12.01.12por Nuno Abrantes
É normal – ou pelo menos era quando a internet se começou a vulgarizar no final dos anos 80 principio dos 90 – que as polícias dos vários países fossem buscar hackers para os ajudar a combater os crimes de fraude “cibernético”. Fazia sentido, os hackers eram tipos extremamente bem preparados, com conhecimentos e capacidades acima da média, e “pensavam” como hackers, ou seja, a ideia era colocar atrás dos criminosos alguém que pensasse como eles.
Ora imagino que este seja mais ou menos o racional que levou à escolha de Manuel Frexes, presidente da Câmara Municipal do Fundão, para administrador das Águas de Portugal. De facto, um dos principais problemas das Águas de Portugal prende-se com as dívidas que as autarquias teimam em não pagar. E quem melhor que um grande caloteiro – só a câmara do Fundão deve mais de 7 milhões de euros à AdP – para saber como pensam os outros caloteiros e tentar fazer com que estes paguem as dívidas. Passos Coelho mandou nomear Manuel Frexes para que este faça de cobrador do fraque, porque Manuel Frexes já esteve do lado dos “perseguidos” pelo cobrador e saberá melhor que ninguém antecipar os “truques de fuga” dos caloteiros como ele.
Nota de pé de página: Também pode ser que se trate de um favor político. Pode ser. Mas Passos Coelho prometeu que não ia para o governo para dar emprego aos amigos e como toda a gente sabe a mentira era um exclusivo do Sócrates.
Também publicado no Vozes de Burros
04.01.12por Carlos Manuel Castro
A primeira eleição primária Republicana, ganha por escassa margem por Mitt Romney, acabou por se traduzir numa boa jornada eleitoral para Barack Obama.
O Presidente dos EUA, que neste momento não tem nenhum desgaste interno, devido a ser o único candidato Democrata na corrida à Casa Branca em 2012, continua a ser presenciado com uma campanha Republicana fraca e sem grande mobilização.
A vitória de 8 votos de Romney, frente a Santorum, no decisivo estado do Iowa, um swing State, significa mais dificuldades para os Republicanos do que para os Democratas.
A campanha continua a ser acompanhada, a par e passo, nos EUA 2012.
02.01.12por Carlos Manuel Castro
Nenhum Primeiro-Ministro, em Portugal e em Espanha, chegou ao poder com tanta informação e conhecimento do estado do seu país e da realidade que tinha pela frente, como chegaram Passos Coelho e Mariano Rajoy.
Com a vasta e pormenorizada informação que tinham, ambos fizeram uma campanha eleitoral cinzenta (é tempo de começarmos a valorizar as campanhas, pois é neste período que se apresentam as propostas que depois, ao longo de uma legislatura devem ser apuradas do seu cumprimento ou não, e se não porquê). Não se comprometeram com muita coisa, a não ser o amor ao seu país, algo que qualquer candidato, em estado de normal lucidez tem, seja de direita ou de esquerda.
Nas campanhas que fizeram, tanto o líder do PSD como do PP, ambos prometiam, nas parcas palavras expressas, que não aumentariam os impostos. Passos Coelho, no dia 1 de Abril, mais conhecido como o dia das mentiras, qual coincidência do destino, chegou a dizer a uma rapariga, em Portugal, que cortar os subsídios (Férias e/ou Natal) era uma pura invenção. Escassas semanas, depois de ter assumido a chefia do Governo, a invenção tornou-se realidade.
Em Espanha, Mariano Rajoy quase que nem queria fazer campanha, para não se expor muito, ainda assim disse que não subiria os impostos. Ora, poucos dias depois de suceder a Zapatero, Rajoy decreta a subida de impostos.
Ambos eram tão hábeis a condenar os Governos socialistas, de Sócrates e Zapatero, mas uma vez encontrados no poder, não só aumentam a pressão fiscal como, pior, começam a desmantelar o Estado Social. Algo que os Governos socialistas peninsulares tudo fizeram para não debilitar.
Tudo é feito em articulação com a Chanceler alemã, para cair nas boas graças do Governo alemão, numa total irresponsabilidade. E nem por um único momento tem lugar a questão: o rumo que está a ser seguido é o correcto para o futuro de cada país?
É certo que os tempos são difíceis e as medidas de rigor são indispensáveis, porém não podem ser um fim em si mesmo, como defende o Governo alemão.
Se há quem ainda tem dúvidas de políticas de esquerda e direita, a crise é um exemplo das diferenças que existem. Enquanto a esquerda assume a austeridade, a direita impõe a asfixia.
01.01.12por Carlos Manuel Castro
As mudanças políticas que vão acontecer este ano serão marcantes para o futuro da década que temos pela frente.
A China irá mudar de líder. Hu Jintao vai deixar o poder e Xi Jiping vai ser indicado, neste ano, no Congresso do PC chinês, o próximo Presidente da República Popular da China. Uma mudança que não desviará o rumo do colosso asiático, iniciado no final da década de 70 do século XX por Deng Xiaoping, mas representa um novo salto, nesta fase de liderança mundial dos chineses.
Na Rússia, Putin deve renovar o poder, nas eleições presidenciais de Março, porém, como o último mês de Dezembro demonstrou, a popularidade do actual Primeiro-Ministro está em queda. E o passeio de outrora não continuará.
Nas Américas, destaque para as eleições presidenciais da Venezuela, México e EUA.
Hugo Chávez já teve o seu auge e a imagem de debilidade, associada à doença, da qual ainda não se sabe bem se está completamente restabelecido, a par de fracos resultados da economia, pode causar uma surpresa. O populismo nunca esteve tão vulnerável na pátria de Bolívar, como está actualmente.
No México, um dos gigantes mundiais, e ainda pouco entendido como tal, Felipe Calderón colocará um ponto final ao seu mandato, marcante pelo combate que fez aos cartéis de droga. 2012 pode representar o regresso ao poder federal do outrora dominante PRI.
Nos EUA, Obama está em condições de revalidar o mandato, mas a tarefa não será tão fácil, mesmo perante um candidato Republicano fraco.
Em África, a eleição legislativa angolana será mais um teste à democracia da pátria dos palancas e Eduardo dos Santos, que ainda não disse qual a sua disponibilidade para continuar na presidência do país, nas vésperas da decisão deverá anunciar vontade de continuar.
No norte do continente africano, o teste às mudanças radicais iniciadas em 2011 vai continuar. De Marrocos ao Egipto, veremos o despertar de um sistema democrático ou, então, a continuação dos anteriores sistemas e regimes, mas com outros intérpretes e que representam novos riscos regionais com impacto global.
No Médio Oriente, as eleições palestinianas deste ano podem ser marcantes e obrigar, como devem, Israel a encetar negociações com a Autoridade Palestiniana, agora que o Hamas demonstra querer guerrear com as palavras, em vez das armas.
Na Síria, 2012 deve ser o ano decisivo, da afirmação ou queda do regime de Al-Assad.
Na Europa, a eleição do presidente francês será decisiva, para o futuro da França e da UE. UE que terá, neste ano, um grande teste ao €uro. Depois de um ano de aflições e dificuldades, a moeda única estará debaixo de fogo, isto é, ou as lideranças europeias assumem as suas responsabilidades em conjunto e com soluções para todos ou as soluções a cargo de cada nação apenas contribuirão para o fracasso europeu.
Em Portugal, deveremos ter mais do mesmo, do que tivemos nos últimos meses e o empenho pelo crescimento estará arredado das preocupações dos nossos governantes.
30.12.11por Carlos Manuel Castro
A Presidente da Assembleia da República teve uma abordagem muito infeliz, a propósito desta interrupção dos trabalhos na Assembleia da República. Então os deputados param "para compensar" o que trabalharam?
Aos políticos exige-se rigor e aos representantes da Nação, que têm assento na Casa da Democracia, exige-se cumprimento do seu dever.
Assunção Esteves devia, por momentos, pensar em que condições vivem e trabalham muitos portugueses, antes de dizer um dislate.
É por estas e por outras que se desacredita a já de si mal tratada Política. Exige-se mais, muito mais, à segunda figura do Estado português. Mas não deixa de ser um sinal do estado destes tempos em que vivemos e deste poder, insensível e distante da vida dos portugueses.
28.12.11por Nuno Abrantes
…que o líder partidário que fez da ameaça separatista uma bandeira sempre pronta a atirar contra o Terreiro do Paço, seja ele mesmo o responsável pela maior perda de autonomia que os Madeirense alguma vez viveram após o 25 de Abril.

14.12.11por Carlos Manuel Castro
Passos Coelho: Folga orçamental pode chegar aos 3 mil milhões
A cada dia que passa fica mais evidente a irresponsabilidade política de Passos Coelho. Antes e durante o processo da votação do Orçamento do Estado, não havia margem, folga, qualquer possibilidade, a não ser: cortes no subsídio de Férias e Natal, cortes na Saúde, cortes na Educação, cortes na Segurança Social, em suma: cortes.
Tudo, por causa de uma política europeia, com sentido, na austeridade - é preciso ter regras e disciplina -, mas totalmente irresponsável, como é, actualmente, no que concerne ao crescimento e emprego; pois a direita europeia, com o acólito Passos Coelho a fazer suas as determinações de Angela Merkel, é preciso impor sanções e penalizar os incumpridores, como se em período de recessão, como o que atravessamos, pudéssemos adoptar as mesmas regras de um período de expansão económica.
Há poucos dias, qual novidade - depois do PS ter dito que havia almofadas que permitiam desagravar as condições de milhares de famílias, perante a negação constante do Governo, razão pela qual um dos subsídios não devia ser retirado -, havia uma folga de 2 mil milhões de euros.
Ontem, para maior surpresa, pois afinal não é uma almofada, é um travesseiro, há uma margem 3 mil milhões, e o Primeiro-Ministro ainda disse que era necessário poupar mais na Saúde, tudo isto no preciso momento em que se apresenta um aumento brutal nas taxas moderadoras, como se a Saúde fosse uma área irrelevante para a vida de uma sociedade e merecesse um tratamento apenas baseado no lucro. Tudo ao arrepio dos novos desafios contemporâneos, que carecem de uma aposta integrada e concertada de diferentes actores, no qual o Estado tem um papel crucial, para lidar com um conjunto de novas enfermidades que ameaçam a nossa sociedade.
Por este andar, acaba-se com o sector público, taxa-se tudo, por tudo e por nada, e ficamos com as contas em ordem. Porém, um país não são só números, e se este Governo já lida mal com números (não havia margem, mas há folga!), com as pessoas a relação e tratamento das pessoas tende a ser cada vez pior.
Passos demonstra nem ter a cura, que dizia ter, nem faz o tratamento, uma vez que conduz o paciente (Portugal) a um estado ainda mais vulnerável, e sem necessidade, como as suas palavras demonstram.
14.12.11por Paulo Ferreira
14.12.11por Paulo Ferreira
Um dia, daqui a muitos, muitos anos, depois das loucuras extremistas da religião da austeridade cega levarem ao fim de toda a vida sobre a Terra, quando os humanos sobreviventes tiverem emigrado para um planeta habitável numa galáxia muito muito longínqua....o Correio da Manhã versão Alien ainda continuará a fazer combinações aleatórias e trocadilhos de ocasião entre as palavras Sócrates, Universidade, Face, Cova, Independente, Beira e Freeport! Por muito que as evidências jurídicas ou históricas (nessa altura já "fossilizadas") não demonstrem nada!
É triste, recorda-me um filme, The Fan, com Robert De Niro e Wesley Snipes. Vale a pena ver, o filme claro!
13.12.11por Carlos Manuel Castro
13.12.11por Carlos Manuel Castro
A presidente da Assembleia da República condenou hoje o "modelo soberanista" de "cada um por si" da União Europeia, que está "sem coragem e sem rumo" numa altura em que a pobreza e o desemprego alastram.
Até a insupeita Assunção Esteves diz o óbvio, mas infelizmente o Primeiro-Ministro de Portugal não quer ver o óbvio.
Numa UE, liderada por quem tem uma obsessão em sancionar, o nosso Chefe de Governo não se apresenta como defensor do crescimento e do emprego, que tanta falta fazem em Portugal, mas apoiante de quem quer penalizar.
13.12.11por Carlos Manuel Castro

A pesar de sus posiciones críticas que han dificultado no pocos avances, hay que recordar las contribuciones cruciales de un país que, en palabras del analista Charles Grant, “animó a la UE a mirar hacia afuera y ver la globalización más como oportunidad que como amenaza”. Desde la cooperación al desarrollo hasta el Espacio Europeo de Investigación, muchas de las políticas e iniciativas comunitarias serían muy distintas de como las conocemos sin contribución británica. Sin ella, cuesta imaginar que la UE se hubiese animado a romper monopolios nacionales con poder enorme, como las compañías telefónicas o las aerolíneas de bandera. Sin Gran Bretaña la UE no solo pierde peso militar, académico y financiero, sino también un país que ha demostrado capacidad de innovar en políticas públicas y organización administrativa muy por encima de sus socios continentales. Y ¿en qué posición global quedaría el Espacio Europeo de Educación Superior si le restamos Oxford, Cambridge y el resto de universidades británicas?
Agora, que muitos fazem questão de destacar a posição britânica, isolada da UE, vale a pena recordar, como Jordi Vaquer o faz, da importância do Reino Unido na UE.
Obviamente, ao Reino Unido também interessa a UE. Como o consolado de 13 anos do Labour demonstrou (entre 1997/2010), o Reino Unido se quer ser uma das forças liderantes do mundo, só o poderá ser na qualidade de Estado da UE. O mesmo se aplica a qualquer gigante europeu que queira afirmar nesta nova era da Humanidade.
12.12.11por Carlos Manuel Castro
Billionaire and Ex-Minister to Oppose Putin in Russian Presidential Election
“I made a decision, probably the most serious decision in my life: I am going to the presidential election,” Mr. Prohkorov said at a news conference.
Mikhail Prokhorov manifestou interesse em candidatar-se à presidência russa, na eleição que se realiza no próximo dia 4 de Março de 2012.
O milionário russo, que no ano passado comprou uma equipa de basquetebol nos EUA e começou a sua carreira empresarial a vender calças, tem hoje uma fortuna orçana nos 17,8 mil milhões de dólares.
Prokhorov foi Ministro de Putin e acabou por ser despejado da pequena formação satélite do partido de Putin. Agora, que milhares de pessoas saem às ruas, pedindo Democracia na Rússia, depois das eleições legislativas da semana passada, ganhas pelo partido de Putin. Este magnata russo, mais um dos produtos da era pós-soviética, apresenta-se à liderança do gigante eslavo. Resta saber se terá condições, à luz da Lei russa, entenda-se, de Putin, poderá concorrer.
12.12.11por Carlos Manuel Castro
Apesar de estar em decadência, a França continua a ser um dos gigantes europeus e as próximas presidenciais, de Maio de 2012, vão ser um grande teste à França e à UE. Em causa estão dois projectos políticos claros e distintos: à direita, a continuação da política de austeridade, imposta por Merkel e seguida por Sarkozy; e, à esquerda, uma política apostada no crescimento e no emprego, assumida por François Hollande.
Uma disputa vital para a França e a UE.
12.12.11por Carlos Manuel Castro
Nicolas Sarkozy y Europa tendrán que esperar. Los socialistas franceses no votarán la regla de oro del déficit acordada por los líderes de la Unión Europea, salvo el Reino Unido, en Bruselas. El Partido Socialista (PS) rechaza además de forma global el acuerdo impulsado por Angela Merkel y Nicolas Sarkozy. Sarkozy, “antes de haber aprobado la regla de oro en Bruselas, debería haber consultado con la oposición y no lo hizo”. “Europa se olvida del crecimiento y no habla del papel del Banco Central Europeo. Nosotros creemos que hace falta otra política”
Según los socialistas, Sarkozy, lejos de salir reforzado, ha salido más débil y menos creíble del acuerdo de Bruselas: “No ha podido variar en nada la posición de Alemania, ya que en el fondo no tiene su confianza, y se ha plegado en todo a los deseos” de Angela Merkel, analiza Valls.
"El problema no es el Reino Unido, sino que un tratado a 26 no se sabe bien lo que es, no existe”
Perante o descalabro europeu, que a direita protagoniza e agrava, o PS francês dá uma boa resposta a menos de meio ano das presidenciais gaulesas.
Além da falta de respeito institucional de Sarkozy, nem consultou a oposição, o rumo que o PS quer dar à França e à UE não é de penalização, mas de crescimento.
Bons sinais vindos de França!
09.12.11por Carlos Manuel Castro
Tal como a máxima do antigo jogador inglês de futebol, Gary Lineker, em relação ao jogo de futebol entre selecções e seu desfecho: são 11 contra 11 e no fim ganha sempre a Alemanha, a mesma expressão bem podia ser adoptada em relação ao projecto europeu: são sempre todos a favor menos o Reino Unido.
Porém, a posição reticente de David Cameron até pode ter ajudado a UE. Não porque o Primeiro-Ministro britânico se entusiasme com a UE, bem pelo contrário, mas porque, sem ter esse propósito, David Cameron travou, para já, o controlo férreo a todo o custo, através de um novo Tratado, como pretende a França de Sarkozy e a Alemanha de Merkel. Ainda que tal controlo é bem possível, a concretizar-se o plano a 17 (da zona €uro, mais seis países que se querem associar).
A posição do eixo franco-alemão, neste Conselho Europeu, apenas se baseia na imposição de sanções, controlo férreo e desprovido de solidariedade.
A UE precisa, mais do que nunca, de novas lideranças, que concretizem o projecto europeu e não as ambições nacionais, dissociadas da UE, desde logo em França e na Alemanha, grandes impulsionadores, desde 1951, do projecto europeu. E sem os quais não se pode construir esta grande casa europeia. A geografia, primeiro, e a história, depois, são esclarecedoras do porquê.
Ora, em termos de liderança, David Cameron não se encaixa no grupo e no perfil de novos líderes empenhados na UE, mas como o lugar de Downing Street lhe faz ver, o Reino Unido precisa tanto da UE como a UE dos britânicos. Todavia, a realidade britânica tem especificidades muito próprias e David Cameron, que na oposição sempre foi um dos principais protagonistas a alimentar o eurocépticismo, no Governo sabe, in loco, como a economia das terras de Sua Majestade está mais ligada à UE do que o orgulho nacional britânico tende a negar. E a afirmação do Reino Unido no mundo carece, como a Alemanha e a França, da projecção de 500 milhões de pessoas, em vez dos pouco mais de 60 milhões de pessoas que o Reino Unido tem.
Blair já deixara isso evidente no seu consulado, e até mesmo Brown, menos entusiasta do que Blair em relação à UE, assim que passou do número 11 para o 10 de Downing Street constatou como o futuro do Reino Unido passa pela UE e por isso se empenhou, em 2008, como nenhum outro líder europeu a resgatar a UE da crise provocada nos EUA.
Hoje, Cameron enfrenta um cenário muito delicado para o seu mandato. Se conta com um aliado solidário na ligação e defesa da UE, como Nick Clegg e os Libdem, por outro lado, nas fileiras tories Cameron conta com um recrudescimento do eurocepticismo. Depois de há poucos meses ter falhado, no Parlamento de Londres, a pretensão de alguns conservadores obterem a permissão para se fazer um referendo à UE no Reino Unido, o coro, desta vez, devido ao plano de Merkel/Sarkozy, de impulsionar novo Tratado, fez levantar mais tories, reclamando um referendo.
Cameron, em tempo algum, poderia chegar a Londres anunciando um novo Tratado, pois, primeiro, ele não quer as regras apresentadas para o Reino Unido, e segundo, o Tratado seria encarado por muitos, a começar nos conservadores, como a excelente oportunidade para fazer um referendo no Reino Unido. E se o resultado é bem previsível, não menos certa seria a queda do poder de David Cameron.
Em suma, este Conselho Europeu fica para a história como um dos mais relevantes, e no meu entender pelas piores razões, e, qual herói acidental, Cameron pode ter defendido, sem querer, a Europa que milhões de europeus ambicionam: de respeito e de dignidade.
02.12.11por Carlos Manuel Castro
As últimas horas foram esclarecedoras do problema que a União Europeia tem. Nicolas Sarkozy, ontem em Toulon, e Angela Merkel, hoje em Berlim.
A UE precisa de ser reformada (Sarkozy) e o falhanço é político (Merkel). Nada mais correcto. Ambos foram precisos e objectivos. E estão certos!
Porém, o passo seguinte (ou seja, o anterior a estas declarações), e não dispensa a condição/estatuto de cada um, isto é, Chefe de Estado de França e Presidente do Governo da Alemanha, é que estes dois principais actores da cena europeia em vez de se limitarem a identificar os problemas deviam apresentar a solução, algo que ainda não fizeram, apesar de anunciarem novo encontro de trabalho, segunda-feira, em Paris.
Ora, o que os europeus mais poderiam esperar, deste cavalheiro e desta donzela, a começar nos franceses e nos alemães, seria um discurso como o do discurso do Papa eleito, do filme de Nanni Moretti que está em exibição nas salas de cinema europeu: rezem por nós, mas nós não temos capacidade para assumir esta responsabilidade.
Se a UE precisa de ser reformada e houve falha do universo político, de facto, não foi quem conduziu a UE a esta condição, Sarkozy e Merkel, que estão em condições de a sacar da actual situação.
Se Sarkozy e Merkel entendessem o que dizem em público e tivessem noção do seu actual cargo, teriam de limitar-se a apresentar a sua incapacidade de lidar com a situação, que ajudaram, e muito, a criar.
Como disse muito bem, o líder da bancada do SPD no Bundestag, a Angela Merkel não explicou aos alemães que crise é esta, que de facto é uma grande ameaça ao povo germânico, em termos económicos, laborais e sociais.
24.11.11por Carlos Manuel Castro
17.11.11por Paulo Ferreira
Agora é que Duarte Lima se vai safar mesmo! Como?
Fácil...basta mandar uns recados, "olhem que eu falo mesmo do BPN, querem abrir a tampinha da caixinha da Tia Pandora?"
15.11.11por Nuno Abrantes
15.11.11por Paulo Ferreira
O Fim da crise para 2012 é uma "cena" que assiste ao Álvaro. Ele só não explica como e porquê.
Ele sabe que Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, por razões eleitorais, podem ter que puxar o tapete à "segunda divisão europeia".
Ele sabe também que os fósseis dos Chicago Boys, os Maya Boys, previram o fim do Mundo para 12 de Dezembro de 2012.
Portanto...o fim da crise é mesmo certo para o Álvaro. Mau, mau, mesmo mau, é termos todos de acordar no dia 13 de Dezembro de 2012, muito pior do que estamos hoje e ainda por cima com o mesmo Ministro da Economia!
14.11.11por Carlos Manuel Castro
Nos últimos dias, devido ao facto das mudanças nos Governos da Grécia e da Itália, muitos comentários começaram a surgir em relação à nomeação de Papademos e Monti para a liderança dos respectivos Executivos nacionais. Estaríamos a entrar na era dos Governos de tecnocratas e isso seria um risco para a Democracia.
Se não nos ficarmos na espuma dos dias, veremos como ambas as personagens mandatadas para liderar os respectivos Governos são personalidades distintas - Papademos é um tecnocrata puro, enquanto Monti, apesar do seu carácter de tecnocrata, é um homem com um percurso político consolidado, desde os 10 anos como Comissário Europeu (lugar marcadamente político) à sua pertença ao grupo liderado por Felipe González para pensar o futuro da Europa.
Se ambas as situações são muito delicadas, o caso grego é bem diferente do italiano (tanto em termos de personalidades como estrutural). Vejamos: Papademos está a liderar o Governo grego de modo interino. Dentro de três meses os gregos regressam às urnas e escolhido o novo Parlamento, que poderá ser ganho por quem criou o enorme buraco na Grécia, a Nova Democracia, Papademos sai de cena. Ou seja, o novo Primeiro-Ministro grego é apenas o homem que está a assegurar a implementação das medidas num curto espaço de tempo, devido à saída de Papandreou.
No caso de Itália, Mario Monti está investido para concluir a actual legislatura, isto é, até à Primavera de 2013. Todavia, se actualmente a maioria dos grupos parlamentares italianos asseguraram ao Presidente Napolitano que vão apoiar o mandato de Monti, excepto a Liga do Norte (que passa para a posição confortável da oposição desresponsabilizando-se de tudo) e parte dos deputados do Partido da Liberdade (de Berlusconi), que não apoiam esta transição, Monti não vai ter uma vida fácil, pois o jogo parlamentar transalpino é marcado por imprevisibilidade e é bem possível a convocação de eleições no próximo ano, de todo indesejável, pois o país precisa, mais do que nunca, de estabilidade.
Quando muitos, agora, se atemorizam e reclamam que a Democracia está em risco, devido a estas mudanças, o risco primeiro, neste momento, para a Democracia, é o falhanço e colapso das suas instituições. Afinal, a Democracia não se resume ao acto do voto, mas a algo bem mais vasto e complexo, que também contempla o voto, mas não só.
12.11.11por Paulo Ferreira
12.11.11por Paulo Ferreira
"Os pais do sonho europeu fizeram tudo bem feito mas foram assassinados pelos filhos" - Frei Fernando Ventura.
Terão mesmo feito tudo bem? Mesmo?
09.11.11por Carlos Manuel Castro
Nestes tempos, tão propícios a criticar a Alemanha, pela má liderança de Angela. é de destacar o contínuo arrojo e visão das empresas alemãs em prevenir os riscos do futuro e fazer das dificuldades oportunidades.
O
Desertec é um ambicioso plano energético para fornecer energia à Europa.
Enquanto uns se queixam, outros preocupam-se em preparar o futuro.
03.11.11por Paulo Ferreira
Vindo de um reputado professor de Direito Penal e ex deputado do PSD, este artigo de opinião que valida totalmente a posição do PS na questão do enriquecimento ilícito ainda vem a tempo de ajudar a clarificar e elucidar a correcta posição do PS nesta matéria.
03.11.11por Carlos Manuel Castro
As notícias saídas nas últimas horas, quer na imprensa israelita quer na europeia, revelam que a escalada de confronto entre Israel e o Irão está para rebentar, se os ânimos e as vontades não arrefecerem.
Não é por acaso que começam a ser publicadas sondagens de qual a posição geral dos israelitas face a um eventual ataque ao Irão e no Reino Unido o Governo prepara-se para o confronto.
Nada disto é por acaso, e não se pode desconsiderar, neste delicado e explosivo xadrez a mudança de líder na Arábia Saudita, país que vê com grande apreensão, tal como Israel, o poderio nuclear iraniano - resta saber se os sauditas estão dispostos, como em 1991 no Kuwait, a bancar parte uma intervenção -, ao mesmo tempo que os EUA retiram as suas tropas do Iraque (país onde a influência iraniana, após a queda de Saddam, tem vindo a aumentar).
Por outro lado, o outro actor global e determinante, os EUA, conta, actualmente, com uma Administração mais dada ao multi que ao unilateralismo, como a anterior, de GW Bush. E há questões relevantes, no caso norte-americano, a considerar: a dimensão financeira, os EUA estão esgotados devido às intervenções no Iraque e no Afeganistão; a estratégica, Obama tem tido um mandato de pontes e não de rupturas; e, a eleitoral, é muito arriscado para Obama, a um ano da eleição, lançar-se numa guerra sem perspectivas de rápido desenlace, como na Líbia, mas, ao mesmo tempo, o poderoso lobby de apoio judaico dos EUA, e tradicionalmente pro-Democrata, não perdoaria a Obama a falta de apoio e/ou associação a Israel numa intervenção.
Do lado dos britânicos, o entusiasmo, quiçá pela intervenção na Líbia, é pressentido, algo que não é o sentimento de outras chancelarias, como as de Moscovo e Pequim, opostas a qualquer intervenção no Irão.
Consta que Benjamin Netanyahu, Primeiro-Ministro, e Ehud Barak, Ministro da Defesa, estão empenhados numa intervenção, à imagem do que Israel fez no Iraque (1984) e na Síria (2007). Posição à qual já se somou o radical Avigdor Lieberman, Ministro dos Negócios Estrangeiros. Porém, não é consensual, no Executivo de Tel Aviv, a decisão de ataque.
02.11.11por Paulo Ferreira
“Não podemos impedir que os gregos se suicidem”, refere um diplomata francês, citado pelo Le Monde.
É assim que "se olha" para a Grécia...do alto do Monte Olimpo a pensar em Hades!
02.11.11por Carlos Manuel Castro
Papandreou teve o condão de despejar um balde de água gelada ao mesmo tempo que adicionou mais gasolina à quente fogueira que nos queima na UE.
A decisão de convocar um referendo, para saber se os gregos querem o plano de resgate aprovado no último Conselho Europeu é uma jogada política extremamente arriscada, mais do que para o próprio promotor é para toda a UE, pois tem um alcance imprevisível, não só pelo precedente que abre, mas também pelo que pode (e já está a) provocar. Mérito se dê aos gregos, 3% do PIB europeu conseguiu, ontem, que todas as bolsas do mundo tivessem quedas. Nem as asiáticas escaparam.
Uma mais vez, o histórico encontro da semana passada, assim rotulado o Conselho Europeu, virou um rotundo fracasso devido a esta medida do Primeiro-Ministro helénico.
A Grécia acaba de abrir a caixa de Pandora e a partir de agora ou aceleramos a queda ou há um retomar do projecto europeu.
Quanto aos gregos, se a confiança já era pouca passou para o nível de praticamente nula. Como se pode confiar num país a quem se perdoa metade da dívida, arranja-se 130 mil milhões de euros e ainda se mete a equacionar se aceita ou não a proposta, depois de anos de puro desmazelo e irresponsabilidade?
Em termos europeus, pode ser que Berlim e Paris entendam, com este grande choque, inesperado e indesejado, que é tempo de deixar de paliativos e adoptar efectivas medidas de alcance europeu com impacto mundial, que salvaguardem, desde logo, alemães e franceses, e que, para isso, é importante que a zona €uro esteja a salvo de ataques especulativos.
Como o dia de ontem demonstrou, e a queda da bolsa de Milão não desmente, a grande ameaça e o grande perigo, muito mais do que a Grécia, é a Itália, actualmente em situação extremamente vulnerável, tanto pela realidade política como pela fragilidade económica. Imaginar que os italianos podem ter de se render e pedir um resgate seria o fim da incerteza e a consolidação da tragédia.
A Cimeira do G20, a arrancar nas próximas horas, na localidade francesa de Cannes, em vez de tratar da recuperação da economia mundial - em especial a do Ocidente, vai dedicar-se a tratar da Grécia. Para lástima e vergonha europeia, terão de ser os extra-europeus a tratar da UE, uma vez que as grandes potências (Alemanha, França, Reino Unido e Itália) não sabem tratar os problemas que têm na sua casa.
31.10.11por Carlos Manuel Castro
A cada dia que passa o actual Governo português demonstra uma total irresponsabilidade e grande hipocrisia. E estas palavras não se prendem com considerações, mas com factos.
Vejamos:
Irresponsabilidade
No Verão:
O Ministério da Economia confirmou hoje que o Governo vai comunicar às empresas de transportes públicos um aumento médio de 15 por cento nos preços dos bilhetes e passes sociais
No Outono:
Governo quer encerrar Metro de Lisboa mais cedo à noite
Outra irresponsabilidade:
Secretário de Estado apela a jovens para emigrarem
A função de um Secretário de Estado da Juventude é de batalhar por melhores condições dos jovens ou condenar o futuro da Juventude em Portugal? No entender deste Governo, a segunda missão é a mais adequada. Por isso, bem dizem, com toda a convicção, que a Segurança Social, a médio prazo está ameaçada. Assim, é provável que deixe de estar a médio para passar a curto prazo.
Um claro sinal de falta de articulação de políticas. Já não bastava a falta de noção do super-Álvaro, que impõe um aumento brutal e, ao mesmo tempo, procura limitar o acesso aos transportes públicos.
Hipocrisia
Há uns tempos, o CDS acusava:
O eurodeputado do CDS-PP José Ribeiro e Castro acusou hoje o primeiro-ministro português, José Sócrates, de ser "lambe-botas" do presidente venezuelano Hugo Chavez e de prosseguir uma "política externa de cócoras".
Hoje, Paulo Portas, o líder do CDS, na sua qualidade de Ministro dos Negócios Estrangeiros:
Paulo Portas na Venezuela para "consolidar" comércio
Sem esquecer esta pérola. Depois do PSD tanto condenar o Magalhães, vejamos o que é feito: Passos Coelho ´vende` Magalhães de Sócrates.
Mas nada disto deve surpreender, como disse, há uns meses, o então líder da oposição, actual Primeiro-Ministro de Portugal: Passos Coelho no WSJ: Medidas do PEC IV "não iam suficientemente longe".
E não bastava a má política, sem sentido nem orientação, apenas baseada nos cortes cegos e insensíveis, temos um Primeiro-Ministro português que, no exterior, anda a mendigar, como fez há dois dias, na Cimeira Ibero-Americana, solicitando ao México para, no G20, ajudar a resolver a crise.
Uma fonte da delegação portuguesa disse que Passos Coelho pediu ao presidente mexicano, Felipe Calderon, para dizer aos membros do G20, que Washington deveria ajudar a resolver a crise, "estimulando o comércio e também com ajuda financeira".
Pelos vistos, Passos Coelho que já esteve nalguns Conselhos Europeus, ainda não percebeu o que aquilo é e o que está lá a fazer, pois além de ter assento, voz e voto, devido à sua função de líder do Governo português, ele bem pode e devia falar com quem tem grandes responsabilidades e, por sinal, até pertence à sua família política: Angela Merkel e Nicolas Sarkozy. Por acaso, pessoas que também têm assento no G20, como o Presidente mexicano.
Se é certo que a crise de 2008, teve origem nos EUA, a recessão que está à beira de acontecer, deve-se à UE, por não saber, com os meios que tem ao seu dispor, colocar um fim ao actual e dramático momento para milhões de pessoas, na Europa e no mundo. Sobre isto, Passos Coelho e o seu Governo nem têm a mínima noção.
Assim, vamos tendo um Governo irresponsável e sem noção. Em suma, o ideal para o desastre!