dessa forma, os McCann teriam de agradecer as, supostas, notícias difamatórias que, por via das traduções de alcoolizados jornalistas, garantiram cerca de 1/4 do fundo criado para, supostamente, procurar a pequena Maddie. Neste caso, então, e na perspectiva que o Senhor apresenta, 25% do fundo seria resultante de difamações, álcool, incompetência e medo de despedimento? Desculpe, mas não é lógico. É uma história demasiado comprida!
Em relação a esta interpretação, o Dr. Gerry McCann é mais parcimonioso. Reconhece que Maddie “se tranformou num produto e os lucros tinham de ser mantidos”! Concordo em absoluto com o Dr. Gerry McCann nesta matéria e já me pronunciei sobre este tema e o Marketing Relacional do produto Maddie, na fidelização da clientela de alguns Media (escrevi sobre isto, pela primeira vez, em Junho de 2007). Aliás, uma recente afirmação, no âmbito de um congresso partidário, por parte de um político português envolvido num escândalo de pedofilia, ilustra bem o que quero dizer com Marketing Relacional (a seu tempo alguém falará deste tema). Mas, como se diz em Portugal: não se pode querer pau e bola! Foi o próprio Dr. Gerry McCann que criou este produto, quando, por motivos ainda não realmente descodificados, informou alguns Media na fatídica noite de 3 de Maio de 2007, forçando, a partir daí, mesmo contra o conselho das autoridades, a máxima exposição pública da imagem de sua filha, ainda que tivesse sido, repetidamente, avisado para o perigo que tal poderia representar para a vida de Maddie.
Paradoxalmente, o Dr. Gerry McCann refere não perdoar a imprensa portuguesa por ter publicado notícias sobre a, hipotética, morte de Maddie. A questão que, em minha opinião, se deve colocar não é a de perdoar ou não a imprensa por tais notícias, mas, antes, tentar entender qual o valor dessas notícias. Apesar de tudo, estas notícias, como foi possível confirmar aquando da publicação do processo, após o seu atabalhoado arquivamento, tinham fundamentos e indícios fortíssimos e não saíram ao acaso. Claro que se falou de uma “toupeira” na Polícia Judiciária. Este assunto, estou em crer, ainda virá à superfície das águas turvas em que navegamos. Mas, o mais relevante é que a teoria do rapto não apresentou quaisquer indícios ou fundamentos e o Dr Gerry McCann continua a reclamá-la. Saberá, o Dr. Gerry McCann , de algo que possa constituir forte indício de rapto e que ainda não tenha revelado à Polícia Judiciária? Esta é uma questão muito pertinente, do meu ponto de vista.
Mas com a proximidade temporal do 2º aniversário do infeliz acontecimento, uma nova campanha foi desenvolvida: colocar cartazes e outdoors com a imagem de Maddie, nas imediações da zona onde a menina desapareceu. O CIRCO DESCEU À ALDEIA! Devo dizer que só vislumbro um qualificativo para esta campanha: PALHAÇADA!!!
Os argumentos para esta acção são irremediavelmente desonestos.
Porquê?
a) Porque não é verdade que as populações da zona da Praia da Luz não tenham sido suficientemente informadas e investigadas; aliás, estas populações participaram activamente, como se de um filho se tratasse, em tudo, Dr. McCann, EM TUDO, mesmo para além do que lhes foi solicitado. Neste caso, as comparações efectuadas com as situações de Natasha Kampush e Elizabeth Smart, entre outras, constituem um argumento de estonteante fragilidade, para além de indignamente oportunista, porque tenta apanhar boleia do impacto, na opinião pública, da condenação a prisão perpétua do Senhor Fritzl, esse inacreditável caso de Amsteten! É, no mínimo, inaceitável esta tentativa de manipulação da opinião pública, dois anos após os acontecimentos da Praia da Luz!
b) Tal como nos infelizes e célebres cartazes que juntavam as faces de Maddie e MariLuz, convém que quem “desenhou” a campanha entenda, de uma vez por todas, que existem regras para este tipo de iniciativa, para além das decisões do casal McCann e do Senhor Mitchell e Associados;
c) Não é verdade que existam fortes indícios de que Maddie possa estar viva e de boa saúde. Ainda que a fé nos pudesse dar a esperança de que Maddie está viva, o simples bom senso impossibilitaria que pensássemos que uma menina afastada da sua família há tanto tempo, com as ignóbeis comparações com casos como os descritos na alínea anterior, poderia estar bem e de boa saúde. É, no mínimo, contra-intuitivo. Mais uma vez, tal questão será diferente se o Dr. Gerry McCann possuir algum tipo de informação que ainda não partilhou com as autoridades competentes.
d) Porque não é nada provável que, após o tempo decorrido, a memória de algumas pessoas possa ter melhorado ao ponto de se recordarem da reclamada “pista-chave” para encontrar Maddie. A memória não melhora com o tempo, Dr. McCann, a não ser em circunstâncias muito especiais que o Senhor, como médico, também conhece, o que nos levaria a considerar, apenas, "algumas pessoas".
Na verdade, compreendo a atitude das populações da Praia da Luz. Rasgar os cartazes é, simultaneamente, um acto de legítima indignação e de respeito pela memória de Maddie e não um acto de vandalismo como quis fazer crer o tablóide “The Evening Standard”. Que nome darão, então, estes Senhores, às acções de muitos dos adeptos ingleses de futebol a que costumamos chamar “Hooligans”?
Vou deixar algumas questões à procura de resposta:
a) Por que razões continua, a método 3, a figurar com investigation team no site oficial Find Madeleine?
b) Por que razão a Dra. Kate McCann parece estar menos visível e menos “activa”?
c) Por que motivos, após ter reconhecido que a sua família “foi o foco de uma das mais sensacionalistas, mentirosas, irresponsáveis e prejudiciais da história da imprensa”, o Dr. McCann insiste numa nova pressão mediática, localizada geograficamente???
d) Por que motivo, afirmando que deveria existir “maior controlo sobre o jornalistas ao potencial para arruinar a vida das pessoas”, o Dr. Gerry McCann NÃO accionou qualquer processo em Portugal, quando o poderia ter feito, a crer nas afirmações do Senhor Mitchell, relativamente às fontes das alegadas notícias que foram objecto de traduções?
Vou terminar, por hoje, com duas frases do Dr. Gerry McCann que, do meu ponto de vista, respondem a estas e algumas das interrogações presentes neste post:
“Como pais de Madeleine não podemos deixar de fazer tudo o que está ao nosso alcance para encontrá-la”
“Alguém, em algum lugar, sabe onde está Madeleine”
Boa Noite!





