Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009
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Duarte Levy publicou um artigo no jornal 24 horas, de segunda-feira 23/2/2009, que muitos incautos podiam julgar tratar-se de uma brincadeira de Carnaval. Mas quem conhece o Jornalista Duarte Levy sabe que, quer na blogosfera quer na imprensa mais tradicional,  não é homem para se mascarar. Aliás, é por isso mesmo que, dando a cara pela investigação de grande qualidade que faz, tem tido alguns dissabores, tal como Paulo Reis, Gonçalo Amaral, Hernâni Carvalho e outros, que, não fora a excessiva quantidade de eventos, sobre os mesmos "alvos", em circunstâncias temporais particulares, poder-se-ia afirmar que estes senhores têm em comum o facto de... «terem muito azar». Em menos de 2 anos, estes homens têm tido mais pneus furados, atropelamentos, detenções injustificadas, perseguições, devassas informáticas, cobardes assassinatos de cães, ameaças telefónicas, virus informáticos, cartas anónimas, traduções de documentos proibidas, furtos, roubos, encontros com videntes e ameaças à integridade física, do que tiveram durante toda a sua vida. As suas idades estão entre os 40 e os 50 anos. Mas, bastaram 21 meses para que a quantidade de eventos "desagradáveis" atingisse, em alguns deles, taxas de ocorrência, neste espaço de tempo, 50 vezes superiores às que têm a probabilidade de ocorrer em qualquer cidadão durante uma vida média de 80 anos. Espantoso, não? E tudo em surdina e sem ligações (aparentes).

 

Bom. Voltemos ao artigo de Duarte Levy e exploremos um pouco o tema, que notavelmente tratou.

Retive dois aspectos centrais: os satélites estarem voltados para Marrocos e a existência de "espiões".

 

Por que razão retive a resposta que foi dada ao jornalista: "Os satélites estavam todos voltados para Marrocos?"

Porque esta é uma resposta Mitchell's Style. Se começarmos a reparar em algumas perguntas e respostas que surgem, a partir de uma determinada altura, no caso Maddie, deparamo-nos com notáveis semelhanças estruturais, sob o ponto de vista linguístico (quer sintáctico quer pragmático). Mas, mais ainda! Parecendo barbaramente estúpidas,  essas questões ou respostas, são absolutamente contundentes! Sempre! O que quero dizer? Que é obvio que são mentiras! Ninguém acredita que todos os satélites britânicos (pois não têm só um, concerteza, e, aliás, a quantidade de objectos que andam à volta da terra começa a ser um motivo de preocupação, designadamente a partir do choque recente entre dois satélites) estivessem todos voltados para Marrocos. Porquê? Porque, para além dos problemas técnicos que tal implicaria, teria de haver, pelo menos, UMA justificação aceitável para que tal acontecesse. Segredo de Estado? É aqui que afirmo que as respostas são contundentes, apesar de barbaramente estúpidas e de parecerem tratar-nos a todos como palhaços (que me perdoem os palhaços, mas os verdadeiros, por quem nutro a maior das admirações).

Como refutar um segredo de Estado? Motivos para apontar para Marrocos? Sim, Claro! Mas são top secret! Logo teria de acontecer no dia 3 de Maio de 2007! O que aconteceu de tão especial em Marrocos nesta altura para que todos os satélites estivessem para lá voltados? Que se saiba: NADA. NADA. Mas como é Segredo de Estado, a estupidez adquire contundência. 

Este estilo de resposta é típica, tal como a justificação para a visita de G. McCann e tantas outras.

Deixem-me desabafar: não deve haver nada de mais irritante que termos de aceitar a contundência da estupidez!

 

Mas, e por falar em espiões?

Para além da técnica simples do anonimato que a blogosfera permite, mas que uma análise atenta dos timings e "estilos gramaticais" desvenda, temos uma armadilha muito mais poderosa: uma nova forma de contra-informação - o "efeito de streisand"

Muitas vezes, tem vindo a lume o chamado "efeito de streisand" na internet. Em Portugal, há uma expressão popular mais pacimoniosa: "gato escondido de rabo de fora".

Ora, o que se passa no chamado "efeito de streisand"? Trata-se de um, suposto, efeito que é produzido quando se tenta censurar algo na internet. Dito de uma forma mais simples, dada a estrutura, a quantidade de pessoas e os meios disponíveis na internet, se eu quiser evitar que uma determinada notícia saia ou seja censurada o efeito dessa censura é contrário ao desejado, pois ela tende a replicar-se por todos os meios possíveis e imaginários, como se de uma auto-regulação cibernética se tratasse.

Mas, só nós é que sabemos disto? Não! O "efeito de streisand" é Veneno e Antídoto, uma velha receita da espionagem. Sabem porquê? Imaginem que tento censurar uma notícia para tornar outra inócua? Imaginem que após uma notícia indesejável correr o risco de se espalhar eu coloco duas ou três outras notícias placebo (mas armadilhadas de pseudo-censores)? Será isto possível?

Imaginam quantas vezes isto aconteceu no Caso Maddie? Incontáveis e quase sempre sobre a forma CONTUDENTE QUE ABAFA A ESTUPIDEZ!

 

Até um dia destes!

 

  

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32 comentários:
De Joana Morais a 26 de Fevereiro de 2009 às 00:31
The Streisand Effect : When trying to block information backfires!
http :/ www.thestreisandeffect.com /200803 barbara-streisand /

O termo efeito Streisand refere-se originalmente a um incidente em 2003 no qual Barbra Streisand processou o fotógrafo Kenneth Adelman (e a Pictopia.com ) em 50 milhões de dólares numa tentativa de ter a foto aérea de sua casa removida da colecção publicada de 12.000 fotografias da costa da Califórnia que eram parte de um projecto maior de documentar a toda a costa. A casa de Streisand não mereceu virtualmente nenhuma atenção online/media até a mesma ter resolvido processar o dito fotógrafo. A frase foi criada à posteriori por um tipo chamado Mike Masnick no site Techdirt em Janeiro de 2005 - http :/ www.techdirt.com articles /20050105/0132239.shtml

só para esclarecer os menos conhecedores ;)

obrigada Dr.Paulo sargento, um abraço



De Paulo Sargento a 26 de Fevereiro de 2009 às 01:23
Nem mais, Amiga Joana.
Muito obrigado.
Um Grande Abraço


De Longrina a 26 de Fevereiro de 2009 às 10:56
É isso mesmo!! E eu como tantos outros, não gosto de me sentir "estúpida". Esta história já fez imensas vítimas colaterais e também reagi como o dr. Sargento quando li que TODOS os satélites estavam virados para Marrocos... enfim, sem comentários... a não ser que sejam como os seus!
Boa continuação.


De Cláudia a 26 de Fevereiro de 2009 às 11:06
Ontem, ao ouvir o Duarte Levy, senti-me surpreendida, o que já não me acontecia há algum tempo, no que respeita a este caso. Devo confessar que passei a olhar para ele (o caso), de forma diferente. Para pior.


De Maria C.Lopes a 26 de Fevereiro de 2009 às 13:36
Dr. Paulo Sargento, é sempre um prazer ler um artigo seu, por muito que ele me queime os neurónios ....... ( poucos, seguramente )

Depois do programa de ontem na TVI, tomei consciência ( MAIS AINDA ), do perigo que é :

Investigar o caso Madeleine .
Querer JUSTIÇA para uma menina de 4 anos que " desapareceu".

Não me saem da cabeça duas afirmações, uma do 1º Ministro Português , " sobre a dificuldade deste caso, e a necessidade de que os políticos deixassem de alimentar o folhetim "

Outra do 1º Ministro Inglês , " os ingleses ( eu diria o Mundo ) não está preparado para conhecer a verdade."

Depois de tudo o que temos vindo a saber, na minha modesta opinião de cidadã, mulher e PORTUGUESA

É IMPOSSÍVEL que Madeleine tenha sido vítima de um rapto por um qualquer pedófilo.

É IMPOSSÍVEL que Madeleine tenha sido vítima de um qualquer acidente doméstico.

É IMPOSSÍVEL que os pais não saibam mais do que dizem, e isso para mim, simples mortal, mas MULHER

É IMPOSSÍVEL DE ACEITAR.






De Karocha a 26 de Fevereiro de 2009 às 15:26
Eu tenho uma teoria.
Não a vou dizer!
3 de Maio de 2007 Maddie "desaparece"
31 de Maio de 2007, acontece algo de muito grave em Portugal e, ninguém o sabe,nem os Ingleses.
1 de Junho de 2007, inicio da Presidência Portuguesa da UE.
Gostei muito desta Blog, vou voltar.
Cumprimentos
Manuela Diaz-Bérrio


De remedios a 26 de Fevereiro de 2009 às 21:38
Hola Señor Sargento¡ A la orden¡¡¡

Y ahora cómo sabemos qué es verdad y que es mentira?

Ayer en TVI:-¿qué es preciso para que una niña “desaparecida” tenga ese tratamiento especializado de los servicios secretos de un país???

mentira? Es solo una mentira para que nadie pueda exigir respuestas?

ayer en TVI: Paulo Reis y Duarte Levy, son los periodistas que afirmaron haber tenido acceso al primer informe del FSS, que no es igual al presentado después a la policía portuguesa.

-Hay guardada una copia? Sólo ellos dos la vieron?

Ayer en TVI: Hernâni destaca que en ese viaje Duarte venía a Portugal para traer unos documentos importantes.

-Esos documentos , están bien guardados?

-Es necesario que haya voluntad política para poder reabrir el caso?

- Si existió un confidente en la PJ, puede ponerse de nuestro lado?

-Stuart Prior firmó la claúsula de confidencialidad? El incumplimiento de esa claúsula que sanción tiene?

-Quien tiene competencia para poder valorar si unos hechos y datos son secretos o no y si afectan o no a la seguridad nacional?


Estupidez si que hay.

Tengo claro que aquí si que hay monitorizadores. Les ruego no comenten con sus jefes lo que estamos debatiendo. No se van a enterar y les van a pagar lo mismo.

Reme



De Rosie a 26 de Fevereiro de 2009 às 23:40
Este caso realmente tem contornos muito estranhos e enigmáticos, a "teia" está cada vez mais enredada e perigosa para os que nela tentam penetrar.
Na sequência do trágico falecimento do filho de David Cameron( líder Tory), Gordon Brown teceu uma sentida e emocionada mensagem de condolências ao seu opositor político, lamentando a perda de uma jovem vida. Também ele ( G. Brown) sabe o que é perder uma filha, Jennifer faleceu com 10 dias de vida, e o seu filho sofre de fibrose cística, uma doença potencialmente fatal. Com esta mostra de sensibilidade e com uma carga emocional tão pesada enquanto pai , como entender, explicar e aceitar que o Sr.Brown não se tenha comovido com o destino fatal de outra jovem vida, a de Madeleine ? Que razões imperiosas o fizeram fechar os olhos e os ouvidos às mais que muitas evidências de crime, foul-play, como se diria em terras de Sua Majestade, na origem do seu desaparecimento? Porque escolheu proteger os adultos/suspeitos envolvidos nesta história ( e não me parece que sejam exactamente os Mccann que têm de ser protegidos a todo o custo, não serão assim tão importantes, pelo menos não óbviamente), fazendo pressão política para "matar" a investigação policial, em vez de usar o seu poder para ajudar a que a criança fosse encontrada, viva ou morta?
Será que algum dia vamos obter respostas às nossas dúvidas e inquietações?...


De Eme a 27 de Fevereiro de 2009 às 08:06
Buenos días, Paulo, y muchas gracias por este artículo que he releído varias veces. Hay en él suficientes puntos de interés como para no leerlo a la ligera.

La estrategia VENENO/ANTÍDOTO. Las "noticias-placebo". El análisis de estilo del señor Mitchell (sintáctico y pragmático), difícil de disimular. El cuento de hadas de los satélites que miraban todos al mismo sitio.

Lo que más me inquieta de todo esto, son las grandes dosis de "azar" que están cayendo sobre las personas que investigan el caso o simplemente hablan de él.

Cuídense ustedes mucho, todos. Duarte, Hernâni, Paulo Carvalho y Sargento. Mercedes y Mila, Joana y Astro. Claudia. Todos los que se ocupan públicamente del asunto McCann. No queremos más víctimas colaterales.


De LUISA a 1 de Março de 2009 às 10:55
´Bo día Sr. Sargento.

Soamente darlle as gracias por estar ahí. Os feitos son tan crudos que sobran as palabras.

¡ Coidese moito ! .Desexo ca "casualidade" cambie de rumbo e que acontezan cousas millores a todos vostedes.

Un saúdo dende Galicia


De Eme a 1 de Março de 2009 às 15:52
Querido Paulo:

Hoy nos hemos despertado con un artículo sobre el Señor Mitchell en The Independent.

Pongo el enlace, con su permiso (mejor dicho, sin él; si no es adecuado, le ruego que lo quite):

http://www.independent.co.uk/news/people/profiles/clarence-mitchell-i-am-a-decent-human-being-if-i-can-help-them-i-will-1634738.html

Me gustaría mucho, si es posible, saber qué opina usted sobre esta intervención de Mitchell ahora, "precisamente" ahora.

Yo, personalmente, lo encuentro cuando menos "muy oportuna".

Gracias y cuídese.


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